Casamento por obrigação
18 Capítulo 20
Betty sabia que Armando não amava Marcela, apesar de estarem noivos. Não entendia como aquele homem tão legal e maravilhoso podia aceitar aliar-se com a filha mais velha dos Valência. Havia perguntado à sua mãe, mas ela não quis contar tudo.
—Ai filha não deveria perguntar-me estas coisas. Não devíamos nos envolver nestas coisas dos patrões.
—É que não entendo, mamãe. Armando é tão bonzinho, sempre foi gentil, tão diferente desses Valência, esnobes que se acham melhor que todo mundo.
—Ai, filha. Não deveria falar assim deles. Não podemos nos meter com os patrões!
—Primeiro, mamãe! Eu não trabalho na fazenda e se estou fazendo algo aqui é para ajudar vocês! Os patrões são os Mendoza! Dona Margarida, Seu Roberto e o patrãozinho Armando! Os Valência não andam nada aqui.
—Logo, seu Armando vai casar com senhorita Marcela Valência e será dela também! Também será nossa patroa!
—Isto nunca, mamãe!
—Filha, o que está querendo dizer.
—Não me respondeu porque Armando tem que casar com senhorita Marcela.
—Isto é assunto deles. E está proibido de falar disso na fazenda. O fato é que vão se casar!
—Pois eu duvido! Duvido que se case com ela!
—Filha!
—E tenho dito, mamãe! Armando não se casa com senhorita Marcela! -disse cantarolando e saiu da cozinha, quase derrubando seu pai.
—Desculpe, papai.
—Onde vai assim?
— Tenho que ajudar Armandinho a passar as lições. Benção, pai!
—Seu Armando. Quantas vezes preciso falar que devemos chamar o filho dos patrões de Seu Armando?
—Ele não é meu patrão. É meu amigo.
—Está prestes a se casar.
—Tchau, pai.
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—Não sei, não, Júlia! Estou preocupada com esta menina!
—Não há nada para se preocupar! É uma boa menina.
—Eu sei. Mas é muto foguenta. E estes daqui são tão ruins quanto da cidade, não podem ver uma moça de família que querem abusar dela.
Júlia fez o sinal da cruz.
—Seduzem para terem o que querem e depois abandonam.
—Mas nossa filha é esperta! Não cairia na lábia desses tipos!
—Não sei, Júlia! O diabo é porco! E trabalhamos muito, não dá para vigiá-la o tempo todo. Nesta fazenda mesmo há muitos perigos. Freddy e Wilson estão de olho na menina! Já os vi esticando uns olhares!
—Eu vou falar com eles!
—Eu já falei! Mesmo assim não confio. Sabe como a menina é inocente.
—Mas pode ficar sossegado que o patrãozinho não vai deixar ninguém tocar um dedo na menina.
—Isso sei. Patrãozinho muito boa gente. Mas sabe que ele está para casar, não é? E a senhorita Valência não gosta nada que ele fica andando com Beatriz por aí! Nunca gostou!
—Eu sei.
—Por isso que quero propor a Seu Roberto que nos deixe fazer a festa da menina aqui, já que há tempos não passa conosco o aniversário.
—Que maravilha!
—Mas não será uma festa comum.
—Como assim?
—Aguarde.
—______
—Sabe que me dói o que vou dizer, Seu Roberto, mas minha filha está moça, atrai a atenção de muitos rapazes.
—O que é natural, pois voltou muito bonita e está na idade de namorar.
—Eu sei e me dói saber que a menina que outro dia brincava de boneca e já atrai meninos.
—Passei isto com Camila, mas tal como sua filha, eles tinham a proteção de Armando.
—Eu sei, mas seu filho não pode se ocupar o tempo todo de minha filha, ainda mais depois de se casar.
—O que pensa em fazer?
—Vou oferecer a mão de Beatriz Aurora em casamento.
—O quê?
—Isto que ouviu. O rapaz que a quiser terá que provar que a merece, ter bom emprego, posição, cuidar dela, sabe?
—Um casamento arranjado?
