Notas iniciais
Olá de novo! ♥ Esse foi o capítulo que mais gostei de escrever no caderno e, agora, é o que eu mais gostei de reescrever no computador! ♥ Eu gosto demais desses dois personagens e esse é um dos pontos importantes na história, espero que vocês gostem! Boa leitura! ♥

Eu estava ansiosa. Queria muito conhecer o misterioso dono do violão, não conseguia parar de pensar sobre como ele era pessoalmente. Nossa conversa de madrugada fora a coisa mais legal que me acontecera nos últimos meses. A verdade é que desde minha formatura na escola, a vida estava meio parada e isso foi há dois anos. Acordei às sete da manhã, a disposição renovada mesmo não tendo dormido muito. Após fazer a higiene matinal, pentear meu cabelo — o que levava bastante tempo — e comer, voltei para meu quarto para me arrumar. Quando entrei, vi o violão em cima da cadeira, mesmo lugar onde eu tinha deixado quando cheguei em casa na noite anterior.

Ontem eu estava tão cansada que nem pensei em abrir a case, a última vez que toquei em um violão foi na escola, alguns amigos me emprestaram e eu pude aprender um pouco do básico. Ajoelhei em frente à cadeira, peguei a case e coloquei-a no chão. Estava muito curiosa para abri-la, entretanto, sabia que não devia, afinal, não era meu. Mas... E se tivesse quebrado durante o caos? Eu precisava verificar. Depois de alguns segundos pensando sobre isso, não pude mais me segurar.

Dentro da case havia um belo violão preto autografado com tinta prateada, as letras grandes estilizadas. Quando entendi o que estava escrito, quase fiquei sem ar. Joe Benson. Era um autografo de um dos meus cantores favoritos no mundo inteiro, não podia acreditar naquela raridade, Joe morrera havia alguns anos e, em seus cinquenta e dois anos de carreira, não dera muitos autógrafos. Aquilo definitivamente era uma relíquia. Toquei as cordas levemente, com medo de que o mínimo movimento pudesse danificar o instrumento tão precioso. Não importa o quão legal era o dono do violão, foi insanidade da parte dele largar aquilo tão descuidadamente no bar!

De repente, sobressaltei-me ao ouvir uma notificação no celular. Fechei a case e peguei o smartphone sobre a cômoda perto da minha cama. Meu coração acelerou um pouco ao ver que era ele.

“Ei, tudo bem? Eu vou passar ai umas dez horas, ok?”

Instintivamente, olhei para a hora na tela do celular: oito e quarenta e nove. Mordi o lábio inferior, por que me sentia tão nervosa? Ele só vem buscar o violão. Claro, tínhamos várias coisas em comum e foi extremamente divertido conversar com ele ontem à noite. Mas isso não queria dizer nada, certo? Eu não o conhecia, nem sabia o nome dele, ou a idade, podia ser qualquer pessoa. Decidi responder a mensagem.

“Ótimo, às dez então! Isso é vergonhoso, mas acabei de perceber que esqueci de perguntar seu nome.”

Esperei pela resposta, mas ela simplesmente não veio. Realmente ótimo. Pensei, frustrada. Troquei de roupa, vesti uma calça jeans clara, uma camiseta branca estampada, meus tênis e sai para dar uma volta para passar o tempo. Fui até uma lojinha de doces não muito longe da minha casa e comprei minhas pastilhas de hortelã favoritas. Quando fui ao caixa pagar, sem querer, ouvi uma conversa entre dois funcionários.

— Fiquei sabendo que o Seu Carlos está na cidade de novo. – Disse um homem gorducho e meio careca.

— Sim, ele veio consertar a confusão que aquele filho esquisito dele causou no bar. Alguém deveria dar um jeito naquele moleque, nunca fala com ninguém, não sai de casa de dia, é todo magrelo e se veste de preto... Deve estar achando que é um vampiro, ou algo assim. Não se parece em nada com o pai. Bom homem, o seu Carlos, não merece um filho problemático desses. – Disse outro, alto, magro e velho. Ambos estocavam as prateleiras.

Pergunto-me se eles estavam falando do incidente de ontem, pois eu não me lembrava de ninguém com essas características andando por lá. Parei de prestar atenção na conversa quando o caixa me chamou. Paguei os doces e voltei para casa, já eram nove e trinta e dois. Durante o caminho de volta, não conseguia parar de pensar se o dono do violão era o tal filho do dono do bar. Acho que descobriria em menos de meia hora.

