Casamento Sob Suspeita.
26 Capítulo 26 – O passado vem à tona.
Notas iniciais
PDV Edward Cullen.
Fiquei olhando para a porta do banheiro perplexo. Realmente não há como entender as mulheres. Eu não consegui dormir quando vi as marcas dos meus dedos na pele clara do braço dela. Quando descobri as outras então... A única marca que eu quis deixar foi a do chupão no pescoço, as outras eu havia feito sem me dar conta, no calor do momento. Bella não entendia, mas eu me odiava por machucá-la da menor forma que fosse. Aquilo me doía, me incomodava demais. Eu nunca, nunca havia machucado uma mulher antes e várias já haviam passado pela minha cama, mas com ela era diferente. Por que ela não entendia?!
Eu me recriminei e me xinguei mentalmente passando o resto da noite acordado, velando o sono dela e me preparando para me desculpar assim que ela acordasse. Eu tinha certeza que ela iria me recriminar, me acusar e jogar o meu comportamento rude na minha cara. Balancei a cabeça ainda custando a acreditar... A reação dela havia sido uma imensa surpresa.
O que eu deveria fazer agora? Ir atrás dela ou esperar que a fera se acalmasse? Sim porque eu a conhecia o suficiente para saber que agora ela estava com muita raiva. O toque breve do celular interrompeu meus pensamentos.
- Cullen.
Atendi sem olhar quem era.
- Bom dia Edward.
A voz de sino da minha irmã chegou até os meus ouvidos.
- Bom dia tampinha.
- Não vou nem responder a essa piadinha sem graça. Como está minha filha?
Sorri da indignação dela.
- Deve estar muito bem. Ela dormiu com Siobhan.
Alice deu uma risadinha maliciosa do outro lado.
- Então a noite de vocês deve ter sido boa. Como está Bella?
- Está no banho.
Boa não, a noite foi ótima. Maravilhosa, perfeita, espetacular, até eu me dar conta de que havia sido um animal com a minha mulher. Mudei de assunto rapidamente ou Alice perceberia que alguma coisa estava errada. Ela era extremamente perspicaz.
- Minha vez. Como está o Jasper?
Senti que ela relaxou. Eles se amavam tanto quanto eu amava Isabella.
- Ele irá para casa hoje Edward. Eu estou tão feliz!
Aquilo era uma notícia boa da porra!
- Já Alice? Não é perigoso? Ele ainda está se recuperando...
- O médico esteve aqui hoje e nós conversamos muito sobre o assunto. Ele acha que Jasper terá uma recuperação melhor no ambiente dele, ou seja, em casa.
Fazia sentido. O ambiente hospitalar é sempre deprimente.
- Fico muito feliz em saber disso.
- Eu também Edward, está sendo bem difícil para ele aceitar suas incapacidades nesse momento, ter que depender de outras pessoas para ajudá-lo. Você sabe como ele é...
Sim, eu sabia. Jasper não conseguia ficar sem fazer nada. Por isso ele era tão eficiente e o meu braço direito na empresa.
- Quer que eu converse com ele sobre isso?
- Sim. Pode me fazer este favor?
- Claro, Tampinha, mas você vai ficar me devendo...
Já imaginei a cena... Ela com aquela cara de fada revirando os olhos antes de responder.
- Tudo bem seu chantagista. Entramos num acordo depois.
- Rsssssssssss... Pode apostar que sim irmãzinha. Vou trocar de roupa e comer alguma coisa. Em seguida irei ao hospital.
- Obrigada. Pode me fazer um outro favor antes de vir? Pode deixar a Kate na casa da mamãe está bem? Apesar de estar morrendo de saudades, quero levar Jasper para casa primeiro e acomodar as coisas antes que ela chegue.
Entendi perfeitamente. Como toda criança nessa fase, Kate sempre queria a atenção da mãe quando ela estava por perto.
- Pode deixar. Beijo.
- Beijo. Tchau.
Olhei mais uma vez para a porta fechada do banheiro e suspirei. Era melhor eu tomar banho no antigo quarto dela.
