Castelo de Vidro

22 Caça ao presente perfeito


Notas iniciais
Olá voltei rapidinho né? Mais um capítulo fresquinho. Mais uma vez ele é dedicado a linda da Nathy. Espero que gostem do capítulo. Boa leitura!

# Narração Melissa (ON):

Bernardo foi a minha cobaia o dia todo, passamos cerca de duas horas escolhendo abotoaduras para o meu pai, era uma mais bonita que a outra. No final acabei levando três pares, não consegui decidir qual era o mais bonito.

Agora era hora de escolher um presente para Nathaniel, não fazia ideia do que dar, a minha vontade era não presenteá-lo com nada, mas se eu faço isso acabaria tendo problemas.

Caminhava pelo shopping tentando encontrar algum presente pra peste, mas não encontrava nada interessante. Suspirei alto quase desistindo.

– Que foi, Melissa? — Bernardo me tirou do transe em que me encontrava.

– Nunca pensei que seria tão difícil encontrar um presente para o meu irmão. — o respondi fazendo sinal de aspas quando falei a palavra irmão.

– Não entendi o porquê das aspas. — ele me olhou intrigado.

– Longa história meu pequeno loirinho. Quem sabe um dia te conto. — ri da cara dele — Me ajuda a achar algo.

– Pequeno? Sou maior que você, ruiva! Me fala mais ou menos o quê você quer dar pra ele.

– É pra ser sincera? — Tive pensamentos maldosos, não no sentido ligado à perversão.

– Sim.

– Eu pensei em uma passagem só de ida pro Alasca. — recebi um olhar assustado.

– É zoação isso né?

– Não. Quisera eu poder mandá-lo pro Alasca. Enfim vamos focar em algo possível.

– Concordo. Temos que focar em algo possível. Me fala do que ele gosta.

– Não sei do que ele gosta. Hello eu não falo com ele direito, sabe eu geralmente tento manter distância daquele ser.

– Impossível você não saber nada sobre o teu irmão! — ele exclamou surpreso.

– Eu sei que ele gosta de cantar e tocar guitarra, também gosta de algumas bandas e tem uma coleção de camisas das suas bandas favoritas. Percebi que ele as evita usar perto do meu pai porque ele franze o cenho.

– Viu como você sabe alguma coisa dele! Por que você não o presenteia com alguns LP's das bandas favoritas dele? Eu aposto que ele vai adorar!

– Adorei a ideia, mas aonde eu posso achar esses LP's?

– Naquela livraria tem algumas coisas que você pode achar interessante, Melissa.

Entramos na livraria e Bernardo me levou até o subsolo da loja, lá tinha tudo o que você pudesse imaginar. Tinha camisas de banda, CD, DVD, biografia e LP's.

Olhei os LP's que estavam expostos e comecei a procurar os que mais agradariam o meu irmão.

Tentei me lembrar das bandas que eu via estampadas em suas camisas e confesso que foi um pouco complicado me lembrar, afinal não reparava muito em Nathaniel.

Geralmente ele se vestia sempre alguma camisa preta com uma blusa xadrez por cima ou uma jaqueta de couro, jeans e all star ou coturnos quando meu pai não estava por perto.

Depois de separar 5 LP's com a ajuda de Bernardo fui até as camisas e escolhi uma branca com a estampa dos Ramones. Andei até o caixa e paguei e pedi que embalassem para presente. Agora sim tinha riscado todos os itens da minha lista imaginária.

# Narração Melissa (OFF):

# Narração Nathaniel (ON):

Passar o dia com o meu pai e a minha madrastra foi divertido, Marcela me deu várias dicas de presente e falou que eu encontraria tudo no ateliê que ela me indicou.

O ateliê era de uma amiga dela, ambas se conheceram na época da escola e mantém contato até hoje.

Como Melissa não saiu com o motorista o que era um milagre, pedi para que ele me levasse até o ateliê da dona Christina Marques.

Eu não fazia a menor ideia da onde ficava o tal ateliê, mas o motorista falou que não levaríamos muito tempo para chegar. Ele estava totalmente certo, levamos cerca de vinte minutos. Paramos em frente de uma casa em estilo espanhol na cor creme.

Desci do carro e pedi para que ele me esperasse, tinha certeza que não demoraria que nem a minha irmã. Adentrei pelo grande portal e uma moça sorridente de aparentemente 25 anos com cabelo chanel preto me recebeu.

– Boa tarde.

– Boa tarde. — a respondi.

– Como posso lhe ajudar? — ela foi simpática.

– Procuro a senhora Marques. Minha madrasta disse que ela poderia me ajudar.

– A dona Christina está atendendo uma cliente importante.

– Não tem problema, eu a aguardo.

– Creio que não será possível que ela lhe atenda hoje. A dona Christina só atende com hora marcada. — ela me falou com um sorriso.

