Notas iniciais
Boris POV

[ — O resultado foi esse aqui. — Diz ele mostrando a cicatriz do braço esquerdo.

— Só isso?

— Calma-te ainda voy llegar a esta part. — Diz ele em espanhol.

— Acordei no dia seguinte na maca de um quarto de hospital...]

Eu levantei, e olhei em volta, Line, meu pai Guilherme, minha mãe Cecília, até a pequena Vitória, minhas vós Maria Cecília e Ester, meu vô João (onde estava o Vito?), minha prima Joline, minha tia Letícia, meu primo Matteo, minha madrinha Gabriela; o doutor entrou no quarto e disse a todos:

[— Perdoe minha curiosidade, mas você disse algo sobre onde o seu avô materno Vito estaria. Talvez insinuando sua ausência?


— Sim, Vito sempre foi um vô ausente! Continuando, o doutor entrou no quarto e disse:]


— Já vou dar alta a esse rapaz!


— O quê? — Surpreenderam-se todos!


— Doutor, ele foi fatiado por um liquidificador, e bateu a cabeça com uma força aproximada de 270N no solo! Você acha que ele já tem alta? — Interveio minha gêmea anja-da-guarda, ela parecia muito inteligente com aqueles óculos...Ué, ela não os estava usando. O doutor disse:


— Sim, o quadro está estranhamente ótimo! — O que foi um grande espanto, todos ficaram receosos a princípio, mas terminamos o dia na casa da minha vó comemorando minha melhora rápida.


No dia seguinte, eu acordei, e gritei para chamar meus pais, eles não vieram, então, de súbito, levantei da cama, espantado. Com muito estranhamento, caminhei até a sala, tentei um salto, e quase quebrei o teto com a cabeça e cai no chão, fazendo um enorme barulho, todos foram correndo para a sala, mas antes, eu já corri para o quarto, e enfiei-me nas cobertas.

As férias foram assim: eu aprendendo a andar escondido, e meus pais procurando a casa perfeita, até o dia que eles me pegaram no flagra...


[— Como foi esse dia?


— Eles foram fazer alguma coisa na rua, e eu fui andar, mas eles voltaram furtivamente andando, e me viram.


— Qual foi a sua reação inicial?


— Deles? — Larissa confirma com um aceno — Uma mistura de surpresa, alegria, e aquele olhar de: fomos enganados.


— Como você lidou com a situação?


— Expliquei que desde uma semana eu descobri, e que era hora de devolver a cadeira, por um acaso um presente momentâneo.]


Então começaram a contar o feito “heroico” e uma semana depois, TODOS os nossos conhecidos souberam, inclusive os da comissão de formatura (eu e Angeline estávamos nos formando) mas isso era uma outra história.

Quando as férias acabaram, a minha prima corroeu a minha paciência, para que eu prestasse MUITA atenção nos meus colegas de sala, ela gostava de um idiotinha chamado Roy, dele e daquele outro, o Ryan, que, para mim, pareciam muito... Estranhos, enfim, quando eu fui à escola naquela tarde de Julho, não dei a atenção que Joline quis que eu desse a eles, foi só o eventual: Oi Valentino; oi Ruan; oi Cauê; oi Lucas; olá Mathias; Eaê Oliver, como vai; OI ROY, OI RYAN; Oi Valentina; olá Annie; oi Line, oi Luíza; oi Gisele, oi Larissa...


[— Sim, era você.


— Você nem falava comigo...


— A Sra. Cavalcanti, que não se dignava a prestar atenção! Posso continuar?]


Oi Regina, oi Lisa, e por aí vai, mas tinha um menino que eu não conhecia, como para mim, conhecer gente nova não é fácil [— Sente-se um espanto da plateia—] (diferentemente da minha irmã), cheguei no Óliver e perguntei:


— Olie, quem é aquele de jeito mexicano? — Sou ótimo com etnias. — Que fala um português com forte sotaque.


— Ferdinando, Herdinando, alguma coisa assim, chamam-no de Sanchez, e sim, ele é mexicano, parece que a sua gêmea gostou dele. — Disse ele, escorado no balcão da sala da “coordenadora pedagócic(a)” (é uma longa história), com um olhar crítico, ele era branco, com a pele um pouco acobreada, aqueles olhos marrons usavam óculos davam um tom sério, a quem todos sabiam que não o tinha.


— Vou lá conversar com o cunhado. — Dizendo isso, eu me desencostei do balcão, e andei até Ferdinando.


[— Com licença, não percebi que não estava de cadeira de rodas na sua narrativa, se me lembro bem, todos comentaram BASTANTE sobre o ocorrido, e todas as pessoas perguntando boquiabertas, como as respondeu? — Depois de Yan analisar bastante a memória sobre aquele dia, ele responde:


— A resposta automática, foi um milagre, por acaso, em um belo dia em que, sem querer, decidi andar até a sala, acho, até me esqueci desta parte... Posso continuar?]


Como ia dizendo, andei até Herdinando (achei mais apropriado chamá-lo assim), e disse:


— Você é Herdinando, o mexicano?


— Sím sou jo! — Além do fortíssimo sotaque, era um péssimo “portunhol”, a pele era um pouco mais acobreada que a de Óliver, o cabelo negro e encaracolado, mas só a voz o acusava de ser estrangeiro, e os olhos, eram vermelhos, não, verde vivo, acho que eu estava vendo coisas...


— De que garota você mais gostou?


— De la que parece com tu, más yo sou solmente lo meniño estrangeiro... Que chance jo teño?


