Catalepsia
9 Capítulo 8. Abraço amigo
Notas iniciais

— Oe Zoro! O que aconteceu aqui? — Luffy saiu pulando em cima das coisas, tentando chegar mais rápido onde se encontrava o amigo e a marinheira.
— Eu não sei! Luffy... Cadê o Chopper? CADÊ O CHOPPER?!
Calma aí! O Sanji foi procurar o Chopper. — Nami tentou manter-se calma, mesmo que fosse difícil diante de uma situação dessas.
— E O QUE AQUELE ERO-COOK ESTÁ FAZENDO COM ESSA DEMORA?!
— Não adianta gritar, Zoro. Enquanto eles não chegam eu cuido disso! Coloca ela na maca deitada de lado. AGORA!!
Mesmo com raiva e estranhando a atitude da ruiva, ele apenas obedeceu ao que ela disse e a colocou deitada, assim como a navegadora mandou.
— Zoro, segure-a na cama e não deixa ela se bater!
— O quê?
— Anda logo e sem machucar ela!
Nami ficou andando de um lado para o outro carregando objetos e mandando nos amigos, enquanto um espadachim esverdeado ficava perdido que nem uma barata tonta no meio de tanta coisa.
~
Sonhos. Algo tão simples, porém tão incrível. Algo que está presente no dia-a-dia de todo ser humano. Bem, pode ser tanto de dia quanto de noite, depende da hora que se vai dormir e não é exclusividade dos humanos, animais também podem sonhar. Existem pessoas capazes de sonhar acordadas, conhecidos por pessoas com a cabeça nas nuvens ou que vivem em outro planeta.
Sonhos. Um lugar onde podemos ser qualquer coisa. Não há limites para o mundo dos sonhos. Onde nossa imaginação é capaz de atravessar inúmeras galáxias em questão de segundos.
Sonhos. Onde podemos voar como pássaros, voar junto a grupo de pássaros em migração no inverno, voar tão alto que é capaz de chegar ao topo de um arco-íris e atravessa-lo, mergulhando em um mar de cores. Fazer acrobacias no ar até encontrar uma enorme, rosa e fofa nuvem de algodão doce. Simplesmente a mais deliciosa nuvem de algodão doce que já existiu! Onde queremos entrar e nunca mais sair. Comer como se não houvesse amanhã.
Bem, nosso pequeno médico Chopper se encontra sonhando com isso nesse exato momento, no deposito do Going Merry, em cima do que um dia já foi um monte de algodão doce. Pois um sonho tão fofo e doce foi capaz de fazê-lo comer a sua "cama" improvisada.
Aos poucos, Chopper foi acordando de seu delicioso sonho com um ruído vindo do lado de fora. Com o tempo, esse ruído foi tomando forma até se tornar uma gritaria. E agora que estava mais acordado, os gritos se tornavam ainda mais distintos.
Não conseguiu ter certeza de quem eram as vozes, só sabia que de vez em quando escutava seu nome.
Chopper se levantou de uma vez e esfregou os olhos. "Era Zoro que estava gritando?!" pensou assustado. Não era comum ver o Roronoa perder a compostura, e mesmo assim, não chegaria a esse nível, mas ele sempre gritava com raiva de tudo mesmo. Enquanto olhava ao redor, tentava lembrar-se do que aconteceu depois que cuidou de seus companheiros. Sua memória se encontrava com muitas falhas depois que acordou da luta.
De repente, a porta do depósito se abre com um estrondo, mostrando o cozinheiro em busca de uma rena dorminhoca.
— Finalmente te encontrei, Chopper!
— Hã? O que está acontecendo no navio?
— Longa historia, o que você tem que saber é que a Tashigi precisa de v...
Sanji focou o olhar no lugar onde Chopper tinha passado a noite, sentindo falta de um certo alimento doce que estava lá. Aproximou-se do pequeno para poder reparar bem nele. Percebendo assim, ao redor da boca, vestígios de algodão doce.
— O-o que foi, Sanji? Porque está me olhando assim?
— Você comeu todo o algodão doce, Chopper? — Sanji tinha uma veia no rosto e uma postura sombria.
— O quê? Que algodão doce? — balbuciou confuso, realmente não entendendo a situação.
— Não adianta fingir que não sabe, tinha um monte bem onde você estava e tem um pouco no seu rosto ainda!
Quando Chopper percebeu os vestígios, passou a língua por volta da boca para sentir o gosto do que um dia já foi algodão doce, deixando Sanji com ainda mais raiva.