– Compreendo, mas acho que não lhe passaram a informação que ela iria me atender. Minha madrasta foi bem específica quando falou que a senhora Marques me atenderia e conseguiria me ajudar com o presente que quero dar para a minha irmã.

– E quem seria a sua madrasta? — ela perguntou.

– Marcela Maldonado. — a respondi.

– A senhora Maldonado. Como pude esquecer que ela comentou com a própria dona Christina que o seu filho viria aqui hoje, você deve ser Nathaniel certo? — ela começou a ficar um pouco nervosa.

– Isso mesmo. Sou Nathaniel Maldonado, enteado da Marcela.

– Me perdoe, a dona Christina já irá lhe receber. Vou falar com ela agora que o senhor chegou e a aguarda. — ela entrou por uma porta e minutos depois voltou. — Ela pediu para você aguardar um pouco que ela está separando algumas coisas que sua mãe gostou e já vem. Sente-se e fique a vontade. Quer alguma coisa? Café? Água? Chá? — ela estava um pouco nervosa, percebi que ela se referiu a Marcela como se ela fosse minha mãe, sendo que já tinha repetido algumas vezes que ela é minha madrasta.

– Não quero nada não. Obrigado.

Sentei no sofá de couro branco e enquanto aguardava a senhora Marques liguei para Felipe para realizar o convite. Procurei seu número na agenda e apertei para ligar. Escutei três toques de chamada antes dele atender.

– Fala Nathaniel!

– Felipe, tá ocupado?

– To nada. To morrendo de tédio. — ele bufou.

– Que droga hein.

– Qual a boa?

– To num ateliê pra escolher um presente pra minha irmã é de quebra vou escolher um pra minha madrasta e também escolherei um presente pra Anna Júlia.

– Não vai escolher um presente pra sua garota? To curioso pra saber quem é ela.

– Felipe fica quieto.

– Sacanagem eu me abrir pra você e te falar de quem eu gosto e você não me contar de quem você gosta. Você é um ótimo amigo. Só que não!

– Sem drama cara. Poxa... Já que eu sou um péssimo amigo nem vou mais te chamar pra passar natal com a minha família, isso inclui Melissa.

– Oi? Como assim?

– É cara esquece... — falei fingindo falsa tristeza.

– To brincando cara.

– Eu sei mané... Então quero saber se você é sua mãe topam passar natal conosco!?

– É claro que eu topo, espera um segundo eu vou perguntar pra minha velha se ela topa.

Escutei algumas coisas caindo no chão, como sempre ele é muito afobado e distraído. Não demorou nem cinco minutos e Felipe voltou com a resposta.

– Minha mãe topou.

– Que ótimo, depois Marcela liga pra ela.

– Beleza.

– Se prepara que pelo que eu vi o natal desse ano vai ter bastante gente.

– Sério? Como quem?

– Meu pai, minha madrasta, minha irmã, Anna Júlia e sua família, uns convidados do meu pai. Eles gostam de reunir todo mundo e passar a data junto.

– Valeu pelo convite.

– Não precisa agradecer, você é de casa mané.

– Boa sorte pra achar os presentes.

– Valeu. Vou precisar

– Eu não vou. — ele riu. — Vou pedir ajuda a gatinha.

– Idiota...

Desliguei a ligação e assim que guardei o celular no bolso uma mulher com aparentemente a mesma idade de Marcela parou na minha frente. Ela devia ser a tal Christina Marques. A vi estendendo a mão para mim enquanto sorria mostrando seus dentes perfeitamente alinhados.

– Olá, você deve ser Nathaniel. Marcela me falou bastante sobre você.

– É um prazer conhecê-la senhora Marques.

– Me chame de Christina, por favor. Venha comigo.

Ela andou até a porta e fez sinal para que eu passasse, assim que eu adentrei o novo ambiente reparei nas várias araras de roupas expostas. Percebi que as roupas eram separadas por cores.

– Christina, obrigado por me receber.

– Marcela me falou que você é bem educado e vejo que ela não se equivocou. No que posso lhe ajudar?

– Estou procurando um presente para minha irmã e também irei aproveitar e levarei um presente para minha madrasta e para uma amiga especial.

– Você tem ideia do que você quer presenteá-las?

– Não. Por isso creio que você pode me ajudar.

– Bem... Separei algumas coisas que Marcela tinha visto aqui no ateliê e tinha gostado, assim você tem ideia do que ela mais ou menos quer.

– Ela comentou que Melissa tinha gostado de um vestido púrpura, gostaria de levar esse vestido. Também gostaria de levar a bolsa carteira laranja que ela também tinha reservado.

– Boa escolha, com toda certeza elas vão amar os presentes.

– Agora falta escolher o presente da minha amiga.

– Do que ela gosta?

