Betty era esperta por demais. Com passos rápidos, despistou o desespero de Freddy e empurrou a porta de madeira, entrando com tudo na cabana-escola. Mas, ave maria... teria sido tão melhor para o seu pobre coração não ser tão curiosa.

Ao invés de cadernos e giz, o que ela encontrou no meio da sala foi o cenário mais constrangedor de Quindío. Armando e a loira Karina estavam fazendo sexo selvagem bem na cadeira de vime dele. A professora estava sentada de pernas bem abertas, com a saia justa levantada sobre os quadris, e Armando de calças arriadas até os joelhos. Os dois gemiam alto na penumbra do galpão.

— Ah!... Agora eu entendi perfeitamente porque você não queria que eu entrasse, Freddy! — disparou Betty, com a voz firme, embora o chão parecesse sumir sob os seus pés.

— Betty?! — Armando travou no susto e vergonha de ser exposto perante ela.

Ainda bem que fui eu quem entrou por essa porta... e não uma das crianças da colheita antes da aula!

No susto do flagrante, Armando empurrou Karina para o lado com tanta força que a loira quase caiu no chão. A professora levantou-se às pressas, vermelha de raiva, tentando arrumar os cabelos caídos e ajeitar a blusa, enquanto Armando apenas puxava as calças jeans para cima com as mãos trêmulas.

Confiando na certeza de que a filha de Seu Hermes continuava a mesma menina inocente e ingênua da infância, Armando tentou consertar a sujeira disparando a desculpa mais esfarrapada do mundo:

— Nós... nós estávamos apenas passando o planejamento do plano de aula, Betty!

— É mesmo? Eu não sabia que o currículo do colégio dos peões também incluía aulas práticas de sexo barato e prostituição nesta fazenda! — rebateu ela, destilando um veneno digno dos cachacos da Capital.

Betty abaixou-se e recolheu os livros de pedagogia que haviam caído de suas mãos ao ver o seu amado naquela posição tão humilhante com a colega de trabalho.

— Ora essa, menina! Mas que garota mais abusada e mal-educada! — gritou Karina, terminando de abotoar a saia com fúria.

— Sou sim, professora! Sou mui abusada! Mas ser mal-educada é bem melhor do que ser uma mulher ordinária e safada como a senhorita! — Betty cuspiu as palavras na cara da loira. — Passem mui bem os dois!

Betty virou as costas, bateu a porta da cabana com violência e desceu o pátio de terra correndo, enquanto as primeiras lágrimas de humilhação e ciúmes começavam a escorrer de seus olhos de café.

Lá dentro, o inferno desabou.

— Betty! Betty, espere! — gritou Armando, tentando abotoar o cinto de pressa. — Diabo, Freddy! Eu te disse mil vezes para não deixar vivente nenhum botar os pés aqui dentro! E isto incluía a Betty, caramba!

— Perdão, mas desculpe-me, Don Armando! — Freddy ergueu as mãos, com o sombrero na mão, suando frio. — Mas o senhor não conhece essa mocinha quando quer alguma coisa! A filha do Seu Hermes não é mais uma menina de rédeas, ela virou um verdadeiro furacão de cachaca!

— Você é que é um molenga, um frouxo, Freddy! — esbravejou o patrão, bufando de ódio. — Valha-me Deus, imagina só que tipo de porcaria aquela menina deve estar pensando de mim agora!

— O senhor quer mesmo que eu diga em voz alta, patrãozinho?

— SAIA DAQUI DA MINHA FRENTE AGORA MESMO, FREDDY!

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Betty corria a pé pela trilha de terra em direção ao casarão principal, afogando-se em prantos. Não era a primeira vez que presenciava as safadezas dele. Desde que se tornara adolescente, ela já o havia flagrado se beijando com outras mulheres pelos cantos dos estábulos, e na sua mente romântica, fechava os olhos e se imaginava no lugar daquelas camponesas, sendo desejada por ele. Sabia também que ele costumava tomar banho nu no rio com as filhas dos fazendeiros ricos — de um jeito mui diferente e malicioso daquele banho inocente que tomava com ela na infância.

Mas aquela situação na cabana era diferente e cortante. Ali era a escola. Lá dentro, ele era o diretor, parecia um homem tão sério, tão fidalgo com os seus óculos de leitura... Não era possível que o Armando passasse todas as saias daquela região por sua cama, até a sonsa da professora Karina!

"Será que ele leva todas as mulheres para.. para...? Será que todas as fêmeas de Quindío são amantes dele, tirando as crianças e eu?", pensava ela, com o peito subindo e descendo com força. "Por que só eu não tenho esse privilégio de ser tocada por ele?"

O pior de tudo era que Betty sentia o corpo suado por baixo do vestido, e a sua mente instruída sabia muito bem que aquele calor não era por conta de ter corrido na estrada de terra. Ela estava excitada. Com muita raiva, com o coração partido, mas o seu corpo de mulher queimava de desejo pelo pecado que vira.

— Que raiva, Beatriz! Por que você aceitou voltar para esta maldita Fazenda Laços? — esbravejou ela para o vento, limpando o rosto com fúria. — Para desejar e sofrer de novo por este Armando Mendoza, um safado de marca maior!

Como estava a pé e de saltos, Betty foi facilmente alcançada pelo jipe de Armando bem na porta de entrada da casa principal dos Mendoza. O caubói saltou do veículo antes mesmo de o motor parar.

