Castelos

7 O Deserto


Notas iniciais
Esse capítulo está épico. Como eu chorei depois que li. Parece que tive inspiração sobrenatural. Deixo vocês com a trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=aYeLAF3U4ig

Os cavalos-alados batiam as asas com impaciência.

Eram criaturas enormes, de pelagem negra e músculos fortes, cobertas por placas de couro escuro e pequenas peças de metal. As asas, quase tão escuras quanto o céu de Etanin, abriam-se de tempos em tempos, levantando poeira e folhas ao redor dos caçadores.

Avelar segurou as rédeas com força.

À sua frente estavam Ithely, Suzan e Políbio.

Os quatro sobreviventes.

Ou, como Mendragon havia deixado claro, os quatro que entrariam em uma disputa da qual apenas um deveria retornar.

Ithely ocupava a dianteira.

Não apenas por ser filha de Mendragon.

Ela já conhecia aquele caminho.

Já havia encontrado uma das Pedras de Safira.

A Pedra da Humanidade.

Avelar ouvira aquela história diversas vezes.

Ninguém conhecia toda a verdade sobre Safira.

Alguns afirmavam que ela fora a primeira Alfa dos Venons.

Outros diziam que existira antes mesmo das tribos possuírem nomes.

Todos concordavam apenas em uma coisa:

Safira fora poderosa.

E tivera um relacionamento com Mendragon.

Um amor que terminara em traição.

As versões mudavam dependendo de quem contava a história.

Alguns diziam que Safira traíra Mendragon.

Outros afirmavam que havia descoberto algo sobre ele e tentara fugir.

O final, porém, era sempre o mesmo.

Ithely a matou.

Mas Safira não permitiu que seu poder morresse com ela.

Antes de perder a vida, separou sua essência do próprio corpo e fragmentou-a.

Cada parte transformou-se em uma pedra.

Depois, espalhou-as pela Dimensão Sobrenatural.

Desde então, encontrar uma delas significava encontrar uma parte do poder de Safira.

A primeira que Ithely conseguira localizar era conhecida como Pedra da Humanidade.

Tinha o formato aproximado de um coração.

Vermelha.

Feita de um rubi tão puro que parecia conter sangue dentro de si.

Durante séculos permanecera escondida entre humanos, exposta num museu no Brasil como uma simples joia antiga.

Até Ithely encontrá-la.

Ninguém sabia onde a pedra estava agora.

Mas existiam boatos.

E um deles era repetido em voz baixa:

Mendragon havia aberto o próprio peito e escondido a Pedra da Humanidade dentro da carne, ao lado de seu coração.

Avelar nunca soubera se acreditava.

Depois de conhecê-lo, acreditava em praticamente qualquer coisa.

Ithely ergueu uma mão.

— Vamos!

Os cavalos correram.

Então saltaram.

Avelar sentiu o estômago afundar quando o animal deixou o chão.

As enormes asas se abriram.

Etanin desapareceu lentamente abaixo deles.


Não havia sol em Etanin.

Nunca havia.

Uma maldição tão antiga que ninguém recordava sua origem transformara a região em uma terra de noite eterna.

Durante o que deveria ser dia, o céu assumia um tom cinzento.

À noite, tornava-se completamente negro.

As florestas pareciam ter aprendido a sobreviver à ausência de luz.

As folhas eram escuras.

Os troncos, secos e retorcidos.

Animais negros movimentavam-se por entre as árvores como sombras vivas.

Em determinados momentos, Avelar não conseguia distinguir se via uma criatura ou apenas parte da paisagem.

Voaram por dois dias.

Sem parar para dormir.

Sem pousar para comer.

Os cavalos-alados eram treinados para longas travessias e pareciam quase não demonstrar cansaço.

Os cavaleiros, porém, sim.

Avelar sentia as pernas doloridas.

Os olhos pesavam.

A boca estava seca.

