Castelos, Bares e Portões [EM HIATO]
4 Capítulo 4 - Matheus
Notas iniciais
Eu estava apaixonado por ela. Havia uma semana que nos conhecemos e eu estava completamente louco por Violeta, ela era simplesmente incrível. Encontramo-nos de novo três dias após aquele domingo em que fui buscar meu violão, pois eu não conseguia me mexer direito por causa da dor e eu não queria que ela viesse à minha casa.
Tinha medo de que se meu pai suspeitasse que eu tinha uma amizade nova, ele me castigaria mais uma vez, ou pior, faria mal à Violeta. Era muito difícil viver com medo, mas eu ainda tinha um pouco de esperança de que isso acabaria um dia. Já tentei fugir de casa várias vezes, mas não consegui ir muito longe antes que um dos “parceiros” do meu pai me encontrasse. Já tentei a pé, com um dos carros dele, com o carro do Ricardo, ônibus, trem, mas nunca deu certo, toda tentativa acabava do mesmo jeito: Eu desacordado em um hospital. Já tentei denunciá-lo, mas, nessa cidade, meu pai tinha o apoio de grande parte dos policiais por causa da influência de Jeferson. Aquele inferno na terra acabava comigo cada vez mais, porém eu não podia desistir, precisava achar algum jeito de fazer aquilo parar de uma vez por todas e poder seguir em paz com a minha vida.
Naquela quarta-feira, meu corpo já não doía tanto. Passei basicamente dois dias deitado, levantando apenas para comer, ir ao banheiro e tomar banho. E mesmo assim fazia tudo com muita dificuldade, pois na verdade, o doutor Victor Hugo mandou que eu não tomasse mais de dois comprimidos por dia e em determinado horário. No domingo acabei tomando um a mais do que devia e passei a noite toda vomitando.
Após os dois dias de repouso, já conseguia andar e me mover normalmente, mas com muitas limitações, é claro, afinal, a dor só estava um pouco menos intensa. Entretanto, isso não me impediu de ir à casa da Violeta ensiná-la a tocar violão, ela aprendia rápido. Aqueles momentos fizeram-me lembrar de quando minha mãe me ensinou a tocar, ela precisou de muito mais calma e paciência, já que não fui um aluno tão bom quanto Violeta, que aprendia bem rápido. Ficamos o tempo todo sentados na calçada, eu não estava à vontade sobre entrar na casa dela e os dias que se passaram estavam muito quentes.
Morávamos em uma cidade mediana e nosso bairro era muito calmo. Quase não se via pessoas na rua à tarde e, as que passavam por nós, ou nos cumprimentavam apenas, ou nos ignorava por completo. Meu pai estava na cidade vizinha esses dias, havia dois anos que tentava expandir seus negócios para outros estados, então eu estava mais tranquilo, sabia que suas viagens duravam um bom tempo. Ricardo me proibiu de voltar ao bar para trabalhar e eu decidi não discutir, então dediquei minhas tardes a fazer companhia para Violeta. Nós tocávamos violão, lanchávamos na calçada e conversávamos até as dez da noite, que era quando eu voltava para casa. Fora desse jeito até domingo, quando ela pediu-me para ir mais cedo, caso estivesse disponível e, obviamente, não recusei.
— Desculpe-me Portãozinho, meus pais querem conhecer você. – Disse Violeta mordendo o lábio inferior e franzindo o cenho, sua expressão era tão linda que me fez sorrir.
— Por que você fala como se isso fosse algo ruim? – Perguntei, resistindo a vontade de bagunçar o cabelo dela, como sempre. Ela pareceu notar e jogou o longo cabelo por cima do ombro esquerdo, pois não gostava quando eu fazia isso.
— Meus pais são muito... Grudentos e às vezes falam antes de pensar. Estou começando a achar que é uma péssima ideia. – Violeta cruzou os braços sob o peito com uma expressão emburrada. Não pude deixar de rir.
— Seus pais parecem ser muito legais e sua mãe sempre faz esses lanches gostosos! Eu adoraria conhece-los.
— Por causa dos lanches? – Riu.
— Também.
