Casamento a Moda Antiga
1 Uma verdade inconveniente
Casamento a moda antiga
Quando dois mundos se colidem, estilhaços podem machucar quem não merece... Era hora de fazer a escolha correta, mesmo que seu coração se estilhaçasse em um milhão de pedaços!
Cap. I – Uma verdade inconveniente
Flash back on
Rukia estava sentada a beira do lago observando o sol se pôr. Nunca tinha se dado a esse trabalho em Soul Society, talvez porque esse hábito fosse coisa de humanos.
Um momento de reflexão quando você nota o quão pequena é a existência de uma alma diante do grande universo. Afinal, o sol não precisa de platéia para continuar nascendo e se pondo, e não importa o que esteja acontecendo... Ele sempre vai surgir no horizonte.
A pequena shinigami balançava as pernas, essas que não alcançavam a água, e sentia a brisa tocar sua pele clara. Tudo de repente parecia estar acontecendo tão rápido... Ichigo tinha acabado de terminar a faculdade de medicina e parecia estranho.
A relação com ele estava diferente e não de um jeito ruim. O ruivo tinha amadurecido muito nos últimos anos e hoje já era um adulto e formado, apesar de ter afirmado que seguiria carreira no Gottei 13. Isshin recomendara que mesmo assim tivesse uma carreira para o caso de um dia ele querer voltar a ser humano, como ele fizera um dia.
A Kuchiki estava feliz, pois seria com ela que ele pretendia ser feliz. Um posto de capitão o esperava em Soul Society com a vaga de tenente já ocupada como ele fez questão de frizar.
- Kuchiki-san...
A morena conhecia aquela voz, era Inoue, o que a fez sentir um peso sobre os ombros. Eram amigas, a ruivinha fora a primeira que ela tivera, e Rukia sabia dos sentimentos dela em relação ao Kurosaki, sempre soube.
Mas não podia evitar, amava o morango e ele parecia corresponder. Não podia afirmar com certeza porque ainda não haviam colocado tudo em pratos limpos, era uma relação complicada, e nem assim era menor.
- Orihime-san. – ela tentou sorrir –
- Eu queria falar com você, posso? – a mulher sentou-se ao seu lado, os anos tinham feito muito por Inoue, estava muito mais bonita –
- Eu também queria falar... – a pequena mulher não sabia o que fazer, ou mesmo por onde começar – Olha, eu tentei... Juro, mas... É...
- Eu sei, eu sei que você não veio para Karakura com intenção de amar o Kurosaki-kun, mas você sabe que isso não é certo.
Não era certo? Como assim, não era certo? Quem era ela para decidir isso! Rukia não roubara nada de ninguém, Ichigo nunca olhara para Inoue com olhos que não fossem de amizade.
Era plausível que a amiga estivesse desesperada, mas não podia sair dizendo aquele tipo de coisa. Somente porque não foi ela a escolhida...
- Desculpe mesmo, Inoue-san, eu não queria que terminasse assim, mas você também não tem o direito de dizer que estou errada, que o meu amor é errado.
- Como não? Tudo nesse amor está errado! Era para ele ser meu, o caminho do Kurosaki-kun era ao meu lado, na Terra, com as irmãs e o pai!
- Talvez... Quem pode dizer com certeza? Quem te garante que se não fosse eu, não seria uma outra humana qualquer? Pare com isso, Inoue! Não se machuque mais, não me machuque dizendo essas coisas!
Os olhos outrora tão vivos da humana Inoue estavam apagados e cheios de lagrimas que ela não queria que caíssem. Não queria passar por fraca na frente de Rukia! Gostava dela, fora uma das melhores amigas que tivera na vida, mas não era justo!
Por que ela, que nem viva estava, tinha conseguido o amor do Kurosaki? Os dois viviam os trancos e barrancos, que espécie de amor era aquela? Que tipo de amor faz com que se tenha que escolher entre uma vida cheia de amor e carinho para outra em outro mundo? Pois para ficar com ela ele teria de abrir mão do pai, das irmãs, dos amigos, humanidade...
Como ela podia ser egoísta daquela maneira?
- Me escute, por um minuto! Escute e pense!
- Inoue... Eu....
- Um minuto, Kuchiki-san! Ouça o que tenho para te dizer!
- Isso não vai mudar nada, mas fale se te faz bem desabafar!
- Como você pode amá-lo tanto quanto pensa se o faz escolher entre a família e você? Entre o mundo dele e o seu! Entre a vida e a morte! – Inoue pegou uma das mãos da pequena Rukia – Você está morta! Será que você não vê que se fosse para ser com você, não estarias morta, ou mesmo teria nascido nessa época ou ele na sua... Quantos anos separam o seu tempo do dele?
- Isso não quer dizer nada! Eu amo o Ichigo e ele me ama!
- Já viu outros casos como o seu? Já viu algum espírito que se apaixonou por um humano ou ao contrário? Não é preciso ir longe para ver que um dia ele não vai querer mais isso... Isshin-dono abriu mão da humanidade, mas voltou e para uma humana. Acha que ele não se arrepende de ter deixado a família para trás? Acha que ele não pensa como teria sido se tivesse seguido o caminho natural das coisas?
