Ela era linda, tinha uma aparência de, no máximo, quatro anos. Era loira, tinha olhos claros e uma pele pálida. Era quase como se fosse um anjo. Usava um chapéu com uma flor e um vestido combinando.

— Não chores. — A garota voltou a dizer.

— PORQUÊ NÃO? A MINHA VIDA É UM INFERNO! MEUS PAIS FINGEM QUE ME AMAM, MAS SEQUER SÃO MEUS PAIS DE VERDADE! Eu não tenho ninguém... Ninguém...

Abaixei a cabeça e deixei as lágrimas correrem soltas. Era bom desabafar de vez em quando. Aliviava o peso por trás dos ombros. A garotinha por trás me abraçou forte e disse:

— Posso ser sua amiguinha?

— Ami...guinha? — disse, espantada.

— É! Você é uma moça bonita, esperta, e parece ser muito legal!

Ninguém nunca dissera aquilo pra mim, nem mesmo uma criança de quatro anos. Ela se sentou ao meu lado e me deu uma maçã, que ela tirou da bolsa que carregava o gatinho.

— Tó. Pra moça bonita.

— Jennifer, mas eu prefiro Jenny.

— Jenny. Um nome tão bonito... — ela segurou na ponta dos pés e começou a balançar.

— E você?

— Moça bonita, vem cá! — ela levantou em um salto e foi andar um pouco.

Decidi seguir a garotinha, que me levava pela mãozinha até um campo florido. Ela soltou minha mão e rolou em meio as flores que cresciam. Depois se sentou e gritou pra mim:

— Moça!!!! Olha o que eu achei!!!

Eu desci atrás dela enquanto sentia a dor esmagadora em meu coração, lentamente, se diluir enquanto brincava com a pequena menina.

— Uau!- A menininha ria enquanto uma borboleta azul saía em meio as flores.

— Olha! O sol está se pondo! — Exclamei.

— O quê? Eu tenho que ir, moça bonita... Meu papai vai ficar preocupado...

— Aonde é sua casa?

— Eu não posso dizer... Desculpa...

— Ei, não fica assim! Vamos fazer assim: todos os dias, nesse mesmo horário, na prainha, ok?

Ela me olhou e deu um sorriso de orelha a orelha:

— Tá bom! Até amanhã, moça bonita!