***
— É um enorme prazer conhece-lo, Matheus! – Sorriu dona Renata. Estávamos sentados à mesa almoçando espaguete com queijo, a cozinha não era muito grande. Tinha azulejo branco nas paredes, todos com padrões desenhados, a grande mesa redonda ficava num canto perto da geladeira branca com freezer e do fogão de cinco bocas. A pia era embutida na parede do outro lado com bancadas e armários em volta. Perto da bancada esquerda havia uma porta que dava para o quintal dos fundos e, perto do fogão, outra que dava para o corredor que levava à sala.
Violeta parecia muito com sua mãe, não só na baixa estatura. A maior diferença entre elas é que dona Renata tinha a pele branca e os cabelos lisos na altura dos ombros e tingidos de loiro. Já seu pai, o senhor Antony, era negro, corpulento e muito mais alto do que eu. Perto delas duas, parecia um gigante.
— Ela nunca trás meninos aqui, ficamos muito felizes por saber que ela conheceu alguém! E ainda por cima é bonito assim, que bom gosto! – Continuou dona Renata, fazendo-me enrubescer com seus comentários indiscretos. Não conseguia pensar em nada para dizer, apenas sorria timidamente e comia o delicioso macarrão.
— Mãe... – Violeta estava vermelha também. – Por favor, não começa, só vamos almoçar...
— A nossa florzinha falou de você o tempo inteiro! – Interrompeu o pai de Violeta. Eu queria continuar a sorrir, mas estava nervoso demais para isso, senti meu rosto esquentar ainda mais e meu coração ficar muito acelerado. Violeta falou de mim para os pais dela o tempo inteiro. Foi isso o que ouvi? Foi isso mesmo? – Ela é uma ótima menina, muito inteligente e responsável, então confiamos na escolha dela. Melhor não magoá-la...
— SOMOS AMIGOS! – Gritou Violeta, vermelha como pimenta. Mordendo o canto da boca, olhei para ela do outro lado da mesa. Ouvir aquilo fora como uma facada no coração, mesmo sendo a mais pura verdade. – Pelo amor de Deus, eu já disse que o Matheus é meu amigo e está me ensinando a tocar violão. É isso! Vamos comer, por favor!
— Ela não costuma surtar desse jeito. – Riu dona Renata enquanto tocava gentilmente meu braço. Chegou mais perto e sussurrou: – Acho que isso é sinal de que ela gosta muito de você, olhe como ela está vermelha!
— Ah... – Ela realmente estava, mas por puro constrangimento. Violeta apoiara os cotovelos na mesa e escondera o rosto entre as mãos. Depois, olhou para mim por entre os dedos e sussurrou um tímido “Me desculpe”. Sorri para ela, para tentar tranquiliza-la. Era constrangedor, mas divertido também.
Ficamos conversando durante o almoço inteiro e com conversando, quero dizer que os pais de Violeta falaram sobre ela, a infância dela e nosso possível relacionamento amoroso, enquanto ela morria de vergonha e eu ria da situação. Em algum momento, o pai de Violeta citou um garoto que a tinha magoado muito no passado, o que me deixou curioso e intrigado. Provavelmente um ex-namorado, ou algo do tipo. Acho que não era da minha conta, mas a vontade de perguntar a ela sobre isso continuava viva.
Após o almoço, fomos para a aconchegante sala de estar para continuamos a conversar. Os pais de Violeta sentaram-se juntos no sofá menor e eu me sentei no maior, um pouco mais afastado. Violeta sentou-se ao meu lado, a proximidade fez meu coração acelerar, podia sentir o cheiro doce do perfume dela. Dona Renata perguntou-me sobre meus pais, porém antes que eu pudesse responder, seu Antony mudou de assunto ao notar que eu estava pouco à vontade em falar sobre isso. Assenti com a cabeça discretamente para ele, agradecido, falar sobre meu pai para aquelas pessoas que claramente tinham tanto amor ao redor parecia quase um pecado.
Conversamos até a tarde sobre vários assuntos, eles me perguntaram coisas como o que eu fazia da vida, se pretendia fazer faculdade, etc. Após um tempo, Antony e Renata deixaram Violeta e eu sozinhos na sala, pois tinham combinado de sair naquela noite e precisavam se preparar.