Ainda assim, sua mente permanecia acordada.

A Floresta do Medo.

Esse era o destino.

Ela passara praticamente toda sua existência caminhando por florestas sombrias.

Se as matas comuns de Etanin já faziam criaturas adultas evitarem viajar sozinhas...

Como seria uma floresta que carregava o medo no próprio nome?

A resposta veio no fim do segundo dia.

Ithely começou a descer.

Os demais seguiram.

Avelar olhou para baixo.

Franziu o cenho.

Não havia árvore alguma.

Nenhuma floresta.

Apenas areia.

Quilômetros e quilômetros de uma extensão cinzenta desaparecendo no horizonte.

Os cavalos pousaram.

Avelar desmontou.

— Esta é a Floresta do Medo?

Suzan olhou em volta.

— Parece um deserto.

Ithely não respondeu.

Avelar agachou-se.

A areia era acinzentada.

Estranha.

Parecia conter pequenos pedaços de metal.

Encostou os dedos.

— Ai!

Retirou a mão imediatamente.

Um pequeno corte surgira em sua pele.

A areia possuía minúsculos espinhos.

Políbio observou.

— Não toque novamente.

— Excelente conselho depois que eu já toquei.

Ele não respondeu.

Os quatro ficaram parados.

Esperando.

Nada aconteceu.

Nenhum vento.

Nenhuma criatura.

Nenhum pássaro.

Nenhum som.

Avelar percebeu algo então.

O silêncio.

Era absoluto.

Tão profundo que conseguia ouvir a própria pulsação.

Tum.

Tum.

Tum.

Não havia nada para combater.

E, estranhamente, aquilo era pior.

O medo de alguma coisa ainda permitia preparar-se.

O medo do nada não.

Avelar sentiu os pelos dos braços se arrepiarem.

Então ouviu um som.

Um engasgo.

Virou-se.

Suzan estava curvada.

— Suzan?

A bruxa levou uma mão à boca.

Vomitou.

Uma massa negra caiu sobre a areia.

Avelar recuou.

Não parecia sangue.

Era espessa.

Pegajosa.

Algo semelhante a piche.

Suzan caiu de joelhos.

Vomitou novamente.

— Suzan!

Avelar correu.

Ithely segurou seu braço.

— Não.

— Solte-me!

— Não podemos ajudar ninguém.

Avelar olhou para ela.

— Ela está passando mal!

— Aqui não somos companheiros.

A voz de Ithely tornou-se fria.

— Estamos lutando individualmente por nossas vidas.

Avelar puxou o braço.

— Então lute sozinha.

Correu até Suzan.

— Suzan, olhe para mim.

Estendeu a mão.

Assim que seus dedos tocaram o ombro da bruxa...

Uma descarga atravessou seu corpo.

Avelar foi arremessada.

Caiu vários metros atrás.

Sua visão ficou branca por alguns segundos.

— O que foi isso?

Políbio retirou a espada.

Ithely fez o mesmo.

Alguma coisa estava acontecendo.

Então ouviram música.

Primeiro, uma nota.

Longa.

Suave.

Depois outra.

Uma lira.

O som veio de todos os lados.

Tambores começaram a acompanhá-la.

Tum.

Tum.

Tum.

Avelar se levantou.

Ao redor dos quatro caçadores surgiram figuras.

Mulheres.

Uma.

Duas.

Dez.

Vinte.

Talvez mais.

Bruxas.

Vestiam túnicas negras.

Estavam de mãos dadas, formando um círculo perfeito.

Nenhuma delas parecia mover os lábios.

Mesmo assim, uma canção atravessava o deserto.

Antiga.

Hipnótica.

Avelar não conhecia as palavras.

Mas alguma parte de seu corpo parecia conhecê-las.

— Não escutem! — gritou Ithely.

Tarde demais.

Suzan voltou a vomitar.

Políbio caiu.

Um grito rasgou sua garganta.