***

“Lady Stoneheart? Estou no seu portão.”

Foi essa a mensagem que fez meu coração quase pular do peito. Ele simplesmente ignorou a mensagem em que eu perguntava seu nome, mas eu já não me importava, a curiosidade e a ansiedade gritavam em minha mente mais do que qualquer outra coisa. Poderia ser um louco e, segundo ele, poderia ser um louco que mora na minha rua... Entretanto, algo me dizia que ele não era um louco. Muito pelo contrário.

Corri ao portão, desviando das crianças que brincavam no quintal. Minha casa ficava num terreno grande, com várias outras casas espalhadas pela área dividindo o mesmo quintal. Esses vizinhos costumavam ser muito fofoqueiros, então não me surpreendi ao notar que várias pessoas me encaravam de suas respectivas varandas e janelas. Parei em frente ao portão de ferro prateado, desbotado e com a tinta descascando e puxei o trinco, respirando fundo.

Ele estava lá, o cotovelo apoiado no batente acima de sua cabeça. Ele era bem mais alto que eu, devia medir no mínimo um metro e oitenta. E era magro, dava para notar, pois sua jaqueta preta parecia larga demais para seu corpo, mesmo que claramente não fosse tamanho grande. Vestia também uma blusa azul escura, calça jeans e coturnos. Ele cheirava a aromatizador de carro, hospital e bem levemente, queria eu estar enganada, a maconha. Seu cabelo preto lembrava-me o Luís, mas o do rapaz na minha frente era um pouco maior, além de contrastar com sua pele branca, bem pálida, como se não tomasse sol com frequência e esse detalhe me fez recordar do que os funcionários da loja de doces conversaram. Mas na verdade, ele não era esquisito, era só... Diferente. E não de um modo ruim.

O que mais me chamou atenção, na verdade, fora seu rosto. Ele era muito bonito, muito mesmo. Não dava para notar isso olhando rapidamente, via-se apenas seu estilo peculiar. Mas eu costumava ser observadora e, agora que vi, não conseguia desviar o olhar. Apesar de sua cabeça parecer um pouco pequena para a sua estatura, seu rosto era anguloso e toda a sua feição entrava em harmonia. Desde sua boca rosada, seu nariz nem muito grande e nem muito pequeno, até seus olhos. Os olhos dele eram a coisa mais bonita ali, eram grandes como os de uma criança, castanhos e brilhantes, nem mesmo sua franja jogada para o lado que chegava um pouco acima dos olhos conseguiam esconder sua beleza cheia de melancolia. E isso era algo claro, ele estava triste, dava para notar de longe. Veio a minha cabeça a ideia de que ele tinha cara de se chamar Matheus. De repente, lembrei que não havia dito nada, apenas o encarei por um tempo.

— Ah... Olá! – Gaguejei, sem conseguir tirar os olhos dele. Ele também me encarava com expressão atônita.

— Oi... Eu sou o Matheus! – Disse, endireitando a postura e estendendo a mão para mim. Não pude conter o sorriso ao ouvir seu nome. Ele enrubesceu imediatamente.

— Você tem cara de Matheus! – Ri, apertando a mão dele. Dessa vez, foi a vez dele de sorrir e meu coração parou por um segundo. Esqueça o que eu disse sobre os olhos, aquele sorriso era a coisa mais linda que eu já vi na vida. Eu queria ver mais sorrisos daquele. – Eu sou Violeta. – Gaguejei, soltando sua mão. Meu coração estava muito acelerado.

— Eu... Eu sei.

— Como?

— Somos meio que vizinhos há três anos. – Explicou, me deixando completamente surpresa. Tenho certeza que me lembraria de tê-lo visto, e definitivamente essa é a primeira vez que o vejo. Matheus percebeu minha surpresa. – Eu não costumo sair muito, mas te vi no dia em que você se mudou para cá. Uma moça loira gritou seu nome e você respondeu... É estranho, eu sei, mas eu não esqueci.

— Então você é bom com nomes. – Sorri timidamente.

— Eu... Er, não. Não muito. – Seu rosto estava muito vermelho.

— Ah... Bem... E onde você mora? – Perguntei, levemente corada. Ele parecia estranhamente nervoso, apontara para um local mais a frente, tinha um muro bem alto com portões de grade de ferro que pareciam um tanto quanto pequenos se comparado ao muro. Não dava para ver a casa, mas parecia ser uma área muito grande, mesmo da minha perspectiva.

