Casamento a Moda Antiga

5 No fim, um novo começo


Cap. V – No fim, um novo começo

Rukia estava parada olhando para o rosto de Renji, a morena não tinha certeza se o que tinha ouvido era mesmo verdade. O seu melhor amigo da infância tinha mesmo lhe pedido em casamento? Aquilo só podia ser uma brincadeira...

- Renji... – os olhos azuis estavam visivelmente assustados –

- Não vai responder, Rukia? Estou te pedindo em casamento?

- Renji... Isso não faz sentido. Por que está fazendo isso? – ela estava perplexa –

- Você disse que deixou a escolha do seu irmão com quem se casaria, ele me fez a proposta, mas não posso aceitar se não for de sua vontade. – ele pegou a mão da shinigami –

- Não diga besteiras, Renji! Está ficando louco?? – ela deu dois passos para trás –

- Nos conhecemos há muito tempo, passamos por muita coisa juntos, somos amigos... Eu não acho que você vá encontrar uma pessoa para estar consigo melhor do que eu e vice-versa.

- Mas porque quer se casar comigo? Você sabe... Você sabe daquilo... – ela se referia a Ichigo –

- Vamos conversar em outro lugar, estão todos olhando para nós. – ele começou a caminhar a frente dela tendo seus movimentos seguidos pela pequena Kuchiki –

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Renji levou Rukia para o escritório do Go bantai fechando a porta em seguida. A princesa Kuchiki ainda estava completamente deslocada, não acreditava que Renji estava fazendo aquilo.

- Rukia...

- Ela o atropela – Isso é loucura, Renji!! Eu não posso me casar com você! Não seria justo!

- Eu sei de tudo, Rukia e estou disposto a começar uma história com você. Eu não sei quando começou... Mas de certa maneira, todos éramos apaixonados por você em Rukongai e eu ainda sinto isso!

- Você não sabe o que está falando! Não sabe! Não seja bobo!!

- E acha que alguém vai entendê-la melhor que eu? Compreender melhor seu tempo? Ser um parceiro melhor? Eu não vou aceitar a proposta se não for de sua vontade, mas pense bem no que vai fazer consigo mesma ao casar-se com um estranho qualquer que não irá entendê-la!

- Você estaria disposto a ser meu amigo e esperar o meu tempo? Por quê? – ela não entendia –

- Porque eu te amo, sua pintora de meio-fio! Não me pergunte o motivo ou quando isso aconteceu! E quanto a esperar... Temos a eternidade pela frente. Eu não vou falar que deixarei de te implicar, cutucar, pirraçar... Porque não teria graça se virássemos isso. Mas paciência eu tenho e nós dois sabemos que se não fosse o Ichigo já estaríamos juntos.

- Eu preciso de um tempo. Me dê uns dias... Eu não posso tomar essa decisão de qualquer jeito é muito mais do que eu e você!

- Tudo bem, alguns dias!

A Kuchiki começou a sair do escritório da Go ainda sob o efeito daquela declaração. Sua vida teria sido muito mais fácil se Ichigo não tivesse aparecido. Renji tinha razão, se tudo fosse como deveria ter sido... Seriam os dois, mas o destino resolveu fazer uma brincadeira sádica.

Como um espírito e um humano poderiam ficar juntos? Era contra as leis que regiam o universo. Mortos pertencem a Soul Society e Humanos ao Mundo Real. Somente em uma condição esses dois mundos se cruzam... Shinigamis matam hollows!

Com o coração ainda em pedaços, a morena suspirou. Sobrevivera a um dos mais violentos distritos de Rukongai, sobrevivera ao abandono da irmã... Ela era muito mais forte do que seu coração queria fazê-la acreditar.

Parou na porta e olhou para trás.

- Obrigada, Renji. Muito obrigada mesmo!

- Não se preocupe, isso não problema para mim.

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No mundo humano, Ichigo tentava voltar as suas atividades normais, mas isso não estava se mostrando algo fácil. Nada parecia muito real e palpável. Aquilo parecia a farça mais bem montada do mundo onde todos os atores estavam em seus respectivos lugares, mas que não tinha ligação alguma com a realidade.

Por que seu coração estava tão solitário? Ichigo sentia como se um pedaço de seu próprio corpo e alma tivesse sido arrancado de maneira brutal. O amor de Inoue era sincero, mas não era realmente o que lhe preenchia o peito.

- Ichi-kun! – ela chamou da cozinha – A pizza chegou! – cozinhar não era um talento, apesar dela não compreender isso –

- Já vou! – ele se levantou – Só posso estar ficando louco!

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Rukia estava sentada olhando o jardim da casa de seu irmão. Tudo estava muito limpo e perfeito, mas não haviam flores apenas as folhas amareladas que caiam dando as árvores a chance de se renovar depois do inverno.

Na natureza nada é imutável, tudo se adapta ao meio e segue um ciclo natural. No verão é tempo de plantar, no inverno de esperar, na primavera de florescer e no outono de renovar.

E a vida dela estava nessa fase, era preciso renovar para poder florescer depois do difícil inverno que estava chegando.

- Eu te amei muito e jamais amarei outro da mesma maneira, mas ainda tenho um coração e poderei voltar a amar.

A morena fechou os olhos pensando em tudo o que vivera nos últimos cinco anos e mais pareciam lembranças de uma vida toda. Nunca em sua vida tivera tantas pessoas que gostavam realmente de si ao redor.

Aventuras. Amizade. Família. Brigas.

Os humanos não são tão pouco quanto a maioria dos shinigamis crê. Viver demais os faz esquecer de pequenas coisas. Pequenas e tão importantes. Afinal, pode-se dar-se o luxo de esquecer o que terão a eternidade para lembrar.