Seu corpo começou a tremer violentamente.

Ele segurava os próprios braços, como se algo invisível estivesse quebrando seus ossos.

Ithely largou a espada.

Começou a bater no ar.

— ME TIREM DAQUI!

Avelar olhou para ela.

A princesa parecia presa dentro de uma sala invisível.

Suas mãos golpeavam paredes que não existiam.

— ABRAM!

Batendo.

Arranhando.

Chorando.

Avelar tentou correr.

Não conseguiu.

Seu corpo estava rígido.

Os pés presos à areia.

Os braços pesados.

A música aumentou.

Então alguém apareceu diante dela.

Avelar parou de respirar.

— Não...

Zárlia.

Sua mãe.

Ela parecia mais bonita do que Avelar lembrava.

Viva.

Saudável.

Uma luz suave envolvia seu corpo.

Os cabelos negros estavam presos na longa trança que Avelar vira na visão de Érica.

— Mãe?

Zárlia sorriu.

Avelar começou a chorar.

Não conseguiu impedir.

— Minha menina...

A voz.

Era a voz dela.

Exatamente como lembrava.

Zárlia aproximou-se.

Tocou seu rosto.

Avelar fechou os olhos.

Quente.

Ela conseguia sentir.

— Eu senti tanto sua falta...

— Eu sei.

Avelar soluçou.

Zárlia enxugou suas lágrimas.

— Você precisa vir comigo.

Avelar abriu os olhos.

— Para onde?

— Para onde estou.

O sorriso continuava ali.

Doce.

Familiar.

— Ficaremos juntas para sempre.

Avelar queria aquilo.

Mais do que admitiria.

Não precisava de torneio.

Não precisava de Mendragon.

Não precisava de vingança.

Não precisava de nada.

Apenas da mãe.

— Como?

Zárlia retirou a mão de seu rosto.

Desceu lentamente até a espada presa à perna de Avelar.

Seus dedos pousaram sobre o cabo.

— Você precisa morrer.

Avelar sentiu medo.

Mas a mãe continuava sorrindo.

— Só dói por um instante.

Avelar respirou fundo.

— Depois eu vou estar com você?

— Para sempre.

A jovem sorriu entre as lágrimas.

Pegou a espada.

Levantou-a com as duas mãos.

A ponta ficou direcionada para o próprio peito.

Zárlia abriu os braços.

— Venha.

Avelar fechou os olhos.

Então ouviu uma voz.

Distante.

Quase desaparecendo sob a música.

— Castelos...

Avelar parou.

— O quê?

Zárlia franziu o cenho.

— Não escute.

A voz surgiu novamente.

— Castelos...

Avelar continuava segurando a espada.

Sua mãe começou a chorar.

— Venha agora!

— Mãe...

— Antes que não deixem mais!

Avelar observou seu rosto.

Algo estava errado.

Os mortos não voltavam.

Ela sabia disso.

Mesmo ela própria só retornara por causa da magia de Ithely.

Zárlia estava morta.

Morta.

Aquilo não podia ser sua mãe.

A voz ecoou mais uma vez.

— Castelos.

Avelar repetiu:

— Castelos.

Zárlia recuou.

Seu sorriso desapareceu.

Avelar virou a espada.

— Você não é minha mãe.

A criatura gritou.

Avelar avançou.

Cravou a lâmina em seu peito.

O rosto de Zárlia começou a se deformar.

A pele se abriu.

Os olhos tornaram-se negros.

A boca cresceu até alcançar quase as orelhas.

Dentes surgiram em fileiras.

A forma da mãe desapareceu.

No lugar havia uma criatura horrenda.

Avelar retirou a espada.

Golpeou novamente.

Nada.

O corpo do demônio transformou-se em fumaça.

Reapareceu atrás dela.

Garras atravessaram suas costas.

Avelar gritou.

Tentou correr.

Suas pernas continuavam presas.

O demônio atacou outra vez.

