Castelobruxo: Uma história (interativa)
10 Alunos desaparecidos
Notas iniciais
—Expecto patronum...- sussurrou ele, no escuro, sacudindo a varinha. Uma fumaça prateada que iluminou um pouco o local saiu da varinha e Brandon suspirou profundamente.
—Ei, vai dormir! — disse um colega de quarto para Brandon. O garoto se levantou e saiu do quarto, dando passos suaves para evitar fazer barulho.
Ao chegar no salão da casa Winos, Brandon viu uma garota do sexto ano bastante bela que sempre chamara a sua atenção. Sua pele morena e seus cabelos ondulados e negros eram faziam a garota ser bastante bela, além de seu corpo esguio e esbelto. Mesmo usando um pijama e estando casualmente arrumada, a garota ainda era bela.
Ela tirou a atenção do livro e viu o garoto. Brandon ficou sem reação e tentou falar uma algo, mas apenas um grito de dor saiu de sua boca ao sentir algo picando a sua orelha. Ele olhou para o nado e a coruja de olhos negros o observava.
—Nif...! — disse ele. A coruja respondeu com um pio.
—Acho que a coruja comeu um pouco da sua orelha. — disse ela, sorrindo levemente e apontando para a orelha de Brandon, que estava sangrando. Brandon limpou o sangue na manga longa e preta de sua camisa e olhou para o Nif. A coruja não entendeu o olhar de raiva que o garoto acabara de dar a ela e mordeu levemente a camisa do garoto, voando logo em seguida.
—Desculpe ter te atrapalhado...- disse ele para a garota.
—Tudo bem. — disse ela, sorrindo. — Quem é você? — perguntou. Brandon realmente tinha se dado conta de que, apesar das notas altas em feitiços, poções, aritmância e defesa contra as artes das trevas, o garoto sempre tentou não chamar atenção. Era justificável o fato da garota não o conhecer.
—Brandon...- respondeu.
—Brandon... Legal. E a coruja?
—Nif. — disse ele.
—Marilya. — disse ela, sorrindo. — Meu nome é Marilya e este...- disse ela, apontando para os pés de Brandon. O susto foi grande quando o mesmo percebeu que uma raposa marrom estava em seus pés, deitado. Marilya riu. -...é Iggy.
—Hum... Não sabia que bruxos tinham raposas. — disse ele.
—Qual é o problema, Bran? — perguntou a jovem. — Posso te chamar de Bran?
—Hum... Ah! Sim, pode. — disse ele, distraído. — Como assim?
—Você está aqui no salão bem tarde com uma varinha na mão. — disse ela.
—Ah! — disse o garoto, olhando a varinha. — É que pediram para fazer silencio.
—Qual é o núcleo? — perguntou.
—Hum... Pena de fênix. — disse ele.
—Legal. O que cê tava fazendo para te expulsarem?
—Hum... Treinando um feitiço? — perguntou o garoto.
—Qual?
—Expecto patronum. — disse ele. A garota bateu um lugar no sofá ao seu lado, indicando que Bran se sentasse lá. O jovem se sentou e conseguiu sentir o cheiro da garota. Um cheiro bom, de shampoo. Talvez ela tivesse acabado de tomar banho.
—Não conheço esse feitiço...
—O professor disse que é avançado. — disse ele. -Pra conjurar ele, eu tenho que pensar em algo que me deixe feliz e essa felicidade vai "sair" pela varinha. — disse ele. Marilya se sentou de joelhos no sofá, virando em direção a Brando. O garoto percebeu que ela era muito mais alta que ele.
—Pode me mostrar? — disse ela. As palavras soaram como uma pancada em seus ouvidos, pois ele não sabia soltar o feitiço e estava falando com uma garota muito conhecida pelos membros da Winos e pela escola.
—Cla...Claro. — disse ele. Brandon fechou os olhos e se concentrou. As memórias surgiram em sua mente e ele disse:
—Expecto patronum. — disse ele. Uma fumaça maior, formando um escudo prateado, surgiu na ponta da sua varinha e durou por alguns segundos.
Brandon ficou vermelho de vergonha e olhou para a garota, que parecia bastante confusa.
