Catarse
5 Na sorveteria
Mais um copo de firewhisky tombou de sua mão. George estava embriagado. Era madrugada, mas ele já não sabia de qual dia. Perdia totalmente a noção de tempo e espaço quando estava bêbado. Procurou mais alguma garrafa, porém parecia que seu estoque havia acabado. Irritou-se e tentou levantar-se, mas não teve força suficiente. Desabou de volta no sofá de sua sala, e encarou o teto, zangado. Sentia-se mal.
O momento de vergonha que se seguiu ao separarem seus lábios voltou à sua mente. Um silêncio constrangedor pairara no ar. Ele pretendia explicar como encontrara aquele lugar, mas não conseguiu. Angelina balbuciou que já estava na hora de ir. George a deixou na porta da casa, por manter a promessa de levá-la em segurança. Ainda que contrariada, ela não negou a atitude. Ele aparatou em casa no instante seguinte. Sentiu a necessidade de beber voltando. Assim que o primeiro gole passou por sua garganta, engasgou-se. Já havia esquecido o quão forte o firewhisky podia ser. Derramou um copo atrás do outro e desde então estava ali, decadente e rodeado pelo cheiro forte do álcool. Decidira encarar aquele beijo como um momento de fraqueza e apenas isso. Ainda assim, incômodo que assolava seu interior não o abandonou.
O sono foi tomando conta de sua consciência e ele se deixou levar pela sensação. Acordou com o leve barulho do crepitar da lareira. Tentou erguer a cabeça, mas fora em vão. Maldita ressaca.
“O que aconteceu aqui?”, ouviu a voz de Angelina.
Se ela estava ali então era segunda-feira. Apenas dois dias haviam se passado, afinal.
“O que houve com você?”, sua voz, que transbordava desgosto, estava mais próxima. George abriu os olhos, mas a claridade do quarto o atingiu, e ele os fechou novamente.
“Aguamenti.”
Antes que pudesse sequer reagir, um jato de água gelada bateu em seu rosto. Ele levantou seu tronco sobressaltado, mas continuou sentado; a água escorrendo por sua roupa. Soltou um palavrão, irritado, enquanto esfregava as mãos no rosto. “Por que fez isso?”
“Por que está de ressaca?”, questionou ela.
Talvez por que eu tenha bebido?, pensou sarcástico.
“Está usando a mesma roupa de sábado!”, sua voz zangada.
George grunhiu em resposta.
“Por que isso?”, dessa vez ele a olhou. Ela estava parada à sua frente, colocando a varinha no bolso. Seu uniforme contente da Gemialidades em nada combinava com sua expressão raivosa. “Tome um banho. Espero você na loja em vinte minutos. Esteja decente.”, acrescentou com um olhar de repulsa em sua direção. Ela seguiu para a cozinha e ele ouviu passos na escada que conduzia à loja.
George teve vontade de gritar que ela não era sua mãe e que não tinha o direito de lhe dizer o que fazer, muito menos, como estar. O desejo era forte, mas sua dor de cabeça mais ainda. Levantou-se e foi para o banheiro. Vinte minutos depois, ele desceu para a loja. Ela o ignorou e os dois se trataram com indiferença pelo resto do dia.
“Está tudo bem, senhor Weasley?”, perguntou Verity aproximando com cautela. Já estavam prestes a fechar a loja e ele estava no balcão, checando uns documentos. “Percebi que você e Angelina...”, ela já ganhara intimidade com a jogadora.
Ele a interrompeu, levantando o rosto.
“Está tudo ótimo. E pela milionésima vez, me chame de George.”, disse mais por estar irritado e querer descontar sua frustração em alguém do que por qualquer outra razão; sabia que aquela mania não morreria.
“Desculpe, força do hábito.”, sorriu-lhe. “Eu já vou. Até amanhã.”
“Até.”
George, pensando que a situação com Angelina fosse melhorar, enganou-se. Sexta-feira chegara e ainda não haviam se falado. Era o último dia de trabalho da moça ali e ele não estava disposto a deixar que ela fosse embora enquanto estavam brigados por algo que o ruivo nem mesmo entendia. Decidido, rumou para o estoque onde a encontrou, abaixada, arrumando alguma coisa nas últimas prateleiras.
