Caso Sarah Bela

1 Caso Sarah Bela


— Olá doutor. Gostaria de saber qual é o diagnóstico da Sarah — Pediu a advogada no escritório do médico repleto de livros sobre assuntos científicos.

— Alto grau de esquizofrenia. Aqui estão os arquivos do caso, mas lembre-se, sua história é perturbadora.

— Entendo doutor, tenho certeza de poder ler assim como quais quer outros casos de distúrbios mentais relacionados.

— Esses são os relatos adquiridos durante anos; sendo arrancados por nossa equipe de psicólogos e psiquiatras mestres nessa arte. Sete anos para ser mais exatos. Todos os dias regularmente aconteciam as consultas, todas com hipnose.

Abaixo dos detalhes do cabeçalho e diagnostico havia:

"Caso:

Sarah Lincoln Jay Bela.

Relato final da paciente, acompanhado de anexos e relatórios parciais."

Estava carimbado em vermelho com a palavra "ENCERRADO".

Primeira hipnose:

— Do que lembra Sarah?

— De algumas coisas.

— Fale como era o local.

— Um parque, um parque com grama verde, crianças brincando, casais namorando, cães saltando e correndo de um lado para o outro. Estávamos sentados numa toalha de mesa quadriculada de vermelho e branco; víamos o pôr do sol.

— Quem era a pessoa ao seu lado?

— Eu não vejo seu rosto, é como se uma nuvem cobrisse apenas o seu rosto. Não sei quem é, mas está segurando minha coxa e a outra por trás da minha cabeça; estava olhando para mim. — Gritou logo após. — Haaaaaaa! Por que não lembro de seu rosto? Está olhando para mim, mas não posso ver os olhos. — Caiu aos prantos.

— Acalme-se, Sarah. Escute.

Gritava às lagrimas e retorcia-se no divã.

— No estalar dos meus dedos acordará...

Assim o fez, Sarah despertou assustada, gotas de suor se lançavam ao chão desesperadamente.

— Continuaremos amanhã, Sarah. — O Dr. Ramt se levantou e caminhou à porta, mas Sarah não se levantou, permaneceu inerte olhando o teto.

— Eu não sairei enquanto não saber quem é esse homem. — Disse assustada. — Vamos; prossiga.

— Sarah, isso pode te fazer mal, pode causar danos irreversíveis, pare. — Aconselhou ele.

"Induzi-a numa hipnose mais profunda, após alguns minutos perguntei detalhes sobre o homem ao seu lado. "

— Tinha olhos negros como ébano, lábios finos e bem desenhados, um cabelo ondulado, era como ouro polido e tão brilhante como o próprio ouro sob as luzes de holofotes. Um homem que qualquer mulher cairia de amores logo em uma rápida olhada de relance e muito provável lutaria por ele, apenas para, como prêmio, poder admirar seu rosto.

— Logo após ao parque. O que aconteceu?

Sarah se encolheu um pouco mais no divã.

— Ele.... Ele... S.... seu nome era... James.

"Não mantive o roteiro da pergunta diretamente, deixei que contasse a história naturalmente, sem causar pressão nas horas de fluidez. Aos poucos lembrou de feições e costumes dela mesma e de pessoas com quem convivia, mas a pessoa que mais a emocionava era James; que, segundo, ela aparentava ter vinte e oito anos enquanto ela tinha dezesseis. Contou os tipos musicais que escutavam, até detalhava as horas de amor."

— Acorde amor, vamos ao parque de diversões. Apronte-se logo. — Levantei apressada da cama.

"Após algumas consultas ela se soltava mais e mais, contava coisas devido as regressões hipnóticas do dia-a-dia, era uma pessoa saudável mentalmente e fisicamente.

Mas... "

— Por que estão discutindo? Sarah.

— Por que me traiu com minha irmã? A Nora.

— Detalhe a discussão.

