Case 128
12 Seu eterno amado
Notas iniciais
" Acabamos de ser informados que houve mais um assassinato que ocorreu de forma brutal. O corpo de Patrick Johnson, de apenas 21 anos, foi achado em um galpão perto do Brooklin. Algumas testemunhas que trabalham em uma loja em frente disseram que viram um homem de aproximadamente 20 anos, de estatura média e cabelos loiros deixar o local ás pressas." dizia a mulher do telejornal. Todos da sala, que era bastante ampla e aberta estavam pasmos. Diversos pensamentos passavam na cabeça de todos. " O corpo apresenta marcas de tortura e possui algumas partes, como o braço e a perna esquerdos em carne viva". Porque eles não viraram que esses assassinatos estavam na TV? Como Andie e Stewie pegaram o caso em uma sala trancada, sendo que o caso ainda estava aberto? Porque o caso estava em uma sala fechada? " Já houveram outras vítimas desse assassino. Pelo menos uma mulher e três homens já foram encontrados, fora dois agentes da polícia. Mais agentes se encontram no caso atualmente, mas não temos maiores informações." Stewie estava boquiaberto. Como um mero jornal sabia de tanta coisa? Haveriam algumas demissões dali pra frente. "Então é isso, pessoal! Várias pessoas entraram em luto pelas vítimas e pelos familiares. De acordo com nossas fontes, esse foi o primeiro assassinato depois da madrugada. Uma boa tarde para vocês."
O escritório parou por alguns segundos. Nem a respiração se ouvia por lá.
– Stewie, chame todos os policias disponíveis para aqui agora. — disse Andie calmamente, fixada na tela da TV.
– Eu não vou fazer o que você man...
– AGORA, STEWART! — gritou Andie. Belle, que estava atrás da moça, levou um susto.
Stewart saiu da sala batendo o pé e foi até sua sala ligar para o setor dos policiais. Passados uns dez minutos, haviam quase 20 policiais na sala.
– É o seguinte, gente. — disse Andie se apoiando com as mãos na mesa. — Quero que vocês falem com os seus superiores e quero pelo menos uma viatura com dois guardas cada em todos os galpões da cidade.
Os policias a olharam como se fosse louca. Seria muito difícil pegar o tempo de vários policiais para apenas um caso.
– De acordo com esse site, existem 23 galpões em N.Y. e entorno da cidade. O assassino já usou cinco, então o policiamento desses pode ser menor. — falou Belle, olhando para seu celular.
– Andressa, sinto muito, mas não podemos fazer isso. Serão muitos policiais para só um caso. Nós podemos patrulhar de madrugada, mas teremos que ser pagos hora extra. — resmungou um policial, que já tinha conversado com a menina.
– Ah, é mesmo? Só precisamos de 50 policiais. No máximo! A cidade tem mais de 300! Deixem de chatice e vão logo! Eu pago um almoço por dia para vocês! — responder Stewart, que queria muito sair daquela sala. Queria ir trabalhar em campo.
Os policiais saíram do espaço, até que só ficaram os estagiários, os três e Gordon.
Gordon encarou Andie. Seus olhos pareciam penetrar na alma da morena. Pelo que ela entendeu, ele queria conversar.
– Stewie, vai lá na sala e pega o endereço do menino que foi morto, por favor. Nós vamos para lá agora. — disse Andie.
Stewie se levantou da cadeira em que estava sentado e puxou Belle pelo braço até a sala. Andie pode ver Belle ficar vermelha. Ela quase riu. So que não.
" Finalmente o Patrick morreu. Agora, faltam poucos. Minha nova família está quase completa. Meu desejo por Andie está me irritando. Ver ela entrando no prédio com seus All Stars e a blusa de frio verde me deixaram hipnotizado. Que maravilha. Stewart estava com uma arma na mão. Sendo canhoto, não é bom atirador. Belle está com a mesma roupa. Ela chegou um pouco antes dos dois de taxi. Se não fosse psicopata, eu seria investigador. Sinto que levo jeito para as coisas. Katie voltou ao apartamento. A achei indo para a farmácia antes do meio dia. Óculos escuros. Cabelo preso. Roupas confortáveis, mas elegantes. Eu também poderia ser estilista. Ah! Vejo que os três estão saindo agora do prédio. Os observo de longe. Arranco o carro. Esperarei no mínimo três dias para matar mais alguém. Quero atuar na área da casa de Andie. Eu já estava procurando um apartamento. Tem um vago no prédio vizinho a Andie. Boas notícias".
– AI JESUS! AUMENTA ESSA MÚSICA, STEWART! — gritou Belle do banco de trás, enquanto os três estavam parados no sinal.