“Angelina.”, chamou.
“O que?”, não se virou.
“Precisamos conversar.”
“Não tenho nada para falar com você.”
“Ah.”, exasperou-se. “Deixe de ser infantil!”
Angelina finalmente se levantou e olhou para ele. Não rebateu o comentário, suas feições apenas indicavam que ela esperava que ele dissesse alguma coisa.
“É o seu último dia aqui. Não quero que vá embora assim.” Falou, cansado daquilo.
“Eu também não, George.”, suspirou.
“Então será que a gente pode ficar de bem? Eu nem sei pelo o quê brigamos.”
Ela pareceu refletir por um instante.
“Não gosto de te ver daquele jeito. Ginny me contou que você tinha o hábito de beber até não se lembrar de quem era. Não quero que volte a ficar nesse estado.” George, assim que ela falou, soube que aquilo era apenas parte do motivo. Preferiu não se manifestar a respeito e amaldiçoou sua irmã mentalmente. Ele, em hipótese alguma, queria que Angelina soubesse de sua fraqueza.
“Não vai voltar a se repetir.”, prometeu secamente. Não era nenhuma criança para precisar de tal preocupação.
“Espero que não.”, rebateu no mesmo tom.
Ficaram em silêncio. E, de repente, com a atmosfera de briga se esvaindo, a vergonha tomou o lugar da raiva. George observou seu rosto e soube que ela pensava exatamente a mesma coisa.
“Você quer almoçar comigo hoje?”, murmurou sentindo suas orelhas esquentarem.
“Quero.” Era timidez em seu modo de falar?
Na hora do intervalo, ainda constrangidos, seguiram pelo Beco Diagonal. Estavam passando na frente da movimentada Floreios e Borrões, quando George viu Draco Malfoy. Seu semblante contorceu-se na hora.
“O que houve?”, ouviu a voz de Angelina ao seu lado e se deu conta de que parara no meio do caminho mirando a cabeça platinada. Malfoy estava de mãos dadas a uma mulher de cabelos pretos que estava numa veste bruxa elegante, ambos virados para a vitrine da loja.
“Aquele desgraçado.”, sibilou. “Deveria estar preso, filho da p...”
“George!”, exclamou Angelina antes que ele pudesse completar sua frase.
George virou-se para a pessoa ao seu lado. O olhar de repreensão de Angelina o irritou.
“O que?”, perguntou ríspido.
“Não cabe a você decidir o que deveria acontecer com ele. Malfoy foi julgado e absolvido.”, devolveu igualmente ácida.
“E daí? Pra mim, ele teria apodrecido em Azkaban.”, voltou a observá-lo com os olhos quase cerrados de raiva. “De preferência, com os dementadores por perto.”, sussurrou para si mesmo.
George lembrava-se de ter lido no jornal, há quase três anos, que os Malfoy haviam sido condenados a pagar apenas suas dívidas monetárias à população bruxa. Ele sentira uma revolta imensa. Coisas assim faziam parecer que a vida era ainda mais injusta. Fred, que sempre fora uma boa pessoa, morrera na guerra. Enquanto Malfoy, além de ter saído com vida da Batalha, fora absolvido de todas as acusações. Ele ficara zangado com Harry por ter testemunhado a favor daqueles desgraçados. Sua defesa justificava que haviam se arrependido antes do fim de Voldemort. Para George, pessoas como Malfoy é que deveriam morrer. O pensamento era duro, mas ele não se importava; pensar aquilo não levaria o loiro embora, e, muito menos, traria seu gêmeo de volta de qualquer maneira.
“Ele se arrependeu, George. Todos merecem uma segunda chance.”
“Segunda chance, Angelina?”, indignou-se virando de novo para ela. “Por acaso meu irmão teve uma segunda chance?”
Assim que perguntou, se arrependeu imediatamente. Viu a expressão de choque perpassar o rosto de Angelina. Esquecera-se de com quem estava falando.
