Casamento Sob Suspeita.
22 Capítulo 22 – Nem tudo são flores.
Notas iniciais
PDV Isabella Swan.
Maledito Edward Thomas Cullen! Por que ele teve que aceitar a proposta daquela ordinária e me deixou em casa?! Por que ele não disse que a levaria primeiro? E você sua tonta porque ficou calada?! Minha mente gritava em alto e bom som. Por que eu desejava profundamente que ele falasse para ela que nunca me deixaria sozinha em nossa lua de mel. Respirei fundo diversas vezes tentando segurar as lágrimas. Fui tomada por um entorpecimento no carro enquanto Tânia soltava suas alfinetadas eu permaneci calada. Eu queria poder gritar, esbravejar, mas isso era exatamente o que aquela piranha gostaria que eu fizesse. Como eu poderia dizer alguma coisa para o homem que se tornara meu marido algumas horas antes e me deixava em casa na primeira oportunidade para seguir caminho com outra mulher? Mas ele ia me pagar caro pela desfeita.
- Bah! Homens!
Ouvindo meu desabafo Siobhan apareceu.
- O que faz aqui menina?
Questionou e eu expliquei toda a situação.
- Meu Deus, pobre Jasper.
Concordei.
- Mas ele vai ficar bem Siobhan. Os médicos estão fazendo o melhor possível. E o meu novo quarto está arrumado?
Perguntei.
- Claro que sim. A suíte dos pombinhos está pronta.
Falou sorrindo. Pombinhos... Sei. Se eu pudesse torceria o pescoço dele agora mesmo. Corri os olhos pela casa e ela já me conhecendo respondeu:
- Seu pai está na casa de Billy Black.
Sorri. Billy e papai eram grandes amigos. Era ele quem havia feito o parto de minha mãe quando eu nasci. Comecei a subir as escadas e ela subitamente me interrompeu.
- Não vai comer nada?
Senti meu estômago roncar e sorri.
- Boa idéia.
Se eu iria passar a noite em claro era melhor estar de barriga cheia. Fui até a cozinha, fiz um lanche caprichado sob o olhar atento da governanta e depois tive uma idéia maquiavélica. Me despedi de Siobhan, desejei boa noite e fui até o jardim atrás de Laurent, um dos seguranças.
- Laurent.
Imediatamente ele se empertigou. Não era costume a filha do patrão aparecer para falar diretamente com ele.
- Boa noite senhora.
- Boa noite.
Na mesma hora mais dois seguranças se juntaram a ele.
- Onde está Tyler?
Perguntei me referindo ao Rottweiler de cinco anos.
- Preso no quintal. A senhora deseja soltá-lo?
Questionou um tanto confuso, mas ele era pago para obedecer e não para fazer perguntas.
- Sim. Ele vai dormir dentro de casa hoje.
O homem moreno de estatura mediana arregalou os olhos, mas não disse uma palavra. Ele saiu na direção do quintal e eu fiquei aguardando. Tyler estranhava qualquer pessoa menos Alice, Kate, eu, papai, Siobhan e alguns dos seguranças. Mas ele nunca gostara de Edward. Meu marido teria uma bela surpresa quando voltasse.
Laurent voltou com o cachorro que me farejou e quase me derrubou.
- Eu também estava com saudades rapaz. Venha vamos entrar.
Agradeci aos homens que retornaram aos seus postos e entrei, indo para a minha suíte nupcial. O quarto estava lindo. Siobhan realmente tinha feito toda a decoração com esmero. Havia uma chez long, um espelho enorme na parede, almofadas e travesseiros sobre a cama. O closet já havia sido arrumado com as minhas roupas e as de Edward. Deixei Tyler próximo aos pés da cama. Ele pareceu gostar do ambiente novo e se deitou sobre as patas, nos pés da cama. Fui até o banheiro e me troquei, colocando um baby dool cinza chumbo, curtíssimo com uma calcinha de seda combinando. Olhei no relógio e vi que já passava das dezenove horas. Senti um aperto em meu peito ao imaginar se Edward ainda estaria com Tânia e o que estariam fazendo. Eu me odiava por permitir que tais pensamentos me perturbassem, tirassem a minha paz, mas em se tratando de Edward Tânia parecia não medir as conseqüências de seus atos.