–CALMA MENINA! — respondeu o mais velho, aumentando o volume.
– Let me tell you all the story about a mouse name DeLorry
Yeah, DeLorry was a mouse in a big brown house
She called herself the hoe, with the money money flow
But fuck that little mouse cuz I'm an Albatraoz! — Belle cantava, enquanto Andie e Stewie riam.
– Você é um pássaro que vive no mar, Belle? — perguntou Andie, em meio a cantoria da amiga.
– Sou! E odeio uma tal de DeLorry! — disse Belle, fazendo cara de poderosa (a.k.a riKa).
A casa do menino era do outro lado da cidade. Estava transito, ou seja, demorariam 45 minutos para chegar. Já eram 17h30. As luzes da Time Square começavam a brilhar. Os painéis ficavam ligados o dia todo, mas era agora em que se dava para ver direito. Era um dos lugares favoritos de Andie em toda a cidade.
– Vocês duas já perceberam que nós estamos muito animados e alegres em meio a uma busca de um assassino psicopata que já matou dois colegas?
– Er... Mas nós temos que nos manter alegres. Se ficáramos deprimidos, não conseguiremos fazer nada! — disse Belle, tentando abaixar os cabelos que voavam com o vento. Andie apenas revirou os olhos. Belle era muito infantil.
O transito não andava. Stewie estava começando a ficar impaciente. Queria chegar antes das 18h na casa do menino, pois depois daí os pais dele poderiam achar ruim.
– Belle, fala o que você achou sobre o menino. — falou Stewie, tentando acelerar o carro.
– Ah! Ele chamava Jonathan Fall e tinha dez anos. Loiro e magrela. De acordo com o perfil dele em uma rede social, os colegas o odiavam. Que horror! Ele ganhou um concurso de soletração. — disse Belle, olhando para o celular.
– Temos mais uma coisa em comum com as vítimas. Todas são campeãs de algo. Agora temos algumas pistas... O psicopata é loiro e gosta de concursos. Doido.- disse Andie, olhando o tráfico da janela.
Passados dez minutos, os três chegaram em uma rua pacata com casas brancas e vasos de flores. Havia uma mulher passeando com o cachorro, outra molhando o jardim e um homem apenas de cueca aparando a grama. Como Nova York podia ser tão calma assim?
– Número 501, Número 507, Núme... Ah! Aqui! Chegamos, casa número 513. — falou Stewie estacionando o carro. A casa era bonita e bem cuidada.
Antes mesmo que Belle pudesse bater na porta, uma moça a abriu. Ela era baixinha, loira e fofinha.
– Olá! Quem são vocês? — falou a moça.
– Eu e meu colega aqui somos do Departamento de Delegacia. Ela é médica, mas está nos ajudando. Eu sou Andie, ele é Stewart e ela é Belle.
– Oi! Eu sou a Jess! Devem estar aqui por causa do meu filho! Podem entrar. — disse Jess, adentrando a casa.
Os três entraram na casa. Era uma casa pequena, mas bem arrumada. Stewart sentou em uma poltrona, Belle sentou em uma cadeira e Andie apenas ficou de pé.
– Primeiro de tudo, eu realmente estou muito triste por causa do meu filho... Jonathan era tudo para mim! Segundo, eu sou enfermeira e o que aconteceu no seu pé, Andie? — falou Jess, de uma forma triste.
– Ah, a mãe das outras vítimas jogou um vaso de vidro em mim.
– Coitada! Se continuar assim, vai infeccionar! Vou fazer um curativo decente!
Jess se levantou do sofá e foi andando até uma escada.
Os três se olharam, mas não falaram nada. Jess voltou com uma pequena caixinha e levantou a perna esquerda de Andie, começando a fazer os curativos. Andie pensava em outras coisas, então não sentiu a cola do curativos sendo arrancada brutalmente de sua perna. Ela ainda sangrava um pouco...
– Jess, você sabe porque seu filho foi assassinado? — perguntou Belle, quebrando o silêncio.
– Não... Ele era um ótimo menino! Não fazia mal a ninguém. Pelo que eu soube, o assassino é loiro e gosta de matar ganhadores de concursos... — disse Jess, arrancando o penúltimo Band-Aid.
– Ah claro! Isso nós sabemos....
Jess se levantou, limpou o rosto com a manga de sua blusa e foi até a cozinha. Stewart a seguiu.