Quando se é efêmero, tudo tem mais poder, força e fugacidade. Com existências tão curtas, ou se corre, ou se fica no meio do caminho. Renji tinha razão ao alegar eternidade.

Os dois tinham tempo de começar a escrever uma história. O problema esteve em esquecer-se de que não era efêmera. Não podia viver com alguém que tinha pressa, pois ela possuía a paciência de quem constrói com calma.

Por mais lindo que tenha sido, não passava de uma experiência que a ajudaria construir uma história.

- Rukia. – a voz grave de Byakuya a tirou de seus devaneios –

- Nii-sama? – ela virou o rosto –

- Posso saber em que pensa tão concentrada? – ele sentou-se ao lado dela –

- Na eternidade. – respondeu –

- Passa-se a pensar de outra maneira quando percebe-se que o tempo não existe.

- Já pensou nisso? – indagou curiosa –

- Algumas vezes. – ele olhava para a mesma árvore que no passado abriu a primeira flor de ameixa – Eternidade e imortalidade não a mesma coisa. Pois somos eternos ao sermos espíritos e mortais ao amar o que tem fim. Um dia perecemos, provavelmente, em um campo de batalha. Mas até lá... Podemos viver centenas ou até milhares de anos. Amaremos pequenas coisas que acabarão e por isso mesmo procuraremos o fim, ver o que ama perecer destrói tudo, até mesmo a eternidade.

- Conheceremos o que os humanos, na condição de humanos jamais conhecerão, mas será que isso não nos torna inferior a eles? Conhecimento demais acaba com a poesia.

- Nunca saberemos. Pois quando humanos, somos só humanos. E quando alma, somente alma.

O líder da principal casa nobre da Soul Society levantou-se sem dizer mais nada. Seguindo um caminho para o centro do jardim. Rukia havia amadurecido muito, o tempo com os humanos a fez pensar em coisas que antes ela nunca parara de pensar.

Isso faria bem. Ela cresceria e poderia melhor adequar-se a vida do jeito que ela era.

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Isshin caminhava por um parque calmamente olhando o pôr do sol. Fazia algum tempo que não fazia isso. E logo avistou uma figura conhecida usando um chapéu de duas cores e um casaco verde.

- Já faz algum tempo, Kisuke-san!

- Dando um passeio, Isshin? O que foi? Não tem nenhum paciente hoje?

- Precisava espairecer.

Um ficou do lado do outro por longos minutos olhando o sol se escondendo no horizonte. Uma vista adorável para depois de terem quase perdido tudo aquilo.

- Você notou? – indagou Kisuke –

- O quê? Que minha adorável terceira filha resolveu ir embora... – ele suspirou –

- Um shinigami e um humano... Acho que já ouvi essa história antes e você, companheiro?

- Eu acho que já, mas já faz tempo. – ele riu –

- Nesses casos, só há duas escolhas: Alguém desiste de algo ou nenhum dos dois desiste de nada. E nessa história coube a ela decidir o que era melhor.

- Está enganado, ela desistiu também... Certas decisões não deveriam ser tomadas por crianças.

- Tente entender meu velho, você já tinha toda uma vida, experiência, estava pronto para escolher. Se tivesse ficado, não teria se arrependido, como não se arrependeu de ter deixado tudo.

- Em nenhum segundo. – disse convicto –

- Rukia ainda é muito jovem, não poderia abandonar coisas que não vivera, mas também não podia fazê-lo escolher. Pois se resolvesse voltar um dia, Ichigo não teria mais a você, ou as irmãs, ou os amigos... E ela não poderia conviver com isso.

- Mas ele não se esqueceu, ele sabe, de alguma maneira...

- Mas é claro, um grande amor não desaparece do dia para a noite... Ele pode não saber o que falta, mas sabe que alguma coisa está faltando.

- Não acabou ainda. Uma história de amor só se finda quando as duas partes assim decidem e meu filho não decidiu nada.

- Vai se intrometer? – perguntou Kisuke curioso –

- Não, as crianças devem resolver seus problemas sozinhas.

- Acha que isso ainda vai voltar à tona?

- Você acha que não? – Isshin ergueu uma das sobrancelhas –

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Byakuya olhava para o casal a sua frente, eles haviam ido comunicar o casamento. O moreno não pôde negar que gostou muito de ouvir isso, no entanto, desgostou de saber que optaram marcar a data do casamento apenas para dali um ano.

- Por que uma data tão distante? – indagou o moreno –

- Tudo ainda está muito fresco, a Seireitei está se reconstruindo, os esquadrões se reorganizando...

- O que o Renji quer dizer que o nosso casamento vai causar comoção nas quatro casas... É melhor não apressarmos as coisas. – completou Rukia –

- Entendo, vocês tem razão... Mas se quiserem antes, eu cuidarei para que nada dê problemas a vocês!

- Não, nii-sama. Preferimos ir com calma, casamento é um passo muito importante. E também tem seu casamento coma Unohana Taisho!

- Certo. Vou comunicar à família.

- Hai. – responderam ao mesmo tempo –

O casal caminhou até o jardim onde sentou-se para olhar a lua cheia.

- Tem certeza disso, Renji? – perguntou ela –

- Absoluta. Vamos começar uma história. – ela sorriu –

- Vamos ter que comprar alguns degraus para você alcançar os armários! – ele riu recebendo um tapa da morena –

- Seu idiota!!!

Continua....

Notas finais
Amores!!! O primeiro ciclo da história está se fechando!!! Agora vamos para a segunda fase!!! Um milhao de desculpas pela demora!!! Mas a minha vidinha anda meio conturbada!!!!
Espero que gostem e fiquem esperando a proximas fase!!!
kiss kiss

Ps- esperando reviwes!!!