“Achei que soubesse que sinto a mesma sensação de injustiça em relação à morte de Fred que você.”, falou friamente.
Ótimo. Convidara-a para melhorar as coisas, e agora só piorara a situação. Angelina voltou ao seu caminho e George a seguiu esquecendo completamente de Malfoy. Pensou em pedir desculpas, mas travou. Seu maldito orgulho o impedia. Entraram num restaurante que inaugurara há pouco tempo. Em uma das mesas de quatro lugares simples, George avistou Lee. Assim que os viu, ele acenou freneticamente para os dois. Seguiram em direção à sua mesa.
“Achei que nunca mais fossemos nos ver.”, falou contente quando os dois se acomodaram.
O restaurante era simples. O estilo casual combinava com aquela manhã. Não havia garçons no lugar. De acordo com as instruções que estavam na mesa, bastava dizer em voz alta o prato escolhido no menu que um pequeno bloco de notas se materializava no ar e anotava o pedido por uma mão invisível. George surpreendeu-se ao saber que o lugar possuía cinco decorações diferentes que variavam com o clima e a hora do dia. Agora a estranha combinação fazia sentido.
Logo, os pedidos foram anotados. Lee contou as últimas novidades. Ele e Kate estavam namorando – o que não era nenhuma surpresa para George – e eles almoçariam juntos. No entanto, por um contratempo no hospital, ela tivera que cancelar o encontro. Lee estava quase indo embora quando ambos chegaram. Ele também informou que ficou surpreso ao saber, pelo Profeta, que Angelina estava trabalhando na loja, mas não fez nenhuma consideração além sobre o assunto.
George ficou aliviado. Com o jeito engraçado e descontraído de Lee, que não percebeu a tensão entre os dois, em instantes voltaram a se falar. Era impossível se manter sério diante das brincadeiras do locutor. George lembrou-se de si mesmo nos tempos antes da Batalha. Até na guerra ele conseguia manter seu bom-humor. Agora, qualquer coisa o deixava bravo. É claro que houvera um progresso. Antes, sua acidez era quase insuportável.
“Precisamos marcar de nos encontrar de novo.”, afirmou Lee ao fim da refeição. “Que tal no próximo fim de semana?”
“Hum.”, disse Angelina engolindo seu último garfo. “Vou me mudar amanhã.”
“O que?”, perguntou George surpreso.
“Vou sair da casa dos meus pais e Alicia vai me ajudar.”, explicou casualmente.
Quando o amigo foi embora, não sem antes insistir para que marcassem logo uma nova saída, George convidou Angelina para tomar um sorvete na Florean Fortescue. Ele nunca mais tinha ido àquele lugar depois da guerra. Agora, soubera, a loja era administrada por um jovem, sobrinho do falecido Fortescue.
Agora que Lee já não estava presente, havia uma tensão no ar, mas ele estava decidido a acabar com ela. “Então você vai se mudar?”, questionou ao sentarem à mesa que ficava do lado de fora da sorveteria.
“Sim.”, respondeu saboreando sua porção de morango. “Eu pretendia de te contar.”
“Não!”, exclamou ao perceber como aquilo soara. “Você não me deve satisfações, eu só fiquei surpreso. Você não tinha dito nada a respeito.”
“Eu sei, George.”, respondeu e sorriu amigavelmente. “Você é um dos meus amigos mais próximos, é óbvio que eu contaria. Mas estávamos brigados, então...”, deixou a frase suspensa no ar e o clima ruim se foi definitivamente.
“Para onde está se mudando?”, arrancou um bom pedaço de seu sorvete sabor chocolate.
“Londres muggle.”, informou e George pôde notar que havia certo ar de orgulho no modo como ela falara.
“Cansou de magia?”
Angelina riu.
“Bom, não posso dizer que não é algo realmente bom quando se trata de limpeza doméstica, mas, pelo menos lá, sou totalmente anônima.”
George concordou sem nada a dizer.
“Há quanto tempo você vinha pensando nisso?”, questionou curioso.