—Sim, senhor. Sabe que por mim, Beatriz nunca se casaria, mas já estou velho e entre nós, não tenho o mesmo vigor de antes e preciso que a cuidem. E quem melhor que um marido para fazer isso?
—Acha que ela vai concordar com isso?
—Não vai saber!
—Como?
—Minha filha é muito teimosa e não vai deixar que eu decida, tudo tem que acontecer naturalmente.
—Olha, se eu tivesse outro filho, seria o primeiro a propor que a cortejasse. Beatriz é uma boa moça muito inteligente, está cuidando da escolinha, ajudando a aumentar a produção. Tem uma menina de ouro.
—Eu sei, patrão. Por isto que não pode parar nas mãos de qualquer um!
—Mas já tem um candidato em vista?
—Por isso, proponho esta festa, para que a conheçam. Como é uma moça de hábitos finos e inteligência, pode atrair a atenção de algum moço de bem.
—Certo. Mas pense bem, Hermes, esta coisa de casamento, de casar sua filha à força pode não ser boa ideia. Ela pode ficar revoltada!
—Com todo respeito, patrão, mas creio que não é a pessoa mais indicada. Perdoe-me falar, mas o que se fala pela fazenda é que patrãozinho Armando não quer se casar com a senhorita Marcela.
—Só vou ouvi-lo por ter muita consideração ao senhor e porque sei o que diz o povo. Sim é um casamento arranjado, mas a questão é que Armando e Marcela já namoraram e creio que falta um pouco de decisão da parte dele de assumir que gosta por ter medo ao compromisso. E já está na hora de Armando ter responsabilidade, Marcela gosta dele e tem maturidade para ser a mulher que vai fazê-lo sentar cabeça. Mas sua filha é uma menina ainda!
—Tranquilo, seu Roberto. Sei o que estou fazendo, faremos os Pinzón sempre fizeram: uma festa de apresentação como uma dessas festas de debutantes, mas com a diferença que estará comemorando 18 anos, a maioridade, assim Beatriz possa conhecer rapazes, ser cortejada, depois oficializaremos a corte com um e será um namoro longo, assim como o noivado. Tudo dentro da decência, pois deve chegar pristina ao altar.
Roberto sorri.
—Bem, aos planos!
—Aos planos! -disseram brindando
—___________
Hermes havia colocado aquela ideia em sua cabeça e teimoso como era, ninguém iria tirar, ainda que havia contado com a ajuda de Roberto.
—Patrão, posso falar com o senhor.
—Sim, claro, Hermes, diga.
—Andei pensando em nossa conversa sobre o aniversário de Beatriz Aurora e como é daqui a duas semanas, gostaria sim de dar-lhe uma festa, aqui na fazenda e gostaria, estou com vergonha.
—Ora, não fique, para isso somos bons amigos.
—É que sei dividir as coisas, não misturo amizade com negócios. Os Pinzón nãos e aproveitam das pessoas.
—Diga logo, homem!
—Preciso que me dê permissão para fazer uma festinha para minha filha. Nada demais, algo simples, me perdoe, mas é que 18 anos não se faz todo o dia.
—Não mesmo. Lembra
—Como me esquecer.
—Então, gostaria de fazer esta festinha aqui na fazenda.
—Em casa
—Não, nem mais faltava, penso em fazer na nossa casinha mesmo, com poucas pessoas, os amigos de infância, ela tinha poucos, nós, quem sabe, Catalina e Nicolás, se puderem vir, as tias Pinzón.
—Hum, interessante.
—O senhor permite que faça?
—Claro. Sabe quanto gostamos da menina sua, não?
—Como tios.
—Sim.
—Mas tem outra coisa, desculpa patrão, gostaria de pedir-lhe outra coisa: para a festa, mesmo simples, precisaria de dinheiro. Mas seria um empréstimo.
—De quanto estamos falando?
—Bem...
Tão logo, Roberto comentou com Margarida, a senhora propôs que fizessem na casa grande e deixasse tudo por conta deles.
—É a palavra de Margarita e não podemos com ela.
—Mas não queria isto, senhor Mendoza.
—Assim será! Quanto ao empréstimo, não se preocupe, daremos nós a festa.
—Eu não posso aceitar.
—Ou aceita ou nada poderá ser feito.