—Bom, eu ainda estou aprendendo. — justificou ele. — Acho que, quando a gente consegue o máximo, uma águia sai da varinha. Ela é prateada e bonita.
—Sério? Ata. Fiquei confusa. — disse ela, sorrindo e apertando a bochecha do garoto. — Você é bastante fofinho. Tem alguma garota que você goste? — perguntou ela.
Brandon pensou e se lembrou da garota com o porquinho da índia que entrou no seu quarto no avião e que reclamou da escola. Ele se lembrou que o nome dela era Julia.
—Hum... Acho que sim. — disse ele, ficando mais vermelho que um tomate. Marilya achou a situação engraçada e fofa, pois sua risada foi seguida de um muxoxo e um aperto na bochecha de Brandon.
—Por que não pensa nela para fazer uma águia prateada de felicidade?
—Hum... Acho que todos os momentos que tive com ela foram constrangedores...- disse ele. — E eu não tenho certeza se realmente gosto dela. Eu só disse pois o rosto dela me veio a cabeça. — disse ele.
—Você é bastante doidinho mesmo. — disse ela, sorrindo. As palavras não soaram como insulto, mas como um comentário engraçado que fez Brandon sorrir levemente. — Eu vou te ajudar a ser amigo dessa garota.
—Como você...- dizia ele, quando escutou um grito vindo de fora. A armadura acabara de anunciar que alguém passava pelo corredor e os dois olharam para a porta, pensando que algum aluno entraria por ela. Mas após alguns segundos, perceberam que deveria ser apenas um monitor.
—Essa armadura é um tanto engraçada. — disse Marilya, sorrindo levemente. — Continue.
—Hum... Ah, é! Como você vai fazer isso? — perguntou.
—Qual é o nome dela?
—Eu não sei. — perguntou Brandon. Mas logo em seguida, ele descreveu a aparência de Julia e Marilya ficou surpresa.
—Ah! Você tá falando da Julia. Aquela garota que todo mundo chama de palitinho ou algo assim. O Tom vive chamando ela assim. — disse Marilya, pensativa, mas essa expressão sumiu quando um sorriso malicioso surgiu no rosto de Marilya e ela olhou para Brandon.
—O que? — perguntou o jovem.
—Eu serei o cúpido. Se prepare! — disse ela, sorrindo. — Você tem sorte que amanhã é domingo! Me encontre aqui antes de sair para tomar café.
—Hum...- disse ele, balançando a cabeça em seguida como confirmação.
***
O céu alaranjado da manhã daquele domingo estava belo e Leoffer levantou da cama, cedo. Aqueles dois, Tom e Gustavo, não haviam convencido o garoto e ele passou a noite pensando em contar para Tales sobre isso.
Leoffer não conhecia Tales, mas só sabia que ele era apanhador e estava em busca da amiga. Ele colocou uma roupa qualquer e saiu, com seus cabelos bagunçados e olhos inchados de sono. Ele saiu do salão da Winos, parcialmente cheio, e foi até a biblioteca. Chegando lá, ele não viu Tales na mesa de costume.
—E agora...- sussurrou para si mesmo. A memória da quadra de quadribol veio em sua mente e ele correu até o local. Chegando lá, ele viu o time da casa de Lunos treinando poderosamente. No instante, as palavras de Tom vieram em sua memória e ele reconheceu que aqueles artilheiros eram incríveis. Ele deu meia volta e se esbarrou em um jovem moreno de pele clara do quarto ano e que era do time da casa Solus.
—Desculpe. — disse Leoffer.
—Só olhar para onde anda na próxima vez. — disse Giovanni. Leoffer suspirou.
—É que eu estava procurando o apanhador do seu time.
—Tales? Também estou procurando ele. Temos treino daqui a uma hora e meia e eu não sei onde ele está. A capitã vai ficar uma fera.
—Sabe onde ele poderia estar?
—Eu ia para a biblioteca, caso não achasse ele aqui. — disse Giovanni.
—Ele não está lá. — respondeu Leoffer, coçando os cabelos bagunçados. Os dois saíram em direção ao templo e subiram a escadaria escorregadia devido a chuva daquela madrugada. Apesar da escola ter um feitiço que mantem a temperatura do local constante, chuvas e outras coisas ainda poderiam acontecer lá.
