Notas iniciais
HEEEEY! Dia 03 e estamos aqui! Vocês vão perceber que as mudanças foram ENORMEEEES, mas garanto que foram pra melhor. Agora vou deixar vocês lerem e depois me digam o que acharam !

Washington D.C — Dias atuais

— O júri declara o réu culpado pelas acusações de homicídio, cárcere privado e sequestro de nove vítimas, sendo elas... — enquanto o juiz redigia a sentença ao acusado vi de relance Paul entrar pela lateral da sala fazendo um sinal para encontra- lo lá fora.

— Paul está nos chamando. — sussurrei cutucando o braço de Stephen que estava sentando ao meu lado.

— Ele chamou você, isso pode não me incluir. — declarou ainda prestando atenção nas palavras do juiz sem se dar ao trabalho de se virar para mim.

— Mas não é você que vive frisando que deveríamos agir mais como uma equipe? — perguntei contendo o tom de voz.

Stephen finalmente se virou para mim jogando aquela imensidão azul de seus olhos que estavam semicerrados, e sem me responder se levantou arrumando o terno seguindo pela saída lateral por onde Paul nos chamará. Sorri de lado me levantando e o seguindo para fora da sala onde a mãe do condenado chorava jurando a inocência do filho. Patético.

Assim que cruzamos a porta avistamos Paul Sullivan encostado em uma das paredes com seu cigarro na boca, talvez o aviso de proibido fumar não se abrange a oficiais de alta patente do FBI. Ou apenas não se abrange a um Sullivan. Paul Sullivan era um homem de 50 anos que, apesar da idade, ainda mantinha o bom físico e talvez pela altura e o olhar frio ficasse tão intimidador. Ele estava no comando do Departamento de Homicídios do FBI desde que eu entrará como recruta. Enfrentou mais assassinos do que eu sou capaz de imaginar, além de sua própria família já ter sido vítima de um psicopata assassino que ele mesmo prendeu, mas que conseguiu fugir e decidiu se vingar. Foi meu mentor e parceiro do pai do Stephen. O cara tem culhões.

— Achei que teria que entrar lá e trazes as duas moças a força para fora — falou assim que estávamos perto o suficiente, soltando a fumaça do cigarro para o lado.- Queriam ver a velha chorar por mais tempo ?

Sorri fraco balançando a cabeça com a falta de sensibilidade dele. Era a característica preferida de seus subordinados, e eu nunca fui tão sarcástica quanto agora. Mas o que eu mais gostava nele e em Stephen era o fato de ambos me verem como um dos caras.

— Qual a bomba da vez Sullivan ? — Stephen cruzou os braços ao meu lado apertando os lábios em uma linha fina.

— Tenho mais um caso para vocês. — indicou a saída para a rua com a cabeça.

Seguimos em silêncio pelo curto corredor até a porta de saída onde vários jornalistas e civis esperavam pelo termino do julgamento. A polícia fazia um cordão humano impedindo a passagem das pessoas pelas escadas até que chegassem a porta de acesso.

O caso do " Vampiro de D.C" tinha ganhado repercussão nacional depois dele matar e drenar o sangue de uma atriz de um programa adolescente.
Wilton MacGive ficou por anos fazendo vitaminas no anonimato, até escorregar e cair em nossas mãos. Ele costumava drenar o sangue de suas vítimas até a morte e abandonar o corpo em uma lata de lixo qualquer pela cidade. Nunca foi descoberto, até cometer o erro e tentar levar uma mulher mais forte que ele por puro capricho. Ela tinha uma descrição, e nós formos atrás. Conseguimos provar a autoria por parte dele de nove dos dezessete assassinatos que tínhamos,o que já era suficiente para deixa — lo apodrecer em uma cela pelo resto da vida. Provar a autoria das outras oito mortes não era mais algo da nossa alçada, quem se encarregaria disso era a promotoria e o Departamento de Investigação.

Stephen e eu não precisamos mais estar aqui, já havíamos dado nossos depoimentos semana passada e fomos dispensados pelo promotor, mas nos sentimos no dever de acompanhar o caso até o seu desfecho final. Era como encerrar um ciclo.

— Parecem abutres, não acham ? — Paul perguntou olhando para as pessoas que gritavam à porta do tribunal e tentavam a todo custo passar pela barreira policial. Alguns foram presos por portarem pedras, porretes e em casos extremos, armas de fogo*.

— Eles o matariam com as próprias mãos se pudessem. — constatei olhando a multidão.

— São hipócritas. — Paul tragou mais uma vez o cigarro — Se sensibilizaram apenas quando a loirinha famosa foi a vítima, as outras garotas tinham tanta importância quanto o lixo que eles tiram se suas casas pela manhã.