— Talvez alguma. — Disse enquanto chegava a Angeline, e então falei:


— Eu SEI que você gostou do Nando.


— O Herdinando?


— Sim.


— Eu?


— Não adianta fingir. Porquê você fazendo isso?!


— Porque eu só sou a menina loira, só isso, não tenho chance com um cara tão... Porquê está rindo?


— Nada. — Então cheguei perto do Óliver, ele, me abordou:


— Bancando o cupido outra vez!?


— Que mal tem? Um é “gamado” no outro, e...


— Mas os dois não querem ouvir a voz da razão.


— Não, ele diz que o garoto estrangeiro não pode conquistar a “menina mais linda do colégio”, e ela diz que a loira bonita não pode ficar com o “estrangeiro bonitão”. — Ele riu, e eu concordei:


— É de fato uma situação hilariante. —UUUUUUUUUUUUUUUUUUU UUUUUUUUI, o sinal tocou, e ele disse enquanto pegava a mochila:


— Depois tentamos de novo.


— Adoro ser cupido! — Disse BEM alto, para deixar claro caso alguém ouvisse nossa conversa, e eventualmente a pegasse pelo meio, enquanto entrava na sala... Como eu a descreveria? Uma porta de M.D.F branco era portal para um inferno de cadeiras amontoadas, com estudantes vestindo ternos e calças (ou saias, ou jaquetas sem manga e saias ou shorts, ou vestidos sem manga) brancos, e blusas quadriculadas azuis e verdes (ou azuis marinhas, ou roxas, ou lilases...), e gravatas e sapatos negros e verdes (repete), cadeiras azuis, e mochilas e materiais de todas as cores, quando entrei, notei um LEVE espanto geral, educadamente, sentei em uma cadeira no fundo da sala (depois de 4 anos sentando na frente por ser barrado pela bagunça), depois, coloquei a mochila no chão (agora eu entendo os outros alunos), o professor entrou... Qual era seu nome? Ricardo, Richard, Roger... Não importa, ele lecionava História (com “H”, com “E” é mito), ele colocou os materiais na mesa e disse o típico: “Oi, eu sou fulano, pra quem não me conhece eu dou aula de História...”, e por aí vai.


[— Alguém da platéia quer fazer uma pergunta. Maria Letícia!


— Boa noite, eu queria saber se usavam esse uniforme na aula de Educação Física.


— A jaqueta era obrigatoriamente aberta e sem manga e a blusa era a regata, a gravata folgada, ESTRITAMENTE FOLGADA! Mais dúvidas? Obrigado.]


É lógico que um retardado perguntou:


— E pra quem conhece, professor? — Ele foi rude, sabia como tratar esses débeis:


— Não preciso responder, preciso? SAI DA SALA AGORA!! — Ih, já começou, Ricardo não era legal neste quesito, o resto do 1º dia de aula foi também normal, exceto o fim, como contar sem te apavorar? Difícil.



Como sempre, a aula acabou, e eu fiquei sem nada pra fazer, entrei e sai do banheiro duas ou três vezes, então, o pior ocorreu:


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Eu saí do prédio e fiquei no pátio, ouvi passos atrás de mim, armas sendo destravadas, um helicóptero, e aqueles aviões de brinquedo voadores, um exército... Mas, nada estava lá, olhei em volta e vi vultos se esgueirando até mim, o som do helicóptero foi embora, mas os outros, chegaram perto e... Cessaram, então, uma nuvem negra circundou o bloco nº 2 da minha escola (a área em volta do prédio do 8º e 9º; biblioteca, e informática, e administração financeira da escola, no 2º andar), eu ouvi as armas, uma ordem de captura, e passos apressados...

Então minha visão ficou turva, e voltou cinco vezes melhor, o mesmo ocorreu com os outros sentidos, dois vultos foram na minha direção, eu apaguei, abri os olhos, e vi dois homens des-maiados vestidos de preto no chão, e eu estava em cima deles, pisando em cima deles, atiram em mim com uma submetralhadora, vi vultos das balas (o que já é muito), então desviei, ele gastou 100 balas, que voaram para o chão (mas isso era impossível, tudo aquilo e só um segundo), o cara veio correndo para me apunhalar pela direita, instintivamente, ergui o braço, para dar um tapa com as costas da mão, mas as minhas unhas cresceram, até 15cm, ele chegou e eu o ataquei com as unhas, cortando pele, músculo, osso, e... Aorta, pude notar, pois o sangue vertia em um jato muito suspeito. Se vocês querem saber como é matar alguém, não queiram, mesmo sendo por legítima defesa, eu senti um ódio por minha pessoa, ódio pelo cadáver por ter deixado eu matá-lo, ódio, ódio, ódio e... Frenesi, eu saí correndo rasgando todos, e então, eu estava cercado de um cadáver e 79 contundidos, então a nuvem se intensificou, recolheu os soldados, e disse:


— Você passou no teste. — Eu só não sabia que tipo de teste...


[— Incrível, sua primeira transformação, mas, eu queria saber a dos outros: Joline!


— Chamou? — Joline era morena, com olhos verdes, e um cabelo curto encaracolado, e ruivo alourado.


— Mas antes eu devo dizer que a minha prima tinha longos e lisos cabelos vermelhos.


— Obrigada Boris, como eu começo..? Eu era uma garota normal de Sobradinho, Distrito Federal, vocês diriam um bairro do Subúrbio de Brasília, não importa, são cidades diferentes, e não temos administrações diferentes (vocês elegem prefeitos, e o governador escolhe os administradores)...]