— Quer dar uma volta? – Perguntara Violeta depois de um longo silêncio constrangedor. Sorri para ela, assentindo.
***
— Você tem razão, esse sorvete é o melhor!
— Sim, eu gosto do sorvete da loja do centro, mas nem se compara com o caseiro da Dona Roselena. – Falei, provando mais um pouco do meu sorvete de chocolate e menta. Estávamos sentados na calçada da sorveteria, Violeta pedira um sabor chiclete. A sorveteria não era muito movimentada, e hoje não era diferente. O lugar era muito simples, era como um cômodo médio com paredes bege, um balcão e duas mesinhas de metal com quatro cadeiras em volta cada uma. Atrás do balcão ficavam os sorvetes caseiros e a própria Roselena, uma mulher que aparentava ter seus cinquenta e poucos anos que sempre sorria gentilmente para os clientes.
— Eu raramente venho para esse lado do bairro. – Confessou Violeta passando a língua nos lábios fartos sujos de sorvete. Desviei o olhar para meu sorvete, enrubescido. Queria muito beijá-la. – Não sabia que tinha uma sorveteria aqui.
— Minha mãe me trazia aqui, esse lugar era ainda menor. – Contei, observando as nuvens. O dia estava quente, mas mesmo assim eu estava usando minha jaqueta. Já estava acostumado, quase não sentia calor. Olhei para o sorvete em minha mão. – Ela sempre pedia o de chocolate com menta para ela e o de uva para mim.
— Como... Como ela se chamava? – Perguntou Violeta, depois de um longo silêncio.
— Laura. – Suspirei.
— Vocês eram muito unidos, certo? – Indagou Violeta. Sorri timidamente.
— Ela era tudo para mim. Era minha melhor amiga e sempre me protegia... – Minha voz morreu no meio da frase. Não conseguia falar sobre aquilo com ela. Violeta não fez mais perguntas. Terminamos nossos sorvetes e andamos sem rumo pelo resto da tarde. Ela conhecia muitas pessoas, vez ou outra cumprimentava alguém que passava por nós, ou me apresentava a alguém que queria parar pra conversar. As conversas não duravam mais que dois minutos e nós continuávamos dando voltas pelas ruas.
— Não sabia que era tão popular. – Brinquei após um grupo de garotas mais jovens irem embora dando risadinhas. Violeta cruzou os braços sob o peito com uma expressão emburrada encarando as meninas.
— Não sou só eu. – Murmurou. Franzi o cenho, confuso. Ao longe, as meninas mandavam beijos, riam e acenavam. Violeta tocou meu braço. – Vamos.
Começamos a caminhar novamente conversando sobre coisas aleatórias até chegar numa praça vazia. Havia banquinhos de pedra espalhados, um campo de futebol pequeno, brinquedos típicos de praça e barraquinhas de lanche fechadas, pois ainda era quatro e meia. Sentamos num banco de pedra, muito próximos, o que fazia meu rosto esquentar. Um pouco depois, algumas pessoas vieram falar com Violeta.
— Ei, Polegar, há quanto tempo! – Gritou uma garota alta de cabelos curtos estilosos e com um skate na mão. Atrás dela, mais duas garotas e um cara sorriam e vinham em nossa direção. Violeta inclinou a cabeça e sorriu docemente para o pequeno grupo.
— Se não são meus doidinhos favoritos! – Brincou, levantando-se e abraçando um por um, o que me fez desviar o olhar. Era bobo, mas fiquei com ciúmes. – Como vocês estão?
— De boa, estávamos voltando do subway novo que abriu perto da casa da Kay. – Respondeu o rapaz, passando o braço pelos ombros da menina de cabelos escuros, longos e lisos, que logo abraçou sua cintura. Ele não era muito alto, também tinha cabelos negros e, assim como a outra garota, tinha um skate nas mãos. A outra menina era loira, também de cabelos curtos, na altura do pescoço e usava óculos. Violeta sentara ao meu lado novamente, ainda mais perto que antes.
