Notas iniciais
MDS! Eu não morri, ainda bem. Gente, minha vida está muito louca. Desde que Janeiro começou, até mesmo antes dele começar, esse ano está se provando ser uma merda. Luto, virus. Perdi alguém que eu amava muito em Janeiro, Fevereiro fiquei terrivelmente doente, Março até agora, Maio, num tá sendo muito legal, e sério gente, hoje, eu fui ASSALTADA. Pela primeira vez assaltada. Por uma mulher drogada com uma faca que ela pressionou contra minha barriga. Gente, foi terrivel. Eu nem vou falar que num pode piorar porque, vai que piora. Sério, queiram meu bem porque não tá facil. O bagulho tá louco. Desculpa a demora. Amo vocês ♥ Por favor, que vocês não tenham me abandonado e que gostem desse capitulo :3 Comentário me animam, recomendações ainda mais :) Desculpa pelos erros gramaticais ;-; Ps: Obrigada por todos os comentários e mensagens privadas, sério gente, vocês são incríveis demais.

—Desisto.

Sim, essa seria minha redenção depois de menos de 24h sendo uma princesa. Ok, não princesa já que ainda não foi oficializado, mas ok.

Não, não me ache dramática.

Eu tinha dito à minha mãe e à Charles, meu até então pai, que eu iria tentar. E eu não estava mentindo, eu iria.

Mas sinceramente, Charles só poderia ter fumado maconha ao propor as coisas que eu teria que fazer.

Tipo, o que é ser princesa? Não é só assinar uns papeis e poder tomar taças enormes de sorvete assim que você quiser?

Pois é, aparentemente não.

Eu estava olhando para um compilado do que parecia ser todos os livros de Game of Thrones, o que Charles chamou carinhosamente de “contrato”, que ele havia parido de algum lugar e que nem por um cacete eu assinaria.

Agora meus queridos gafanhotos vocês me perguntam porque diabos eu não quero assinar aquele maldito contrato.

Você não disse que iria tentar Amanda? Irá deixar o coroa na mão?

O contrato tinha tantas clausulas e “ao assinar você concorda” que eu não duvido nada que ao aceitar dar minha assinatura eu teria acabado de vender minha alma para o capeta.

Se fosse para ter que ouvir isso, eu não deveria nem ter levantado da cama. Não deveria ter tomado banho e colocado minhas famosas blusas do Gumball e com certeza não deveria ter descido as escadas, aonde, por sinal, no fim da mesma encontrei meu guarda costas. Sim, o altão ator de novela mexicana, que obviamente, quando digo obviamente é porque é tão claro quanto tapas na cara, não foi com minha cara.

Será que foi porque eu vomitei nas botas nele?

Ok, eu também não estava mais indo tanto com a cara dele, principalmente depois dele me dar aquele ohar. Aquele olhar de “se você fosse a ultima brasa, eu não faria um churrasco”.

Tipo, ele teria motivo para ter uma pequena aversão por mim, já que não é uma boa impressão você chegar e arrombar o calçado da pessoa. Tipo “Oi, iaê, tud-...” ai você vomita na botas pretas e obviamente caras.

Otima maneira de começar Amy, ótima maneira de começar.

Primeira impressões contam bastante, e podemos dizer que a que eu te transmiti não foi muito legal.

— Eu não vou assinar isso – sim, esse seria meu veredito final.

Se eu estava sendo egoísta? Talvez.

— Porque não deixamos Charles explicar o contrato, e depois você diz se irá realmente fazer?

Ok, isso seria mais justo.

— Então tá bom – respondi sorrindo sem mostrar os dentes como um boneco ventríloquo.

Vamos lá.

— Bem, para começar, a partir de agora seria melhor para todos nós se você começasse a morar na mansão.

— Oi?

— Oi? – repetiu mamãe.

— Eu não vou mudar.

Será que cruzar os braços faria eu parecer mais séria?

Eu deveria mesmo ter trocado de roupa, tipo, quem parece uma pessoa séria com blusa de desenho animado?

Claramente não sou eu.

Eu devo tá parecendo essas crianças que se jogam no chão do supermercado quando os pais não compram algo que elas querem.

Mas sinceramente, Charles e quem quer mais que tivesse ajeitado aquele contrato só poderia ter fumado maconha se por um momento tivesse pensado que eu ia me mudar da casa que eu moro há tanto tempo.

Essa casa com infiltração nas paredes, escada rangendo e com um jardim de flores mortas no jardim da entrada tinha sido meu lar nos últimos 6 anos.

— Você só pode ter fumado umas folh-

—Amanda – mamãe me repreendeu.

Gente, nossa, eu não ia falar nada demais. Mas se formos ver, o cara é um rei. O rei da Inglaterra. Até se eu pisar no pé dele sem querer é capaz de quererem me açoitar em praça publica.

Ok, exagerei.

— Quais são as outras? – perguntei tentando fazer uma voz doce para disfarçar o fato de que estive a um passo de perguntar para o rei da Inglaterra se ele tinha fumado “folhinhas suspeitas”.

