Caso Dubai
2 Welcome to Dubai
Notas iniciais
– Desculpe-me, mas o senhor não pode entrar.
– Olha aqui senhorita... Qual o seu nome mesmo?
– Kouctherre. Hadassa Kouctherre.
– Senhorita Kouctherre, não há ninguém que me impeça de entrar aí.
– Senhor, eu estou seguindo ordens explícitas. O senhor vai ter que esperar a reunião acabar para entrar.
– Quem está nessa reunião?
– Os senhores Uzumaki, Uchiha e Sabaku.
– O.k., isso vai agilizar minha vinda. Não precisa se incomodar, eu sei o caminho.
– Volte aqui, senhor!
****
– Olá, garotos. Andam cuidando bem da minha empresa?
– Senhor! Senhor! Espere!
– Ah! A quem devo a visita do grande Namikaze? Notícia boa que não deve ser, né, pai? Hadassa pode sair e feche a porta, por favor.
– Sim, senhor Uzumaki. Peço desculpas ao senhor, Namikaze, só estava cumprido ordens — diz ela ao sair.
– Então, o que tem de tão importante para me falar? Sem rodeios, por favor.
– Eu andei analisando umas cidades para e uma me chamou muito a atenção. O forte da economia de lá é o turismo e a área imobiliária. Então eu pensei: "os rapazes estão cuidando tão bem da empresa que..."
– Vá direto ao ponto, Otousan.
– Eu decidi mandar vocês para Dubai. Tenham em mente que isso é uma ordem. Quero que vocês estejam lá amanhã. Já falei com os pais de vocês, Sasuke e Gaara.
– Como assim? Dubai? Desde quando você tomou essa decisão? E sem me consultar! Você não pode mandar em mim só porque eu sou seu filho! — digo estupefato. Vejo perifericamente Sasuke arquear uma sobrancelha e Gaara franzir levemente o cenho. Quem não ficaria confuso diante de uma decisão tão radical e repentina como essa? Só podia ser coisa do meu pai mesmo.
– É claro que posso. Além do mais, tenho certeza de que os seus amigos concordam. O que acham rapazes?
– Hn. — diz Sasuke simplesmente.
– Adoramos a ideia — concorda Gaara com um sorrisinho de canto.
– Está vendo, Naruto? Já está tudo pronto, não tem nada com que se preocupar. Há coisa melhor? Vocês vão adorar passar um tempinho longe de nós, pais protetores.
****
Meu pai devia estar louco quando tomou essa decisão. Só não sei quem é pior: ele ou aqueles dois retardados. Como podem querer largar tudo que temos aqui em Los Angeles para ir para aquele fim de mundo? O pior é que a Ino colocou naquela cabecinha oca que quer ir junto e não há quem tire essa ideia dela. Garotinha teimosa.
Então eu soquei minhas coisas na mala logo, pois meu pai não queria que esperássemos nem mais um dia para ir. Fico pensando no que pode ter dado na cabeça dele para ter essa atitude. Com certeza há algum motivo, ele não faria isso sem ter algo de seu interesse por trás. Ao menos, será bom ficar um pouco longe da bá Kushina. Eu gosto muito dela, ela basicamente me criou e tudo mais só que às vezes acho que ela quer ter laços demais comigo, quer assumir um papel que não lhe pertence e isso me irrita. Além de ser super controladora.
Mas o que mais me agrada nessa mudança é o fato de eu ter mais liberdade, poder fazer o que quiser e não ter reclamações e ladainhas para ouvir.
****
Chegamos em Dubai.
Meu pai nos levou imediatamente para ver a loja principal e em seguida veio com a grande surpresa de que “são mais de 50 lojas espalhadas pela região" e blá blá blá. O resultado disso foi que tivemos que visitar cada uma delas. Argh. Típico do senhor Namikaze.
Depois do "tour", ele nos leva até onde fica o luxuoso hotel em que vamos ficar, de 7 estrelas, em formato de vela, que fica em uma ilha artificial sobre o Golfo Pérsico, nomeada Burj Al Arab. Atrás do hotel há o Madinat Jumeirah, um resort com um shopping. Assim, sigo para o meu apartamento, que é simples comparado à minha antiga casa. É de dois andares e quase todo branco. No primeiro andar ficam a sala e a cozinha. Na sala há dois sofás bem espaçosos, uma estante com vários tipos de bebidas, uma mesa de centro, um baú de vidro com flores e logo adiante mais dois vasos enormes de flores encostados na parede (como se eu gostasse de tanta planta), e um lustre enorme. A cozinha é pequena, com um balcão que divide o ambiente e duas cadeiras brancas. Todos os eletrodomésticos são de inox, o que facilita na hora da limpeza, pelo menos é o que Bá Kushina vive dizendo. Mas não faz diferença, já que não serei eu a limpar mesmo. Há uma pequena prateleira ao lado da geladeira, onde ficam as taças e no meio da cozinha há uma mesa de vidro com quatro cadeiras. Noto que esta já está arrumada com talheres e copos postos para uma refeição.
Vou ao andar superior, onde há três suítes e um quarto comum. Vou para a minha suíte, onde as paredes são de vários tons de cinza, há uma mesa com um notebook ao lado da televisão, uma cama de casal com edredom que combina com o quarto, alguns quadros nas paredes, cujos artistas eu não conheço. No banheiro há uma hidromassagem, um box, e uma pia com espelho arredondado. É, vai dar pro gasto.
