Castigada

4 Escrava das trevas


Notas iniciais
Bem galera, primeiramente gostaria de agradecer a cada um de vocês que está acompanhando a jornada de Laurie comigo. Está sendo uma honra escrever para vocês.
Sai mais um pouco desse campo de tortura, e estou entrando no mistério, agora vocês vão se ver presos a mais dois mistérios, Espero que gostem do capitulo. Beijos.

Paro em frente a minha casa. A minha tão triste e solitária casa. Observo a varanda e a pintura querendo desbotar. O frio intenso parece só demonstrar meu tamanho sofrimento. Aquela fumaça densa e costeira vai se alastrando de forma rápida, fazendo o vento soprar as folhas caídas do pé de árvore da casa vizinha para a minha escada. Subo tremula e ainda assim com um pingo de esperança no peito, sei que não vou encontrar o meu pai, ele é bem decidido, e se foi embora, mesmo que de repente, ele sabe o que está fazendo, assim espero.

- Ah. – Suspiro, com o intuito de me sentir um pouco calma.

Ouço alguém pisar nas folhas secas, logo me viro. Meu olhar segue da ponta dos pés (cobertos em um sapato social, tão pretos e brilhantes, provavelmente engraxados) até o ultimo fio de seu cabelo não tão grande, estranhamente castanho, cortado a navalha como numa equação matemática exata. O rosto levemente quadrado e lábios macios.

- Você... Está procurando por alguém? – Minha voz transmite tamanha inquietação.

- Não sei! – Responde, a voz tão rouca e indecisa me faz desviar a atenção para seu braço, seu paletó dobrando tomando forma de uma camisa social 3x4 me permite ver perfeitamente suas inúmeras tatuagens com desenhos provavelmente hieróglifos.

Mentira. Como alguém não sabe responder uma pergunta tão simples? E afinal por que tão misterioso? Mas algo naquele rosto de certa forma me atrai.

Tento me manter parada, procurando algo naquele braço, mas me contento em não achar nada. Já tinha visto o bastante pela manhã na escola, aquele menino, Match, um novato esquentado, que bate e briga com todos. Ele tinha um símbolo parecido com o do sol existente na minha barriga, mas não pude confirmar já que estive fugindo o tempo todo.

Assustada subo as escadas e entro em casa. Vejo-me arrepiada quando o clima quente entra em contato com a minha pele pálida e gélida.

Paro diante de uma agenda que nunca tinha notado antes em cima da mesa de canto. O lugar sagrado da mamãe, ninguém podia pode mexer ali, ou pelo menos não podia até sua morte, nela só existia um pequeno arranjo de copos-de-leite brancas com o interior amarelado, as flores preferidas da mamãe. Ajoelho-me encarando aquela agenda, tenho certeza que esta não estava aqui a 5 horas atrás.

Seguro firme sua capa de couro, sentindo um tremor interior. Questiono-me se devo abrir, não sei se estou pronta para qualquer anotação, revelação ou até história que esteja escrita ali. Meus dedos forçam-me a abrir, como se um instinto queira que eu leia cada palavra ali escrita. Passo ligeiramente todas àquelas folhas amareladas, vendo apenas uma coisa: Um monte de nada.

- Trim, Trim. – Escuto o telefone tocar, largo a agenda em cima do sofá e corro para atender. Não acreditando ao ver o nome de Sally, uma antiga e grande amiga da minha mãe, eu a considero uma tia, ela e seus dois filhos podem ser minha salvação agora! Atendo o telefone, respiração forte de tanta felicidade.

- Ei tia Sally, quanto tempo! – Digo, com a voz tão cheia de entusiasmo que chega a falhar.

- Olá minha gatinha, pode ir preparando tudo ai, eu, Camile e Peter chegamos amanhã cedo ai, vamos passar a semana de Halloween com você, afinal, ninguém deve passar essa semana tão assustador sozinho, e isso inclui você! – Sua voz extrovertida me traz uma calma tão grande, é como se um véu de energia positiva me encobrisse no momento em que escutei sua voz.

Logo essa calmaria é interrompida, quando olho pela janela embaçada (por causa do tempo) e o vejo lá.

O garoto que me esbarrei na entrada.

Parado embaixo de uma chuva que está começando a cair. Do mesmo jeito que o deixei, o mesmo olhar misterioso vidrado na minha janela, suas vestes agora não tão aprumadas quanto antes, não refletem mais aquela beleza incontestável e irritantemente atraente.

- Não é possível! – Murmuro.

- O que? Não quer que a gente vá? Tudo bem então. – Ouço minha “tia” gritar no telegone me fazendo desviar a atenção do atraente guarda-costas da minha casa e voltar-me para ela.

- Não... Quer dizer, venham sim, é tudo que mais quero! –Não minto, mas digo rápido demais, deixando a desejar a confiança em minhas palavras.

- Ok, então chegamos ai pela manhã. – Ela quebra o gelo. – Às 5 da m-a-n-h-ã. – Ela sorri e desliga o telefone na minha cara.

Tento dormir, mas em meio a esse silêncio tão provocativo penso em fugir. Como tudo seria mais fácil se eu pudesse fugir, correr de todos esses problemas que tem me assolado ultimamente, dessa vida injusta que me foi dada, fugir de tudo e de todos, mas somente uma coisa me impede: O mal.

Por mais que eu queira, esse invasor maligno que agora habita o meu ser não me permite, por causa desse castigo que me foi imposto e também pela minha burrice, meu medo aterrorizante de morrer que me subiu a cabeça. Agora sou escrava, uma escrava desse ser que vive em mim, agora vou ter que sofrer, sofrer e enfrentar essa imensa escada que é a vida, agora sou uma escrava das trevas, porém as escolhas ainda são minhas e se eu simplesmente fazer qualquer burrada, pago o preço, terei apenas um destino: A morte. Minha alma será condenada a algum lugar sombrio, talvez junto a minha família.

Mais que inquieta levanto da cama, jogo os lençóis (já grudados de tanto suor que transpirei no tempo em que estive deitada) no chão, e desço as escadas correndo, não sinto os degraus tocando nos pés de tão rápida que estou. Minhas pernas levam-me direto para onde a agenda está.

A agenda.

Notas finais
Espero que gostem! Deixem reviews, comentários.