– Ela é minha irmã são bem parecidas, mas ela é mais aberta às coisas, pensei em levar algo que a minha irmã iria gostar, já que elas gostam das mesmas coisas.

– Você pensou em alguma cor?

– Rosa. Um rosa bem forte. Ela fica linda com essa cor, na verdade ela fica linda com qualquer cor.

– Vamos olhar o que temos no tom de cor que você quer. Sabe qual seria o tamanho dela?

– Ela veste o mesmo que a minha irmã, eu acho, até porque elas vivem usando as roupas uma da outra.

– Vai ser fácil então, eu já sei qual é o tamanho para a sua irmã, vamos utilizar o mesmo tamanho.

– Ótimo. Eu gostei dessa jaqueta de couro rosa, eu sei que ela gosta de jaquetas e tenho certeza de que ela vai gostar.

– Vai ficar belíssimo nela eu aposto. Vai querer levar só isso?

– Sim. Muito obrigado pela ajuda Christina. Você me salvou.

– Não precisa agradecer querido, foi um prazer.

Paguei os presentes e esperei que eles fossem embalados, os embrulhos eram tão bonitos quanto os presentes.

Fui para o carro e falei para o motorista que me levasse para casa. Tinha passado cerca de duas horas e quinze minutos no ateliê, demorei mais do que pensava, mas tinha saído bastante satisfeito.

Pegamos um pequeno engarrafamento na volta pra casa e demoramos mais do que o previsto. Fiquei feliz quando vi que estava entrando na garagem. Peguei os presentes e subi rapidamente para casa. Assim que cheguei em casa fui correndo para o meu quarto e guardei os embrulhos dentro do closet, num lugar onde Marcela não acharia.

Depois de guardar os embrulhos desci e encontrei Marcela na sala vendo Breaking Bad. A abracei e ela afagou meus cabelos.

– Obrigado pelas dicas. — agradeci sinceramente.

– Não há de que.

– Sem as suas dicas eu estaria ferrado. — confessei.

– Não exagera querido.

– É sério. Espero que goste do presente que comprei, também espero que Melissa goste.

– Eu vou e tenho certeza de que ela também irá.

Fiquei na sala vendo Breaking Bad com ela aproveitando o carinho que recebia.

# Narração Nathaniel (OFF):

# Narração Melissa (ON):

Cheguei em casa depois de um dia exaustivo de shopping terapia. Estava com várias bolsas de diversas marcas e foi um pouco difícil subir com tudo, até porque dispensei a ajuda de Bernardo, já o tinha usado de cobaia o suficiente.

Fui para o meu quarto guardar tudo, na verdade deixei tudo em cima da cama e botei um pijama e fui para a sala. Estava com preguiça de guardar tudo e também ninguém mexeria nas minhas coisas.

Quando chego na sala presencio uma cena que não gosto nem um pouco, minha mãe fazia cafuné no meu adorável irmão. Pigarreei levemente e eles me olharam.

– Querida que bom que você chegou! Junte-se a nós! — mamãe falou.

– Dispenso o convite, só vim aqui para avisar que cheguei.

– Melissa, fica. — Nathaniel disse.

– Tenho uma coisa importante pra fazer. Me chamem quando o jantar estiver pronto.

Me retirei e voltei para o meu quarto, não podia ficar abalada com tal cena. Não conseguia entender como mamãe gostava tanto dele. Estava contando os dias para ir pra casa do meu avô, lá tudo iria girar em torno de mim, era assim que eu gostava.

Lembrei que prometi a Bernardo que o ajudaria a falar com Anna e resolvi ligar pra ela. Chamou umas cinco vezes antes dela atender o telefone.

– Oi Mel! Qual a boa?

– Fiz shopping terapia com um amigo hoje é você? Cheguei em casa quase agora e vi uma cena escrota. Tipo super escrota. Eca.

– Tive umas aulas de violão. — respondeu como se fosse algo super normal. — Que cena?

– Com quem? — perguntei super curiosa. — Minha mãe fazendo cafuné no Nathaniel.

– Com Daniel. — ela respondeu — Não acredito que você ficou com ciúmes dessa cena.

– O outsider sem noção? — perguntei, não suportava aquele garoto. — Óbvio que não fiquei, não viaja.

– Não, Melissa. Esse ai é o Felipe e eu já te falei não o chame de outsider. — ela me repreendeu. — Tá bom já que você não ficou não entendi o porque de você falar eca. Quer saber esquece.

– Tá bom. Quem é esse Daniel? Não me diz que é o abusado! — rezava para que não fosse.

– Ele mesmo!

– Como você consegue dar moral pra esse povo amiga? — estava curiosa pra saber como ela tinha paciência.

– Eles são legais. — ela disse como se fosse óbvio.

– Se você diz...