“Desde Hogwarts, na verdade. Mas as coisas aconteceram tão rápido, que quando fui aceita pelas Harpies percebi que não faria diferença se fosse para outro lugar porque estaria viajando constantemente. Essa é a primeira vez que entro de férias e não dedico oitenta por cento do meu dia ao Quidditch.”
“Por falar nisso, você não tem treinado com o resto do time, tem?”, perguntou se lembrado de que ela não pudera comparecer ao aniversário de Harry. Ginny não pareceu ter faltado a nenhum treinamento. Ela ficava agitada quando isso acontecia.
“Bom, quando a gente está de férias, temos a opção de treinar em grupo ou não. Eu geralmente treino com elas, mas com a Copa se aproximando, os técnicos acharam que seria mais proveitoso um treino preparatório. Escolhi o horário da noite porque assim eu poderia aproveitar bem o restante do dia. Isso foi antes da Gemialidades, claro.”, respondeu sorrindo.
“Desculpe tirar o seu tempo livro.”, falou George com falso pesar. Angelina revirou os olhos. “Sabe o que eu acho engraçado?”, perguntou com um tom pensativo. “Vocês estão de férias, mas continuam treinando, não entendo isso. E, ainda por cima, vão voltar na segunda.”
“Faz sentido, mas férias é modo de falar quando se trata de Quidditch. Nós não podemos parar por um mês. Imagina como estaríamos? Mas é claro que nas temporadas normais nós ficamos umas duas semanas realmente paradas.”
“Temporadas normais?”
“Sim, temos a Liga em outubro, mas ano que vem é a Copa. Nem todas as meninas do time participarão, mas as que vão precisam de um treino objetivado, como eu disse. E mesmo quem não for, não deixa de esperar que alguém perca a vaga, e se isso acontecer, é melhor que estejam preparadas.”, explicou.
“Que cruel!”, exclamou George irônico.
“É a lei da selva, meu caro.”, sorriu. “Além disso, não posso reclamar. Ainda que não sejam férias integrais, é melhor do que nada. O tempo é curto, mas não é como se estivéssemos no campeonato nacional, tendo que viajar todo final de semana, dar entrevistas, comparecer a eventos, treinar em dois turnos e tudo mais. E do que eu estou falando? Sua irmã faz parte do time, você sabe de tudo isso.”, concluiu lambendo mais uma parte da guloseima.
“Não sei, na verdade.”, falou abaixando a voz. “Não estive acompanhando a carreira de Ginny.”, acrescentou pensativo. Quem sabe na próxima temporada ele não começasse a comparecer a um jogo ou outro? Voar com Angelina o fizera lembrar de como sentira falta daquilo. Quanto mais tinha perdido nesses últimos anos?
A artilheira o observou por uns instantes como se tentasse entender o que se passava em sua mente.
“Agora vai ser melhor, de qualquer maneira. Nosso passeio me deu uma nova motivação.”, seus olhos brilharam e George entendeu que o momento embaraçoso após o voo não tirara o ganho daquela tarde.
Ao fim dos saborosos doces gelados, seguiram para o caixa. Ele insistiu em pagar, como fizera no restaurante. Ela, mais uma vez, recusou e o breve momento de paz se esvaiu.
“Deixe de ser teimosa.”, suspirou pesadamente.
“Deixe de ser machista.”, rebateu se adiantando para o balcão.
“Não é machismo, Angelina. Não me custa nada!”
“A mim também não. Guarde seu cavalheirismo para um encontro. Você sabe muito bem que eu não ligo para isso.”
George bufou, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, uma voz com um forte sotaque francês falou.
“Algum problema?”
George olhou para o caixa. O jovem, que agora era dono do lugar, estava parado com um ar elegante ao lado do funcionário que estivera apenas observando o pequeno desentendimento.
“Não...” O homem interrompeu-o ao olhar para Angelina.
“Você é Angelina Johnson?”, perguntou com os olhos arregalados. Angelina murmurou um discreto “sim”. George percebeu que as pessoas se viraram a menção do nome. O homem saiu de trás do balcão e seguiu em direção à morena, ignorando totalmente a presença de George.
