Castle Of Dreams
4 IV - Vingança
Abaixo da tal frase tinha uma lista com nomes, inclusive o da Sônia, e riscado. O estranho era que a frase agora começava a fazer sentido. "A vingança será cruel". Ouvi, quase que gritando, perto de mim; não havia ninguém ao redor e que tivesse gritado de longe, estava alto demais, e parecia que a velocidade, a voz e a altura oscilavam. Criando um eco atordoante. Minha cabeça começou a girar, meus olhos revirando, me sentia fraca demais, e resolvi cambaleando tentar entrar logo no castelo. Já que me parecia o único lugar seguro naquele momento. Sem fôlego e ainda atordoada e com a cabeça doendo entrei no meu quarto, tranquei a porta, me debrucei sobre a janela e a última coisa que lembro foi a voz pulsando nos meus ouvidos mais uma vez.
Alguém estava sentado numa escrivaninha velha. A única coisa que se podia ver da pessoa era uma de suas mãos, que estava freneticamente escrevendo numa folha de papel, parecida com as que estavam no chão, amontoadas. A cada letra que terminava de escrever se transformava em sangue, e como tinta fresca numa tela, escorria pouco a pouco. Por mais rápida e certeira que a mão parecia se movimentar, demorou muito para erguer o papel, e repousar a antiga caneta a seu lado. O capuz que cobria quase todo seu rosto quase, não foi o bastante para esconder seus traços finos, que a luz da vela, me deixaram espiar. A página, agora quase toda tomada de uma mancha, de cor característica de sangue foi se aproximando dos meus olhos e de forma abrupta se afastou. Mas agora parecia diluída em água. E um corpo frágil, se balançava ao lado da mancha. Eu sabia que conhecia aquele corpo. Era Sônia! E agora pude perceber o que escreviam no papel. Na testa dela, a letra parecia a mesma, muito bem desenhada em traços grossos, escreviam perfeitamente a palavra 'vingança'. E dela o sangue escorria. Agora o rosto estava focado. Olhos abertos arregalados. Pretos como a noite, e tão penetrantes quanto a pedra Ônix, que se transformavam em pequenos vídeos a cada piscadela. Uma fogueira com três pessoas vestindo algo similar a uma túnica com capuz vermelho sangue. E por fim a mesma pessoa que estava ainda na escrivaninha. Com a mesma roupa das pessoas que estavam em frente à fogueira. Mas algo a diferenciava, a roupa era preta. E suas mangas que estavam se erguendo até o rosto tinham um bordado bonito em vermelho. O mundo ao redor pareceu oscilar em movimentos que tremiam e embaçavam. E quando o capuz estava prestes a cair nos ombros, o ar me faltou.
Acordei me contorcendo abaixo da janela, ainda aberta. Tudo não passou de um sonho. Me levantei num susto ao perceber que do mesmo jeito que poderiam sair do meu quarto pela janela, poderiam voltar. E ali estava ela, escancarada, pronta para alguém me fazer uma visita. Já era final da tarde, e eu dormi bastante. Como pude dormir com tantas coisas para me preocupar? Ainda há uma lista. E quem seria a próxima vítima?

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