—Mas Don Roberto.
—Assim é, Hermes!
Hermes teve que aceitar tudo tal como havia proposto Roberto ou não poderia fazer a festa para sua filha. Deste modo, sendo Margarita que organizou a festa, logicamente, não foi tão simples quanto pensava: não só estavam seus filhos, mas também alguns colegas da vizinhança e também Nicolás e uma das tias Pinzón, já que a mais velha estava doente.
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Margarida e Roberto gostavam de Betty tal como uma sobrinha, assim como Catalina, vez que a menina nasceu na fazenda e sempre foi amiga de seus filhos. Soube que a intenção de Hermes seria apresentar a menina para a sociedade. E o melhor era que fosse feita a festa ali na casa grande. Assim, além das pessoas da fazenda, e de fazendeiros da região, viriam os alunos da escolinha, bem como os peões das fazendas vizinhas, muitos dos quais estavam interessados em saber como estava a feia, outros eram os alunos da escolinha que já arrastavam o bonde pela professorinha. Os Valência também viriam, afinal, era uma festa dos Mendoza e Marcela precisava marcar território. Ao saber da festa, Catallina, que já planejava visitar a afilhada, não poupou esforços para levar a melhor amiga de Betty, Aura Maria, que estava louca para conhecer a fazenda que a amiga falava tanto (sobretudo o caubói, para saber se era tão triple papito como dizia). Michel também queria vir, mas infelizmente, os seus pais haviam vindo da França para vê-lo e não poderia largá-los. Também levaria uma das tia Pinzón, a outra não podia, pois estava cuidando do tio-avô Lázaro, que estava doente.
—Leve e entregue nas mãos da menina esta carta. Prometi que o faria quando completasse 18 anos.
—Mas o que diz?
—Não seja curiosa. Trata-se do segredo mais bem guardado, gostaria de eu mesmo entregar-lhe, mas não tenho condições de fazer esta viagem.
Tia Maria ficou curiosa, mas guardou a carta.
Beatriz iria ter uma grande surpresa com a festa, a visita de Catalina, acompanhada de Aura e a tia. As únicas grandes ausências seriam Camila e Mário, que infelizmente, não se encontravam na Colômbia. A amiga iria gostar de ajudar Beatriz a se arrumar ainda mais bela para a festa. Na impossibilidade, enviou-lhe um belo vestido lilás para usar na festa.
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—Catalina! Aura Maria! Que felicidade encontra-las aqui!
—Viemos para sua festa, mija! E para conhecer o caubói que fala tanto.
—De quem fala, Aura Maria?
—Não sei de quem fala! -disse Betty, envergonhada. Aura Maria era tão indiscreta.
Ao perceber que havia falado besteira, a moça tentou disfarçar.
—Tia Inês!
—Querida! Não me acostumo com este seu novo jeito! Como tem passado? Nos abandonou?
—Não, ojojo! Estou ajudando o projeto da escolinha na fazenda.
—Herrmes deve ter ficado feliz.
—Vamos ajuda-la a se colocar ainda mais bonita! Camila lhe mandou um vestido. -disse Cata
—Ai, Mila me deixa vermelha de vergonha.
Catalina e Aura Maria trataram de fazer Betty entrar no banho, iriam ajuda-la com o cabelo, maquiagem e etc. Tia Inês deixaria para entregar a carta do Tio Lázaro mais tarde quando estivessem só e tranquilas.
Beatriz usava um saltinho, por insistência de Catalina. Não era muito adepta da maquiagem. Preferiu os fios meio-presos. Usava um belo colar com uma pedra brilhante. Até mesmo, Roberto ficou impressionado.
—Está preciosa, minha filha.
—Ah, tio! Ojojo! São seus olhos.
—Espero que possa guardar este momento na memória.
—Com certeza.
—Aproveite.
“Espero que ele me veja assim também. “-pensou Betty
Beatriz não estava acostumada a ver tantos homens cortejando-a e como desconhecia os reais motivos de seu pai com aquela festa, estava muito feliz. Aura Maria não parava de perguntar quem era o caubói Armando por quem babava.