Avelar viu sangue escorrer pelo próprio braço.

Mas não sentia dor.

Seu corpo estava anestesiado.

Olhou ao redor.

Agora conseguia ver.

Cada caçador enfrentava alguma criatura.

Alguma representação de seu pior medo.

Suzan ainda vomitava.

Políbio se contorcia.

Ithely continuava presa dentro de sua prisão invisível.

E Avelar...

Avelar estava sendo dilacerada pela lembrança da própria mãe.

O demônio arranhou seu rosto.

Ela caiu de joelhos.

“Mal chegamos.”

Outro golpe.

“E vamos morrer aqui.”

Então se lembrou.

A voz de Érica.

Você terá o poder de três bruxas.

Avelar abriu os olhos.

Três bruxas.

Abalý.

Ícara.

Xenôn.

Mas como usaria aquilo?

Bruxas lançavam feitiços.

Palavras.

Comandos.

Ela não conhecia nenhum.

O demônio avançou.

Avelar ouviu outra vez em sua mente:

Castelos.

Castelos.

Talvez aquilo não fosse um aviso.

Talvez fosse uma chave.

Ela abriu a boca.

— CASTELOS!

Nada.

A criatura aproximou-se.

Avelar gritou novamente.

— CASTELOS!

Calor.

Sentiu primeiro na garganta.

Depois no peito.

Como se alguma coisa estivesse queimando dentro dela.

O demônio saltou.

Avelar rugiu:

— CASTELOS!

Uma labareda explodiu de sua boca.

O fogo atingiu a criatura.

Ela gritou.

Desta vez não se transformou em fumaça.

Queimou.

Avelar conseguiu mover uma perna.

Depois outra.

As correntes invisíveis haviam desaparecido.

Levantou-se.

O demônio ainda ardia.

Avelar correu.

Outro atormentador apareceu.

Ela abriu a boca.

Fogo.

Outro.

Fogo.

Começou a correr pelo círculo.

Rugia como um animal.

Cada grito produzia chamas.

Em poucos segundos, os atormentadores começaram a desaparecer.

Cinzas cobriram o chão.

A música tornou-se instável.

Os olhos de Avelar mudaram.

Primeiro a íris.

Depois todo o globo ocular.

Negros.

Completamente negros.

A sombra da morte ocupava seus olhos.

Seus dentes estavam expostos.

As mãos se transformaram em garras.

Ela já não parecia apenas uma vampira.

Parecia alguma coisa que nem mesmo os outros caçadores reconheciam.

As alucinações desapareceram.

Suzan parou de vomitar.

Ithely caiu de joelhos.

Políbio deixou de tremer.

Os três respiravam desesperadamente.

Então olharam para Avelar.

Ela estava curvada.

Rosnando.

Pronta para atacar qualquer coisa que se aproximasse.

Ithely levantou-se lentamente.

— O que...

Não terminou.

As bruxas continuavam ao redor deles.

Ainda cantando.

Suzan pegou a espada.

Políbio também.

Ithely recuperou sua arma.

Avelar permaneceu imóvel.

Observando.

Então a terra começou a tremer.

Uma rachadura surgiu no centro do círculo.

Depois outra.

A areia explodiu.

Os caçadores foram lançados para trás.

Algo começou a emergir.

Primeiro uma mão.

Gigantesca.

Feita de pedra.

Depois um braço.

O corpo inteiro ergueu-se da terra como um vulcão.

Três metros.

Talvez mais.

Sua pele parecia formada por rochas partidas.

Entre as rachaduras corria fogo líquido.

Lava.

Dois olhos brilhavam como carvões acesos.

A criatura abriu os braços.

Sua voz fez o solo vibrar.

— MEU NOME É ABALON!

Avelar ergueu o rosto.

— O REI DO FOGO!

Políbio atacou primeiro.

Sua espada atingiu o joelho da criatura.

Quebrou.

Abalon gargalhou.