— Matheus, esse é o pessoal, Joice, os irmãos Sarah e Gustavo e, a namorada dele, Kaylaine. Estudamos juntos do fundamental até o fim do ensino médio, éramos a turminha da bagunça! – Explicou Violeta rindo e apontando respectivamente para a skatista, a menina loira e o casal. – E pessoal, esse é o Matheus. – Apontara para mim. Sorri timidamente e acenei para eles, que sorriram de volta.
— Você não contou que estava namorando. – Disse Sarah, abrindo uma garrafinha de água que tirara da mochila e entregando à Joice. Violeta e eu ficamos vermelhos instantaneamente.
— Não somos um casal. – Neguei.
— Não estamos namorando. – Disse Violeta ao mesmo tempo, o que os fez rir.
— Pois saibam que não parece. – Joice inclinou a cabeça, apoiando o skate no chão. Cutucou a amiga com o cotovelo. – Olha como estão grudados, Sarah.
Violeta realmente estava muito perto. Por um segundo, achei que ela fosse se afastar de mim, mas ela não o fez, apenas abaixou a cabeça e olhou para o lado, o rosto muito vermelho. Aquilo fez meu coração acelerar, tiver que morder o lábio inferior para me impedir de sorrir. Os quatro nos olhavam de maneira estranha.
— Não começa, Joice. – Repreendeu Kaylaine, ainda abraçada a Gustavo. – Vio, ainda estamos chateados contigo, tem três meses que você recusa qualquer convite para os rolês, não tem graça sem você.
— Verdade, os rolês se resumiram a Gustavo e eu andar de Skate enquanto a Sarah faz dever de casa da faculdade e a Kay fica mexendo no celular... – Joice revirou os olhos, brincando com o skate.
— Vio nos trocou pelo Matheus. – Brincou Gustavo. – Podia trazer ele para os rolês também, seria legal ter um cara para conversar além da Joice... Ai! – Joice jogara a garrafa em Gustavo, fazendo Violeta e eu sorrir. Gustavo, Joice e Kaylaine começaram a discutir calorosamente, enquanto Sarah se aproximou de nós para conversar.
Eles eram realmente muito legais. Gustavo e Joice nos mostraram várias manobras de skate, Kaylaine contou como eram os vários países aos quais viajara com os pais depois que se formou e Sarah nos falou como era a faculdade de Biologia que estava cursando. Conversamos, rimos e brincamos até anoitecer, Violeta parecia muito feliz, o que fez a noite ser ainda melhor. Entretanto, quando deu nove e meia, lembrei que tinha que voltar para a minha realidade. Meu pai estava viajando esses dias, mas podia chegar a qualquer momento. Ele sempre voltava das viagens depois das dez e se eu não estiver em casa, ele vai pensar que tentei fugir de novo. Era uma hipótese, mas não queria arriscar.
— Você tem quantos anos, afinal? – Perguntou Joice com um leve sarcasmo.
— Ahn, dezenove. – Respondi cauteloso, ignorando seu tom. – Eu realmente adoraria ficar, mas... Preciso mesmo voltar para casa. É complicado de explicar.
— Ah, mais o que custa ficar até às onze? Cara, ainda são nove e meia! – Disse Kaylaine, franzindo o cenho. Violeta se levantou.
— Ele tem os motivos dele, gente, por favor. – Reclamou, fazendo sinal para que eu a seguisse. – Foi maravilhoso rever vocês, vamos marcar para sair de novo. Pode ser essa semana mesmo... Ah, se você puder, é claro. – Olhou para mim, levemente corada. Acenei com um pequeno sorriso, meu rosto esquentando novamente.
Nos despedimos deles, que reclamaram um pouco por Violeta ter que ir também. Me senti um pouco culpado, mas Violeta explicou que estava dormindo cedo pois tinha que estudar de manhã – decidira fazer o vestibular novamente. No caminho de volta, Violeta me contou que fez a prova assim que se formou aos dezessete, mas não conseguiu passar para a faculdade que queria mesmo tendo estudado muito, então acabou desanimando e desistindo.
