Casca Temporária

7 Capítulo 7 – Silêncio


Desculpe-me, leitor. Embora eu quisesse lhe narrar algo novo, minha casca frustou-me, impondo a mim e a si mesmo o silêncio.

Quão tedioso é o silêncio quando nada além de calar se pode fazer. Ah, o silêncio!

O silêncio é uma fera contida, uma besta indomada pertencente aos homens. A agonia que se faz alastra o peito, corrói as ideias e mata o indivíduo dolorosamente, lentamente. A falta de voz entristece o ser, assassina a alma que se almeja possuir.

Uma pena... O silêncio é um veneno que o homem toma por vontade própria, um mal horrendo e devastador que é aceito de bom grado, convidado a entrar, nunca intruso. Acho, pelo que já tanto observei, que o silêncio é a loucura de um ser aprisionado e torturado, a derrota daqueles que possuem suas vontades suprimidas.

Enfim, ele nada mais é do que o suicídio mais tolo que a raça humana pode escolher para si. E é por isso que desgosto tanto de tal monotonia, para um ser eterno como eu, assistir a esse tipo de morte é nada inovador, nada interessante, nada desafiador.

Não me julgue equivocadamente, como sei que sempre faz, se ainda não teve a oportunidade de assistir alguma autodestruição de perto, não pode levantar a voz para mim. Cale-se. Só os que já viram semelhante mímica é que compreendem que embora muito curiosa, a autodestruição nos leva a odiar o ser fraco a se corroer.

Enfureço-me, portanto! Ah, leitor, não tem noção do quão pesados são meus passos, indo e vindo dentro da mente dessa casca que me obriga a engolir as palavras e ainda força-me a ouvir o nada. E tudo isso por aquelas poucas palavras que me dissera anteriormente... Ora essa!

Afunde-se então! Afogue-se nesse silêncio! E eu que esperava ter tempo o suficiente para assistir a algo melhor do que isso... Uma pena, porém finalizo esse capítulo já aqui, impondo a você também, caro leitor, o maldito silêncio. Até.