—Não é nenhum desses, Aura Maria. Ele não está.
Armando realmente procurou fazer um monte de trabalhos na fazenda para se desvencilhar de Marcela. Embora quisesse dar um abraço na sua amiga, não gostava nada de saber da ideia de seu Hermes de arrumar um noivo para ela. Era tão menina para já se enganchar e ainda sem ser por amor.
—Como os pais acham que podem decidir com quem vamos passar nossos dias? Seu Hermes é boa pessoa, mas assim como meu pai está errado. Eu pelo menos aproveitei minha vida, mas e Betty?
Ela está fazendo 18 anos, não era justo que não pudesse escolher o homem com quem passaria o resto de sua vida. Que injusto. Lembrou-se de sua própria vida, pois da mesma forma o estavam obrigando a casar. Mas ele, ao menos, tinha aproveitado bastante e ainda continuaria aproveitando por muito tempo, já que Marcela concordava com tudo aquilo não pensava em ser-lhe fiel . Mas Beatriz era uma menina doce e inocente. Apenas se tivesse sorte, seu noivo seria um bom homem e se apaixonaria por ele e se não fosse? Se o tipo fosse um tarado ou um machista que a proibisse de estudar? Não ia permitir que a maltratassem. Don Hermes disse que havia um pretendente, precisava saber quem era, saber o que pretendia com ela.
—Aviso ou não à Beatriz? –pensava.
Sentiu tristeza no coração. Se os rapazes podiam dançar e cotejá-la, ia também dançar com sua amiga e protegê-la de más intenções.
Depois de terminar o trabalho e dar uns amassos, tratou de trocar de roupa e vestir-se adequadamente.
Ao adentrar na festa, encontrou Beatriz trajada em um belo vestido lilás de alcinha. Estava realmente encantadora. Realmente, iria chamar a atenção dos rapazes, sobretudo os pirralhos da escola, que já babavam por ela.
Karina e Marcela não estavam gostando nada daquilo. Para quê uma festa para a filha dos criados?
Armando se preparava para pedir à Betty uma dança.
—Betty!
—Armandinho.
—Ah, finalmente, te encontrei, posso saber onde estava? -perguntou Marcela, pegando-o pelo braço.
Aura Maria aproximou-se.
—Antes que me pergunte. É ele!
—Realmente, é um triplepapito! Mas quem é aquela?
—Infelizmente, a noiva dele!
—Ai, querida.
Betty tratou de continuar dançando, mas não tirava os olhos dos dois. Marcela dava gritos na festa, sob os olhares de Margarida.
Muitos pareciam saber do propósito da festa, assim que Hermes contabilizou dois pedidos que lhe pareceram sérios. Um era de um jovem peão, mas lógico que, apesar de ser peão não queria que sua filha contraísse bodas e levasse a mesma vida que Julia. O outro era de um filho de um fazendeiro bem rico da região. Nunca imaginou que pudesse ter algum interesse em sua menina. Lógico que não havia proposto casamento, apenas para cortejá-la. Admite que tal pessoa nunca lhe havia caído bem, era metido, esnobe e sempre tirou sarro de sua filha, mas de todos que dançaram com ela, parecia a melhor opção. As pessoas podiam mudar.
—Prometo que pensarei no assunto.
O homem não gostou da resposta. Quem o velho pensava quem era para responder desse jeito? Deveria aceitar na hora. Era rico, bonito, Beatriz não arrumaria coisa melhor naquele lugar.
—________
Estava cansada de dançar. Precisava tirar aqueles sapatos e aquela cadeira no fundo da casa era o lugar certo para sentar.
—Ufa!
—Boa noite! Vejo que está muito requisitada esta noite.
—Armando.
—Vejo que dançar com muitos, mas não com seu melhor amigo. Se é que ainda sou.
—Sempre será!
—Me concede esta valsa?
—Se não se importar de que esteja descalça, não aguento estes sapatos.
—De forma alguma.
—Você também não pôde estar comigo.
—Desculpe-me, Marcela me perseguiu a noite inteira.
—E antes? Não o vi o dia inteiro.
—Desculpe-me, muito trabalho, mesmo em um dia especial como hoje.