— Bem ali, aquele portãozinho. – Sua voz ficou levemente aguda quando ele disse “aquele portãozinho”, soando de forma engraçada. Eu sabia que ele estava nervoso por algum motivo, mas não pude deixar de rir. Talvez porque estava nervosa também.

— Me desculpe Matheus, é que... – Tentei parar de rir, eu estava ficando vermelha de novo. Ele apenas revirou os olhos e sorriu para mim, um sorriso ainda mais bonito que o anterior, de tirar o fôlego. – Ah...

— Tudo bem, acho que isso serviu para descontrair um pouco! – Riu. Eu estava muito constrangida, não devia ter rido daquele jeito. – Acho que você realmente não é a Lady Stoneheart, creio que ela não consiga rir assim.

—Ei, finalmente você entendeu que não sou uma zumbi vingativa!

— Eu tinha dúvidas, agora não mais. – Sorriu. Suspirei aliviada por ele não estar zangado por eu ter rido.

— Meu Deus, eu me esqueci de pegar seu violão! – Me desculpei e corri para casa antes que ele pudesse dizer algo. Toquei a case delicadamente mais uma vez e fechei os olhos. Eu me sentia tão atraída por Matheus, era inexplicável. Se eu entregasse o violão, acabaria ali? Ele iria para casa e não nos veríamos mais? Ele mesmo disse que não saía muito, eu nem sabia que morávamos na mesma rua já faz três anos... Não sei o que fazer, quero muito conhece-lo melhor. Respirei fundo e levei o violão para o Matheus sob o olhar dos meus vizinhos. Puxei-o para fora e fechei o portão, os olhares curiosos já incomodavam muito.

— Desculpe, devia tê-lo convidado para entrar...

— Ah, tudo bem, eu... Eu só vim buscar o violão. – Interrompeu, gaguejando um pouco.

— Entendo. – Respondi um pouco decepcionada. O que eu estava pensando? – Bem, eu tenho que te contar. Eu sei que não devia ter feito isso, mas eu abri a case.

— Você abriu a case? – Ele franziu o cenho.

— Sim, mas eu só queria saber se não estava quebrado, eu juro, não o tirei do lugar! – Comecei a me arrepender de ter contado isso a ele.

— Foi só por isso mesmo? Não estava curiosa nem nada? – Sorriu com o canto da boca, divertindo-se com a minha situação. Eu fiquei boquiaberta.

— Ei, está rindo as minhas custas? – Indaguei, fingindo estar com raiva. Ele soltou uma gargalha tão espontânea que não pude deixar de sorrir. Ele mordeu o lábio inferior para conter o riso.

— Acho que estamos quites, então! – Brincou.

— Está certo, eu mereci essa. – Concordei, cruzando os braços e revirando os olhos. Recordei-me da assinatura no violão. – Você gosta de Joe Benson.

— Eu gosto de Joe Benson. – Repetiu, acenando em afirmação. Ele tirou o violão da case para me mostrar e a encostou na parede. – Esse violão era da minha mãe, ela adorava música. E ela conheceu o Joe quando ele fez um show na cidade natal dela há muito tempo atrás, no fim das contas, ele acabou lhe dando esse violão autografado. Quando eu fiz sete anos, ela o deu para mim. Eu basicamente cresci ouvindo as músicas desse cara, graças a minha mãe.

— Isso é incrível! – Exclamei, sem acreditar. Ele dedilhou algumas notas de uma das músicas mais famosas de Joe. – Esse violão era do próprio Joe Benson? Isso é uma relíquia valiosíssima.

— É, mas não é por isso que ele é especial para mim. – Disse Matheus, parando de tocar e guardando de volta na case. Ele estava com um olhar triste novamente, me senti culpada e com medo de ter dito algo errado.

— Desculpe.

— Você gosta de violões. – Afirmou, com um sorriso tímido.

— Eu gosto de violões. – Imitei-o. – Gosto muito, apesar de não saber tocar. Além de ser muito caro para mim, todo o dinheiro que temos é contado. Mas queria muito aprender.

— Entendo.

— Foi por isso que fiquei brava quando vi que você deixou sua relíquia jogada no chão do bar e briguei com você por mensagem.

— Eu cometi um erro destratando essa relíquia, como você disse. Eu não estava em um bom momento, acabei sendo descuidado. Mas devo admitir que fiquei bem surpreso com seu sermão por mensagem!

— Eu estava planejando te dar um sermão assim que você saísse daquele banheiro. – Falei constrangida. – Aí, depois acabei deixando isso de lado, mas como você estava sendo grosseiro por mensagem...

