Catastrophe
10 Capítulo 10
Point of view: Dougie
- Não doeu tanto, mas também não é muito divertido. — Sorriu. Revirei os olhos,
- Se não doeu tanto, porque eu tenho marcas de unha nas minhas mãos que vão servir de tatuagens? Sério, acho que não vão sair nunca! — Riu, passando a mão pela milésima vez no plástico que envolvia uma parte de seu braço esquerdo. — Podia ser pior! Eu podia, sei lá, te morder.
- Me morder?
- Aham. — Me encarou com um sorriso sapeca. — Você não vai me morder, né? — Perguntei, desconfiado. — Você não diz que eu sou um panda?
- Panda, não um cachorro com raiva.
- Pandas mordem. Você nunca leu a história do cara que entrou na área do Gu Gu no zoológico e foi mordido nas pernas? Ele mordeu o Gu Gu também.
- Por que o cara entrou na área do Gu Gu?!
- Ele queria abraçar o panda. — Alice sorriu e eu tive um ataque de risos. — Qual o nome desse cara?
- Zhang, algo do tipo. Nome de chinês.
- Prazer, Zhang. — Apertei sua mão e ela riu comigo, ficando séria antes de gritar:
- ISSO ME DÁ O DIREITO DE TE MORDER! — Me levantei do banco onde estavamos sentados e me afastei de Alice, que correu atrás de mim pelo parque. De repente, estavamos brincando de pega-pega em um parque quase vazio, de noite.
- Cansei. — Se jogou na grama. Me joguei ao seu lado, olhando as estrelas. Ficamos em silêncio por alguns segundos, até Alice dizer:
- Dougie, como vai ser? Amanhã?
- Bom, — Suspirei. — seu pai vai me matar, por causa da tatuagem, e fim, porque obviamente se seu pai vai me matar, eu vou morrer.
- Como você é bobo! — Gargalhou. — Eu sou bobo? EU?
- Nós dois. E eu estou com frio. — Dei meu moletom para ela, mas não pude deixar de comentar o quão aleatório a parte de ela estar com frio tinha sido. — Você tirou todo o brilho do cavalheirismo ressaltando que eu sou aleatória. — Fez biquinho. Minha blusa tinha ficado enorme e ela estava toda fofa parecendo um dos sete anões usando roupas do príncipe. — Desculpa ai, Dunga.
- Dunga?
- Você é pequena.
- Precisa parar de me dar apelidos, é sério.
— Me obrigue. — Cruzei os braços. — Ô Branca de Neve, — não pude deixar de rir com o tom que ela usou para me chamar assim -, toma vergonha na cara!
- Só quando você crescer — Ela me olhou como quem diz 'você não disse isso' e me deu um tapinha. Aproveitei e roubei um beijo. Estava ficando meio insuportável te-la por perto o dia todo sem poder beijá-la. Mas era melhor que não te-la por perto at all, não estou reclamando!
- Isso foi tipo, o antonimo de tomar vergonha na cara. — Disse, depois de nos separarmos. — Última vez? — Me olhou com uma certa súplica no olhar. — Você quer que eu te beije uma última vez ou você quer que essa seja considerada a última vez?
- Eu não quero nenhuma das opções, você sabe. — Suspirou. — Mas como eu só tenho essas duas, eu quero que essa seja considerada a última vez.
- Mas Alice, eu achei que nós tinhamos decidido algo hoje.
- O que, Dougie? O que a gente decidiu? Você tem namorada e a sua namorada é a droga da minha irmã. Se você terminar com ela, eu vou me sentir mal, se a gente continuar assim... Bem, eu me sinto mal.
- E se nós, sei lá, terminarmos? Aí você vai se sentir bem?
- Não.
- Então!
- E nós não temos algo para terminar! — Silêncio. Eu podia muito bem terminar com a Frankie, não podia? Mas tinha certeza que isso causaria problemas para Alice. Eu só causaria problemas para ela. — O que vai ser? — Repeti sua pergunta.
- Eu não sei.
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