—Acha um dia especial?
—Sim, seu aniversário.
—O primeiro que passo aqui depois de tanto tempo.
—Gostou da festa que minha mãe preparou?
—Dona Margarida é maravilhosa para estas coisas. Tudo estava lindo e a comida deliciosa, mas faltava...
—Faltava.
—Você. Estar aqui contigo.
—Grato pelo que me toca.
—Não entendo que esteja com Marcela.
—Nem eu entendo.
—O que te une a ela?
—Não pode acreditar que é amor?
—Um homem quando ama faz tudo pela pessoa amada. A corteja, dá flores, é fiel, tudo diferente de você.
—Você é muito romântica. As coisas não são assim.
—Talvez seja, mas acredito no amor.
—É que ainda é uma menininha. Acredita em contos de fada, príncipes estas coisas.
—Não acredito amis. E não sou mais menininha. Sou uma mulher de 18 anos!
—Quer dizer que...
—Não, nem mais faltava!
—Ufa!
—Mas eu li livros, tenho amigas que fizeram e sei das coisas. Você e Marcela se dão bem?
—Diz..
—Fazem amor, estas coisas.
—Sim, mas... Na verdade, do sentido romântico não,, é mecânico.
—Então, não gosta da professorinha também?
—Não, é apenas desejo! –disse com vergonha de falar estas coisas.
—E as meninas com que viu se beijando, tampouco gostava delas?
—Quem?
—As da Vila, as da vizinhança, desde pequena o vejo beijando as moças.
—Tampouco. Elas querem namorar o filho do fazendeiro rico e eu quero me desestressar. Não as amo e elas tampouco me amam. Nunca amei ninguém se quer saber. Mas creio que não é o tipo o assunto que gostaria de levar contigo. Apesar de ter 18 agora, ainda é muito criança!
—Não sou criança! E o acho um idiota por fazer estas coisas com quem não gosta.
—Por isto é criança!
—Eu só me entregaria para um homem que amasse e fosse passar o resto de minha vida!
—Fico feliz que pense assim e espero que o encontre e que ele mereça!
—Já encontrei, mas ele é muito idiota.
Deve ser idiota mesmo, você é uma moça diferente e muito especial. Não tem mais mulheres como você.
—Só beijaria o homem que amasse.
—E ama a alguém ? -perguntou com receio
—Sim.
—Que bom. Quero dizer não sei se é bom. E quem é o felizardo
—O homem que me faz sonhar desde que era uma criança, muito antes de saber que era possível amar.
—É algum da fazenda?
—Sim.
—Ah sim? E deve me preocupar? Não é o idiota do Daniel?
—Jamais gostaria do senhor Valencia?
Ele é bom moço. Um cavalheiro, ao menos comigo, protetor, doce –Beatriz o abraça -O que se contrasta com seu jeito, seu corpo másculo e forte.
—Sabe que nunca beijei.
—Nunca?
—Uma encostadinha, (um piquito, como dizem) Mas digo, assim um beijo de amor não.
—Nem seja por isso, tampouco dei um beijo de amor.
—Ojojo!
—Não ria! Como vou dar um beijo de amor se nunca amei alguém? -disse Armando
—Tampouco me deu um beijo de aniversário.
—Isto é fácil! Feliz aniversário, Beatriz! –ele a abraçou. E lhe deu um beijo na testa.
—Só isso?
—Bem. –a beijou no rosto.
Não iria desaproveitar esta oportunidade., assim, aproveitando que estava com os braços em seu pescoço e o beijou nos lábios, apertando-o contra ela.
Havia sido ousada e sentia-se tonta e para não desmaiar, preferiu correr em direção ao quarto de Camila na casa dos Mendoza, onde havia voltado a ficar.
—O beijei! Finalmente, o beijei.
Armando estava surpreendido, sentiu uma ternura encher seu coração. Nunca ninguém o havia beijado daquela maneira tão doce. Passou a língua em seus lábios, para sentir o sabor de amora e prolongar aquela sensação quando uma vez o interrompeu.
—Ah, está aí!
Armando virou os olhos. Queria que uma hora aquela mulher o deixasse em paz.