Suzan lançou magia.

O fogo pareceu apenas alimentá-lo.

Ithely avançou pela lateral.

O monstro abriu a mão.

Um jato de lava explodiu.

A princesa foi arremessada.

Políbio tentou atacar novamente.

Outro golpe.

Mais lava.

Suzan caiu.

Os três estavam feridos.

Exaustos.

Avelar não havia se movido.

Apenas observava.

Circulava lentamente ao redor do monstro.

Como uma leoa estudando uma presa.

Abalon percebeu.

— Você.

Avelar parou.

O monstro virou-se.

— Venha.

Ela começou a caminhar.

Ithely levantou a cabeça.

— Avelar, não!

A jovem ignorou.

Aproximou-se.

Abalon possuía quase três vezes sua altura.

Mesmo assim, Avelar continuou.

Parou diante dele.

O gigante abaixou-se.

Seus rostos ficaram mais próximos.

Avelar olhou diretamente para seus olhos flamejantes.

E alguma coisa surgiu em sua mente.

Uma palavra.

Não sabia de onde vinha.

Não sabia o que significava.

Apenas sabia que precisava pronunciá-la.

— Signoun petra.

Abalon ficou imóvel.

Olhou para os próprios pés.

Pedra.

Seu corpo estava endurecendo.

A petrificação subia lentamente.

Tornozelos.

Joelhos.

Coxas.

— O QUE FEZ?!

Avelar sorriu.

O feitiço chegou ao peito.

Então ela avançou.

Enfiou a mão através de uma das rachaduras.

Abalon gritou.

Avelar procurou.

Encontrou alguma coisa pulsando.

Puxou.

O coração saiu.

Mas não era um coração.

Era uma pequena cabeça.

Um rosto vivo, deformado, gritando desesperadamente entre suas mãos.

Avelar observou.

Sem medo.

Depois deu alguns passos para trás.

Abalon começou a rachar.

Uma luz surgiu dentro dele.

Avelar arqueou uma sobrancelha.

— Adeus.

O gigante explodiu.

Milhares de fragmentos de pedra voaram pelo deserto.

Suzan protegeu o rosto.

Políbio se jogou no chão.

Ithely levantou os braços.

Mas quando os fragmentos tocaram seus corpos...

Transformaram-se em cinzas.

Silêncio.

As bruxas haviam desaparecido.

A música também.

No lugar onde Abalon estava havia apenas uma coisa.

Uma pedra.

Grande.

Negra.

Um brilho vermelho pulsava em seu interior.

Avelar sabia.

Mesmo sem ninguém explicar.

A Pedra do Medo.

Ithely começou a caminhar.

Suzan também.

Políbio levantou-se.

Os três olharam para a pedra.

Depois para Avelar.

Ela foi mais rápida.

Pegou-a.

Ithely arregalou os olhos.

— Não.

Avelar sorriu.

— A pedra é minha.

— Você não sabe o que ela faz!

Avelar levantou uma sobrancelha.

— Então descobrirei.

Levou a pedra à boca.

Suzan ficou horrorizada.

— Avelar...

A mandíbula da vampira começou a se deslocar de maneira impossível.

Como uma serpente engolindo a presa.

A pedra desapareceu lentamente.

Desceu por sua garganta.

Quando terminou, Avelar respirou fundo.

Seus olhos voltaram ao normal.

Sorriu.

— A Pedra do Medo é minha.

Por alguns segundos, nada aconteceu.

Então alguma coisa bateu dentro de seu peito.

Uma vez.

Duas.

Três.

Avelar colocou a mão sobre o coração.

Sentiu uma segunda pulsação.

Não era a sua.

E, em algum lugar dentro de sua mente, uma voz antiga sussurrou:

— Uma.

Avelar ficou imóvel.

Então a voz completou:

— Faltam duas.

Notas finais
Jesus que capítulo doido. Cadê meu coment??? *-*