Casanova
1 I tried to tell you...
Notas iniciais
Boa leitura!
- Você ainda está esperando ele ligar? – a voz suave e levemente irritada de meu melhor amigo, TaeMin, soou pelo meu quarto, me tirando de meus pensamentos me trazendo voltando à dura realidade.
- Ele tem que me ligar. Ele me prometeu! – eu já não tinha mais tanta certeza do que estava falando. Algo bem dentro de mim, lá no fundo, dizia que não havia o porquê esperar. A esperança tinha morrido há muito tempo.
A razão e o coração se contradiziam. Meu corpo reagia automaticamente.
- Desista Key, e vá descansar. Conheço meu irmão melhor do que você – TaeMin disse apreensivamente, tocando meu joelho. Levantei meus olhos para encará-lo com seriedade e medo. Seus olhos castanhos perfuraram minha alma e todas as lágrimas até então presas, começaram a rolar pelas minhas bochechas, a criar um nó em minha garganta.
- Mas Tae... Ele me disse que não há ninguém além de mim... Que sou o único para ele – e então, as palavras morreram na minha boca. TaeMin tinha apertado seus olhos enquanto eu falava.
Tenho certeza que, para ele, eu estava falando o maior dos absurdos existentes.
- Desculpa, mas você nunca será único para MinHo – xeque-mate. O tom de sua voz soou venenoso aos meus ouvidos, sua frase me atingiu em cheio, aumentando a intensidade de meu choro.
Eu não queria acreditar que era verdade. Nua e crua.
Eu sabia desde o começo que só iria me machucar ao me envolver com MinHo. Mas meu coração pediu para ir afundo nesta história...
- Ele nunca te amou como disse. Você é só mais um brinquedinho nas mãos dele, KiBum – ele suspirou, escolhendo entre continuar ou não. – Nada, além disso.
TaeMin abaixou os olhos, temendo uma explosão vinda de mim, como tantas outras vezes eu fizera. Mas não. Preferi afundar-me em minhas próprias lágrimas, na minha própria desgraça e ingenuidade.
- Ele me parecia tão verdadeiro... – comecei com a voz embargada, num sussurro estrangulado. Funguei sei lá quantas vezes, tentando me controlar. – Quando me tocava, me beijava... Quando... – mais uma vez, a onda de lágrimas me arrebatou, me impedindo de continuar.
- O MinHo nunca foi e nunca será homem de uma pessoa só. Infelizmente, esta é a verdade – TaeMin voltou a me encarar e estendeu seu braço em minha direção, convidando-me para um abraço acolhedor. E assim o fiz. – Esta é a verdade que lhe devolvam tudo na mesma moeda... – pude sentir seu peito magro subir e descer lentamente; um suspiro.
- Eu deveria ter te escutado desde o início, Minnie – confessei ainda o abraçando, com medo de fixar em seus olhos tão de perto. – Eu deveria ter te escutado... E nada disso estaria acontecendo.
- Você não tem culpa, Key. Você apenas seguiu seu coração – ele tentou me reconfortar ao acariciar meu cabelo de forma quase hipnótica. – Mesmo sabendo que meu irmão é um canalha de primeira classe. Mesmo sabendo que poderia acabar se machucando com esta história.
Mais uma vez, ele tinha razão. Agora, eu teria que levar como uma lição para toda a vida e aprender com este erro a ser mais forte.
Levantei minha cabeça e pedi, silenciosamente, por ajuda. Eu queria que TaeMin estivesse junto a mim nesta nova fase de minha vida, como todas as vezes; me apoiando e sendo o melhor amigo que alguém poderia pedir.
O sorriso dele valeu muito mais que meras palavras.
- Obrigado Minnie. Obrigado – o abracei sentidamente, apertando-o em meus braços, sendo retribuída.
- Sei que vai ser difícil esquecê-lo e esquecer tudo o que vocês passaram, mesmo sendo mentira, mas nós sempre temos que dar o primeiro passo – disse, ao separar-se de mim e me segurar pelos ombros. – E eu, como seu fiel amigo, vou estar ao seu lado. Meu irmãzinho – e beijou a ponta do meu nariz, fazendo-me franzir o cenho.
Minha luta para esquecer Choi MinHo seria dura e me renderia dias sombrios, de sofrimentos, mas eu estou disposta a encarar tudo e a todos, eu seria forte e iria me recuperar, estaria pronta para vencer a guerra contra meu coração e estabelecer um equilíbrio.
Meus erros iriam ser pagos e iriam me perseguir. Mas, um dia, seria apenas uma triste lembrança.
O dia em que eu me apaixonei perdidamente pelo Casanova.
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