Giovanni e Leoffer procuraram por Tales no Salão Principal de refeições e, para a surpresa deles, acharam o garoto de primeira. Ele estava comendo um sanduíche quando os dois se aproximaram.
—Tales. Treino em uma hora. Esteja preparado. — disse Giovanni.
—Ok, Giovanni. — respondeu Tales, olhando para Leoffer em seguida.
—Ah! Ele quer falar com você. — disse Giovanni, apontando para Leoffer e se retirando do local. Leoffer se sentou do lado do garoto.
—Eu tenho que dizer uma coisa...- disse Leoffer. — Acho que posso ajudar você a encontrar a sua amiga. — Tales parou de mastigar ao escutar essas palavras e olhou para o garoto, sério. Ele engoliu e disso:
—Como? — disse Tales, profundamente interessado. Leoffer contou a história e explicou cada detalhe do que acontecera. Ele contou sobre o fato de Tom e Gustavo não se lembrarem nada e contou como aquilo tudo tinha sido estranho.
Tales se levantou e chamou Leoffer para ir com ele para lhe mostrar o caminho até essa estátua de dragão. Os dois foram em passos rápidos, passando pelos corredores e vendo alguns alunos conversando.
Quando chegaram no local da estátua, não viram o corredor que Leoffer citara e ele acrescentou esse detalhe a Tales.
—Como ela te contou sobre o quadro? — perguntou Leoffer.
—Ainda estava muito cedo. Ela me acordou no meu quarto e eu não consegui entender nada, devido ao sono. — disse ele. — Então, ela disse que voltaria e me chamou, mas eu falei que precisava dormir para o teste de quadribol. — completou Tales, suspirando em seguida. -Me arrependo de não ter ido com ela.
—Eu li ontem sobre isso e vi que, há alguns anos, vários alunos também sumiram aqui no castelo e, no final do ano, eles surgiam, dizendo que não se lembravam do que houvera. — disse Leoffer. — Sempre voltavam pálidos, frios e mais magros que o normal. — completou.
Tales perguntou em quais livros ele leu isso e perguntou em qual ano esses alunos haviam sumido. Leoffer não soube responder, pois o livro não dizia isso e os dois foram até a biblioteca, correndo.
A biblioteca estava mais cheia, com alguns alunos fazendo os deveres que os professores passaram para eles fazerem. Os dois foram até uma mesa e Leoffer trouxe três livros grossos sobre Castelobruxo. Ele abriu um deles em alguma página e deu para Tales ler.
... e vários outros mistérios já ocorreram em Castelobruxo. Houve uma época em que o problema de alunos desaparecidos aconteceu em uma escala maior e o ano letivo seguinte quase foi cancelado pelo diretor daquela época devido ao peso que o ministro da Magia estava pondo sobre eles. Mas isso não aconteceu, pois uma semana antes do ano letivo acabar, os jovens desaparecidos surgiram, afirmando não se lembrarem de nada e com a pele bastante pálida e fria. Seus rostos e corpos estavam bastante magros e os jovens precisaram passar aquela semana na enfermaria da escola. A memória deles não foi recuperada...
Tales fechou o livro e olhou para Leoffer. O mesmo entregou para ele outro dos livros e abriu em uma página. Nela estava escrito que, de vez em quando, aconteciam desaparecimentos estranhos na escola, mas era muito raro. Muitos se perguntavam se as caiporas eram responsáveis por isso, mas elas não seriam traquinas o suficiente para sequestrar alunos.
***
Gabriel fazia pesados deveres de poções e feitiços que os professores passaram. O garoto estava exausto, pois acabara de fazer um resumo de nove páginas sobre a Idade Média que o professor de História da Magia havia passado. Também havia feito uma analise sobre Acácia e suas propriedades e utilidades para a aula de Herbologia. O garoto pensou em como deve ser um trabalho árduo ser o ministro da GMB(Governo Magico Brasileiro).
Os seus livros estavam espalhados na mesa do salão da Solus e estavam um pouco bagunçados, abertos em páginas aleatórias que falavam sobre o assunto que ele pesquisara a manhã toda.
Ele olhou para o relógio, que marcava quase a hora do almoço. Isso fez ele se levantar e deixar as coisas na mesa.