Rukia estava sem palavras, não sabia como replicar aquele ataque. Talvez porque soubesse que Inoue tinha razão, pois mesmo que Ichigo voltasse para ver a família, seriam raras vezes. A vida de um capitão é atribulada e ele não deve se ausentar de seu posto.
Sem falar que o tempo na Soul Society corria diferente. Quantos anos demorariam para que o ruivo se visse envelhecido? Talvez cem ou duzentos... Ou mais! Enquanto aqui na Terra, as irmãs, o pai e os amigos envelheceriam e morreriam.
E ele sentir-se-ia culpado por não ter estado perto, por ter escolhido. E sem falar no mais básico, ele era humano e cada humano carrega uma alma que tem por objetivo cumprir uma missão de evolução.
Ichigo ia contra todas as regras ao não viver a vida que deveria. Quantas vidas ele teria de viver para recompensar o que não estava resolvendo agora? Dessa maneira ela estaria no caminho traçado para ele?
Ela mesma ainda era uma alma que tinha pendências, sua ultima vida acabara prematuramente e se depois de tanto tempo ainda não havia morrido para reencarnar era porque não estava pronta.
Será que ela tinha o direito de ser a lua que se coloca entre o sol e encanta a Terra?
- Mas se isso aconteceu deve ter um motivo...
- Ou talvez seja o simples livre arbítrio, Kuchiki –san. Você está em Soul Society e deveria viver uma vida lá para voltar depois, num ciclo que existe desde de que o mundo é mundo. E o Kurosaki-kun devia viver na Terra para depois ir para lá e quem sabe tão logo nascer em Soul Society terminando um ciclo.
Rukia sabia que o que Inoue dizia era o certo. Humanos deveriam ser humanos e Shinigamis almas já desencarnadas. Estava realmente sendo egoísta, talvez o morango não entendesse aquela lógica, mas ela sim.
O fim do ciclo era quando a alma nascia em Soul Society, quando isso acontecia era porque ela tinha evoluído e não precisava mais voltar, ao contrário da almas mandadas para Rukongai.
As famílias nobres eram nobres não apenas por serem ricas e sim por serem formadas por almas que tinham evoluído e quando morressem, iriam para um lugar maior.
Era a verdade que ela não queria ver! Era tudo o que ela não queria ouvir!
- Inoue...
- Não precisa falar nada, apenas pense e não só em você!
Orihime levantou e saiu andando sem olhar para trás. Aquela era sua última tentativa, a última chance de tentar ser feliz. Talvez estivesse errando, mas era humana e humanos estavam sujeitos a errar.
E Rukia que ficara para trás, estava confusa, não sabia o que fazer e muito menos como agir. Já tinha pensado algumas vezes no que Inoue falara, mas nunca soara tão pesado.
Será que estava mesmo certa ao mudar todo um ciclo por causa de um amor errôneo?
Estava certa agindo como a lua que faz o eclipse e tira do sol o que é seu por direito?
Flash back off
- Rukia...
A voz imponente do irmão acordou a shinigami de seus devaneios, tinha ido longe após ouvir o que Byakuya lhe falara. Fazia algum tempo que ele estava estranho, parecia querer lhe falar alguma coisa e agora ela sabia o que era.
- Desculpe, nii-sama.
- Então, o que me diz? Está disposta a fazê-lo?
- Eu... Eu não sei...
A pequena levantou-se e passou as mãozinhas nos cabelos em sinal de desorientação. Aquela fora uma proposta inesperada e era um pedido justo.
- E por acaso essa sua dúvida tem algo a ver com suas longas estadias na Terra?
- I... Iie! Eu apenas não esperava!
- Bem, como sabe você pertence a uma das quatro grandes casas e essas famílias precisam de herdeiros para dar continuidade as tradições.
- Mas você é o herdeiro legitimo e eu pensei que seu casamento com Unohana-taicho fosse resolver isso... – Rukia não sabia o que fazer, que tipo de proposta era aquela? – Sem falar que eu não sou legitima, sou adotada.
- A partir do momento que dei meu sobrenome a sua irmã, ela se tornou uma nobre e o mesmo se aplica a você, em circunstancias diferentes. Você é uma nobre.
- Mas nii-sama, isso foi repentino... Um casamento... Com quem? Quando? Desde quando tem esses planos?
Byakuya notou a inquietude da irmã e não era de hoje, e não era bobo, já tinha notado que alguma coisa estava acontecendo entre ela e o Kurosaki. E esperava que essa intimação de casamento os fizessem oficializar as coisas, ou então, terminar tudo.
Vale salientar que o Kuchiki preferia a segunda opção, ele escolheria muito melhor do que ela. Fora um erro não tê-la casado pouco depois de acolhe-la, isso seria uma forma de protegê-la como Hisana queria.
- Bem, Rukia, vou lhe dar um tempo para pensar no assunto... Mas lembre-se que esse assunto não acabou aqui.
Byakuya levantou-se e saiu deixando Rukia ali sozinha, sem saber o que fazer... Se escolhesse Ichigo, tirar-lhe-ia a vida, se escolhesse o casamento passaria o resto de sua existência perguntando como teria sido.
Continua...
Oie amores, comecei essa fic a algum tempo e agora resolvi postar! Espero que gostem!!! E comentem bastante!! Kiss kiss Amo vcs
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