Charles permanecia com as sobrancelhas levemente franzidas e com o olhar perdido.

Tsc, Tsc...Tadinho do Charles, não conhece o palavreado das ruas.

Falando assim até parece eu uso chapéu com a aba pra trás, tenho um cigarro nos dedos e saio por ai chamando os outros de “tio”.

Ok, exagerei.

— Então, vou começar a falar as clausulas do contrato quando eu acabar você me diz se deseja alterar alguma coisa.

—Mas eu vou poder escolher não fazer?

—Depende – sua cabeça pendeu um pouco para o lado.

Acho que na mente dele o meu “escolher não fazer” seria “escolher não ser uma princesa”.

Pobre Charles, pobre Charles.

Sentada ali, na mesa da cozinha, com o rei na minha frente mexendo em papeis e mamãe sentada do meu lado direito, não deixa de me lembrar um tribunal, desses que a gente vê na TV.

— Assuntos políticos.

Oh não.

Quando Charles começou a falar sua voz passou de cautelosa e paternal à um tom impessoal que até aquele instante eu não o tinha visto usar.

Não, não rude nem frio, mas sim profissional, com leves vestígios de doçura, que sei que apenas estavam lá por eu ser sua filha.

— Nessa área você terá que se comprometer a interagir tanto socialmente como financeiramente com os membros do parlamento inglês, na área administrativa e em outras facetas do âmbito social.

Certo, pode voltar e explicar a partir de “nessa área”?

—Isso significa...

—Significa basicamente, que você terá que estar presente durante as reuniões do conselho ao tomar decisões, e também em eventos sociais. Ou seja, não importa em que assunto, tanto positivo quanto negativo, sua assinatura deverá estar presente.

Tadinha de mim.

Pelo meu longo e profundo conhecimento sobre parlamento baseado em filmes e séries, eles são um monte de velhinhos carrancudos com aquelas perucas de cachinhos brancos. Não é?

Será que tem pessoas com menos de 100 anos lá?

Ok, tô exagerando.

—Ok, mas...eu não sou uma princesa ainda, então minha decisão não deveria não contar?

Minha pergunta saiu meio rápida demais, mas vi que Charles a entendeu.

Achei que isso era algo que ele ainda não tinha pensado, e ele ficaria tipo “Nossa, como eu não pensei nisso antes? Uau, essa menina é inteligente demais?”, mas sua resposta veio em menos de cinco segundos.

— Ainda irei explicar isso.

— Continuando, – ainda tem mais? – você terá aulas.

—Pera, eu tenho aula na escola e ainda vou ter aula em casa? Impossível.

Mamãe me deu um olhar de “cala boca, se não eu colo ela com cola superbonder”.

Sim, olhares de mães são muito esclarecedores.

Percebendo meu silencio Charles continuou a falar com seu tom de voz impessoal, mas agora sua camada de profissionalismo estava menos intacta pelo pequeno sorriso no canto de seus lábios.

— As aulas se dividirão em três partes. Aulas diplomáticas, em que você aprenderá mais sobre a monarquia, as aulas de estudo, em que você aprenderá novos idiomas e melhorará sua fluência e será mais articulada para falar em publico, tanto em reuniões do conselho, quanto em publico...

— Falar em publico? Eu sou péssima falando em publico, eu começo a gaguejar e falo rápido demais, moço, eu sempre vomito em meus discursos escolares. Se eu passo mal me apresentando pra adolescentes esquisitões, imagina pra um monte de mulheres e homem de alta classe, requintados, perfume francês, fru fru, cheio de “não me toque”?

Tanto mamãe como Charles me olhavam como se eu estivesse sob alto efeitos de substancias alucinógenas.

Ui, falei bonito.

Na minha mente parecia um belo discurso, e que quando eu acabasse eles ficariam “oh, que menina bela e culta na arte de explicar porque não fala em publico. Oh! Vamos dar uma medalha para ela”.

Só que eu falei tudo rápido demais, e devo ter parecido um bêbado falando sobre disco voador.

Pois é, é sim.

—Ok, aulas de estudo.- dei um sorriso amarelo.

—E por fim, aulas de etiqueta. – ele fechou os olhos como se já sabendo que eu ia começar a falar, e bem, eu ia.

—Que afronta! Eu obviamente sei ter etiqueta!

Mamãe cruzou os braços aos passos que Charles sorriu.

— Serio que tem? – ela levantou uma sobrancelha.

Certo, é melhor eu ficar calada, nem eu mesma tava me aguentando.

Charles continuou a sorrir nos observando e eu comecei a entender porque.

Por mais irritante que eu estivesse sendo — embora eu seja a pessoa mais agradável do mundo, magina – eu era filha dele. Talvez ele não se importasse tanto assim com meus “chiliques”, já que ficou 17 anos sem eles.

— Mas então, — comecei cautelosamente- só isso?

Diz que não, diz que não...

—Sim, tem. Como eu ja havia dito, haverá um baile dentro de alguns meses, nele você assumirá a coroa como minha sucessora, ou renunciará.

