Castle on the Hill
7 And I'm on my way
Notas iniciais
And I'm on my way, I still remember
These old country lanes
When we did not know the answers
And I miss the way you make me feel, it's real
We watched the sunset over the castle on the hill
Over the castle on the hill
Over the castle on the Hill
E lá estava eu, deitada sob a confortável relva molhada de verão, ou assim achava eu. Na verdade, naquele trágico momento, o chão era simplesmente feito de uma pedra tão rija quanto Merlin possibilitara ser feita. Tudo à minha volta era húmido, escuro, e metia-me medo. Para além disso, sentia que o meu corpo pesava mais 20 kilos do que o habitual… era horrível! A minha varinha a metros inatingíveis, e outras apontadas para mim, nas quais eu imaginava feixes de luz verde a saírem da sua ponta.
—Não és assim tão forte sem a tua varinha, pois não Lily Potter… — perguntou retoricamente um dos seguidores de Grindelwald, o que parecia ser mais louco.
—Deve estar a implorar para que o papá a venha salvar – declarava o outro entre risadas.
Continuava deitada no chão, sem forças para sustentar o meu próprio corpo quanto mais para lutar. Tinha sido atingida várias vezes por feitiços dolorosos, e por isso os meus pulmões ardiam num fogo inexistente, as minhas pernas pareciam estar presas ao chão, o meu corpo simplesmente não me queria obedecer e um dos meus olhos perdera a capacidade de visão (rezava para que o efeito não fosse permanente). Ouvi passos fortes, seguros da minha queda, passos de um verdadeiro vencedor perante o derrotado.
—Devias ter ficado quieta Lily… teria sido melhor para todos.
Os seus olhos castanhos cheios de pena, com uma calma que e lhe conhecia. Só me apetecia chorar e criar oceanos a partir dos meus olhos verdes. Porquê?! A raiva, o desprezo e o ódio invadiam-me por dentro! Aquela não era eu, e aquele não era ele… nunca fora… ou eu nunca sequer pensara que tivesse sido. Uma das pessoas que eu mais gostava e admirava no mundo, que me conhecia desde a nascença tinha-se tornado no monstro indecifrável à minha frente. Dava-me nojo só de o olhar, apetecia-me vomitar, chorar, deitar-me na cama e nunca mais me levantar. Como era possível que o Teddy fosse aquilo, sem nunca ninguém se ter apercebido.
Ninguém acreditou em mim, e confesso, nem eu própria acreditei quando descobri que o assassino do Lorcan era ele. Todos me abandonaram e deixaram de me falara! O meu pai deu-me o 1º estalo da sua vida quando lhe apresentei as provas sólidas de que o seu afilhado era um seguidor do maior bruxo das trevas de todos os tempos; a minha mãe limitou-se a dizer num tom penoso “sai desta casa Lily”; a Victoire entrou no modo de negação, do qual nunca saiu, mas eu não a censuro… se fosse com o Lysander provavelmente eu teria feito a mesma coisa. Ah… ele disse exatamente estas palavras: “Lily… será possível teres ficado tão obsessiva com a morte do meu irmão que te transformaste numa louca! Isso que tu estás a dizer simplesmente não é possível”. Depois acusou-me de preferir o irmão em vez dele e pediu-me um tempo, e dois meses depois, quando finalmente consegui a coragem necessária para enfrentar o Teddy cá estou eu. Quanto à Luna… bem, não tive tempo para lhe contar. Quando arranjei maneira de a visitar em St. Mungos já os médicos tinham coberto a sua figura morta com um lençol branco. Porém ainda consegui vislumbrar os seus pulsos cortados e uma expressão derrotada mas pacífica, como se estivesse à espera do paraíso. Honestamente, acho que nunca chorei tanto na minha vida.
Sinto-me um nada, sem nada! É a minha mente contra três seguidores de Gellart Grindelwald. Não sei o que fazer, e pela 1ª vez desejei estar sentada numa secretária, a terminar de assinar papelada e à espera das 6:30 da tarde, para Aparecer em casa e fazer o jantar para o meu marido e filhos. De tudo o que passava pela minha cabeça, eu tinha várias incertezas e só uma pergunta… dirigida ao Teddy:
—Porquê? – perguntei numa voz débil, praticamente inaudível.