— Beatriz! Pare! Precisamos conversar de homem para mulher!

— Eu não tenho absolutamente nada para conversar contigo, Armando! Saia do meu caminho!

— O que você viu lá na cabana... bem, não era... na verdade, era sim! — ele passou a mão pelo cabelo, frustrado com a própria fraqueza de macho. — Me perdoe pelo espetáculo horroroso que você viu, Betty. Eu me sinto um lixo.

— Eu não sabia que o senhor também usava os bancos das crianças da escola para as suas conquistas. Que nojo! O senhor também fazia essas nojeiras com a antiga professora, a Dona Sofia?

— Mas o que é isso, Betty?! Ficou maluca de vez? — Armando arregalou os olhos, ofendido. — Como pode pensar uma porcaria dessas de mim? A Dona Sofia é uma senhora respeitável, é como se fosse minha tia!

— Ah, entendi! Então o patrãozinho só pega as professoras novinhas e de calça colada?

— Beatriz! É sério, escute o que estou te dizendo, eu estou realmente triste com o que houve! A verdade nua e crua é que eu nunca, jamais fiz esse tipo de safadeza dentro da escola!

— Quer mesmo que eu acredite nesse papinho, Armando?

— Nunca mesmo, eu te juro pela honra do meu pai! O que acontece é que... — Armando olhou para os lados e resolveu confessar a verdade sobre a loira para acalmar a menina. — Eu tenho um caso antigo com a Karina, sim, não vou mentir. Coisa de carne, nada sério. Mas hoje... hoje a Karina me armou uma armadilha, Betty!

— Uma armadilha? Ojojo! Conta outra!

— É a verdade! Ela estava chorosa na mesa, dizendo que eu não ligava mais para ela, reclamando que eu só dava atenção para a escola e para a minha noiva Marcela. E quando eu fui dar um abraço de amigo para acalmá-la, ela me puxou pelo pescoço, me beijou daquele jeito... e o sangue de homem falou mais alto. Foi mais forte que eu, Betty! Você não pode entender essas coisas de pele... você ainda é muito menina para entender a fraqueza de um homem feito!

Aquilo foi a gota d'água para o orgulho de Betty. Ela parou e o encarou com fúria.

— O senhor pensa que eu sou uma sonsa que não sabe de nada, não é? Pois fique sabendo que eu sei muitas coisas sobre o corpo de um homem e de uma mulher!

Armando arregalou os olhos, chocado com a ousadia da resposta.

— Eu posso não saber na prática, mas eu sei perfeitamente bem o que acontece quando um homem e uma mulher se encontram na penumbra de um quarto!

— Ainda bem... — Armando soltou o ar, aliviado, tentando manter a pose de protetor. — Imagina só... você é uma moça pura ainda, e a doida da Karina estava morrendo de ciúmes de ver você dividindo a lousa comigo. Mas fique tranquila, Betty. Ao contrário do que a sua cabeça está inventando, eu jamais toquei em nenhuma das minhas alunas! Aquelas adolescentes são como minhas primas, são meninas puras... são exatamente como você na minha vida, Betty! Você é como uma irmãzinha para mim!

Betty sentiu o estômago revirar de tanta raiva e decepção com aquela declaração de "irmã". Tomada por uma força que nem sabia que tinha, ela deu um empurrão violento no peito musculoso de Armando, fazendo o caubói cambalear para trás no cascalho. Ela correu para dentro do casarão, subiu os degraus e se trancou no quarto de cima (o antigo de Camila), batendo a porta de madeira com um estrondo.

— Beatriz! Abra esta porta! — Armando subiu logo atrás, dando toques firmes na madeira. Vendo que ela se recusava a responder, ele começou a esmurrar o portal com força. — Betty, por favor!

— Mas o que está acontecendo aqui, Armando? — a voz firme de Dona Margarida ecoou do corredor, interrompendo o alvoroço. — Por que você está perturbando o sossego da menina Beatriz desse jeito no quarto da minha filha?

— Eu... eu preciso falar com ela, mamãe! É urgente! — justificou ele, ajeitando o cinto, sem graça.

— Vocês brigaram por acaso? Que coisa mais estranha... Vocês dois nunca, jamais brigaram desde que eram crianças correndo por esta fazenda!

— Não, mãe... não foi briga nenhuma. Foi apenas um mal-entendido técnico da escola, não temos motivo nenhum para brigar de verdade — mentiu Armando, limpando o suor da testa.

— Pois controle os seus modos, Armando. As coisas mudaram por aqui. A Betty não é mais a mesma menininha desajeitada de antes que aceitava as suas ordens de cabeça baixa — avisou a matriarca, séria.

— O que a senhora quer dizer com isso, afinal?

— Quero dizer que ela não é mais uma criança, meu filho. A Beatriz agora é quase uma mulher feita... e tem as suas particularidades, as suas vaidades de cidade grande. Trate-a com o respeito que ela merece!

— Por que todos vocês andam dizendo isso agora? Eu não entendo! — Armando resmungou, cruzando os braços, irritado. — A Beatriz para mim continua sendo exatamente a mesma de sempre. A que sempre foi. A mesma menina pura da infância.

Dona Margarida balançou a cabeça de forma negativa, soltando um suspiro preocupado enquanto caminhava de volta para as escadas. Algo mui sério estava acontecendo entre aqueles dois, e o faro de mãe não falhava.

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