Notas iniciais
Boa noite Meninas


PDV Isabella Swan.

Olhei no relógio e vi que já estava super atrasada para a faculdade. Buzinei mais uma vez como se isso fosse à solução para o congestionamento a minha frente. Suspirei e olhei pela janela, os meus olhos se encontraram com os da motorista ao lado. A mulher me deu um olhar mais gelado do que a temperatura lá fora. Cruzes! Por que as pessoas não poderiam ao menos ser simpáticas de vez em quando?! Inclinei minha cabeça para trás no banco e dei um longo suspiro, pensando em voltar ao fracasso que estava sendo o meu dia.

Eu tinha acordado com Siobhan me sacudindo de leve e só então percebi que havia adormecido no meu antigo quarto. Tive que escutar toda a ladainha dela dizendo que aquilo era inadmissível, que eu era uma mulher casada, que devia dormir com o meu marido, etc. e tal. Sei que ela só queria o melhor para mim, mas às vezes a velha governanta me enchia a paciência. Um dos professores da faculdade de Belas Artes, Felix Volturi havia designado um tema para cada aluno do curso. O meu era a vida e a obra de Leonardo da Vinci e sua influência no mundo das Artes no século atual. Eu tinha passado o final de semana inteiro envolvida naquilo.

Suspirei resignada. Fazia dois dias que eu o evitava usando este trabalho com desculpa, mas a verdade era que eu tinha ficado irada com a atitude dele no sábado pela manhã. Ele me procurou ontem à noite quando foi deitar, mas eu respondi que estava terminando a apresentação para nota e assim ele não insistiu. Apesar do meu corpo traiçoeiro parecer implorar pelas carícias de Edward, eu estava resistindo bravamente até aquele momento. Hoje mais cedo quase tive uma síncope quando descendo as escadas às pressas, dei de cara com ele subindo trajando apenas uma sunga preta e colada ao corpo viril. Por um momento eu esqueci como respirar.

Ele piscou para mim e sorriu como se nada tivesse acontecido.

- Bom dia amor. Conseguiu concluir a apresentação minha linda?

Eu sequer consegui concatenar uma resposta coerente. Fiquei ali como uma idiota, babando por ele, meus olhos percorrendo com saudade o corpo que qualquer modelo masculino na face mataria para ter e o cabelo mais incrível do mundo. Ele passou por mim e subiu os degraus assoviando baixinho. Maldito Cullen!

Sábado quando havia chegado, já anoitecia. Ele veio até o escritório onde eu estava e beijou de leve os meus cabelos, insistindo para que eu o, acompanhasse até lá fora. Dei uma desculpa qualquer, mas ele não se deu por vencido e ficou lá até que eu cedi. Ele pegou minha mão e me levou até a garagem. Franzi o cenho sem entender. Laurent e James nos aguardavam na gente do portão branco. Muito a contragosto esperei enquanto ele fazia um sinal e os dois seguranças puxavam as portas. Meu queixo caiu. Um carro lindo, novo e de luxo estava dentro da garagem, com um extravagante laço de fita rosa sobre ele. Edward sorriu e me estendeu as chaves.

- Como?!

Ele deu de ombros.

- É seu presente de casamento, minha linda. Como tivemos vários contratempos, eu não pude lhe dar antes.

- É lindo Edward, obrigada, mas realmente não precisava, afinal tenho o meu carro e ele ainda é semi novo...

Ele me interpelou.

- Seu carro não é protegido nem seguro com este Bella e eu tenho certeza de que você não iria concordar em andar por aí cercada por seguranças. Acertei?

Bufei.

- Lógico! Eu nunca andei assim, a não ser quando...

- Era criança, eu sei.

Ele disse sacudindo a cabeça. Parecia estar falando com uma criança e não com a esposa dele. Sem me deixar dizer coisa alguma, Edward prosseguiu.

- Mas agora nós casamos e eu vivo num meio comercial muito competitivo a algumas vezes desleal.

Ele me fitava com seriedade.

- Você não tem idéia do que determinadas pessoas são capazes de fazer para conseguir um projeto exclusivo ou de designe inovador. Dessa forma, a sua segurança para mim é prioridade, então achei melhor te dar um carro novo, moderno e blindado.