Ele olhou-me de uma maneira triste, como se todas as suas defesas tivessem caído e ele voltasse a ser a pessoa maravilhosa que eu achava que conhecia. Aproximou-se mais, afastou-me alguns cabelos ruivos do rosto molhado e fez-me uma carícia… durante um segundo agradeci interiormente o gesto, mas depois toda a realidade terrível e dolorosa voltou. Numa voz calma e compreensiva ele começou a explicação:
—Todos nós: eu, tu, o teu pai, Lord Voldemort, Grindelwald… todos, sem exceção, temos luz e trevas dentro de nós. E cabe-nos igualmente a nós escolher de que lado estamos. Tu e eu sempre fomos influenciados a escolher o que supostamente está certo, mas o que é que eu alguma vez ganhei a lutar pela luz? – fez uma pausa para respirar, e continuou, visivelmente abatido pela realidade – Perdi os meus pais porque eles lutaram contra o mal…
—Mas tens a Vic-victoire e o t-teu filho – o efeito do petrificos totalus começava a passar.
—E quem é que me garante que o meu filho não vai perder os pais por causa de todos esses atos altruístas? Tu trabalhas no ministério… melhor do que ninguém sabes que as coisas não estão bem por causa dos movimentos anti-muggles.
—Que tu estás a apoiar! – gritei num soluço.
—Que nunca vão parar! Sabes porque é que matei o teu amigo? – perguntou-me num sussurro.
—Pensa bem no que vais dizer…
—Para que ele não sofresse! O Lorcan só foi torturado depois de morto, se eu não estivesse lá a sua morte iria ser mais do que um Avada Kedavra… ele iria morrer lentamente por dentro com um Cruciatos e só depois iria ver a cor final: o verde a passar-lhe pelos olhos.
—Pelas barbas de Merlin… no que tu te tornaste! Metes-me nojo – isto pareceu afetá-lo de uma maneira que não agradou aos outros feiticeiros – Durante 12 anos viste-me sofrer por causa da morte de um amigo, e nem isso serviu para te abrir os olhos… continuas-te com esses planos macabros às escondidas de todos. És deplorável.
—Chega Lily… junta-te a nós, ou vou ser obrigado a fazer aquilo que não quero!
Senti como que um murro no estômago! Podem acusar-me de muita coisa, mas nem por um momento pensei em aceitar a proposta do Teddy, não porque sou uma Gryffindor, não porque quero morrer como uma heroína… mas porque tenho princípios!
—Podem torturar-me mais do que já fizeram… mas eu nunca me vou juntar a uma causa como a vossa!
—Eu dei-te a opção de escolher entre a vida e morte, e mesmo assim tu preferes a segunda – empenhou a varinha, apontou-a para mim e despediu-se com uma lágrima que eu acredito que fosse realmente sentida – Avada…
—Expelliarmus!
Assim que ouvi a voz do Lysander o meu coração disparou, e todos os encantamentos sob os quais eu estava desapareceram instantaneamente. Levantei-me desequilibrada e corri até à minha varinha com todas as forças.
—Accio varinha do Teddy!
Mas antes que ela chegasse a mim ele apanhou-a e preparou-se para lutar. O Lysander fez-me sinal indicando que iria cuidar dos outros dois e interiormente eu agradeci-lhe a sua lealdade e amor. Sem muito tempo para pensar entrei num confronto direto com o Teddy, algo que nunca pensei que fosse acontecer. Mas nós escolhemos isto, e agora não podemos voltar atrás…
—Stupefy!
Por pouco não fui atingida, mas retaliei com sucesso:
—Expulso!
Ele ficou no chão, mas quando estava preparada para lançar um Expelliarmus percebi que ele iria Desaparecer e corri até ao meu opositor. Ainda ouvi um grito desesperado do Lysander, enquanto era remoída no transporte e sentia o meu braço a ser cortado. Tentei defender-me com a mão livre, sem deixá-lo escapar. Aterramos e separamo-nos. Numa volta rápida analisei o local: estava perto de um precipício, duas campas na sua ponta, o lugar de descanso do Lorcan e da mãe. O sol prestes a pôr-se…
—Tu não desistes pois não Lily…
—Fogo maldito.