Sacudi a cabeça, dispersando aqueles pensamentos ruins e deprimentes, afastei as cobertas e me deitei. No dia da festa de Carlisle ele a havia rejeitado, mas e hoje? Ele permaneceria firme em sua decisão? Seria fiel a mim como eu era a ele? Seja lá como fosse, Edward Cullen não perdia por esperar.
Quarenta e cinco minutos depois...
PDV Edward Cullen.
A volta para a mansão parecia interminável. Eu estava irritado, cansado e louco para chegar em casa. Tânia havia extrapolado todos os limites daquela vez. Ela tinha tirado a calcinha e se oferecido para mim dentro do carro. Vagabunda! Assim que chegamos à casa do meu tio, ordenei que ela descesse e falei com todas as letras que a única mulher que eu queria, desejava e que iria comer de ontem em diante era Bella. Que ela poderia parar de uma vez por todas com aquele joguinho ridículo, pois eu não a desejava. Ela pertencia ao passado e quem vive de passado é museu. Tânia começou a gritar um monte de impropérios e ofensas e eu mandei que ela saísse do carro de uma vez ou ligaria para Eleazar naquele momento. Ela saiu e bateu a porta com força o que me deixou mais irado do que eu já estava. Fiz a volta e desapareci na curva que levava ao portão. Mulherzinha cínica e vulgar. Não entendo como um dia pude me envolver com uma mulher como ela.
Para completar havia um engarrafamento monstruoso na pista principal para a cidade, devido a um acidente envolvendo uma motocicleta e um automóvel.
- Merda!
Exclamei com irritação. A ambulância do resgate estava presente e os veículos tinham que seguir um desvio improvisado. Nessas horas eu gostaria de ter um helicóptero a minha disposição. Automaticamente a expressão no rosto de Bella invadiu meus pensamentos. Havia frieza e algo mais em seus olhos que eu não soube identificar... Eu iria conversar com ela assim que chegasse em casa.
Estacionei o volvo e desci sendo cumprimentado pelos seguranças. Entrei, pois tinha uma cópia da chave e vasculhei o ambiente. Ninguém. Rapidamente fui até a cozinha, abri a geladeira e Siobhan ouvindo os barulhos, colocou a cabeça na porta.
- Boa noite Edward.
- Boa noite.
Respondi sorrindo. Ela me conhecia desde moleque então não havia motivo para formalidades.
- Deseja alguma coisa especial menino?
- Não Siobhan, obrigado. Pode ir se deitar. Vou comer qualquer coisa e vou subir. A propósito, qual é o meu quarto?
Ela sorriu acanhada.
- Terceira porta à direita. Na frente do antigo quarto da pequena Isabella.
- Ok, obrigada.
Eu conhecia a casa de cor, pois havia ido lá muitas vezes. Acabei de comer duas taças generosas de salada de frutas tropicais e subi os degraus de dois em dois, louco para ver Bella. Abri a porta devagar e entrei sem fazer barulho. Olhei para cama e quase tive um infarto... Bella dormia. Seu corpo envolto por uma lingerie sexy como o inferno que havia subido e estava deixando a calcinha, as coxas e as pernas a mostra... Se ela queria me enfeitiçar estava conseguindo. Meu pau urrou diante daquela maravilhosa visão. Dei dois passos em direção a cama, mas parei subitamente ouvindo um rosnado baixo e ameaçador.
Segurei a respiração e olhei para baixo: Um dos pesadelos da minha juventude estava me encarando com uma expressão nada amigável, a boca aberta, os dentes a mostra. Uma cena medonha. O cachorro jamais gostara de mim. Dei dois passos para trás.
- Tyler amigão...
