Catapult
5 4. Gold
Notas iniciais
[Rachel's POV]
Decidi levar Quinn para um dos lugares mais importantes da minha vida, um dos lugares que eu mais gostava e que eu nunca tinha levado ninguém — o mirante de Lima. Sempre quando eu me sinto mal, eu vou ao mirante, sento em um banco e aprecio a paisagem de Lima. A aura do mirante me acalma totalmente, e eu me sinto bem mais leve, livre de minhas inseguranças.
– Nossa, aqui é muito lindo Rach... — ela abriu um largo sorriso enquanto olhava a paisagem. A brisa bagunçava os fios loiros de Quinn, que nem relutava em tentar arrumar o cabelo.
Peguei a mão de Quinn e juntas nós ficamos observando a paisagem. Fui guiando-a até a ponta do mirante, e a brisa começou a ficar mais forte.
– Abra os braços, Quinn. — falei, enquanto Quinn tentava se equilibrar.
– Não, eu vou cair Rach. — ela falou, receosa. — Eu sei que eu não estou na ponta de um navio, mas aqui é muito alto. — ela riu, envergonhada.
– Não vai, eu vou ficar atrás de você e eu não vou te deixar cair. Eu prometo. — me posicionei atrás de Quinn, e abri seus braços. Segurei-a pela cintura por trás, e seus braços ficaram totalmente abertos. A brisa pegava forte em nós, mas estávamos juntas e nada aconteceria conosco.
– Eu te amo. — falei ao soltá-la. Quinn já estava por si própria, e sua insegurança tinha ido embora.
Peguei o colar que eu tinha comprado para Quinn que estava guardado em minha bolsa. Eu tinha conversado com os meus pais e apesar de querer pedi-la em casamento, era muito cedo para isso. Eu sabia, e eu não podia lidar com um casamento agora. Não agora. Mas eu não tinha nenhuma dúvida de que eu a amava mais do que tudo, e de todas as incertezas que me cercavam, a única coisa de que eu tinha certeza era que Quinn era a pessoa certa para mim.
Quinn ainda estava de olhos fechados e eu a segurei pela cintura novamente e ela os abriu. Pedi para ela ficar de costas, e coloquei o colar em seu pescoço. Era um colar de ouro com um pingente da letra ''R'' e eu tinha comprado um com a letra ''Q'' para mim. Era tão clichê, mas eu fiquei apaixonada quando vi na loja. Os pingentes eram de ouro e cada um deles tinha uma pequena e delicada estrela dourada com uma pedra de diamante no centro. Eu sempre gostei de estrelas, Quinn sabia disso muito bem disso.
– Pode abrir os olhos. — falei quando acabei de colocar o colar em seu pescoço. Quinn pegou no pingente e deu um sorriso largo ao passar seu indicador pela estrela.
– Rachel... É lindo. — Sorri em resposta e afastei meu cabelo para ela colocar o meu colar. Quinn o colocou e me virei de frente para ela. Encostei minha testa na dela, e peguei em suas mãos, dando um beijo logo em seguida.
Fomos interrompidas pela forte brisa, que fez com que meu cabelo voasse para o meu rosto. Quinn delicadamente o afastou, e eu sorri envergonhada; ainda segurando uma de minhas mãos, Quinn pegou uma caixinha que estava guardada dentro de sua bolsa.
– Esse é o meu presente. — ela me entregou a caixinha e eu tentei analisá-la para supor o que seria. Nada me vinha a mente, e eu estava completamente curiosa. — Não é um colar com diamantes, mas... eu espero que goste. — ela sorriu, sem graça. — Pode abrir.
Abri a caixinha e tinha uma pequena almofada vermelha com um ingresso dourado com um nome preto em negrito: ''Between the lines — The Musical, w/ Barbra Streisand!''
Senti meu coração parar por um segundo. Eu estava completamente chocada, e comecei a pular totalmente descontrolada. Fiquei com medo de derrubar o ingresso ou por alguma falta de sorte ele ser levado pela brisa. Segurei-o firme enquanto pulava sem parar e gritava palavras sem sentido, e depois guardei-o na caixinha para abraçar Quinn. Comecei a chorar e me senti completamente estúpida, mas Quinn sabia muito bem o quanto eu era apaixonada pela Barbra.
– QUINN! COMO... VOCÊ.. QUE?? — falei, numa falha tentativa de formular uma frase.
Ela estava segurando a caixinha e eu continuei pulando com minhas mãos na boca. Eu estava tentando conter meus gritos, mas estávamos completamente sozinhas acabei deixando escapar alguns. Abracei Quinn novamente e tentei ficar normal, mas a verdade é que eu estava muito entusiasmada. Era a estreia de um musical da Broadway em que a Barbra participaria como uma das principais. Ela cantaria alguma de suas músicas, e músicas totalmente inéditas — BTL estrearia na próxima semana. Quando eu tentei comprar, os ingressos se esgotaram rapidamente e eu fiquei arrasada, nunca me passou pela cabeça que Quinn conseguiria, nem meus pais tinham conseguido.