Começou a ficar muito quente assim que o circulo de fogo se formou entre nós. Após mais um minuto a duelar já suávamos continuamente, e o Teddy decidiu por fim ao fogo com Aguamenti.
—Crucio – lancei eu visivelmente abatido pelo calor.
—Repello Trouxatum!
Não tive tempo de me proteger das inúmeras facas inexistente que perfuravam o meu corpo. Contorcia-me na relva molhada que tão bem conhecia, pela quantidade de vezes que visitei aquele sítio. Estava acabada, não tinha mais forças, quando o feitiço terminasse iria ser alvo de um Avada Kedavra. Porém, quando já não acreditava que pudesse ser afastada desse terrível destino, ouvi aquela voz determinada e o meu corpo deixou de sentir o efeito da maldição imperdoável.
—Finiti Incantatem
Olhei para o meu salvador e vi os seus olhos verdes orgulhosos por detrás dos óculos redondos. Voltei a pegar na varinha e virei-me para o Teddy, percebendo a surpresa na sua expressão.
—Harry…
Mais uma vez preparou-se para Desaparecer mas eu não lhe dei hipótese e decidi acabar com aquilo:
—Alarte Ascendare.
Arrependi-me no momento em que o vi cair pelo precipício abaixo. Ainda o tentei salvar com um Wingardium Leviosa, mas não fui suficientemente rápida. Tive o horror estampado na minha cara no momento em que vi o corpo morto a ensanguentar a relva. Uma autêntica chapada de luva branca. No momento tudo à minha volta desapareceu e pela primeira vez senti-me como uma verdadeira… assassina! Só quando o toque do meu pai foi substituído pelo do meu loirinho é que me senti com coragem para desabar nos seus braços. O cenário alaranjado era preenchido pelo meu choro continuo e pelas respirações aceleradas do Lysander.
—Sou uma assassina…
—És uma assassina com princípios! – respondeu ele convicto beijando-me na testa em sinal de proteção.
Fechei os olhos por segundos e quando os abri fui presenteada com algo que de certa forma me transmitia paz de espírito. O meu 1º thestral! E montado nele, duas figuras que me sorriam orgulhosamente, pessoas que nunca pensei voltar a ver. Ouvi o meu pai suspirar de surpresa atrás de mim. Levantei-me e dirigi-me até eles. A Luna acariciou-me o rosto, com a sua mão quente e ensanguentada e em seguida beijou-me na face sardenta. Quanto ao Lorcan, a sua figura de 11 anos sorriu e abraçou-me, mas os seus braços pálidos atravessaram o meu corpo. Foi tão bom sentir que eles ainda estavam lá por lá!
—Obrigada Lily… por tudo…
—Eu matei-o – disse isto como se achasse que ela iria sentir alguns remorsos dele. Mas a verdade é que ela era a Luna Lovegood e ela sempre nos surpreende.
—És uma boa menina… — depois olhou para o Lysander que não percebeu o que se estava a passar – Cuida bem dele e nunca deixes de acreditar em ti. És mais forte do que pensas Lily…
Eles cavalgaram até ao meu pai, que se limitou a acenar e a tocar na mão da falecida amiga.
—Eu disse-te Harry! O paraíso existe – informou ela sorrindo orgulhosamente.
—Nunca duvidei disso… — respondeu o meu pai vagamente, também curvando os lábios.
Voltei para junto do Lysander e ele, surpreendentemente perguntou:
—Era ela?
—Eram eles. – uma lágrima escorreu pelo seu pálido rosto – e estão felizes.
Ele abraçou-me fortemente e o meu pai juntou-se a nós. Perante aquele pôr-do-sol senti o calor do abraço conjunto a inundar-me por dentro e ficamos lá por algum tempo… aliviados, cansados, mas sobretudo felizes!
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