Foi impossível não perceber a leve carranca que se formou em seu rosto ao pronunciar “renunciará”.

—Espera, assumir assumir?

Charles deu uma leve risada com minha lerdeza.

Só falta ele bagunçar meus cabelos e sorrir como se estivesse em um comercial de pasta de dente, dizendo “menina tola, menina tola”.

— Você apenas aceitaria a coroa e seria vista como princesa e minha sucessora. Seria oficial.

Eu bem sabia que aquele “apenas” não era só “apenas”.

Todo aquele tratamento que eu possivelmente iria receber, junto com as aulas e todo aquele esforço, não seria gasto apenas para depois eu ficar de boa tomando sorvete.

— Mas eu ainda posso renunciar...

— Eu já estava chegando lá. Você terá até o baile para decidir, e se disser sim, será apresentada para todos como minha mais nova sucessora ao trono.

— Aceitar ou não Amanda, mudará sua vida.

Mesmo que tudo sobre essa nova realidade que me chamava para entrar em seu mundo me assustasse, a ideia, somete a ideia de poder fazer algo significante na vida das pessoas e alterar nem que seja um pouco do mundo delas, para melhor, me agradava.

Me agradava e assustava.

Ao passo que eu podia ajudar, eu também poderia ferrar com a vida delas, mesmo sem intenção.

— E obviamente, até lá, nada poderá ser dito sobre sua linhagem real. Nem uma palavra.

— Ok – isso seria fácil, até porque não quero que ninguém saiba de quem eu sou. Já assisti diário da princesa, e sei que provavelmente apareceria um monte de amigos falsos, além de que prefiro não subir as expectativas.

Não apareceu nem uma avó falando que sou a princesa de Genóvia nesse caso, mas digamos que tirei a sorte grande.

Para muitos seria uma bela oportunidade de se gabar ou se vingar, mas eu não posso ser esse tipo de pessoa...se bem que, imaginar a Melanie como uma formirguinha e eu poder pisar nela não parece uma ideia tão ruim assim. Não, não, foco Amanda, foco.

— Eu queria poder te dar mais tempo para escolher Amanda – Charles disse – mas estamos em tempos críticos, onde temos que assumir riscos. Você pode erguer e depois fazer tudo ruir, mas filha, todos temos que tentar.

Mamãe apertou minha mão por sob a mesa e me deu um sorriso de canto.

Eu não podia mais desistir completamente, já que eu havia dito que pelo menos iria tentar, e mesmo que eu não me torne o que esperam que eu seja, eu ainda tenho tempo para decidir.

Não é tudo de que preciso? Tempo?

—Ah, e claro – Charles cortou meus pensamentos – além de todos essas aulas e assuntos do parlamento também terá a vestimenta, que virá junto com as aulas de etiqueta, a segurança e a parte da vaidade.

Ele tomou um gole de café.

Já estava começando a me assustar de novo quando ele continuou.

— Mas isso claro, será gradativo, ao longo das semanas, e mesmo que você escolha renunciar eu obviamente, ainda irei cuidar de você.

Brevemente, foi fácil esquecer todos os anos de sua ausência na minha vida, porque as pessoas tinham certa reverencia por ele e quantos zeros ele tinha em sua conta bancaria.

E embora eu não pudesse chama-lo de pai, além do termo, até porque mal o conhecia, ele era alguém que se importava comigo.

Mamãe levantou para pegar mais café, e os guardas na sala se aproximaram mais ao ver que a conversa tinha acabado.

Continuei sentada e Charles também continuou.

— Alguma objeção? – ele disse de modo brincalhão.

Pensei e bem, e além da casa, não tinha nenhuma. O baile seria minha válvula de escape. Eu ainda poderia desistir.

—Não, até agora não.

Ele sorriu um pouco surpreso.

Ainda sorrindo, estendeu uma caneta com suas iniciais, mostrando no contrato onde eu deveria assinar. Deve ser assim que voce se sente quando você sua alma.

— Alguma pergunta? — seus olhos faíscavam.

Estava prestes a dizer não quando lembrei da rapidez que ele obteve o contrato. Era como se ele soubesse que eu estava viva, que iria me achar.

— Era só um rascunho – ele pareceu um tanto constrangido.

Nossa, eu deixei o rei da Inglaterra constrangido?

— Mesmo assim, não tem como já ter isso, até mesmo como rascunho.

Ele colocou o contrato dentro de sua pasta de couro, que com certeza era legitimo, e pareceu ponderar em sua resposta.

— Eu tinha esperanças Amanda, tinha esperanças de que iria algum dia te achar. Nunca duvidei.

Um silêncio pesado caiu sobre nós, embora tudo ao nosso redor estivesse barulhento.

Mas não um silêncio desconfortável e esquisito, mas sim um cheio de significado. Como se a paz dissesse pelo menos um terço das palavras não ditas.

—Princesa ou não, você ainda é minha filha, e agora que eu te achei, não te deixarei ir embora novamente.