Casamento por obrigação
22 Capítulo 23
Catalina teria que voltar para seu trabalho na faculdade e levaria Aura Maria com ela.
—Vou sentir sua falta, minha rainha da cidade.
—Eu também, meu galã da fazenda.
—Pedirei a Seu Armando para irmos à Capital para visitá-la. Estará me esperando?
—Claro, claro. -disse, sem certeza. -Mas me avise antes, por carta.
—Talvez na outra semana.
—Freddy, eu já tenho que ir.
Aura Maria havia gostado de Freddy, mas ainda era muito jovem para se comprometer. Freddy morava muito longe, não queria ficar suspirando por ele, como sua amiga Betty e perder as oportunidades da vida.
Falando nisso, depois de sentir aqueles lábios carnudos beijando-a com desejo, Betty passou a provocá-lo. Usava roupas mais curtas, abaixava-se para pegar o lápis na escolinha, de modo que até Wilson e a Karina repararam.
Karina lhe dá um soco no estômago.
—Ai que foi? Dando uma de louca agora?
—Você não para de olhar para aquela menina sonsa!
—O que está querendo dizer?
—Que a quer levar para cama! Que nojo, uma pirralha como aquela.
—Está louca como Marcela! Vendo coisas que não são.
—Sei... te conheço, sei que a deseja!
—Realmente está louca! Betty é como uma irmã para mim!
—Prove. Prove que não se importa. Mande-a de volta para a cidade, dona Sofia já pode dar aulas, não precisa mais dela.
—Não. Ela é necessária aqui.
—Para você?
—Ela é ótima professora, os alunos gostam dela, e não vai sair.!
—Você é um tarado imbecil!
—Não fale assim comigo que ainda sou o chefe aqui.
—Você é um abusador. Vou denunciá-lo.
—Pois tente. Todos sabem que vivia se mostrando para mim!
—Seu canalha! -disse dando-lhe um tapa
—Melhor que se comporte se quer manter sua carreira.
Karina saiu batendo os pés, quase derrubou Freddy na saída.
—Perdão, mas desculpe-me, mas o que fiz?
—Esta é uma louca! E onde está Beatriz?
—A bela professora já saiu. –disse Freddy
Armando fechou a cara com o comentário
—Mas como? Estava acompanhada?
—Não. Disse que queria caminhar.
Armando pegou os livros, iria terminar de corrigir as lições em casa.
Estava passando pelo lago quando viu umas roupas na beira do lago. Conhecia muito bem aquelas roupas.
Betty se banhava usando apenas um biquíni, discreta mas ainda sim revelador, já que sempre a via tão coberta. A menina brincava com a água, pulava, mergulhava. Era uma verdadeira criança, mas com um corpaço de mulher. Ele deveria sair dali, mas ficou ali parado detrás do monte, observando-a com a boca aberta.
—Está tão calor hoje. Não conseguiria chegar em casa, sem banhar-me. –dizia a moça- Sabia que estava sendo observada pelo objeto de seus desejos, atrás daquele monte. conhecia seus passos.
—Tem alguém aí? –dizia Betty olhando de um lado para outro.
Armando procurava se esconder.
—Já o vi, Armandinho. Não adianta se esconder. Está calor porque não vem se refrescar comigo? Podemos tomar banho como quando éramos crianças.
—Quando eu era criança você sequer existia, Beatriz!
—Não faz tanto tempo assim.
—Sou um homem adulto.
—Um homem adulto não sente calor?
—Tenho que trabalhar. Não posso ficar tomando banhos e deixar tudo por fazer.
—O senhor é o chefe, patrãozinho.
—Sabe que não é assim comigo!
—Se eu fosse uma dessas camponesas se banhando, estava tomando banho comigo.
—As coisas não são como pensa!
—Por que ao invés de ficar aí não entrou para tomar banho comigo?
—Apenas estava passando e fiquei preocupado de vê-la sozinha. Melhor que vá para casa.
—Não, está calor que prefiro ficar aqui. Não quer ficar comigo?
—Como disse tenho coisas para fazer. Não quero que fique sozinha, já disse que é perigoso.
—Não se preocupe, vou pedir para algum jovem peão me acompanhar.
—Gosta de me provocar?
—Assim não deve se preocupar, serão apenas “duas crianças” inocentes se banhando.
Estes da escola não são inocentes, eles ficam olhando como se te devorassem. Já fui adolescente e sei como são.
—Tal como me olhava agora há poquinho?
—Não sei do que está falando.
—Pensei que era um homem experiente. Melhor que eu pergunte para eles. -disse ela, saindo do banho -Tenho certeza que não terão outras coisas para fazer do que tomar banho aqui comigo!
—Não se atreva!
—Ai! Ai!
—O que foi?
—Uma câimbra.
—Não caio nessa.
—AI. –disse se afogando
Vendo que ela não voltava, Armando se atirou no lago.
—Betty!
Ele mergulhou para encontrá-la. Desesperado.
Estava desmaiada no fundo do lago. A alçou em seus braços e deitou-a na beira do lago para fazer a respiração boca-a-boca.
—Toss Toss um dia teria que ser você a me beijar.
Ela abraçou-o e começaram a se beijar.
—Desde quando ficou assim?
—Com tanta concorrência. Tenho que usar o que tenho. -disse antes de beijá-lo.
—Quero tomar banho contigo! Vem!
—Menina levada!
Armando a sentou em seu colo, debaixo d`água e se beijaram. Estava apenas de calça jeans e camiseta regata e ela de biquíni retrô.
—Diga, beijo bem?
—Muito bem. Não ouse sair beijando por aí.
—Depende de você.
—Por quê?
—Para que iria sair beijando se tenho você?
—Ah!
A apertou contra ele. Tornou a sentá-la em seu colo, enquanto estava sentado em uma pedra que ficava debaixo do rio.
Betty o acariciava na nuca, enquanto o sentia apertá-la e adentrar sua boca, explorando-a com a língua.
Na cabeça de Armando passava a mulher que desceu do carro, mas que não sabia que era ela, mas que havia desejado, a que cavalgou com ele, a que o provocou com a saia curta frente aos alunos na escola. Ela estava diferente de como era. Queria desgrudar daqueles lábios, mas não podia.
—AH Armandinho!
—Isto é uma loucura.
—E não gosta?
—Gosto. Mas devia me controlar e vê-la como antes.
—Nunca o vi como irmão. Sempre o amei.
Saíram do rio, e continuaram a se beijar, no meio da relva, enquanto o sol secava-os.
A partir desse dia, eram um como um casal de namorados. Ele a buscava e levava para a escolinha, ela voltou a usar roupas mais comportadas para não lhe provocar ciúmes. Não precisava disso, preferia ser séria para todos. Depois saíam para cavalgar. Ela era apenas uma menina, logo, ele procurava fazer de tudo para se controlar. Não podia perder o horizonte, mesmo quando ela alisava seus músculos e o abraçava.
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