— Seu... seu... amante de algodão doce! AAH!! Deixa pra lá, a gente não tem tempo pra isso! Tashigi precisa de você agora. Se não descer logo quem vai precisar mesmo é o Zoro. Ele tá quase tendo um treco.
— O que aconteceu com eles?
— Nem eu sei direito, mas parece grave. É melhor você ir ver com seus próprios olhos.
Chopper seguiu Sanji para fora em quanto pensava nas coisas que aconteceram nesse dia, se sentindo confuso com os últimos acontecimentos. Acabara de sair de um sonho que acabou comendo todo o algodão doce e, aparentemente, perdera acontecimentos importantes no navio. Fazendo com que se sentisse mais confuso ainda.
Bem, ele tinha que se concentrar agora, pois teria muito trabalho. Com isso começou a ir mais rápido para o centro dos acontecimentos.
~
Chopper chegou apressado. Estava desesperado por ter acordado de um sonho tão bom com uma notícia dessas.
— AAH!! Médico, médico! Alguém chama um médico! Aah, pera. Eu sou o médico.
— Chopper, eu já fiz o básico pra ela não se machucar. Parece que ela acabou desmaiando. Agora é com você. — Nami anunciou, cansada, enquanto limpava o suor da testa com o braço e dava um longo suspiro, ignorando totalmente a cena da pequena rena.
— Obrigada! Ajudou bastante mesmo. — o pequeno médico ficou um pouco mais aliviado. — Agora todo mundo pode ir saindo. Não quero ninguém me atrapalhando aqui. Nami, vou precisar da sua ajuda.
— Ok, Doutor Chopper! — Nami fazia uma reverência de soldado, enquanto dava uma piscada.
— Aah! Eu não to feliz por você me chamar de Doutor. Idiota!
— ENTÃO TIRA ESSE SORRISO DO ROSTO E PARA DE DANÇAR! — Zoro esbravejou com raiva, fazendo uma horrível careta.
— Zoro, eu já te mandei sair! — a pequena rena gritou, em tamanho grande e assustador, depois voltando ao normal para falar com a ruiva. — Nami, você pode ficar.
Enquanto Sanji tirava o espadachim da enfermaria à força -que xingava a tudo e a todos-, Usopp e Robin arrastavam os outros pra longe da porta, embora também quisessem espiar.
— Nami, me conta o que aconteceu enquanto eu tava fora.
— Hmm.. Desde o início? Olha, eu e os meninos estávamos espiando pela porta, então eu...
— Hahah... era de se esperar! Hahaha!!
— Vai me deixar falar ou não?! — brigou, irritada, enquanto ele se encolhia com vergonha. — Ótimo! A gente não viu nada, só escutou. Eles estavam discutindo. Às vezes faziam um barulho dos infernos e outras horas paravam. Quando eles começaram a gritar de verdade, de repente tudo parou e ela nem sequer terminou a frase direito. Daí o Zoro começou a gritar e a gente entrou correndo. Quando eu fui ver ela já estava tendo uma convulsão.
— Hmm... a convulsão é meio normal nesse caso. Ela estava machucada e cansada. Não se pode fazer muito esforço nessas condições. Por isso sempre digo pro Zoro não treinar quando tá machucado. — Chopper falava tudo de uma forma fofa, enquanto fazia anotações numa prancheta. — Já que você já fez os primeiros socorros, eu só vou dar alguns remédios e deixar ela descansando.
Enquanto a rena ia terminando o tratamento da marinheira, Nami saiu da enfermaria e foi atrás do Zoro. Ia tentar de alguma forma ajudar o amigo a se acalmar.
Depois de procurar em todo lugar, resolveu tentar a cozinha, embora fosse menos provável, e viu ali o que imaginou que nunca veria antes.
Zoro estava sentado de costas pra porta, Luffy estava na cadeira de perto, com um pedaço de carne na mão. E... Sanji em pé, escorado em um canto perto.
— Oe, Nami-san, desculpa, mas você poderia sair, por favor? Estamos tendo uma conversa entre homens. — pediu gentilmente enquanto pegava um isqueiro e acendia o cigarro.
— Err.. claro, eu já to indo.
A navegadora saiu rápido, fechando a porta como se tivesse atrapalhado um casal que estava a sós.
Aparentemente, o trio monstro estava tendo uma conversa séria.
~
— E então foi isso que aconteceu?
