Notas iniciais
Depois de muuuuuito tempo, voltei pra postar mais um capítulo curtinho, mas que foi escrito com muito amor ♥

— Catarina, preciso falar com você. – minha mãe disse em tom sério, enquanto trazia duas canecas de café para a mesa. Sentei com um pouco de impaciência proveniente de ter que acordar um pouco cedo demais para um domingo. As canecas fumegavam graças ao chá quase fervente.

— Diz, mãe. – Ela sentou-se com expressão séria no rosto e percebi que ela realmente queria falar alguma coisa, digamos, importante. Passou a mão nos cabelos embaraçados e tomou um gole do chá.

— Você está se relacionando com o filho daquela mulher, não está? – Minha mãe perguntou, olhando fixamente pra mim. Ela saberia se eu mentisse, quase como um sexto sentido de mãe, né? Pausei os olhos no chá dela para ponderar por um momento. Como diabos ela descobriu isso?

— Sim.

Ela continuou com o olhar fixo, a tensão naquela mesa de café-da-manhã parecia quase física, como um nó sobre nossas cabeças que ficava, a cada segundo silencioso, mais forte. Minha mãe prendeu a respiração por um instante e suspirou, explicitamente decepcionada. Eu já imaginava todas as quatro semanas de castigo, presa num circuito exaustivo casa-escola-casa-escola e em todas as mensagens que eu teria que trocar com Georgia, Lola e Jessy e...

— Catarina. Já disse que odeio quando você esconde as coisas de mim. Você sabe que eu sempre vou descobrir, não sabe? – Ela mantinha o mesmo tom decepcionado enquanto circulava as bordas da caneca com os dedos, quase como um mantra.

— Você sabe que não vai adiantar me proibir de vê-lo, não é? Eu não sei qual é a droga do problema que você ainda insiste em ter com essa mulher, mas eu não vou deixar que isso me afete, mãe. Não vou tomar seus problemas. – Falei meio que a interrompendo, cuspindo as palavras quase tão rápido que não deu pra entender a metade.

Ela ficou estática e, logo em seguida, meu pai chegou na mesa e sentou-se conosco. Ele vinha com aquele bom humor insuportável que somente um ser humano que é alheio a toda e qualquer coisa consegue manter numa droga de domingo de manhã. Talvez o dele começasse vendo no jornal da manhã que o time dele ganhou de 3x0 no jogo madrugada passada, mas o meu começou como um caos. Quis arrancar a expressão de tranquilidade do rosto dele com as minhas próprias mãos.

Fiquei calada. Tomei o café da manhã como se nada tivesse acontecido. Minha mãe me fuzilava com o olhar. Saí da mesa e fui para meu quarto, fechando a porta atrás de mim. Passei o resto do dia lá e não troquei mais nenhuma palavra com nenhum deles. Do outro lado do apartamento, minha mãe pensava incessantemente sobre isso, mas eu ainda não sabia.

No fim da tarde, meu pai havia saído para fazer ou comprar qualquer coisa que ele julgou necessária. Minha mãe abriu a porta do meu quarto e eu já estava esperando o sermão e contando mentalmente quantas vezes eu seria chamada de mentirosa, irresponsável ou qualquer coisa do gênero.

— Eu não quero que você se relacione com esse garoto, Catarina. Qualquer um, menos ele. Deve ser exatamente o mesmo tipinho da mãe. Por favor. – Concluiu. Fiz minha melhor cara de merda enquanto ela falava.

— Eles não são a mesma pessoa, mãe. – Rebati e voltei a fazer qualquer coisa que fosse que eu estava fazendo antes. Qual era a droga da fixação? Por qual diabo de motivo ela não podia me deixar viver minha vida? Era eu quem estava me relacionando com ele, não ela!

***

Pouco mais tarde, enquanto trocava algumas mensagens com as meninas e com Erin, ele propôs a ideia de sairmos na mesma noite. É claro que topei, mas não tinha contado pra ele a história toda da minha mãe. Eu sequer sabia se ele tinha noção de toda essa confusão entre nossas mães ou ainda pior, sequer sabia se a mãe dele ainda tinha toda essa birra que nem a minha.

Fingi que estava dormindo e, quando meus pais já tinham adormecido, peguei um casaco, coloquei algum dinheiro no bolso e saí, com cuidado e silenciosamente. Ele estava com o carro parado na frente da portaria do condomínio. Corri até lá e entrei no carro, com um pouco de falta de ar. Sedentarismo é complicado.

— Oi, Cat. – Erin abriu um sorriso e colocou a mão no meu rosto, fazendo carinho, enquanto eu observava a expressão dele. Me aproximei e beijei-o suavemente. Eu certamente poderia me acostumar com isso. Erin era tão carinhoso que algumas vezes eu até me assustava. – Descobri um lugar legal pra gente ir hoje. – Ele disse, enquanto ligava o carro e então fomos para qualquer lugar que fosse.

Quando chegamos, me vi na frente de um dos parques da cidade. Era um lugar tranquilo e que tinha muitas árvores, circuitos de bicicleta e um laguinho. Fiquei pensando o que teria pra fazer lá naquele horário, mas quando percebi já estávamos andando, com ele me puxando pela mão até a pequena ponte que ficava em cima do laguinho. Era uma ponte até que alta, o que permitia uma visão ampla do céu e com poucas interferências luminosas. Sentamos num dos banquinhos de madeira bem no centro e ele entrelaçou os dedos nos meus.

— Fiquei sabendo que hoje ia ter um festival de fogos de artifício ou qualquer coisa assim e pensei que daqui poderíamos ver. – Ele disse, tranquilo – Sua mãe ficou ok em você sair nesse horário?

— Na verdade, Erin... – Suspirei, cabisbaixa – Minha mãe não queria que eu te visse mais. – Ele me olhou com curiosidade depois que eu disse isso – E eu não sei o que fazer sobre isso. Você sabe que eu quero estar com voc...

— Catarina, me escuta. – Ele não deixou que eu terminasse a frase – Você sabe que a gente pode dar um jeito nisso, não sabe? A gente sempre pode. – Abri um sorriso e estiquei as pernas por cima do colo dele, sentando-me de frente para Erin. Ele me deu um beijinho na testa.

— É claro que podemos. – Respondi. Então, o céu começou a brilhar colorido formando pequenas chuvinhas brilhantes distantes que prendiam nossa atenção como duas crianças. E entre beijos tímidos, sorrisos e conversas sussurradas, a noite se encerrou.

Notas finais
Obrigada por estar aqui lendo mesmo com toda a demora ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.