" Que casa fofa. Parece uma casa de boneca, com um jardinzinho verde! A dona também é bonita, mas está sempre de mal-humor. Já passei aqui antes... Tenho que sair daqui rápido. Já é a terceira vez que Andie olha para meu carro. Devo parecer suspeito. Tenho que me mudar amanhã de manhã! Vou morar do lado de uma menina que adora verde, tem 19 anos (quase 20, faltam 2 semanas), que tem um namorado safado e um companheiro idiota. Adivinharam? Sim, eu achei um apartamento do lado de Andie. Minha casa está caindo aos pedaços. Há muito sangue, muitos pedaços de pele. Estão deteriorando. Além disso, eu gostaria de saber um pouco mais do que eu sei sobre Andie. Quem sabe, eu encontro com ela amanhã?! Termino minha carta aqui. Sei que nunca será entregue a você, Andressa. Não te troquei por uma Andressa mais nova, não! Só quero falar mais com ela, já que essa carta não será entregue. Com sangue e peles, Alex, seu eterno amado."
Andie entrou no carro com suasduas canelas enfaixadas.
– Stewie, me deixa em casa, por favor. Vou dormir lá hoje. — falou Andie, arrumando os cabelos. A conversa com Jess havia sido ótima. Ela ajudou muito! Informações inéditas, que seriam investigadas no outro dia.
– Ok... Vou dormir com a Kathy hoje. Ela precisa de mim. Amanhã nós vamos juntar todas as informações! Quer carona, Belle? — disse Stewie, fechando sua porta.
– Não, obrigada! Eu moro aqui perto! Até amanhã, vocês dois. — resmungou Belle, descendo a rua pacata.
Já eram mais ou menos 19h. Stewie acelerou o carro. Colocou uma música dos Fall Out Boys e foi andando. Após uns 12 minutos, passaram pela casa de Andie.
– Stewie, a gente passou... STEWIE! TA ME OUVINDO?? MINHA CASA É LÁ! — gritou Andie.
– Calma... Vou te levar para jantar junto com a Kathy.
– AH MAS NÃO VAI! EU QUERO DORMIR, POXA! A KATHY NEM PRONTA DEVE ESTAR! — continuou Andie.
– Cala a boca que a gente já ta chegando.
10 minutos depois, os dois pararam em frente ao "apartamento" de Kathy.Ela poderia ficar lá mais quinze dias.
Stewie interfonou para a mais nova, que em pouco tempo já havia descido. Ela estava com um vestido lindo e estava maravilhosa, com o cabelo meio cacheado. Era Stewie versão mulher.
Andie sentiu-se constrangida. Ela estava com um tênis branco (com manchas de sangue) e um casaco bem barato, acompanhado de um short jeans. Stewie estava pior. Sua camisa estava COMPLETAMENTE amarrotada e um dos lados de seu suspensório havia soltado. Seus joelhos estavam sujos de terra sobre a calça. Kathy riu e entrou no carro.
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Já eram 21h30 quando os três saíram do restaurante, que não estava muito cheio. Stewie deixou Andie na porta de sua casa e foi embora. Eles se encontrariam amanhã ás 8h30 para revisarem tudo e conversarem com policiais. Stewie beijou Andie na bochecha e acelerou. Andie pegou a chave e entrou. Seu quarto estava uma bagunça! Apenas largou a bolsa no chão e se jogou na cama, tirando os tênis com os próprios pés. Foi difícil, mas a preguiça não tem limites!
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"Levanta logo porra"
Dizia a tela do celular de Andie. O alarme tocava bem alto, mas a menina fingia que não escutava. Queria dormir mais alguns minutos. Quem sabe horas...
Finalmente olhou a tela bloqueada e voou da cama. 8h20.
Andie pegou a primeira roupa que viu no armário e amarrou seus coturnos, descendo a escada que nem uma doida. Iria ter que correr para chegar em tempo. Desceu as escadas em uma velocidade assustadora, pegou sua carteira e abriu a porta. Virou a rua para a direita e quando foi realmente começar a correr deu de cara em algumas caixas de papelão. Foi um mini voo de encontro ao chão. Levantou e passou a mão na roupa, xingando a pessoa que havia deixado a maldita caixa no meio da rua. Quando virou para continuar o caminho, foi impedida por um homem loiro, de estatura média e óculos escuros.
– Me desculpe! Tenho tanta coisa para colocar na casa que deixei essa caixa na rua! Machucou? — perguntou o homem.
– Não, estou bem! Novo por aqui, né? — perguntou Andie, percebendo que ainda segurava o braço do rapaz. Largou na hora. — Olha, eu realmente tenho que ir, estou super atrasada! Depois a gente conversa, ok?!
– Ah claro! Me passa seu telefone então! — falou o homem.
– Aqui! — falou Andie, esticando um cartãozinho que havia tirado de dentro da sua bolsa. — Ah! Esqueci de perguntar seu nome! Eu sou Andie, prazer!
– Eu sou Alex, igualmente.
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