— Eu não te devo satisfação, Ero-cook. E sim, foi isso que aconteceu.
— Hm, entendi. Mas então por que ela tá escondendo que é a Kushina? — bem, só por que Luffy estava sério e ajudando um amigo, não quer dizer que deixou de ser Luffy.
— Kuina, idiota! É Ku-i-na. — Sanji deu um chute na cabeça do capitão, por causa da idiotice do mesmo. — Você é muito lerdo, Luffy! E você também, espadachim de merda! Temos duas opções: ou ela está mentindo, ou ela não lembra. Em todo caso, ela não tem culpa.
— Como assim? Seu cozinheiro tarado... É claro que ela tem culpa! Ela está mentindo pra mim! — ele falava pausadamente, claramente irritado com a história.
— Olha, Zoro, você não sabe se ela está mentindo ou não. Mas é certeza que mulheres sempre mentem por um motivo. — Sanji estava calmo, tragando seu cigarro, falando com toda a paciência do mundo.
— E DAÍ??!
— E daí que um homem de verdade sempre perdoa as mentiras de uma mulher.
~
Depois que todos no navio se acalmaram e ficaram por dentro de toda a fofoca, resolveram consertar o navio que ainda estava em péssimas condições por causa da batalha contra o bando do Alehandro. Já que, depois de toda a agitação, não estavam mais com sono, e também, já estava amanhecendo. Zoro protestou um pouco, alegando que iria treinar mais. Mas Nami logo o convenceu com um cascudo na cabeça, pois sabia que poderia machucar-se com o treino pesado.
Tentando fazer o mínimo de barulho possível, os buracos foram sumindo pouco a pouco com os comandos de Nami, mantendo todos trabalhando e seguindo suas ordens a base de pancadas, que, quando desobedecidas, eram seguidas de sonoros "bruxa" e outros nomes feios por parte de alguns da tripulação.
— Usopp! As tábuas de madeira estão acabando, tem algumas na sua oficina? — Perguntou Nami para Usopp, que tinha acabado de martelar o próprio dedo.
— Itai! A-acho que sim, vou dar uma olhada.
Chegando lá, avistou algumas tábuas no canto de sua oficina.
— Iiihh! Essas são as ultimas, vamos ter que comprar mais na próxima ilha.
Pegou-as e encaminhou-se até a saída. No caminho, ouviu um barulho peculiar vindo do monte de experimentos para futuras armas que se encontrava no chão, bem no meio da oficina. Paralisado, na mente do Usopp já se passava inúmeros meios de fuga, pensando ser uma bomba colocada pelo Alehandro ou algum de seus experimentos que não tinha dado certo e que iria explodir a qualquer momento.
Puru puru... Puru puru... Puru puru
Deixando as tábuas perto da porta, foi até o monte, temendo que algo acontecesse. Depois de mexer um pouco, encontrou a origem do som, era o Den Den Mushi preto da Tashigi. Com uma dúvida mortal sobre atender ou não o aparelho, resolveu deixá-lo tocar. Porém, quando foi guardá-lo, em um momento de descuido, acidentalmente derrubou o Den Den Mushi no chão, atendendo-o.
— Alô? — escutou-se uma voz grossa do outro lado da ligação, supostamente o Smoker.
Paralisado novamente e suando frio sem saber o que fazer ou falar, simplesmente ficou lá ouvindo.
— Ei! Monkey D. Luffy, responda!
Em um momento de pura coragem, Usopp pega o aparelho e responde.
— M-meu nome é Capitão Usopp! O-o q-que você quer? — falou tremendo e suando muito no outro lado da linha.
— ... Devolvam a Tashigi! — ordenou Smoker, mesmo sem entender o que tinha acontecido.
— Não, agora ela é nossa refém.
— ... Tem certeza de suas palavras? Saiba que estará declarando guerra à Marinha por isso.
— Não tem problema! Pode mandar quantos marinheiros quiser, pois tenho mais de 8.000 seguidores. — disse todo cheio de si, enquanto suava frio.
— Você irá se arrepender de suas palavras.
— Como se você fosse capaz de saber onde estamos! Hahaha!!
— Se eu fosse você, não duvidaria.
*Kacha*
Um arrepio correu por todo seu corpo depois dessas palavras. Sentia que tinha feito uma grande idiotice atendendo aquela ligação. Não deveria tê-lo desafiado.