Revirei os olhos diante do discurso desnecessário.

- Eu não quero Edward.

Ele me deu um sorriso torto e o meu coração acelerou. Aquilo era uma covardia comigo. Por que ele tinha de ser tão lindo?! Um simples sorriso e meus joelhos estavam parecendo gelatina.

- Você é quem sabe amor.

Disse dando de ombros.

- Ou o carro ou quatro seguranças fazendo a sua escolta todos os dias para qualquer lugar aonde você for.

Cerrei os punhos com força. Filho da Mãe!

- Você é um manipulador Edward Cullen!

Esbravejei, batendo o pé no chão. Eu sabia que ele estava falando sério apesar de estar sorrindo e que eu não o demoveria daquela idéia tão facilmente, então para não correr o risco de ter um bando de gorilas uniformizados me seguindo como cães de guarda, peguei as chaves e marchei de volta para dentro de casa, pisando duro.

Outra buzina estridente vindo do carro atrás de mim dessa vez, me fez despertar dos meus devaneios. Olhando para o relógio outra vez, suspirei aborrecida e peguei o celular discando para um dos meus colegas no curso. Ele atendeu no segundo toque.

- Bella?! Onde você está?!

Erick York sussurrou baixinho.

- Presa no trânsito, — respondi mal humorada.

- Ele já chegou?

Perguntei apreensiva, afinal o professor Felix era conhecido pela sua rigidez e intransigência com os alunos da graduação e da pós-graduação.

- Sim. O cara está uma fera. Fez uma crítica enorme a palestra da Claire. A coitada saiu chorando da sala.

Gemi, angustiada. Por que justamente naquela segunda-feira as coisas tinham que dar errado?! Gemi baixinho.

- Quem é o próximo?

A ordem das apresentações era por sorteio.

- Ângela Weber, ele respondeu.

Nos nunca havíamos sido muito próximos até eu começar a sair com o Mike. Como eles eram amigos de infância, pois tinham morado desde que nasceram em Forks, cidade mais chuvosa do Estado de Washington, a aproximação foi inevitável.

- E depois?

- O meu.

Respondeu lamentando.

- Vou fazer de tudo para chegar aí o mais rápido possível.

- Ok, Tchau.

Uma hora depois eu estacionava o carro que chamava a atenção de todos no estacionamento lateral do Campus. Desci apressada e tropecei quase caindo no chão. Eu sempre fui meio descoordenada mesmo. Alisei minha camisa de seda branca, ajeitando os punhos e a gola e minha calça de alfaiataria azul marinho andando a passos rápidos pelo local.

- Ei, moça!

Dois alunos chamaram. Parei subitamente estreitando meus olhos. Com certeza eu não os conhecia porque eram muito jovens. Provavelmente calouros cursando o seu primeiro ano de universidade.

- Sim?

- Seu carro é uma Mercedes Guardian?

Mais essa agora. Dei de ombros e continuei andando.

- Não faço à mínima idéia, retruquei secamente.

- Tenho quase certeza que sim, — cochichou o outro fitando-me com os olhos arregalados e uma expressão chocada em seu rosto.

- Cara, apenas cinco unidades estão disponíveis na Europa. Não chegaram ainda por aqui. Podemos tirar uma foto?

Perguntou com o celular em punho. Que coisa mais estranha! Eles queriam tirar uma foto do meu carro?! Homens! Não dá para entender como funciona a cabeça deles...

- Fiquem à vontade, — respondi.

Mas algumas considerações que fizeram depois me deixaram estática no lugar, me fazendo esquecer por alguns momentos o temido professor Volturi.

- O que será que ela é?

- Sei lá... Mas ela deve ser uma das cabeças.

O outro respondeu eufórico.

- Presidente da máfia russa, traficante de armas ou drogas.

Disse um deles empolgado.

- Ou então amante de um dos Reis do petróleo no Oriente Médio. Só isso explicaria ter um carro a prova de fogo, a prova de mísseis, com duzentos quilos de blindagem e que não pode ser amassado nem que um tanque de guerra passe sobre ele.