– Eu tenho meus contatos. — Quinn não parava de sorrir. — Vem cá. — ela me puxou para perto de si, e selamos nossas testas novamente. — Eu te amo. — ela sussurrou. — Eu sou capaz de fazer qualquer coisa por você, Berry.
– Eu também sou capaz de fazer qualquer coisa por você, qualquer coisa. — sussurrei, encarando os olhos únicos de Quinn.
– Rachel, eu queria te perguntar uma coisa... — ela falou, meio sem jeito. Percebi pelo seu tom. Eu...
Quinn foi cortada pelo som irritante do toque do meu celular. Eu tinha esquecido de desligá-lo e praguejei mentalmente para quem ligava justo agora.
– Não vai atender? — ela falou com o celular na mão. — Quem é R? — ela levantou uma sobrancelha. Seus olhos pediam por uma resposta, e me encaravam como nunca tinham encarado antes.
''Droga'', pensei. Meu sangue começou a subir e eu me senti tonta. Fiquei com vontade de jogar o celular no chão. Quinn me olhava estranha enquanto o celular tocava, e eu o peguei de sua mão, recusei a ligação e desliguei o celular. Tentei me controlar o máximo possível, mas Quinn me olhava completamente desconfiada.
– É um amigo, Ross. Não atendi pois não quero ser incomodada. Qualquer dia eu apresento vocês dois. — tentei parecer o mais convincente possível. Quinn passou a mão pela franja e suspirou, com seus olhos ainda sobre mim.
– Rachel. — ela fez uma breve pausa, parecia pensar sobre alguma coisa e logo depois pegou em minha mão, com um sorriso leve no rosto. — Você fez o certo. Depois me apresente o seu amigo, ok? — eu assenti, mordendo meu lábio. — Hoje o dia é só nosso, nada de celulares. — ela pegou minha bolsa, colocou o celular dentro e a colocou ao lado da sua no banco.
Me senti mais aliviada, mas ainda estava preocupada. Ross me ligara por algum motivo, e eu precisava saber qual. Eu estava nervosa, mas tentei disfarçar pois não queria estragar meu dia com Quinn.
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– Ah, eu amo esse filé com roquefort que você faz, Rachel. — Quinn falou enquanto cortava mais um pedaço da carne. — Ele combina com esse vinho que você escolheu.
– Eu sou muito boa na cozinha, sou boa em cantar, sou boa nos estudos... Fala sério, sua namorada é o máximo. — arranquei uma gargalhada de Quinn.
– O que? Está me zoando? — cruzei meus braços fingindo estar emburrada como uma criança mimada. Quinn mantinha seu olhar fixo sobre mim e parecia achar graça da situação.
– Não, mas você não é boa nas coisas que você citou... — estiquei meu braço para dar um beliscão em Quinn, mas antes disso ela desviou. — Você é ótima. — ela se explicou. — É ótima em tudo o que faz, inclusive em sexo. — ela sorriu maliciosa, mordendo seu lábio inferior.
– Quinn como você é safada. — fingi uma cara de reprovação nada convincente, o que fez com que Quinn desse um sorriso extremamente sedutor.
– Olha quem fala, você é muito mais safada que eu. — dei uma leve risada, o que chamou a atenção de Quinn.
– Eu tenho uma ideia. — Quinn olhou para mim curiosa, e alternava seu olhar para minha boca e meus olhos. — Que tal você ir preparando a banheira que eu já vou?
– Eu acho uma boa ideia, aliás, uma ótima ideia. — ela levantou-se da cadeira e tirou a blusa ali mesmo. Quinn estava sem sutiã e fiquei com vontade de agarrá-la ali mesmo. Antes de eu ficar em pé, Quinn se manifestou. — Isso é só uma amostra grátis, trate logo de dar conta dessas louças e suba o mais rápido possível. — sua voz foi ficando distante a medida que ela subia as escadas, apressada.
Quando eu me dei conta, eu estava sozinha na cozinha com um monte de louça para lavar. Ao ouvir o barulho de Quinn no banheiro, decidi ligar para Ross e saber por qual motivo ele tinha me ligado.
– Aconteceu alguma coisa? Algum problema com o esquema? — perguntei, nervosa e olhava para os lados totalmente impaciente.
– Não, eu liguei para o outro celular e não consegui falar com você. Só queria confirmar se é semana que vem que o esquema J. será efetuado, para eu poder alugar o barco e o carro.
– Eu já falei que sim. — suspirei, franzindo a testa. — Olha, depois a gente dá um jeito de se encontrar para falar sobre isso, você sabe que eu não posso falar sobre esses assuntos em casa. — tentei manter o meu tom de voz o mais baixo que eu pude.
– Sim, Rachel. Me desculpe. Só mais uma coisa... O nome daquele cara é Jesse Jay o que mesmo?
– Jesse st. James.
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