Castigada
2 Solidão
Notas iniciais
Foi o que consegui ler, a página estava rasgada, tudo me deixava mais confusa, não conseguia captar aquela mensagem, e várias perguntas começaram a rondar minha cabeça, além de já querer saber onde está o Henry, agora preciso saber também o que a minha mãe estava escondeu de mim durante esses 17 anos, e o que significa essa parte sobre segurança? E então a minha família não morreu num acidente de avião? Forram assassinados? Tudo que eu preciso é de respostas, por mais que eu vá me arrepender, ou não, no futuro.
Desci rapidamente as escadas que tinha acabado de subir rastejando degrau por degrau e fui até o bar onde meu pai costuma beber da hora que acordava (quando acordava) até a hora do bar fechava. Fui até o balcão, assustada pelo fato de todos aqueles adultos e homens velhos, pedófilos e bêbados estarem soltando piadinhas sobre meu rosto, cabelo e outras partes do meu corpo, o que me dá vontade de esmurrar cada um deles, hipócritas sem vida e amor próprio.
- Boa tarde, você sabe me responder se Henry esteve aqui hoje? – Pergunto ao balconista grande, gordo e com a barba, bigode e cavanhaque louros, e uma toca preta com uma caveira na cabeça.
Ele me analisa, meu lindo cabelo longo, liso e negro, minha pele palida e minha roupa folgada, parecendo não ter entendido muito bem, mas quando estou prestes a explicar novamente ele interrompe:
- Oh, sim, mas foi só uma passadinha rápida, ele passou e disse que ia pagar uma divida, inclusive deixou um bilhete e um presentinho para você. – Ele respondeu me entregando um pequeno pedaço de papel amarelo e um saquinho dourado com um cordão também dourado, só que brilhante.
- Obrigado!- Peguei o bilhete e o saquinho e sai correndo daquele lugar imundo que fede a fracasso.
Bati na porta e já pude escutar o bico do salto alto da mãe do Felipe vindo abrir a porta, para o meu azar, ela acha que sou má influência pro Felipe por eu não ser rica como eles, por meu pai ser um alcoólatra e o fato da minha família ter morrido a faze pensar que sou uma desajeitada emocionalmente, traduzindo, ela acha que sou louca o bastante para levar o tão doce filho dela pro mau caminho.
- Bom... Oh, Felipe está lá em cima estudando e não pode de jeito nenhum vim falar com você agora, então aconselho que venha em outra hora. – Ela diz com os olhos profundos, fixos e cheios de crueldade fixos nos meus, me tratando com nojo, como se eu fosse um nada.
- Laurie estou aqui! – Felipe interrompe, surgindo no topo da escada para me animar e me deixar envergonhada por ter visto a sua mãe me tratando desse jeito repugnante. – O que te traz aqui? – Ele continua, com um sorriso no rosto, ignorando a situação e o ambiente tenso no qual ele acabou de se meter indiretamente, ou, por minha culpa.
- Preciso de sua ajuda, mas posso esperar até amanhã na escola, já que você está estudando. – Digo dessa vez com o tom de voz baixo e retribuindo o sorrisinho sínico que ele acabou de mostrar.
- Suba, já acabei de estudar. – Ele diz, passando por cima da ordem da mãe e fazendo gestos repetitivos com a mão realmente insistindo para que eu ignore sua mãe (que a propósito está parada e bem séria na minha frente.) e suba.
Não o faço pedir outra vez, passo rápido desviando-me da Sra. Corvin, subo as escadas enquanto entrego a carta que achei no chão do quarto e o bilhete que o cara do bar me entregou, pedindo para ele ler as duas coisas e me dizer o que acha, sendo que ele sabe tanto quanto eu, nada, mas geralmente ele sabe exatamente o que tenho que fazer.
- Ainda não li o bilhete do papel amarelo, deixei para ler com você, senti uma energia negativa quando toquei no papel! – Disse envergonhada.
- Pode ser que eu achei isso de “energia negativa” uma bobagem mas pretendo te ajudar, você quer que eu leia o bilhete para você, não é?
- Sim, por favor.
- Então vou começar! Ok? Pronto? – Ele diz, querendo aliviar o clima, e ao perceber que não estava conseguindo nada, continua
"Desculpe por ter sido esse péssimo pai!
Foi por uma boa razão, não sei se volto a te encontrar
ou se vou poder te escrever outro bilhete
só quero que fique segura
tenho certeza que saberá o que fazer na hora certa
Beijos, Henry"
Fiquei ainda mais confusa, e quando estava preste a dizer alguma coisa, para quebrar aquele silêncio quase insuportável, ele continua rapidamente
- Espere, tem algo aqui bem pequeno escrito no papel! E..D. Edgard. Tem escrito Edgard, sabe o que significa? – Ele finaliza, dessa vez tão confuso quanto eu.
- Não, nunca ouvi falar disso, nessa, seja lá o que for. – Minha voz com tom de descontentamento, meus lábios semicerrados e os sentimentos incrédulos.
Me despedi e sai, o céu completamente escuro, o que eu não entendi, já que estava tardezinha quando entrei, sendo que nem passei 10 minutos lá dentro, mas ignorei e segui o caminho de casa, com a cabeça baixa e os braços cruzados, cobertos pela malha quente e macia do meu capote. Passei pra calçada quando o carro tão lindo, brilhante e esplendido da Stella quase me atropelou, fazendo ela e o namoradozinho jogador de futebol sínico caçoassem de mim e da minha solidão.
Cheguei em casa e me pus a chorar, não entendia mais anda do que estava acontecendo, tudo tá dando errado. Minha vida está se tornando um inferno. Quando enfim levanto a cabeça e vejo alguém na minha frente mas não consigo enxergar seu rosto. Uma fumaça escura cobre meu quarto me fazendo tremer de medo.
Fale com o autor