Congelei. Paralisei. Meus músculos retesaram. Esqueci de respirar por alguns segundos... Oh meu Deus! A prova de mísseis?! Ele havia dito duzentos quilos de blindagem?! Eu ouvi direito?! Duzentos?! Estremeci por inteiro. No que será que Edward estava metido para querer me proteger desta forma?! Algo ilícito com certeza! Cerrei meus dentes fortemente. Meu coração batia descompassado e eu precisei de uns dez minutos para sair do transe em que me encontrava e seguir adiante. Ao entrar esbaforida na sala de aula no segundo andar do complexo, dei de cara com o arrogante e metido professor. Ele era alto, sotaque italiano, cabelos escuros. Seu porte e elegância despertavam a atenção de homens e mulheres. Às vezes era até charmoso e muitas alunas suspiravam quando ele passava nos corredores. Mas o mar de superioridade e a cara de coisa ruim era o que para mim, mais se destacava.

- Ah, senhorita Swan! Então resolveu dar o ar de sua graça.

Falou com ironia olhando pausadamente para o relógio de ouro reluzente em seu pulso esquerdo. Os outros alunos me olhavam com cautela, temendo por uma discussão. Respirei fundo antes de responder.

- Me desculpe, professor. Houve um acidente na via principal envolvendo um caminhão e dois automóveis. Cheguei o mais depressa que pude.

Respondi educadamente, me sentindo incomodada em ter seus olhos grandes e escuros cravados sobre a minha pessoa. Ele fez um gesto com as mãos como se não se importasse.

- Tsc, tsc. Desculpas, desculpas. O horário da minha aula está encerrado senhorita.

Disse levantando-se e juntando suas anotações.

- Senhora Cullen, — respondi entre dentes.

Todos ali na faculdade sabiam que eu havia me casado, mas ele parecia fazer questão de ignorar. Por que aquele homem tinha de ser sempre tão desagradável?! Ele me olhou e ergueu as sobrancelhas num gesto cético.

- E quanto a minha apresentação?

Questionei irritada.

- Na próxima aula. Mas perderá dois pontos em sua nota por não ter apresentado hoje, como os outros.

Contei até cem, apertando as mãos com força para não voar no pescoço dele, dando um escândalo na frente dos meus colegas. Que ódio! Sujeitinho mais imbecil!

- Que seja.

Retruquei tentando recuperar o controle. Ele deu um sorriso sarcástico e pegou suas coisas, retirando-se. Esperei que o infeliz estivesse longe e desabafei:

- Droga! Que homem insuportável!

- Nem me fale Bella, — gemeu Erick.

Sentei ao seu lado confortando-o.

- Ele corrigiu minha apresentação o tempo todo e deu nota 5,5. Estou ferrado. Não vou conseguir passar, só se tirar um 9,0 e nós sabemos que isso é bastante improvável...

Falou encolhendo-se na cadeira. Afaguei seu ombro num gesto solidário tentando animá-lo.

- Faremos o melhor possível Erick.

- Estou na final Bella. Não tenho com escapar.

Sorri complacente.

- Calma, York. Como alunos nós temos obrigações, mas também temos os nossos direitos.

Ele arregalou os olhos.

- Não venha me dizer que está tentando ir na coordenação ou na reitoria se queixar do Félix?!

Sorri com tranquilidade.

- Você o ouviu dizer que eu já estou com dois pontos a menos por ter chegado atrasada.

- Não ouvi nada. Não te disse que tenho sérios problemas no tímpano?!

Falou nervoso. Dei-lhe uma tapa na cabeça.

- Ui!

- Você ouviu muito bem, mas se não quer se envolver, eu respeito sua decisão.

- Obrigado, porque eu não quero e não vou me envolver, Bella. Em se tratando de Félix Volturi é suicídio.

Bom, de certa forma ele estava certo afinal de contas ele era um professor renomado e seu irmão mais velho Aro Volturi era catedrático em Londres, possuía vários livros e artigos publicados e já havia sido o coordenador do curso de Belas Artes no meu primeiro ano na faculdade. Se eu fosse denunciá-lo por coação, abuso de poder ou o que quer que fosse, com certeza ele começaria a me perseguir, então por hora eu deixaria passar, mas faria um trabalho excepcional. Assim ele não poderia deixar de me dar uma boa nota

- Obrigações, obrigações e mais obrigações. Os alunos aqui não tem direitos. Nós só temos obrigações!