~
Depois de todos terem ajudado a arrumar o navio e terem descansado devidamente, se juntaram na enfermaria para ver a situação da marinheira. Tinham que decidir também o que fazer com ela.
E, claro, ninguém além de Usopp sabia sobre a ligação de mais cedo.
Estavam todos preocupados. Embora Tashigi fosse uma inimiga, pelo fato de ser marinheira, ninguém a odiava de verdade ali. Na verdade, até gostavam dela.
— Chopper, o que ela tem?
O pequeno médico olhava a prancheta que continha as informações da paciente com um olhar desconfiado.
— Os sintomas são como de outras doenças qualquer. Ela tem febre, dores musculares e cansaço. Mas existem mais fatores no caso dela. As convulsões só acontecem quando o cansaço e raiva se misturam e parece que ela passa mal sempre que têm esses pesadelos. Venho percebendo isso a alguns dias.
— Como assim? — questiona Luffy, que pelo visto não estava entendendo nada.
— Quer dizer que os sonhos dela trazem à tona algum tipo de trauma, idiota. — Nami briga, dando um soco na cabeça do capitão.
— Isso. — Chopper andava pela enfermaria de um lado a outro. Pensativo, em sua forma híbrida. Estava com a pata apoiada no queixo, preocupado. — As convulsões não parecem tão frequentes como as outras coisas, mas se deve ao excesso de emoções negativas ao mesmo tempo.
— MARIMO-BAKA!! — o cozinheiro gritou enquanto lançou um chute na direção do espadachim, que se defendeu rapidamente. — Foi por sua culpa que a Tashigi-chwan passou mal!
— CALA A BOCA, ERO-COOK DE MERDA!
— Calem a boca, os dois! — gritou o capitão, com uma expressão séria.
— Obrigado, Luffy. — exclamou Chopper, com a voz cansada. — Não gritem, vai atrapalhar a Tashigi. O caso dela é muito mais sério do que parece.
— Como assim? — Zoro perguntou com uma carranca furiosa, tentando esconder a preocupação.
— Se sempre que ela tiver esses sonhos acabar passando mal, os sintomas e convulsões vão ficar muito frequentes e vai prejudicar a saúde física e mental dela.
Nami saiu da enfermaria, levando Luffy, Usopp e Robin para fora e deixando apenas Sanji, Zoro e a rena no lugar.
Zoro ficou apenas no canto, com a cara irritada, resmungando coisas sem sentido. Enquanto isso, Chopper deixou a prancheta de lado e foi examinar a paciente, que até o momento estava apenas deitada, inconsciente.
Ele a examinou, cuidadosamente e com a cara estranha. Tentando pegar a pulsação, escutar os batimentos, olhar a dilatação da pupila. Olhando a prancheta de vez em quando. Repetiu tudo o que fazia pra ter certeza.
Sanji estava em pé, encostado na parede, fumando um cigarro. Estava também perto de Zoro. Eles trocavam olhares como que conversando, desconfiados e preocupados, mas sem trocar uma palavra.
Os pequenos olhos amarronzados se arregalaram enquanto o desespero começou a tomar conta do médico. Ele se afastou subitamente da marinheira e começou a gritar e a chorar.
— NAMI! ROBIN!!
— Oe Oe! O que aconteceu?! — o loiro chegou mais perto, desesperado.
— Chopper! O que houve? — o espadachim agora mostrou visivelmente sua preocupação.
— A T-Tashigi... Ela... Ela...
— FALA LOGO!!! — gritou, para tirar o médico do transe.
— Ela está sem pulso!
— Como assim?! Ela tá bem, CHOPPER?! — Sanji gritou enquanto sacudia o médico.
— A pulsação dela parou... os músculos não estão reagindo... — Chopper com a voz chorosa e embargada, tremendo mais a cada palavra que falava.
— Chopper... foi isso mesmo que eu escutei? — Nami perguntava pesarosa, enquanto entrava na enfermaria.
— O que isso significa, Nami?! — o esverdeado enfim se pronunciou, ainda sério, com os olhos fixos na amiga.
A navegadora chegou mais perto da marinheira, colocou dois dedos no pescoço dela, abaixo do queixo. Automaticamente fechou os olhos e mordeu os lábios, fazendo uma careta.
— Zoro... eu sinto muito.
Nami começou a chorar, se aproximando lentamente do amigo, e inesperadamente, o abraçou, com todas as forças que tinha.
— Ela... sinto muito, Zoro. Ela... ela morreu.
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