A viagem foi longa e cansativa e estou completamente esgotado. Caio na cama e me deixo navegar pelos meus pensamentos. Imagino que meu celular deva se sentir do mesmo jeito que me sinto agora, cada vez que descarrega.
Só que mal fecho os olhos e o interfone toca.
– Senhor Uzumaki – diz uma voz feminina.
– Sim?
– Os seus amigos estão aqui.
– Deixe os subir — respondo ao notar os berros de Gaara e os resmungos de Sasuke pelo interfone. Esses dois mal chegaram e já querem fazer merda. Não que isso seja uma surpresa pra mim.
Eles entraram no meu apartamento já dizendo pra eu me arrumar porque íamos a uma boate e como argumento à minha recusa alegaram que precisávamos comemorar nossa vinda pra cá ou algo do tipo. Estavam totalmente decididos e eu não tive com me livrar dessa. Então, vencido por eles, subo, tomo um banho rápido, pego uma das minhas melhores roupas (como se eu tivesse algum traje ruim) e vamos para a festa.
O nome do local é muito impróprio. “La Luna”. Humpf, povo sem criatividade, mas ignoro. Como sei que o melhor está por vir no fim da festa (uma garota premiada iria "sair" comigo), adentro o lugar analisando as mulheres e procurando alguma beldade. Eu não tenho preferência por nenhum tipo de mulher, desde que seja bonita o resto nem importa. Acho que as pessoas são muito falsas ao dizer que o que importa é o interior e não a beleza. Como não valorizar a beleza?! Até parece que você olha pra alguém e vê logo seu interior. Isso é tudo ladainha de gente sentimentalista. Coisa que eu não sou e não ligo nem um pouco se pareço arrogante e prepotente pensando assim.
O local é mal iluminado e nesse momento está tocando uma música ruim. Reviro os olhos em completo desgosto e penso em sair imediatamente dessa espelunca, mas perdi de vista o Sasuke e o Gaara, então decido ir para o bar. O garçom tem cabelos grisalhos e fico me perguntando o que um homem dessa idade faz num local assim. Uma vez eu li num livro que algumas pessoas se formam em ótimas universidades, porém gostam tanto do local em que moram que largam tudo para trabalhar no seu bairro. Qual é o problema com essas pessoas?! Escuto a voz rouca do garçom interrompendo meus devaneios e me perguntando o que vou querer.
– Um conhaque, por favor – peço notando os olhos do garçom me analisando.
– Conhaque saindo para o cavalheiro bonitão!
Era só o que me faltava. Um tiozão gay afim de mim. Percebo que ele está piscando de forma sexy para mim (ou tentando, ao menos). O que fiz, Kami, para merecer isso? Ele me entrega a bebida junto com um papel com o seu nome e telefone. Dou um sorriso cínico para o "Orlandinho" e saio de lá. Não tenho nada contra gays. Até mesmo tenho um amigo que é homossexual, o Piter Thiel, que é um dos fundadores do PayPal e um dos principais acionistas do Facebook e é um dos gays mais poderosos dos Estados Unidos, além de ser legal e extrovertido. O problema é que não me vejo com outro cara pelo simples fato de admirar e amar as mulheres. Na verdade, sou um grande volúvel no amor, nunca gostei mesmo de nenhuma por mais de três dias. Amo amá-las.
Ao entrar na pista de dança, noto uma ruiva de olhos verdes usando um vestido curto listrado da mesma cor do seu cabelo de ketchup, suas pernas são bem definidas e o vestido deixa várias partes do corpo à mostra. Percebo que ela está me olhando fixamente. Sabendo que essa será fácil dou o meu melhor sorriso e a ruiva vem em minha direção me puxando para dançar. Ela começa com uma dança sensual patética, rebolando em mim e apelando para "joguinhos de sedução". Hoje não estou nos meus melhores dias e não quero perder tempo com essa parte de "conquista".
– Vamos direto ao ponto. Onde você mora? – pergunto sussurrando no ouvido da ruiva louca e segurando em sua cintura para que ela pare com essa dança ridícula.
– Que tipo de mulher você pensa que eu sou, bonitão? — diz ela fingindo estar chateada.
– Sinceramente?
Ela me olha, dá um sorriso e confirma com a cabeça. Correspondo ao sorriso e sussurro em seu ouvido:
– Do tipo fácil. Não se ofenda, você até se veste bem. — Respondo analisando sua roupa e seu corpo com um olhar malicioso — Mas deve se despir melhor ainda.
– Isso é coisa que se diga para uma dama?
Dama? Sério? Reviro os olhos.
– Olha, o papo está ótimo, mas eu não quero conversar, se é que me entende.
Puxo-a em direção à saída, entramos no meu conversível Classe E Cabriolet preto da Mercedes-Benz, um belo carro, e seguimos para o seu endereço.
Sinto o vento batendo em meu rosto e a sensação de liberdade que tenho quando dirijo o meu carro. Acelero mais. Tenho a leve impressão de que a noite será ótima.
Mal cheguei e já estou gostando daqui.
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