– E quem é o tal amigo que fez shopping terapia contigo? No caso quem foi o louco que aguentou?

– Bernardo. Ele foi minha cobaia o dia todo.

– Tá de brincadeira né?

– Não to não, sabe amiga ele é bem legal.

– Eu sei que ele é legal, mas também é sem noção.

– O quê ele fez? — perguntei já sabendo o quê aconteceu, mas queria saber o lado dela da história.

– Se meteu aonde não devia, mas vamos deixar isso em off. Não quero falar dele e nem sobre isso.

– Não acredito nisso. Você não vai me contar?

– Não...

– Anna... Ele não fez por mal.

– Então você já sabe o que aconteceu! Não adianta Melissa, não vou mudar de ideia.

– Não quero te convencer de nada, até porque eu sei que você não vai me escutar e não gosto de fazer as coisas em vão, mas mesmo assim acho que você tem que falar com ele.

– Não quero falar com ele. Melissa vou desligar. Um beijo.

– Outro pra você.

Ela consegue ser bem cabeça dura quando quer, mas ela vai conversar com ele sim e vai ser amanhã depois do jogo de tênis dela com o Lucas. Tenho certeza que ela não vai ter forças o suficiente pra debater que não quer falar com ele depois do jogo e com toda certeza ela vai estar mais calminha.

Mandei uma mensagem pro Lucas também. Precisava saber que horas eles iriam jogar.

Aproveitei que estava com o celular na mão e mandei uma mensagem para Bernardo confirmando amanhã é falando pra ele se preparar que ela estava arisca. Ela iria me matar por insistir nesse assunto depois de matá-lo por falar com ela sobre isso.

# Narração Melissa (OFF):

# Narração Lucas (ON):

Passei o dia todo com Amanda, vimos vários filmes, a maioria foi do gênero comédia romântica. Não curtia muito esse estilo de filme, mas se ela estava satisfeita e também estava.

Amanhã era quinta feira e eu como sempre iria jogar tênis com a minha prima. Falando nela meu celular vibra e Amanda me avisa que era uma mensagem da AJ.

* mensagem (ON):

Amanhã nosso jogo está de pé né? Preciso dissipar a minha raiva, mesmo ainda estando chateada com você, mas tradições não se quebram fácil. Certo? Se prepara pra perder Luke. Na boa você vai tomar uma surra.

* mensagem (OFF):

Comecei a rir e Amanda me olhou com aquela cara de quem não estava entendendo nada.

– Por que você está rindo?

– Anna Júlia fez uma piada muito idiota.

– Me conta.

– Ela falou que vai me dar uma surra no tênis amanhã. — não conseguia parar de rir.

– Como assim amanhã? — ela arqueou a sobrancelha esquerda e fechou a cara.

– Amanhã é quinta, é dia de jogar tênis com a AJ. — respondi normalmente.

– Achei que você fosse passar o dia todo comigo. — ele me olhou com a cara do gato de botas do Shrek.

– Não acredito que você tá insinuando isso. Amanda os jogos de tênis as quintas já virou tradição. — a respondi.

– Tá bom, vai jogar tênis amanhã. Eu não ligo. — ela disse emburrada.

– E eu vou.

– Quer saber Lucas, to indo pra casa.

– Tá de brincadeira né, Amanda?

– Não. Vou dormir lá hoje.

– Não faz isso, Amanda. Fica aqui.

– Falo contigo amanhã.

– Por que você vai pra casa?

– Pensa um pouco.

– Vamos conversar.

– Não tenho mais nada pra falar hoje, Lucas. Amanhã nós conversamos.

Ela saiu e deixou tudo aqui em casa, só a vi levando o seu celular. Não consegui entender porque ela ficou tão chateada. Eu tenho certeza de que não fiz nenhuma burrada com ela, então por que ela estava assim? Se não bastasse uma mulher irritada comigo, agora eu tinha duas.

Respondi a mensagem da minha prima e abri a mensagem que tinha recebido de Melissa.

* mensagem (ON):

Que horas você e a Anna vão jogar tênis amanhã? Precisamos conversar! Quantas vezes eu já te falei pra não se meter demais? Parece que não aprende! Não adianta fugir, depois do jogo vamos conversar. Estamos entendidos? Espero que sim!

* mensagem (OFF):

Depois que li a mensagem de Melissa cheguei a conclusão que estaria ferrado amanhã. Agora não eram mais duas mulheres irritadas comigo, mas sim três. Isso é complicado. Eu estou totalmente e completamente ferrado.

Não quero nem pensar no que vai acontecer comigo amanhã, até porque é bem provável que uma delas tente me matar.

# Narração Lucas (OFF):

Notas finais
Voltei rapidinho. E ai o que acharam? Me conta nos comentários, vou adorar saber. Até o próximo capítulo. Beijinhos!!