—_____
Por outro lado, antes de chegar em casa, Beatriz foi interceptada por seu pai, que a levou para a festa, era uma data importante, sua filha estava se tornando maior de idade, assim que dançou a valsa com ela e entregou-a para outro convidado e depois outro.
Júlia, que não sabia as intenções dele, estranhou. Beatriz, ainda nas nuvens por ter tido a coragem de beijar Armando sentia-se mal, sobretudo porque um dos homens que lhe fizeram a corte foi o asqueroso do Valencia, quando queria estar novamente nos braços de Armando e sentir novamente aqueles lábios carnudos contra os seus. Armando ao ver, Daniel bailar com Beatriz teve vontade de aproximar-se e tomá-la em seus braços, em um sentimento de ciúmes que nunca havia sentido antes, mas Marcela pegada de seu braço o impedia.
—Não entendo como seus pais resolveram promover esta festa de aniversário para a filha dos criados!
—Não é só uma filha de criados. Os Pinzón são nossos amigos e Beatriz nasceu e foi criada conosco. Sabe muito bem disso.
—Só acho que não se deve misturar as coisas!
Armando deu de ombros, não estava nem aí com o que ela pensava
—Não vejo a hora de terminar isto aqui e podermos ficar juntos em seu quarto.
—Seus irmãos, seus pais está aqui, não tem medo que te peguem comigo, pois para eles é a boa moça donzela.
—Quero que me pegue de jeito como sempre!
—A santa, como dizem!
Marcela lançou seu olhar, enquanto Armando se afastava.
Júlia não estava gostando nada daquilo e começava a entender as intenções de seu marido, assim que , em concordância com Margarita resolveu por fim aquilo e chamar todos para cantarem parabéns.
Os olhares deles se cruzaram várias vezes, embora, não tivessem chance de reunirem-se novamente.
Sorrindo, Beatriz recolheu-se a seu quarto, alegando cansaço, mas tocava seus lábios, fechando os olhos. Só seria melhor se pudesse ter dançado com ele depois de o beijar.
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Em seu quarto, Armando só esperou acabar a festa para deitar-se sozinho em sua cama e pensar em Betty.
—Será que Caldeirón tem razão? Betty gosta de mim? Não, imagina, homem. É apenas coisa de criança. Ela é apenas uma menininha e você um homem feito, não iria pensar em você desta maneira. Ou iria? (Armando ficou pensando naquele beijo e também no qual imaginava-se devorando aqueles lábios que agora sabia que sabor tinham). O pior é saber que ela estava há alguns passos de seu quarto. Poderia repetir, mas seria uma loucura. Não era boa ideia tê-la tão perto. Achava que isto não estava bem. Era apenas uma menina e ele um homem feito com larga experiência sexual nas costas. Mesmo que ela gostasse, não podia incentivar tais desejos. Assim decidiu não comentar nada do beijo e evitar ir atrás dela, como sempre fazia para cavalgar, conversar ou qualquer outra coisa. Deveriam limitar-se a se encontrarem nas refeições, enquanto ela estivesse ali e não pudesse evitar e na escolinha, onde era necessário. Não podia alimentar qualquer tipo de coisa nela. Era um homem feito e sabia que por usa experiência ela queria aprender, afinal era seu amigo e confiava nele.
—Olá!
—Aura Maria!
—Ai, Betty, desculpe, não sei se queria dormir sozinha, mas sua sogrinha e a prô Catalina disse que podia ficar aqui com você no quarto da sua cunhada.
—Cunhada, que cunhada?
—A Cami não é sua cunhada, a irmão de seu caipira? Realmente, ele é lindo. Mas não se preocupo, sei que bebe os ventos por ele. E querida, gostei!
—Gostou?
—Vi quando deu um beijo nele. Este é só primeiro passo. Não pode deixar que fique com a chata da noiva. Está na cara que não gosta dela, aí tem coisa. Ele tem que ser seu. Agarre-o de jeito. Seduza-o!
Betty deitou-se vermelha de vergonha, mas de vontade. Tocou os lábios, aquele era um sonho que tinha desde que tinha 12 anos e o viu beijando uma das meninas da fazenda.
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