Parece algo duro de se dizer, mas era a verdade. Trabalhe lidando diretamente com o horror humano e vai perceber que nem sempre é preciso ser um psicopata para ser cruel. Basta agir como seres humanos agem por natureza : cuidando apenas de si próprios e escolhendo quais causas merecem sua atenção priorizando sempre os benefícios próprios que iram trazer. Triste, porém real.

— E quer que nós os prendamos por crueldade? — Stephen perguntou arqueando uma de suas sobrancelhas em sua melhor cara de sarcasmo.

— Não. Seria bom, mas não é isso. — ele tragou o cigarro pela última vez o jogando no chão e pisando logo em seguida. Mantenha a cidade limpa também não parecia ser um dos lemas de Sullivan — É um caso de um amigo meu. Um lunático está matando gente no distrito dele e ele não sabe o que fazer, me pediu ajuda para umas das minhas equipes irem até lá dar uma olhada na situação.

— E vai mandar nós dois ?- perguntei incrédula. Paul não era de enviar suas equipes em casos pequenos. Segundo ele, era desperdício de pessoal.

— Sim, mas só os dois. O resto da equipe de vocês fica, se acharem que precisam deles lá, eles irão. — deu de ombros indiferente enquanto balançava sua maleta preta — Floyd é meu amigo a anos, então não custa nada mandar meus melhores homens pra lá.

Stephen e eu trocamos um olhar que dizia o mesmo " Isso só pode dar em merda, e das grandes".

— Tudo bem, e qual é o caso ? — perguntei suspirando.

— Quatro vítimas foram encontradas do mesmo modo — ele abriu sua maleta e entregou uma pasta de cor caramelo para casa um — Mortas por um método nada convencional ou "normal" — fez aspas com os dedos — Se é que me entendem.

— Lobotomia? — Stephen leu o que estava escrito — É sério? Lobotomia ?

— Como eu disse, nada convencional. Por isso Floyd me ligou, quando a quarta vítima apareceu eles se deram conta de que não estavam lidando com um caso comum — uma crise de tosse o fez fazer uma pausa — Alguém está fazendo isso, é óbvio, mas os homens dele não tem nem idéia de por onde começar.

— Nós vamos. — falei convicta olhando para os papéis.

— Isso é ótimo, você vai gostar de voltar às raízes. — não precisei olhar para saber que ele sorria.

— O que quer dizer ? — ergui a cabeça da pasta em minhas mãos a tempo de ver o sorriso dele aumentar. Eu quase consideraria um sorriso sincero , se não o conhecesse.

— Vocês vão para a Pensilvânia, mais especificamente para a Philadelphia ,Stewart. Voltar às raízes não é? — perguntou sarcástico.

Encarei ele incrédula e sabia que Stephen nos olhava sem entender nada, enquanto eu mudava minha expressão de surpresa para furiosa.

— Só pode estar de brincadeira Sullivan! — aumentei o tom de voz estendendo a pasta para ele — Eu não vou, escolha outra equipe.

— Você não entendeu Nina. Não perguntei se você queria ir, eu mandei. Não é como se tivesse escolha.

— Alguém pode me explicar que merda está acontecendo? — Stephen interrompeu nossa troca de olhares — Porque você está desistindo ?

Ele não sabia, Paul sim. Nunca contei a Stephen nada sobre meu passado, nem o motivo pelo qual eu não via meu pai a quase oito anos e porque só nos falávamos por telefone. Mas Paul por ser meu mentor, sabia até mais do que deveria e eu tinha certeza que ele estava fazendo isso de propósito.

— Você vai ir Stewart, vai resolver esse caso e depois voltar para casa e eu não quero ouvir reclamações — Paul ajeitou a gravata e puxou as golas do casaco — Façam as malas, você saem logo pela manhã.

Ele se virou e desceu as escadas sem se despedir, mostrando o distintivo ao policial passou pela multidão até entrar em seu carro, mas não sem antes olhar novamente para onde eu estava parada com meu parceiro furioso ao meu lado que não estava entendendo nada do que havia acontecido ali.

— Eu vou querer uma explicação — falou me chamando atenção -Pode não ser agora, mas eu vou querer.

— Outra hora Stephen — suspirei massageando as têmporas — Agora eu preciso ir fazer minhas malas. A gente se vê amanhã.

Não esperei ele responder e sai dali o mais rápido que consegui. Eu teria que voltar, e não tinha nada que eu pudesse fazer quanto a isso. Olhei para a pasta dentro do carro e o nome Chestnut Hill em negrito me fez morder as bochechas para não gritar de raiva. Sete anos depois eu teria que voltar. O que me consolava era que eu não teria que encarar ninguém, talvez só meu pai. O que já era um grande problema.

* Em Washington D.C o porte de armas é legalizado, porém, se o cidadão portar armas em manifestações ou em situação que a polícia considere suspeita ele pode ser detido para dar as devidas explicações.