Comecei a dizer baixinho. O que aquele maldito cachorro estava fazendo ali?! Respirei profundamente e soltei o ar devagar... Isabella o havia ganhado anos atrás e tinha dado o nome de Tyler Crowley ao animal, pois era o nome de um colega de escola dela e de Alice que uma vez quase atropela Bella, ou melhor, quase mata Isabella com sua van desgovernada no estacionamento da escola, num dia frio de inverno. A van derrapou na fina camada de gelo e atingiu a traseira da picape de Bella, amassando-a. Foi um susto enorme para todos. Por um milagre, Bella conseguiu escapar ilesa, batendo apenas a cabeça no asfalto gelado.
Ouvi mais um rosnado. O infeliz do cachorro me olhava fixamente e avançou dois passos em minha direção. O bicho era uma fera! Parecia ter ciúmes de Bella e de Alice todas as vezes que eu estava por perto. Recuei até encostar minhas costas na porta. Olhei para cama e Bella dormia tranquilamente. Porra! Por que ela havia trazido o idiota do cão para o nosso quarto?! Aquilo estava parecendo proposital... E agora? Ou a acordava ou teria de sair, pois aquele animal não estava para brincadeira. Tentei dar um passo para frente e o cachorro latiu alto.
- Calma, quietinho...
Falei alcançando a maçaneta e girando-a bem devagar. O animal se aproximou mais e eu abri a porta e sai, fechando-a logo atrás de mim. Minha vontade era matar quem aparecesse na minha frente. Eu tinha duas opções: chamar um dos seguranças para levar o cachorro estúpido embora do meu quarto e expor a minha mulher gostosa dormindo em trajes íntimos e sumários aos olhos de outro homem, ou dormir sozinho em outro quarto. E é claro que eu escolhi a segunda opção, ou o meu querido sogro teria que manter seguranças cegos trabalhando na casa. Eu seria capaz de arrancar os olhos do homem que visse Bella usando tão pouca roupa.
Frustrado, andei rapidamente até o antigo quarto de Bella. Entrei e corri meus olhos pelo ambiente. O cheiro dela me invadiu de imediato. Como aquela mulher podia exercer tamanho poder sobre mim? Por que eu a amava com loucura, minha mente respondeu automaticamente.
Ela poderia provavelmente trazer um gambá fedido para dentro de casa ou até mesmo para o meu escritório e espalhar aos quatro ventos aquele fedor, que eu faria de tudo para suportar. Por ela. Para ela. Eu estava completamente fodido. Isabella Swan havia me enlaçado usando apenas seu pequeno dedo mindinho e nem sequer sonhava. Deitei na cama e agarrei o travesseiro com as mãos sabendo que aquela noite eu não iria dormir droga de porra nenhuma.
No dia seguinte...
PDV Narrador.
Bella acordou bem disposta e se espreguiçou. Tyler levantou a cabeça e abanou o rabo quando a viu.
- Bom dia amigão. Dormi super bem e você?
Como se a entendesse o cachorro latiu baixinho sacudindo a cabeça. Ela correu os olhos pelo quarto certificando-se de que Edward não estava presente. Sorriu satisfeita. O plano havia funcionado. Gostaria que ele tivesse tido uma noite horrível. Levantou com calma e foi até o banheiro tomar uma ducha. Demorou mais do que o necessário no chuveiro. Saiu, secou-se, colocou um roupão preto e voltou para o quarto dando de cara com Edward.
- GAH!
- Precisamos conversar.
Falou ele com sombras escuras sob os lindos olhos verdes.
- Você me assustou!
- Não foi a minha intenção.
Disse com secura. Ela tentou desconversar e procurou o Rottweiler, já sabendo que ele não estava. Com certeza Edward chamara alguém para tirá-lo dali e levar o cachorro até o quintal.
- Como está Jasper?
Ele deu de ombros.
- Sei tanto quanto você. Saímos do hospital juntos, não se lembra?
- Sim. E vamos voltar para lá? Alice precisa de nós.
Bella falava e continuava parada próxima ao closet, pois não queria se despir na frente dele. Ela sabia muito bem o poder de sedução que Edward exercia sobre ela e o quanto ele era persuasivo quando queria.
- Sei muito bem disso, mas antes vamos ter uma conversinha senhora Cullen.
- É melhor deixar nossos problemas para depois Edward.
- Porra nenhuma!
Esbravejou se levantando irritado.