— Eu peço perdão por isso. – Interrompeu. – Eu estava muito estressado, todo esse assunto incomodou meu pai e ele teve que voltar para casa às pressas... Ele... Meu pai não é um homem compreensivo, Violeta.

— Entendo. – Ele não parecia querer continuar esse assunto. – Espero que as coisas tenham acabado bem.

— Sim. – Matheus olhou para o chão dando um sorriso triste. – Já que no fim das contas, pude conhecê-la.

Meu coração disparou novamente e eu sorri. Esse cara mexia tanto comigo, eu não sabia o porquê, mas gostava muito disso. Entretanto, havia algo errado, algo que ele provavelmente não contaria a alguém que acabara de conhecer.

— Fico feliz em ouvir isso. – Eu disse, muito constrangida. – E mais feliz ainda por ter te conhecido, senhor Portãozinho. – Brinquei, fazendo-o rir. De repente ele parou e olhou nos meus olhos.

— Ei, eu sei que é meio repentino, mas... O que você acha de eu te ensinar a tocar violão? – Ele parecia animado com a ideia.

— O quê? É sério?

— Sim, você disse que quer aprender, mas não tem como... Eu posso te ensinar.

— Eu não tenho como te pagar, Matheus. – Protestei, incomodada. Ele riu.

— Eu não estou te cobrando, Violeta. É que... Eu gostei de conversar com você. E seria legal poder te ajudar com isso, sair de casa um pouco... É. – Suspirou.

— Tudo bem. – Sorri, depois de um tempo pensativa. Na verdade, eu estava feliz, era uma desculpa para nos encontrarmos de novo. Poderia simplesmente chama-lo para sair, mas não sei se teria coragem. – Obrigada, Portãozinho.

— Ok, se você vai ficar me chamando de “Portãozinho”, vou ter que arrumar um apelido para você também, para ficar justo. – Disse, sua cara emburrada me fez rir novamente.

— Não era Lady Stoneheart?

— Não, você já deixou claro que não é a Lady Stoneheart. – Respondeu seriamente, não conseguia parar de observar sua expressão pensativa. – Acho que você está mais para princesa do reino do que apenas senhora do castelo. Seria alguém como a princesa Arianne de Dorne.

— Uau... Sério? – Exclamei, surpresa com a comparação. – Acha que eu pareço com a Arianne Martell?

— Acho que você é exatamente igual a Arianne que imaginei enquanto lia os livros, só que um pouco menor. – Sorriu. Soltei uma gargalhada involuntária. Não ria como hoje há muito tempo. Matheus, de repente, arfou, apoiou as costas na parede e sentou-se no chão, respirando com dificuldade.

— Ei, você está bem? – Agachei-me ao lado dele e segurei seu braço para apoiá-lo melhor. Ele olhou para mim, seus olhos pareciam muito cansados. – Eu vou chamar uma ambulância ou... – Ele me puxou de volta quando fiz menção a levantar. Estava arfando mundo.

— Eu só estou com dor, não se preocupe. Preciso do meu remédio, no bolso da minha jaqueta, pode pegar para mim, por favor? Eu não consigo levantar meu braço. Desculpe. – Eu enfiei a mão no bolso dele com cuidado, peguei um comprimido do pequeno frasco e coloquei em sua boca.

— Eu vou pegar água para você, um segundo. – Falei, tentando levantar novamente, mas ele sacudiu a cabeça.

— Não precisa. Obrigado. – Arfou. – Acho que não vou poder sair daqui até a morfina fazer efeito, demora de uma a duas horas. Desculpe-me Princesa.

— Morfina? – Olhei o frasco, completamente em choque. – O que você...

— Ahn, eu... Foi um incidente que me aconteceu ontem, eu me machuquei bastante, mas não é nada grave. É que dói muito, e os remédios mais fracos não fazem efeito. – Explicou. Estava claro que ele não queria falar mais sobre isso. Sentei-me ao seu lado com os joelhos dobrados, me perguntando se o incidente foi durante, ou até mesmo por causa da bagunça no bar.

— Se importa se eu te fizer companhia? – Olhei para ele, apoiando um braço no joelho.

— Não, e você? – Brincou. Sorri para ele.

— Já te disseram que você se parece com o Andy Biersack? – Perguntei. Ele realmente lembrava o Andy, eu só tinha reparado agora. Ele riu e fez uma careta de dor logo em seguida.

