Notas iniciais
Fanfic genuinamente inspirada em Castle In The Air da banda BUCK-TICK. Por favor, escutem-na enquanto desfrutam da leitura.

Estava eu deitada na grama enfeitada pelos cristais da umidade do sereno com meu vestido branco esparramado ao meu redor e meus sapatos estilo boneca ao lado. A fita negra marcando minha cintura contrastava com minha pele leitosa e meus cabelos claros. Com meus olhos fechados, fazendo uma expressão parecida com como que se estivesse sendo apunhalada no peito, levei minha mão em direção ao céu. Lembranças apresentavam em minha retina. Lembranças tais quais eu queria que nunca estivessem comigo. Elas apresentavam-se como chagas em meu interior. Se eu tivesse que imaginar como pessoa, diria que o meu "eu" era uma pequena lagarta dentro de sua crisálida, embora ainda imatura e frágil para tornar-se tão resplandecente aos olhos de todos, sendo alvo de fotografias e sorrisos singelos. Mas para que alçaria voo, se em menos de meses estaria desfalecida ao chão? Para que teria vivido afinal? Para deixar sorrisos e registrar sua beleza aos outros parecia algo vago demais.

Como doía se lembrar... Ah, meu ego. Meu ego não aceitava entregar-se para outra pessoa para que fosse cuidado. Estimava a minha amada pessoa mais do que a mim mesma mas não imaginei o quão cruel eu estaria sendo em não deixar-me amar como ela queria. Ocultando meus verdadeiros instintos com uma máscara feita de material frágil, feito de cristal que ao leve tocar ou rajar de vento poderia estilhaçá-la, e eu fazia de tudo para que isso não acontecesse. Minha máscara fora lapidada com muito custo e não seria alguém que eu poderia ter certeza que me deixaria vulnerável visse meu rosto indefeso. Não queria arranhar minha imaculada face.

"Eu te amo. Eu te quero. Tracemos nossos sonhos juntos."

Ao ouvir tais palavras eu trocava rapidamente minha máscara para uma de dissimulação.

"Não sei do que está falando. Não acha que está sendo imprudente demais?"

Abri meus olhos para a escuridão da noite revelando meus olhos esverdeados em direção às estrelas. Meus olhos estavam brilhantes por conta das lágrimas que poderiam ser vistas também como o sangue jorrando de minhas feridas. Tão brilhantes que entravam em sintonia com os pontos luminosos, tendo a sensação de que travava um longo diálogo com as estrelas. Será que elas também estariam sangrando? Pobrezinhas, tão frágeis e inofensivas. Eu as entendo. Também fui vista como inofensiva e acabei causando desavenças.

A minha amada pessoa. Eu deixei sua ferida aberta, recebendo as impurezas do ar do local decrépito onde a larguei. Mas... Estava arrependida. Queria voltar a vê-la. Necessitava curar suas feridas e dizer que a imprudente fora eu. Imprudente com seus sentimentos.

Levantei-me do solo mesmo estando debilitada com determinação e pude sentir que eu não sentia firmeza abaixo dos pés. Eu flutuava. Me sentia bem.

Seguiria meus instintos e iria aonde me indicasse que a minha amada pessoa estivesse. Meu "eu" estava crescendo e saiu da crisálida e dali alçoou voo à escuridão da noite. Por algum motivo minha amada estava perto de zênite.

Sorriso se formava em meu rosto a cada bater de asa que minhas esperanças davam. Oh, minha doce pessoa. Como a amava e esperava realmente poder te curar, assim como eu mesma fui capaz de ser naquele momento. Fui além, apenas subindo cada vez mais.

Chegando mais ao firmamento pude notar um objeto no ar. Não, objeto não. Parecia ser algo mais que isso. Era um castelo. Um castelo no ar.

Curiosa, chegando mais perto eu fui. Mas quando mais eu aproximava-me o castelo mais se ia além. Nessas tentavivas pude presenciar algo que causou amargor em minha boca.

Minha amada pessoa com outra, trocando as mais belas carícicas dentro de um quarto escuro, iluminado só pela vermelhidão de velas com efeitos das rosas e lençois brancos. Ela estava sorrindo. Oh, ela estava mesmo! Poderia ver a felicidade irradiar de sua aura.

Ela já estava sendo curada por outra pessoa. Isso queria dizer que eu não poderia ou nunca fui capaz? Comecei a sentir falta de ar, sufocamento. Eu não me curei? Fora algo artificial?

Minha máscara estilhaçara-se finalmente. O castelo claramente eventuava um baile entre apenas duas pessoas, embora que não aceitassem jamais um Baile de Máscaras. Eu não fui e nem poderia ser convidada.

O ar estava rarefeito.

"Você está inalcançável para mim, meu amor. Agora você reside em outro lugar onde somente os mais elevados podem ficar, somente os felizes. Num lugar distante, longe de humanos mesquinhos. Por favor, viva bem em seu Castelo No Ar."

As estrelas choravam por mim. Será que estavam, em algum momento de minha peça tragicômica, se identificando com algo? Nunca poderia saber.

Finalmente caí ao chão com minhas asas ao redor despedaçadas.

A borboleta alçara voo mas não deixara sua existência marcada, sendo apenas mais uma vida vaga.

Notas finais
É lindo quando me inspiro.

Hoje escutando Castle In The Air veio todo uma história prontinha na minha cabeça. ADORO quando acontece isso. ♥

Mas, vocês gostaram, detestaram? Nem por isso deixe de m prestigiar com sua review. Eu ficaria feliz. De verdade. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!