Castelos de Gelo
1 Encanto
Notas iniciais
Espero que gostem.
Seus movimentos eram suaves, magníficos e perfeitos. Era assim que Sakura Haruno patinava desde sempre. Dançava como se mais nada existisse, falava com o corpo. Talvez por isso tenha alcançado a fama que alcançou. Seus pés deslizavam no gelo com maestria.
- Sakura... – Escutou a voz de sua instrutora a chamando. Parou com os rodopios e foi até ela.
- Diga, Tsunade. – Falou, cobrindo os patins afiados com a proteção, para poder caminhar normalmente.
- O que deu em você? – A loira não estava muito amigável. – Todas as revistas e jornais estão comentando, até na televisão já saiu! A fama lhe subiu à cabeça, ninguém mais te adora, nem te admira!
A rosada havia exagerado em uma entrevista nas finais da última competição que participara. Humilhou os concorrentes, seus treinadores. Falou mal de várias pessoas, como se fosse o centro do universo. Sim, a fama lhe havia cegado.
- Só falei a verdade, nada mais. – Respondeu com desinteresse.
- Você mudou, Sakura. Era humilde, carinhosa e atenciosa. Patinava por paixão e não pela fama. Agora está cega. Até seus movimentos estão ficando mais pesados. Não tem mais amor na sua dança. – A instrutora ralhou. – Ou você aprende o que é a patinação, ou vai procurar outra que a treine.
- Eu sou famosa! Não importa se estão falando bem ou mal de mim, desde que estejam falando! A patinação me trouxe este mundo e não você, sinta-se à vontade para sair. – A patinadora falou, voltando para o gelo.
- Tem muito o que aprender comigo ainda, garota! – Tsunade gritou à ela. Ambas sabiam que não mudaria a instrutora. Tanto pelo tempo que estavam juntas quanto pelo fato de que a mesma era sua madrinha. Sempre tinham aquele tipo de briga, porém estavam ficando mais frequentes.
Tsunade pegou os papéis que carregava e os olhou, vendo as reclamações e xingamentos dirigidos à rosada. Logo, a mesma seria esquecida, iria ser apagada do mundo artístico. Era mal vista e sua reputação estava indo por água abaixo.
- Isso não pode continuar. – Murmurou. – Mas, talvez se... – Pensou em uma forma de concretizar sua ideia.
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- Com licença? Alguém aí? – Tsunade perguntou quando chegou ao endereço rabiscado em um pedaço de papel que carregava. Tocou a campainha que se encontrava no balcão da loja de antiguidades. Suspirou, fechando os olhos quando não obteve resposta.
- No que posso ajudar? – Escutou a voz do senhor que saia da porta nos fundos.
- Com licença. Sou Tsunade, muito prazer. Sou treinadora de Sakura Haruno e... – Foi interrompida pelo senhor, que assoviou, sabendo do que se tratava.
- A Haruno está em maus bocados em? Mas o que alguém de seu nível deseja em minha humilde loja? – Perguntou, escorando-se no balcão empoeirado.
- Conhece alguém chamado Itachi Uchiha? – A loira perguntou.
- É meu filho. O que quer com ele? Para sua informação, ele está em viagem agora. Não se encontra. – O senhor já virava as costas.
- Ele patina, não é? – Ela perguntou. – Ele pode ser a minha salvação... E a sua também. – Colocou a maleta cheia de dinheiro em cima do balcão. O interesse do velho apareceu de repente.
- Patina... Eu realmente queria, mas não menti sobre ele estar em viagem. Achou alguém para patrocínio e esqueceu que tinha uma família. – O senhor abaixou a cabeça. Tsunade suspirou.
- Acho que eu nunca vi tanto dinheiro em toda a minha vida. – Uma voz diferente apareceu na loja. Um garoto moreno, pele claríssima e olhos negros apareceu.
- Ah, Sasuke, o que faz aqui? – O velho perguntou.
- Apenas me interessei pelo fato de que a treinadora de uma patinadora famosa apareceu na loja de antiguidades do meu pai. O que ela quer aqui? – Perguntou, não muito educadamente.
- Nada. Apenas negócios. Pode voltar para o seu trabalho. – O pai do garoto respondeu.
- Espera, Sasuke Uchiha, não? – Tsunade se interessou no garoto, ouvira falar dele também.
- Eu mesmo. Não tenho o talento do Itachi, nem adianta. – O garoto já ia retornando.
- Mas sabe patinar, não sabe? Se você consegue se equilibrar em um par de patins já basta. Preciso de você. – Sim, talvez a loira tivesse desesperada.
- Por que eu deveria? – Perguntou, desinteressado.
- Porque eu acho que essa maleta seria bem útil. – Tsunade tinha seus truques.
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- Sakura! Venha aqui! – Tsunade chamou a rosada logo quando chegou na arena de patinação. Sabia que a mesma estaria ali, rodopiando e passeando pelo gelo com perfeição.
Sasuke entrou também e ainda conseguiu ver a patinadora dar seu último salto incrível antes de ouvir o chamado da treinadora e se retirar do gelo. Observou Sakura saindo da arena, hipnotizado. Ela era linda, mais linda do que imaginava.
- Ei, Sasuke, venha aqui! – Saiu do transe assim que ouviu a voz de Tsunade. O moreno foi até ela, que estava ao lado de Sakura.
- Sakura, esse é Sasuke Uchiha. Sasuke, essa é Sakura Haruno. – Ela apresentou os dois. Como se ele não soubesse quem era aquela patinadora famosa de cabelos cor-de-rosa. Já a rosada apenas olhava Tsunade sem entender. – A partir de hoje, são uma dupla, vão patinar juntos. – Ela concluiu. Sakura soltou uma gargalhada seca e cínica.
- Eu patino sozinha. Obrigada pela intenção. – Retirou os patins e sentou-se no banco, colocando os tênis.
- Se quiser continuar como está e ser odiada e esquecida, fique à vontade. Só depois não diga que eu não fui uma treinadora competente. Essa é a sua chance de voltar à tona. – A loira falava para sua patinadora.
- Não, obrigada. – Ela era mais teimosa do que Sasuke imaginara.
- Sakura... – Tsunade suspirou. – Estou desistindo de você.
- Realmente ama o que faz, não? – Para a surpresa das duas, Sasuke era quem tinha se pronunciado. – Sei disso porque consegui ver com meus próprios olhos sua paixão pelo gelo. Foi lindo, o último salto, e você não estava diante de câmeras, holofotes, nem vestida com uma roupa cheia de purpurina. Consegui ver você, sendo você.
- O que você quer? – Sakura ignorou a fala dele.
- Pena que sua fama cobre essa sua paixão. – Ele também a ignorou. – Quando está nos holofotes, esquece de ser você. É outra pessoa. Eu amo patinar, gostaria de tentar te ajudar a lembrar como é patinar por amor.
- Esqueça. – Ela respondeu grossa. Terminando de amarrar o tênis e levantando para ir embora.
- Uma dança. – Ele disse.
- O quê? – A rosada perguntou, confusa.
- Patine comigo, só uma vez. Uma dança. – O moreno disse colocando os patins e levantando. Pegou os patins dela e os estendeu à mesma. Ela pegou os patins, calçando-os novamente.
- Só uma. – Disse enquanto pegava a mão dele.
- Sim, só uma. – Ou duas, ou três, nunca subestime a patinação.
Notas finais
Comentem com dicas, criticas construtivas, o que acham?
Beijos.
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