"A narrativa dela foi chocante." Começou por um tapa que deu no rosto de James.

— Por que me ilude?

— Me perdoe. — Logo manteve-se quieto, pois sabia que estava errado

Apenas olhava em meus olhos azuis; era tão difícil aceitar isso, mas já era esperado de alguém com seu semblante raro. Mesmo assim era mais difícil saber que me trocou por meu próprio sangue, minha irmã gêmea idêntica.

— Por que? ... Por que? — Eu disse num tom baixo, encolhendo-me na cabeceira da cama.

Logo sentou ao meu lado me abraçando apoiando minha cabeça em seu peito e comecei a chorar. Seu coração batia tão rápido quando as azas de um beija-flor e seu corpo estava tão tenso e rígido devido ao estresse da descoberta.

"A partir dessas lembranças seu comportamento mudou repentinamente, seu olhar se tornou vago, seco e vazio, expressão neutra, sem resquícios de sentimento. Tal como se ela lembrasse de tudo o que ocorrera no passado que até então fora completamente esquecido e parcialmente lembrado. Contudo. Em um dia de consulta marcada, sentou-se no divã; não como se fosse fazer uma consulta de rotina, apenas ficou repetindo o nome dele sem parar, incessantemente e quase ser respirar. No momento as consultas já estavam no número 2190(completando seis anos) foi extraída a história repetidas vezes durante os anos, foram filtradas e depois de estudos e confirmações minha equipe reconstruiu a história original desfragmentada de falsas lembranças e compatíveis com a perícia criminal. Sarah Entrou em coma não muito tempo depois, acordou passado seis meses. Diria até algo como "Olhos mortos"; sua personalidade estava mais fria que antes do coma. Em seis anos e seis meses extraímos apenas uma pequena quantidade de informação, a maioria repedindo-se quase que interminavelmente, até não poder mais se levantar da cama; suas consultar continuaram em seu quarto, com Sarah deitada em seus aposentos particulares. Hipnotizei-a novamente como de costume, mas daquela vez foi um tanto difícil, ela parecia estar bloqueando suas lembranças, no entanto, cedeu. "

— Diga o que você vê, Sarah.

— Ele... Ele está com as mãos juntas. Falou que ia embora dar uma volta, eu não o impedi, não o impedi, mas não sei por que isso me incomodou.

— Continue, Sarah.

Após alguns gemidos e respirações ofegantes ela disse.

— Estava seguindo-o.

— Continue, força, lembre-se Sarah, lembre-se.

— Entrou num prédio que se localizava em frente à avenida central da cidade, um edifício muito antigo, muitos diriam histórico, mas habitados assim como os outros tantos edifícios velhos na avenida. Esperei meia hora e entrei no prédio.... — Parrou por alguns segundos. — Não...não...não pode ser, o que é isso? — Começou a se debatem e gritar apavorada com os olhos abertos e tão vagos, porém, cheios de pavor e raiva. — Você... você? Como ousa vir aqui e me trair mais uma vez, e você Nora... — Sarah caiu em lagrimas, pausou por um momento e seu corpo relaxou.

— O que houve Sarah?

Estava confusa e atordoada, totalmente aérea, como se estivesse se desligado do mundo sensível e inteligível.

— Eu a matei...

"Com essas palavras pudera ser extraída a confissão do crime da morte de Nora lúcia Jay Bela. Nora fora encontrada com um fragmento de vidro cravado em seu olho esquerdo e Sarah com um fincado no abdômen, perfurando o estomago e um rim após o homicídio. Evidentemente houve luta, Sarah fora encaminhada ao hospital, diretamente à cirurgia de emergência, logo após um mês de recuperação fora levada ao manicômio onde permanece até hoje, e três dias depois as consultas com os psicólogos começaram. No dia seguinte da confissão fora sugerido não prosseguir com as consultas, no momento que se encontrava apresentava grais de distúrbios significativos a partir de seis anos de recorrentes consultas. Naquele mesmo dia, após tiradas as provas do crime ela não acordou, a sala fora evacuada. No dia seguinte estava acordada em estado vegetativo. Sentei ao seu lado. "

— Suas consultas foram canceladas, Sarah.