Espreguiçando-se para alongar os músculos que estiveram parados por tanto tempo, o garoto foi até o Salão Principal, fazer a sua primeira refeição do dia, pois o tempo pro café da manhã e para o lanche que faziam após o café fora usado para deveres e trabalhos.
Ele foi até o Salão e se sentou a mesa da Solus. O almoço já havia sido servido e ele encheu seu prato de costelas de porco e comeu, satisfazendo seu desejo e sentindo-se aliviado de ter dado um tempo. Logo, sua coruja veio voando, trazendo uma carta de seu pai. Torpedo entregou a carta para o garoto e ficou observando-o.
Gabriel abriu a carta e leu.
Filho, a GMB está discutindo com a direção de Castelobruxo sobre o desaparecimento da garota de sua casa. Eles querem que esse mistério seja resolvido logo.
Só gostaria de saber se você esta bem. Sua mãe mandou abraços.
Ass:Gustavo Bittencourt
O jovem escreveu no verso da carta e entregou-a a torpedo. Ele deu a coruja um pouco de comida e ela voou pela janela do salão.
—Seu pai? — perguntou Tales, atrás do garoto. Gabriel se assustou. O apanhador parecia suado e isso fez Gabriel deduzir que ele havia treinado há pouco tempo.
—Sim. — respondeu ele. — Não tinha notado você aí. — respondeu o jovem. Gabriel e Tales se conheceram através de Estefy. Apesar de não serem muito íntimos, Gabriel notou que o apanhador precisava de algo.
—Gabriel, você é bom em feitiços. né? — perguntou Tales.
—Hmm, talves. — disse ele. Tales ia dizer alguma coisa, mas Estefany chegou no local e cumprimentou Tales e o seu amigo.
—Cara, aqueles professores me encheram de deveres e a professora Lenora vai passar um teste amanhã. — disse ela.
—Eu quem o diga. Estou fazendo deveres desde as seis da manhã. — disse Gabriel. Estefy olhou para os dois e viu que estava atrapalhando algo.
—Vocês estavam conversando? — perguntou.
—Pensei que não notaria... -disse Gabriel, sorrindo. Estefy sorriu e se lembrou que Gabriel já tinha dito que ela tinha o costume de entrar nas conversas. Era algo que ele achava muito engraçado nela.
Tales chamou os dois para caminhar e se levantou. Estefy bebeu um pouco de suco e se levantou em seguida, afirmando que não estava com fome. Gabriel ficou pesaroso de levantar, pois estava morrendo de fome e não havia terminado de comer a sua comida. Ele pegou o prato dourado e seguiu os dois enquanto comia.
Andar e comer não era uma tarefa confortável de se fazer e os passos acelerados de Tales dificultavam a vida do jovem.
—Eu gostaria de falar com todos os membros da Solus para fazermos uma "missão". — disse Tales. — Já falei com o time e com a Mariana. Agora estou falando com vocês.
—Que missão seria essa? — perguntou Estefany.
—Ei, poderiam andar um pouco mais lento, sabe? Não comi nada e estou tentando ter uma refeição aqui...- disse Gabriel, sendo atendido. Os dois desaceleraram os passos e Tales começou a explicar.
Ele disse que estava planejando pesquisar e descobrir sobre o desaparecimento de Laurel e contou tudo que Leoffer havia lhe contado. O jovem da casa Winos iria ajudar e ele falou que apenas queria pessoas para pesquisarem sobre e buscarem por ela. Ele levou os dois para a estátua de dragão e se sentaram perto da estátua, para permitir que Gabriel terminasse de comer. Em seguida, voltaram para o salão de refeições e Gabriel deixou o prato na mesa.
—Então, buscaremos pela Laurel? — perguntou Gabriel.
—Sim, basicamente. — disse Tales.
—Seremos tipo um clube de busca pela nossa querida amiga Laurel? — perguntou Estefany.
—Acho que sim, mas não com esse nome. — respondeu Gabriel.
Os dois concordaram com Tales e se despediram, pois Tales foi se encontrar com outros amigos. Gabriel e Estefany foram para o salão do dormitório da casa Solus e o jovem continuou a fazer os seus deveres até o final da tarde, quando o céu já estava começando a ganhar seu tom alaranjado.
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