Reclamava enfaticamente Ângela Weber.

- A pobre da Claire foi embora. Ele conseguiu acabar com o dia dela.

Falou referindo-se a outra colega nossa.

- Espero que ela se recupere logo.

Emendei. Claire era uma boa pessoa, mas muito imatura. Uma simples bronca de um professor a balava muito. Se tratando do terror da faculdade então...

- Que tal esquecermos Félix babaca Volturi por algum tempo e comermos alguma coisa? Mal tomei café da manhã quando saí de casa.

Não deixava de ser verdade. Além de estar atrasada, a visão de Edward só de sunga nas escadas não ajudou muito o meu apetite matinal. Quanto ao meu apetite sexual... Erick e Ângela aceitaram a sugestão e nós fomos caminhando até um restaurante francês próximo ao campus.

PDV Narrador.

Descontraída com seus amigos Bella não percebeu o carro preto estacionado a uma certa distância. Discretamente Edward continuava a vigiá-la, mas pelo bem de sua sanidade mental do que pela própria segurança dela. Os dois homens estavam vestidos a paisana a se comunicavam sempre com o patrão dando as coordenadas e informações sobre Isabella.

Edward respirou pesadamente. A cabeça doía, o cansaço dos últimos dias era visível nas olheiras em torno dos seus olhos. Ele estava parecendo um vampiro que há dias não se alimentava. Seu corpo reclamava da falta de sexo a que Bella o havia imposto. Seu pênis gritava por alívio e ele sabia que se hoje ela voltasse a dormir no antigo quarto ele teria de se aliviar sozinho. Às vezes o sentimento de fracasso pairava sobre ele, fazendo-o duvidar se havia feito à coisa certa ao forçar Bella a ser sua esposa, mas como sempre seu orgulho vencia e ele seguia em frente. Apertou os olhos com força e tomado por estranho sentimento de derrota, pegou o celular discando o número do seu tio. Jogando a toalha na mesa ele cedeu e resolver atender os conselhos do seu pai, pois não estava conseguindo dar conta de todas as necessidades de sua empresa sozinho, por mais que se esforçasse. Que Deus o ajudasse, pois Tânia seria uma pedra em seu caminho sem sombra de dúvida.

Dois dias depois...

PDV Edward Cullen.

Esmurrei o volante outra vez. Trânsito maldito! Sinceramente não sabia o que estava me deixando mais irritado, dormir separado de Isabella, o congestionamento ou a festa hoje em homenagem a Billy Black. Suspirei encostando a cabeça no encosto do banco. Eleazar havia concordado em me ajudar e estaria na empresa na tarde seguinte. Não toquei no nome de Tânia, mas conhecendo bem aquela ordinária, eu teria de aturar a presença dela na Cullen Ltda.

Eu havia esquecido completamente da festa em homenagem a um dos mais ilustres médicos da cidade. E embora o velho Billy já houvesse se aposentado, continuava fazendo serviços voluntários, dedicando-se aos mais carentes e seria o grande homenageado da noite. Quando aminha secretária, Jane me lembrou daquele compromisso horrível eu me descontrolei e descontei na coitada. Quando saí do escritório ela ainda estava enxugando as lágrimas em sua mesa.

Afrouxei a gravata e meus pensamentos voltaram para hoje pela manhã quando dois dos meus homens de confiança seguiram minha mulher até o campus universitário novamente. Segundo informações de ambos há dois dias alguns calouros idiotas haviam dito a Bella que o carro que eu havia dado a ela era a prova de mísseis. Se eu a conheço bem, ela me confrontaria sobre aquilo na primeira oportunidade. Bufei. Ela que se preparasse, pois com o meu humor atual, a briga seria grande. Mas como o melhor lugar para se fazer as pazes é a cama...

Notas finais
Bem acho que a Bella deveria ter recebido melhor o presente do Edward, poxa um carro de presente de casamento, (O meu mal me deu o aliança rsrsrsrsr)
Bem meninas, que tal um recomendaçãozinha em em.......
Beijos amanha tem mais