— Não quero parar. — Respondeu com dificuldade e quase inaudível.

Foram chamados outros doutores para a sala.

— Senhores, Sarah não quer interromper as consultas, não tenho o poder suficiente para realizar essa decisão. Ordenaram-me a perguntar qual seria o motivo para não parar.

— Não posso simplesmente parar de lembra por aqui, vocês já realizaram seus desejos de arrancar a verdade, que para vocês, era interessante, então quero que arranquem o resto, não quero apenas lembrar disso.

Os doutores convenceram-se da resposta e fora permitido as consultas, a partir do presente momento sob a presença dos mesmos.

— Sarah. Para onde foi James?

— Saiu correndo pela porta, deixou-me lá para morrer. Jamais o vi ou soube de seu paradeiro. Fiz um corte em sua mão tentando pegá-la, porém, não notei estar com a mão segurando um pedaço de vidro.... Lembro apenas de acordar em movimento, estava tudo turvo e sem foco, haviam pessoas no meu lado, sentia meu estomago formigar e muita dor, luzes corriam e corriam sem parar até colocarem uma máscara em minha boca, apenas senti um cheiro estranho e não lembro mais...

Após essas palavras não disse mais nada, apenas fechou os olhos e nunca mais acordou. Entrou em coma novamente.

— Estou abismada doutor. Onde ela está?

— Em um leito especial.

— Posso vê-la?

— A senhorita é a advogada dela, não seria interessante proibi-la, venha comigo. — Levantou-se.

O Dr. Ramt detalhou o caso, enquanto caminhavam a seus aposentos com o diretor, o caso fora aberto há dez anos e terminado há três.

Lá estava ela, adormecida, inerte, praticamente morta, apenas a mantinham viva devido sua conta bancaria ser gorda e sustenta-la por mais trinta anos de internamento. Saíram da sala, alguns metros caminhados para frente.

— Ela acordou — Gritou um dos homens. — Segurem-na. — Foram necessários cinco homens para a imobilizar e levarem ao quarto.

Sua face estava marcada pela angustia e pela morte; a pele estava flácida e fraca, cedendo à gravidade; olhos azuis envoltos por manchas negras das noites pesadas na loucura irreal do ser, corpo de um miserável que não vê um prado de comida há tempos, e, quase à beira da morte, fora amarrada com sintas de couro forte, impossível de ocorrer a façanha de uma fuga.

Apesar de Lara ser uma advogada experiente, surpreendeu-se. À noite, sem estrelas ou lua cheia, sem a prata das luzes noturnas. Estava caminhando devido a insônia do estresse diário, quando passou pelo leito de Sarah, Lara reconheceu o misterioso homem pela sua cicatriz na mão, os batimentos de Sarah estavam acelerados, como mostrava no monitor cardíaco, ela podia ver quem estava lá.

— James. — Sorriu tentando se mover, mas impedida pelas cintas.

— Olá, minha pequena Sarah. — Devolveu um sorriso confortante. — É uma pena você tê-la matado, eu sempre a amei, e você a matou.

Os olhos de Sarah se encheram de desespero e pânico enquanto James retirava uma faca do casaco.

— Você irá sofrer do mesmo mal que ela, Sarah, minha pequena Sarah. — Colocou a ponta da faca próximo ao seu olho, mas não o fez devido a um ruído que a advogada produzira.

Ela se escondeu enquanto James saia correndo pelos corredores sem cometer o ato.

No dia seguinte pela manhã Sarah fora encontrada com seu pescoço envolto por junções das quatro sintas. Enforcara-se há pouco, quando a encontram seu corpo estava quente, quase morno.

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