“Sou Joseph Fortescue e um grande admirador.”, ergueu a mão para Angelina lançando um olhar que ele devia achar sedutor, mas George pensou ser patético. Porém, parecia ter funcionado com a moça, pois, apesar de sua pele ser escura, foi perfeitamente possível perceber que ela corara. Ela estendeu o braço para retribuir ao cumprimento, mas ele segurou seus dedos finos e os puxo depositando um beijo nas costas de sua mão. Seu cabelo cor de areia estava perfeitamente alinhando. Tinha quase a mesma altura que o ruivo.
“É um grande prazer conhecê-la.”, apesar do forte sotaque, seu inglês era perfeito. George notou que não havia o costumeiro ar de admiração de fã na expressão do, obviamente, francês. Seu olhar hipnotizado demonstrava pura fascinação.
“O prazer é meu.”, respondeu ela educadamente. Um pequeno grupo de pessoas se aproximou assim que ela devolveu o cumprimento. Rapidamente, Angelina estava cercada por apreciadores de Quidditch.
“E você é...?”, questionou Fortescue finalmente se dando conta da figura de George. Ambos observavam a famosa artilheira distribuindo autógrafos. Angelina não estava confortável, percebeu George.
“George Wea...”, começou bruscamente depois de uns minutos, mas o homem já não estava prestando atenção. Ele se aproximou de Angelina que agora autografava o caderno da última pessoa, e perguntou.
“Será que poderíamos conversar um minuto no meu escritório?”, sua voz estava baixa, mas George prestava bastante atenção para não entender.
“Eu estou com ele...”, respondeu se voltando para George
“Tudo bem.”, afirmou rapidamente. “Não me importo.”, deu de ombros.
“Tenho que pagar a conta...”, tentou e parecia um pouco aflita.
“Cortesia da casa, a sua e a de seu amigo.”, enfatizou a última palavra como se esperasse saber o que George era. Ela nada falou, e ele sorriu conduzindo-a por um corredor atrás do balcão.
George, ainda assim, deixou sicles suficientes para pagar a conta dos dois e saiu do estabelecimento. Andou lentamente até sua loja na esperança de que Angelina o alcançasse, mas isso não ocorreu. Ela não apareceu nos próximos minutos, nem na hora seguinte. Estava anotando novos pedidos para serem enviados aos fornecedores quando a funcionária chegou.
“Desculpe a demora.”, falou enquanto seguia em direção à sala de George. Era lá que ela deixava sua bolsa. Voltou instantes depois. “Não pretendia demorar, mas Joseph...”
“Não precisa se explicar.”, respondeu pensando que ela já chamava o dono da sorveteria pelo primeiro nome. Estivera de cabeça baixa todo o tempo.
“Entendo se você estiver zangado comigo. Eu deveria ter voltado há uma hora e...”
“Angelina”, George a interrompeu finalmente olhando-a. “está tudo bem.”
“Não pense que acho que tenho algum privilégio ou algo do tipo.”, continuou como se não o tivesse escutado.
“Não penso.”
“Eu vou compensar, juro.”, prometeu.
“Hoje é seu último dia.”, observou voltando-se para os papéis. Poderia sorrir com as tentativas dela se a situação fosse outra.
“Posso ficar até mais tarde.”
George suspirou.
“Se é assim que você quer...”
Ela pareceu ficar mais aliviada e, como prometera, permaneceu até depois das sete.
“Pode ir embora.”, informou George quando notou que não havia mais nada a ser feito.
“Eu fico um pouco mais e...”
“Angelina”, cortou-a coçando a testa. “Não há nada aqui. Você já me ajudou bastante por todo esse tempo.”
“Tudo bem.”, murmurou e quando estava prestes a sair, virou-se para ele que estava no caixa. “George, você está bem?”
“Não poderia estar melhor.”, respondeu asperamente sem mirá-la. “Acho que já está mais do que na hora de você ir.”
“Certo.”, falou com a voz seca. E sem mais nenhuma palavra, ela saiu, deixando para trás um George mais frustrado do que nunca.
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