Caso Brixton
1 Finalmente um caso de verdade
Notas iniciais
Era 05h25min da manha de segunda-feira, o celular em cima da escrivaninha não parava de tocar.
-Tem que desligar a merda do telefone! – alguém disse. Nem me preocupei em identificar a voz nojenta que exclamou isso. Podia ser a Kelly conhecida aqui na pensão como bazuca. Ou o Arthur que pensa que é alguém.
Desci correndo as escadas eram velhas e de tábuas fazendo um barulho irritante, também eram envergadas e sujas. Dividir um quarto pequeno com cinco pessoas era uma coisa complicada, mas comum numa pensão mixuruca de Brixton, com tantos hotéis milenares, eu tinha que estar logo aqui.
Meu dia já começou agitado sai da pensão sem tomar café, seria impertinência acordar Madame Agnes para fazer café pra mim. E ela me enxotaria porque o aluguel do quartinho está atrasado.
Já na rua encontrei meu camarada imundo como sempre, um mendigo morador de rua, é mudo, mas acho que seu nome é Tomé. Tem cara de Tomé. Ele pelo menos sorri pra mim todas as manhas ou pelo menos quando não está chovendo.
Passei na padaria, caçamba com 20 míseras pratas. Comprei um pão de queijo, deve ser de ontem. –Colé Joe, o que você faz aqui a noite toda, que não assa novos pães? –perguntei.
–Cynthia você é muito exigente, ainda bem que não é minha chefe.
–Zomba de outra seu Mané. – Ele era lindo, mas um verdadeiro babaca. – O Jhonatan não passou aqui hoje não?- bocejei depois desta pergunta e me lembrei que não havia dormido.
-O dia acaba de amanhecer minha querida, só você pra cai aqui essa hora.
- Okay, obrigado pelas informações relevantes, até a próxima, se ele aparecer manda me procurar tenho um trabalho pra ele.
Sem duvidas tinha desperdiçado o meu precioso tempo com um idiota balconista metido a besta, mas fazer o que? O dia estava só começando e com certeza reservava muitas surpresas. O telefone toca novamente e dessa vez não era o despertador.
Uma voz rouca porem feminina soou do outro lado da linha após o meu alô.
-O que você quer Christine?
- Apenas um favor Cynthia não seja ruim comigo hoje.
Christine era arrogante eu também sou às vezes, mas seu sarcasmo me irritava. O sonho dela era ser agente do Nicholas, mas ele não a quis, preferiu a mim. Eu rejeitei o cargo prefiro trabalhar sozinha. Ele ainda não me perdoou por isso. E agora eu não tenho trabalho também.
-Diga, antes que eu me arrependa!
-Tenho um encontro com pessoas famosas da alta.. Vai ter de tudo, tiras, políticos, advogados, e detetives de renome, não esses de que rolam no asfalto pra tirar fotografias. –Zombando de mim de novo, mas não ligo conheço meu trabalho.
-Vai direto ao assunto lambisgóia, quer que eu vá com você?
Ela sorriu pelo adjetivo que coloquei e depois assentiu pedindo em nome dos tempos de colégio. Como se fossem bons tempos. Ela roubara todos os meus pretendentes dessa época. Devia dar um tiro nela. Mas optei por aceitar a proposta, poderia ser útil pra mim. E eu não tenho armas.
-Quando é?
-Sábado ás 08h00min.
-Passa na pensão, mas se você se emperiquitar demais finjo que não te conheço.
-Tudo bem meu caso é com um bofe só.
Desliguei o celular depois de uma asneira dessa. Teria que comprar algo elegante e barato pra usar nesse evento, meus casacos já estavam surrados e sem cor.
Voltei á pensão precisava dar uma olhada no jornal de alguém, não poderia desperdiçar 25¢ em um. Estava com fome também aquele pão de queijo engomado fez um estrago no meu estômago.
Não tenho muita sorte com as coisas, mas encontrei dinheiro no caminho, mesmo sendo só 2 dólares, talvez isso abrisse o expediente e eu encontraria o caso do século. Tornaria-me conhecida por fazer algo que preste.
Precisava achar algo interessante um caso de verdade, parar de investigar assaltos a supermercados! Meu 1 ano e meio como agente da comunidade estava me esgotando, nada de novo, nada de emocionante, sempre os mesmos assaltantes e alguns BO que não resultavam em nada.
Quando estava pensando nisso um carro de policia passou por mim, e depois um do IML empacotaram mais um. Tarde demais pra encontrar o culpado. Até que de repente BUMMM..
Eu não conseguia respirar não via nada além de uma grande névoa de fumaça negra em minha frente, o prédio, o magnífico prédio ao lado de um dos mais belos arranha céus de Londres tinha vindo a baixo. Seria terrorismo aquela hora? Meu Deus o que havia com aquela gente?
Parecia que tudo estava desabando, tremia tudo e tinha enormes rachaduras no asfalto. Gente gritando desesperadamente... Eu precisava sair dali, descobrir o que havia ocorrido, mas antes de tudo precisava escapar da catástrofe, parece que a explosão abalou toda a estrutura da movimentada avenida ás 09h00min da manha.
Um minuto depois e só sobrou o gemido silencioso dos sobreviventes. Envolvidos em um manto negro onde todos procuravam sair, no pavor da escuridão, fumaça e do terrível cheiro de cimento que sufocava, e encontrar a luz da manha.
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