— Já tinha tudo planejado, então pensei que só teria aquela chance. Pensei que se eu não passasse, atrasaria minha vida inteira, mas hoje entendo que a única coisa que me atrasa é o meu desânimo por falhar. – Confessou enquanto caminhávamos de volta para casa. – Então, esse ano, decidi mudar o quadro e tentar de novo.
— Você... Você é incrível, sabia Princesa? – Deixei escapar com um suspiro. Violeta não respondeu, estava surpresa com meu elogio repentino. Ficou completamente vermelha. – Se eu puder te ajudar com qualquer coisa, é só me dizer, saiba que tem o meu apoio.
— Sua companhia já é mais que o suficiente! – Disse. Em seu rosto havia o sorriso mais lindo que eu já vi. Instantaneamente sorri também, um pouco envergonhado. – Eu acordo entre as seis e sete da manhã, tomo café e estudo sem pausa até meio dia, exceto quando surge algo importante para fazer. É estressante e cansativo estudar tanto, mas o tempo que tenho passado com você me ajuda a relaxar, então, mesmo sem saber, você já estava me ajudando! Obrigada, Portãozinho.
— Bem... Não há de que, Princesa. – Balbuciei baixinho, sem saber o que dizer.
— Então, minha parada é aqui. – Brincou, quando chegamos ao seu portão. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, seu celular tocou e ela abriu a mensagem. – Ah, é do Luís Ricardo, só um meme bobo. – Riu. Aquilo me incomodou. Aquilo me incomodou muito, não sabia que ela e Ricardo continuavam a se falar. O pior era que eu estava plenamente ciente do ciúme que estava sentindo e, somando com a insegurança que eu sentia o tempo inteiro e a raiva que eu sentia do Ricardo, comecei a pensar que eu era a pior pessoa do mundo por estar chateado com isso. Eu não tinha o direito de interferir nas amizades dela, mas eu conhecia o Ricardo bem o suficiente para saber que ele tentaria avançar para outros estágios nesse relacionamento. Quanto mais eu pensava sobre isso, sobre ele usando a Violeta e partindo o coração dela como sempre fazia com as outras, pior e com mais raiva eu me sentia. Mas que direito eu tinha de dizer a ela para não falar com ele? Não faria isso nem se fossemos um casal.
— Ei, deixa eu te mostrar o que ele mandou... – Violeta chegara mais perto para me mostrar a tela do celular, mas eu a afastei gentilmente, tentando conter minha raiva. Ela me olhou confusa.
— Fica para outro dia, eu realmente preciso ir. – Falei de forma seca, mas não de propósito. Ao ver a expressão triste em seu rosto, me arrependi no mesmo momento, esqueci do Ricardo e toda a raiva sumiu. Não queria vê-la chateada, então, por puro impulso, puxei-a para perto novamente e me inclinei para frente para beijar seu rosto, porém foi perto demais de sua boca. Não durou mais que dois segundos, mas foi o suficiente para fazer meu coração quase pular do peito e minha consciência começar a me perguntar se eu realmente deveria ter feito aquilo. Nervoso, olhei nos olhos de Violeta que me encarava boquiaberta e sem reação. Ainda estávamos muito perto.
— Me desculpe... Nos vemos amanhã, ok? – Sussurrei. Não esperei uma resposta, apenas andei apressadamente para casa, na minha mente apenas ecoava: “Eu não devia ter feito isso, eu não devia ter feito isso...”, porém meu coração ainda estava acelerado, meu rosto estava em chamas e em meus lábios havia um sorriso que eu simplesmente não conseguia desmanchar. Eu só beijei o rosto dela, droga! Pensei. Não foi nada demais, se controla!
Entrei em casa com as costas da mão sobre a boca para tentar conter, ou ao menos esconder aquele sorriso bobo. Mas assim que entrei na sala, não precisei de mais esforço para deixar de sorrir.
— Decidiu dar uma escapada... Sem minha permissão... – Soluçou meu pai, extremamente bêbado. Estava jogado no sofá branco com a camisa havaiana desabotoada, os pés descalços sobre a mesa de centro de vidro e nas mãos uma garrafa de vodca. Estremeci de medo. Sabia como minha noite terminaria. – Vai para o seu quarto, garoto. A gente... Conversa depois.
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