Castelos de gelo
8 Menina de ouro
Notas iniciais
Em alguma lugar da Inglaterra...
—Chefe, achamos algo.
Um cadete magro e esguio proferiu rapidamente na porta da sala do capitão.
O capitão se levantou de sua cadeira de acolchoado vermelho e se dirigiu além das portas de vidro fumê de seu escritório arrumado e moderno.
Passando pela porta do interrogatório, ele foi até onde cabines brancas e fileiras de computadores se espalhavam por todo o perímetro que se resumia em uma tela de vidro ao fundo da sala particular, onde exibia números criptografados e nomes passando rapidamente junto com fotos de pessoas que o capítão nunca havia visto na vida, vários papéis com informações que inimigos matariam para ter se esvoaçavam pelo chão de carpete cinza, e aquela luz menos intensa das janelas fechadas acompanhada pelo brilho quase predominande das telas de computadores azuis, junto com o cheio ameno de café, dava a todo aquele lugar uma leve menção aos escritórios do FBI.
—Aqui- um garoto que aparentava ter pelo menos uns 22 anos disse, batendo levemente papéis enrolados no peito bem treinado do homem que ele devia respeitar. Seu sorriso de presunção era irreverente, bem, modéstia nunca foi seu forte. O cheiro de papel recém impresso, impregnava as narinas do chefe.
Este por sua vez, transmitiu-lhe um olhar acusador, exigindo com palavras mudas que queria respeito e que não gostava de ser tocado.
—Mas o que é isso?- o chefe que pelo crachá se chamava Marcus perguntou firmemente. O que quer que estivesse impresso naqueles papéis de tinta fresca, só poderia ser algo de extrema importancia para que um jovem, o tratasse com tanta informalidade e arrogancia.
—Achamos informações de nossa “menina de ouro”- Bryan continuou- pelo que sabemos, o nome dela está pela primeira vez em 17 anos no sistema. Apenas precisamos descriptografar as regiões em que ela está, as pessoas que tem o nome parecido com o dela, e as aparências físicas e então...voilá.
—Me mostrem o que acharam- Marcus falou com sua voz ameaçadora e autoritária.
O cadete Bryan, se dirigiu para a tela e gritou pedindo informações aos colegas de trabalho. Pelos olhos do capitão, ele estava realmente surpreso.
Com a sala na completa penumbra um dos subordinados digitou algo em seu computador de ultima geração e em seguida, o que antes eram número criptografados, começaram a ser números com um pouco de sentido.
—Felizmente- começou o cadete que mexia no computador- os códigos são totalmente...inexperientes, feitos por alguém com pouca habilidade. Não é fácil invadir o sistema, e pelo que posso ver, esses códigos são de...uma delegacia?
Todos naquela sala se entreolharam, surpresos por tal suposição.
Em poucos instantes apareceu na tela algumas informações e o espaço aonde deveria conter uma foto carregando.
Todos estavam ansiosos para ver qual seria o rosto da “menina de ouro” que tanto procuravam.
A não ser por um cadete de olhos negros tempestivos e expressão arrogante que estava no fundo da sala encoberto pelas sombras.
Quando a imagem finalmente carregou, o choque foi imenso.
Pois, na determinada imagem, se encontrava uma menina com cabelos bagunçados e cheios, com aparelho verde e amarelo, e com o rosto com tantas espinhas, que surpeenderia a muitos.
Porém, os traços eram irreconhecíveis.
—Achamos ela- o capitão falou com um suspiro de satisfação e alivio.
*~*
Em algum lugar no estado de Maine...
Era o fim.
Eu havia quebrado praticamente todas as regras.
Estava cheirando a carniça, sendo praticamente uma caatinga ambulante.
Com a ferida da humilhação ainda aberta em minhas lembranças.
Recentemente olhada demais pelo delegado.
Com a ameação da minha mãe chegar a qualquer instante na delegacia.
E o xerife ainda dizia que eu ia ter que ficar uma noite na cadeia?
Mas era muito azar mesmo!
Eu fui uma menina boazinha...okay, nem tanto. Mas isso não significa que eu tenha que dormir em uma cela imunda de delegacia!
Maldito mundo capitalista!
—Você não entende- comecei desesperada- eu não posso dormir em uma delegacia!
—Você?- ele perguntou com uma voz gélida. Eu hein...
—Quer dizer, o senhor- me corrigi rapidamente.
Será que ele tá com raiva por eu não ter dado atenção para ele?
—Olha...- comecei fazendo minha melhor cara de cachorro que caiu da mudança e depois levou uma chuva de lama- eu não posso passar a noite aqui....a minha mãe me mata.
—Devia ter pensado nisso antes de fugir de casa para uma festa- ele disse displicentemente- e ficar bêbada, sendo menor de idade.
E quem é você para querer dar liçaõ de moral? Ah é...ele é o delegado.
—Eu não bebi!- falei- jogaram bebida em mim. Melanie Petterson e sua gangue me chutaram, jogaram sangue de algum animal em mim. Tenho culpa?
—Melanie Petterson? Petterson? Filha do proprietário de todas aquelas terras e do prefeito da cidade?
—Sim- afirmei enfática. A justiça seria feita.
—Impossível- ele afirmou meio desconfortável- ela e o irmão nunca fariam isso, além do mais, quem tem poder tem poder.
Fiquei de queixo caído.
Ele não ia fazer nada.
Absolutamente nada!
Quem tem poder, tem poder? Ele está dizendo que quem é rico é quem tem poder, pode me silenciar?
Maldita sociedade deturpada.
—Venha, eu vou te guiar para sua cela.
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