- Que raio de idéia foi aquela de trazer o maldito cachorro para dormir no nosso quarto?!
Sua irritação transbordava por todos os poros.
- Olhe bem como fala do meu cachorro.
Retrucou erguendo o queixo.
- Quero uma resposta Isabella!
- Estava com saudades dele.
Respondeu com um ar casual, como se não desse muita importância ao assunto.
- Mentirosa!
Cuspiu.
- Você fez de caso pensado. Perguntei a Laurent por que aquela fera estava dentro de casa e ele me disse que você foi buscá-lo ontem à noite.
- E daí? O cachorro é meu e eu faço como achar melhor! Não vejo problema algum em trazer o meu cachorro para dormir no meu quarto!
- O quarto também é meu! Esqueceu que agora é minha esposa?!
- Acho que quem esqueceu isso foi você.
Falou baixinho. Ele estreitou os olhos e Bella prosseguiu:
- Você demorou bastante a voltar para casa, Edward. Posso saber por quê?
- Não mude de assunto! Você sabe muito bem que aquela coisa me odeia há anos e que com ele aqui eu não poderia entrar no “nosso” quarto. O que me leva a crês que fez tudo de caso pensado. Tive que dormir sozinho, coisa que como você sabe, eu detesto. Especialmente agora que me casei com você.
Ela se virou para ele com os olhos furiosos e alfinetou:
- Dormiu sozinho porque quis! Afinal de contas você me deixou aqui, mas saiu acompanhado.
Ele parou por um instante, fitando-a atordoado.
- O que?! Que merda é essa? Fui apenas deixar Tânia em casa como Eleazar me pediu e você ouviu tudo Bella, pois estava lá! Como eu iria dizer não ao meu tio?! Seria uma indelicadeza, não acha?!
Ela rolou os olhos.
- Me poupe dos seus cinismos Edward!
Ele mordeu o lábio inferior e depois sorriu.
- Por acaso está com ciúmes Bella?
Desviando o olhar, ela apertou mais o roupão contra seu corpo desnudo.
- Não seja ridículo! Casei com você porque não me deixou alternativa. Agora por favor, me dê licença para que eu possa me trocar.
- Não tem nada aí que eu já não tenha visto, beijado ou tocado anteriormente.
Falou com a voz repleta de desejo.
- Quero ficar sozinha!
Ela bradou.
- Problema seu baby. Não vou a lugar nenhum.
E dizendo isso sentou na cama e lhe deu um sorriso jocoso. Bufando de raiva ela pegou um jeans e uma camisa de tecido larga, uma calcinha e sutiã brancos e começou a se vestir na frente dele. Instantes depois Bella jogou a cabeça para trás e gemeu quando sentiu as mãos dele se apossarem dos seus seios, em carícias sensuais. Ele sorriu com o descontrole dela e a resposta imediata do corpo feminino.
- Senti falta do seu corpo minha linda. Não me faça dormir sozinho outra vez.
Edward desceu seus lábios pelo pescoço, pelo queixo, pelos ombros delicados descobertos deixando um rastro de fogo por onde passava. Bella engoliu em seco e resolveu que não cederia tão fácil. Empurrou-o para longe e se desvencilhou dos seus toques, deixando-o pasmo. Em poucos minutos ela se vestiu e fitou-o.
- Gostaria que eu te deixasse em casa, como fez ontem e seguisse com o Mike ou com o Jacob? Numa relação nem tudo são flores Edward, mas cumplicidade tem que existir.
Ele permaneceu calado, fitando-a.
- Pense nisso Edward. Foi você mesmo quem disse que o nosso casamento mesmo não sendo convencional poderia dar certo. Como se sentiria se estivéssemos em lugares opostos na noite passada?
Disse isso e saiu deixando-o perdido em seus próprios pensamentos.
Notas finais
Uau gostei de ver a Bellinha, embora estivesse louca de tesão(quem pode cu-pala nê?) deu uma baita de uma lição de moral nele amei.......... Agora só falta aquela ordinária da Tânia ter deixado a calcinha no carro dele sem ele ver, ai que a vaca vai pro brejo.
Beijos ate mais.
Kiki
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