Castlecalibur: Especial de Natal
6 Parte 6: as alucinações de Mathias
Mathias levantou e viu que estava cercado de neve por todos os lados. Lá distante ele avistou um singelo e rústico sobrado, com fumaça saindo pela chaminé. Atrás dele, uma enorme e poluente fábrica de presentes de Natal. Mathias levantou-se e correu até a casa. Olhou pela janela a imagem de um senhor idoso e pançudo vestido de vermelho checando sua lista de presentes.
— Papai Noel, então o senhor existe! – exclamou Mathias, entrando na casa.
— Ora, se não é Mathias Cronqvist!! Você foi um menino muito mau esse ano, Mathias! – disse o Papai Noel, levantando-se de sua poltrona, fuzilando Mathias com seu olhar.
— E-eu? M-mas... eu me matei estudando e trabalhando pra sustentar minha família! Eu fui paciencioso com os desastres causados por eles, não fui violento, não faltei com minhas obrigações, eu sequer falei algum palavrão!
— É, mas você não conseguiu comprar os singelos presentes que aquela boa gente pediu! – ralhou o zangado velhinho. – Você não lhes dá a atenção devida porque vive enfiado naquele seu laboratório, você gasta todo seu dinheiro em coisas fúteis como as provisões do castelo, você nem acompanhou seu filho crescer!
— Mas... ele voltou do futuro!
— Isso não é desculpa! É por isso que todos o odeiam! É por isso que você não vai ganhar nada nesse Natal!!!!
— Nããããããoooo!!! – gritou ele.
— Calma, calma!
— Alguém segura o braço dele.
— NÃÃÃOO!! AHHH!! – gritou Mathias, arqueando-se na cama ao recobrar a consciência.
Percebeu que estava em seu quarto cercado de todo mundo, sendo segurado por Leon e Rafael na tentativa de fazê-lo parar de se debater e Jean-Eugène ao seu lado passava um paninho umedecido em seu rosto.
— O que aconteceu? – perguntou ele confuso e ofegante.
— Você desmaiou e estava delirando. – explicou Trevor.
— Quase tivemos que adiar a ceia de Natal... – comentou Rafa.
— Vocês... vocês adiariam a ceia de Natal por causa minha? – estranhou Mathias, que acordara acreditando ser um péssimo provedor.
— Mas é claro! O Natal não seria divertido se você não pudesse participar! – lembrou Leon, abraçando o amigo de infância.
— Papai! – alegrou-se Alucard, também abraçando seu papai.
Esse singelo gesto levou todos a se unirem em um grande abraço coletivo em cima de Mathias.
— Pessoal... vocês são tão legais! – comoveu-se o jovem alquimista. – Isso que vocês fizeram é muito bonito, mas... eu não consigo respirar...
— Ahn, o que você disse? – perguntou Hilde, que estava em cima da montanha de gente que sufocava Mathias.
— Vocês... podem me soltar agora... argh... cof...
— Acho que ele falou que quer ver mais emoção! – concluiu Hilde.
— Ao Mathias!! – gritou Siegfried, pulando mais pra cima da cama.
— Mmfmfmfm!! – gemeu Mathias, antes de sufocar e perder a consciência de novo.
— O Mathias é tudo ou nada?! – perguntou George Lucas, pulando na cama.
— Tudo!! – gritaram os outros em uníssono, também pulando na cama.
— Mat, você vai ficar com essa cara de defunto? Por que não pula também?
— Ahh, eu acho que ele parou de respirar!!
— Ele morreu!!
— Ele é imortal, seu anormal!
— Vocês mataram ele!
— “Vocês”, nada, você também pulou na cama, Jean-Eugène!
— Saiam todos dessa cama, vamos!
— Agora sim vamos ter que adiar a ceia de Natal...
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