Tempo presente:

O garoto encarou o velho a sua frente, o nome do velho era Monroe.

Ele respirava com dificuldade, mas já era de se esperar, afinal estava amarrado com as mãos para cima com correntes presas ao teto. As pernas sujas estavam bambas, seu corpo todo sujo de sangue, inclusive seu rosto. Ele vestia apenas uma cueca.

O garoto sorriu.

- Muito bem Monroe, já não acha que sofreu o bastante?

- Vai... a merda.

O garoto fez uma expressão de inocência.

- Sério Monroe? É assim que você trata um velho conhecido?

Silêncio.

O garoto olhou ao redor... o pequeno galpão em que estavam era completamente sujo, se viam baratas e aranhas correndo aqui e ali. As paredes um dia foram amarelas mas agora não passavam de um vestígio negro. A unica coisa no local além do garoto e de Monroe, eram alguns caixotes e a mesa onde estavam os instrumentos de tortura.

A mesa... o garoto se aproximou e pegou um alicate. O velho notou e levantou o rosto.

- O que pensa que vai fazer Morg?

O garoto sorriu:

- Não me chame de Morg meu caro Monroe. Para você é apenas Morgan. — Ele abriu e fechou o alicate em um gesto de prazer — Você acha que socos são o suficiente para você?

De repente o velho pareceu realmente assustado.

- Não pense em fazer nenhuma besteira.

- Não estou só pensando...

Morgan se abaixou, abriu o alicate e o encaixou no dedão de Monroe.

- Meu filho... por favor não faça nada...

CLEC.

Monroe disparou a gritar como uma velha sirene, Morgan se levantou e o observou com cautela. A dor inundava o rosto de Monroe, lágrimas se misturavam junto ao sangue seco.

Em seguida Morgan deu um soco no rosto de Monroe.

- Pare de gritar seu velho dos infernos!

O rosto de Monroe ficou caído, a dor ainda o consumia mas ele fazia esforço para não gritar.

- Monroe... você sabe que posso fazer muito pior que isso — Morgan deixou o alicate encima da mesa e pegou uma faca — Posso fazer você sofrer muito mais... fazer sua filha sofrer horrores piores do que esse.

O rosto de Monroe se levantou de súbito.

- Por favor, minha filha não!

- Posso poupar você e sua filha da dor... mas precisará me revelar o que eu quero.

- Mas o que você quer... pode desencadear uma destruição imensa...

- É realmente isso que eu quero.

- Você não entende... você colocaria em risco a segurança de milhares de pessoas.

- ESSA É A INTENÇÃO — Morgan assumiu uma expressão monstruosa — OU VOCÊ ME FALA OU VOCÊ IRÁ PAGAR.

- Garoto... será que vale causar toda essa dor, toda essa destruição... só pelo que as pessoas fizeram a você?

O rosto de Morgan mudou de expressão. Primeiro ficou vazio, seus olhares encarando o nada, em seguida ele dirigiu o olhar para Monroe...

- Só? Isso é por tudo que fizeram.

Morgan enfiou a faca no peito de Monroe.

O velho arfou, olhou para baixo espantado e em seguida levantou o olhar para Morgan uma última vez.

- Você... você irá destruir tudo...

Morgan apenas o encarava.

- Sim, irei.

E então o rosto de Monroe caiu e ele deu seu último suspiro.

Morgan tirou a faca do peito do homem e a colocou ensaguentada encima da mesa.Limpou o suor da testa com as costas da mão. De repente o galpão ficou escuro demais, quente demais, apertado demais.

Ele precisava sair dali. Morgan se dirigiu a porta e a escancarou para o vento frio da noite, encarando o matagal a sua frente.

Ele olhou para trás e viu o corpo de Monroe caido, suspenso apenas pelas correntes do teto, o sangue inundava o chão se misturando a sujeira... Teria que limpar toda aquela bagunça depois.

Uma lembrança correu pela cabeça de Morgan.

Ele estava ali, torturara um homem e o matará, estava disposto a descobrir o segredo que tanto queria e iria eliminar quem fosse preciso para isso... Deus... como ele tinha se metido naquilo?

Dois meses antes.

Morgan estava chegando na escola como sempre, cabeça baixa o fone enterrado em seu ouvido.

Ele via as pessoas andando a sua volta mas não se importava. Entrou na escola, subiu as escadas, andou pelo corredor, avistou sua sala, entrou e se sentou na solitária carteira do fundo.

Era a sua rotina de todas as manhãs. Pegou um livro e começou a ler esperando o sinal tocar... e o inferno das aulas começaram novamente.

Mas Morgan não sabia... tudo naquele dia seria diferente... seria o dia em que seria convidado a ser o maior assassino do planeta.

Notas finais
Continua...