— Não, mas já me disseram que pareço com o Andy Black. – Sorrira. Gargalhei em resposta.

— Desculpe, não vou mais te fazer rir. – Prometi quando ele fechou os olhos. Sua respiração estava muito lenta. – Ao menos não por enquanto.

— É uma pena, você deve ser a única pessoa que consegue fazer isso em muito tempo. – Ele me olhou com um sorriso tímido. – É engraçado.

— O quê?

— Parece que te conheço há anos, Princesa. – Disse Matheus. Eu fiquei em silêncio por um tempo.

— Sim, realmente parece, Portãozinho.

Sorrimos.

***

Conversamos até o fim da tarde. Matheus precisava descansar e ficaria sozinho em casa, então pedi que ele ficasse até que se sentisse um pouco melhor. Ele não quis entrar na minha casa, então fizemos uma espécie estranha de piquenique na calçada no almoço. Precisou tomar morfina mais uma vez, o efeito estava durando apenas três horas. Apesar disso e da minha preocupação constante, foi a tarde mais divertida que tive em muito tempo. O Matheus era o cara mais legal que já conheci, isso era um fato.

Gostaria muito de saber como ele se machucou tanto ao ponto de precisar de um remédio tão forte para a dor. Estava curiosa sobre tudo que tivesse a ver com ele, queria saber mais e queria passar mais tempo em sua companhia. O que poderia ser isso? Esse sentimento esquisito?

— Eu preciso ir, dona Princesa, se eu ficar mais, meu pai vai... Se zangar bastante. Ele ainda tem coisas para resolver aqui na cidade.

— Ah, tudo bem. – Ele não falou nada sobre o pai, talvez não se dessem muito bem? Matheus apenas dissera que ele se chamava Carlos e era um homem severo. E que Luís Ricardo, o barman, era seu primo. – Então, acho que... Nos vemos em breve?

— Com certeza! – Sorriu. Parecia melhor, o remédio estava fazendo efeito novamente. – E desculpe por te dar trabalho, eu devia ter vindo apenas pegar meu violão.

— Ei, pare de pedir desculpas, foi maravilhoso passar essa tarde com você. – Admiti. Matheus corou.

— Digo o mesmo para você, moça. – Confessou, timidamente. Ele era muito fofo.

— Certo. – Sorri encabulada. Aquele fora um dia de muitos sorrisos, apesar de tudo.

— Certo. – Ele bagunçou meus cabelos, sorrindo. – Eu vou nessa, te mando uma mensagem quando chegar, ok?

— Sim, por favor. E se precisar de qualquer coisa me avisa. – Respondi. Ele assentiu, com um suspiro.

— Quer apostar corrida para ver quem chega primeiro em casa? – Brincou.

— Ah, claro, que ótima ideia! – Ironizei, fazendo-o rir.

— Ei, está duvidando das minhas habilidades atléticas? – Perguntou, fazendo uma mini exibição dos músculos.

— Nunca! – Gargalhei. Ele inclinou a cabeça, me encarando sério com os olhos semicerrados.

— Eu aposto que consigo chegar naquele portão antes de você entrar em casa. – Reclamou Matheus. Sorri novamente, revirando os olhos.

— Teimoso, você vai correr até ali? – Ele abriu e fechou a boca de modo bobo.

— Ninguém falou em correr, Princesa.

— Ah, entendi! – Ri alto, fazendo-o rir também.

— Quem conseguir andar até em casa primeiro vence, pode ser?

— Certo, quando chegar manda mensagem pra saber quem ganhou. Já! – Exclamei. Cruzei os braços e, sorrindo, observei-o andar até o portão, sem olhar para trás. Acenei quando ele chegou e olhou para mim. Também sorrindo, acenou de volta e entrou em casa. Fui para minha casa logo em seguida.

“Acho que você ganhou. XD”

Matheus respondeu logo em seguida.

“Você mandou a mensagem primeiro.”

Novamente, conversamos até tarde por mensagem. E naquela noite, pela primeira vez, fui dormir sorrindo.

Notas finais
E então, o que achou? Sobre o cantor favorito deles e eles citarem o Andy, eu decidi colocar personagens fictícios e pessoas reais na obra, por nenhum motivo específico, na verdade kkkk é que quando penso na aparência do Matheus, lembro imediatamente do Andy Biersack, porém mais novo, mais magro e com o cabelo um pouquinho diferente. Enfim, obrigada por acompanhar e ler até aqui! ♥♥