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Eu estava acabando de tomar o café da manhã com a minha irrequieta sobrinha sentada em meu colo quando Bella desceu as escadas com os cabelos escuros ainda molhados, soltos como uma cascata e um vestido branco leve. Meu coração deu um salto.
- Bom dia menina.
- Bom dia Siobhan.
Respondeu sem me encarar.
- Dinda! Dinda!
Kate batia palminhas chamando a sua atenção.
- Bom dia meu amorzinho.
Falou sorrindo. Sorri junto. Ela ignorou e tirou Kate do meu colo. Minha sobrinha foi para os braços de Bella satisfeita.
- Jasper vai para casa hoje, — eu falei atraindo sua atenção.
Ela me olhou surpresa, mas não disse nada.
- Papá. Papá.
- Isso linda, o papai vai para casa hoje. Está feliz?
A criança riu mostrando os dois dentinhos inferiores, avistando os biscoitos caseiros de amendoim.
- Dá, dá.
- Calma querida. Preciso saber se você já comeu alguma coisa hoje. Guloseimas só depois. E papai onde está?
- No escritório, lendo. Ele hoje acordou cedo.
Siobhan respondeu. Kate a fitava como se entendesse tudo o que Bella dizia e aquilo me deixou enciumado. Era como se as duas estivessem num mundo exclusivo delas e eu fosse excluído. Siobhan interrompeu os meus pensamentos.
- Pode dar Bella. Ela comeu uma papinha de frutas assim que a acordou.
- Sendo assim...
Bella pegou o pote de biscoitos, abriu e entregou um a Kate que se deliciou e atacou o doce com vontade, provocando risos em todos nós. Olhei para o relógio e me levantei, pedindo a Siobhan que arrumasse os pertences da pequena, pois eu a levaria até a casa dos meus pais.
Depois que tudo estava pronto, coloquei Kate na cadeirinha no banco de trás e prendi o cinto. Ela agarrou seu ursinho de pelúcia e eu sorri, dando a volta e me acomodando na frente. Liguei o carro e dei a partida arriscando um último olhar para casa, mas Bella já havia entrado.
Dirigi até o portão sendo cumprimentado pelos seguranças. Baixei o vidro me dirigindo a Laurent, um dos funcionários mais antigos na mansão.
- O presente que eu comprei para minha esposa, está tudo em ordem?
- Sim senhor, — ele respondeu. — O carro está na garagem como o senhor determinou.
Assenti.
- Ela não o viu?
Perguntei.
- Não. Nós o trouxemos quando a senhorita, digo, quando a senhora Isabella não estava em casa. Ela não desconfia de nada.
O outro segurança, James apenas olhava o desenrolar da conversa.
- Tudo bem, então. Obrigada Laurent.
Ele assentiu e eu acelerei o volvo rumo à casa de meus pais. Trinta minutos depois...
- Chegamos linda.
- Bo-bó.
Ela tinha reconhecido a casa, apesar da sua pouca idade.
- Garota esperta. Até parece que é minha filha.
- Espere só até a anã, gnomo escutar isso!
Emmett bradou tirando um sarro.
- Cala a boca, grandão.
Falei divertido. Meu irmão era uma criança grande.
- Ah, qual é Edward!
- Ti-ti! Ti-ti!
Dizia Kate agitada.
- Muito bem amor. Seu tio favorito está aqui princesinha!
Bradou tirando-a da cadeirinha e rodopiando com ela nos braços. Minha sobrinha gargalhava.
- Vai sonhando, Emmett. O tio favorito sou eu.
- Tá com ciúme Edward? Eu entendo irmão. Agora que eu cheguei você perdeu seu espaço, coitadinho...
Dizia dando beijos estalados na bochecha rosada de Kate que estava se divertindo muito com tudo, agarrada ao pescoço dele com os bracinhos pequenos. Dei um soco leve em seu bíceps. Ele nem se mexeu.
- O que foi isso? Um soco ou você tá me alisando? Ih, Edward tá parecendo uma bichinha... Tem que malhar mais mano.
Rolei os olhos.
- Vai se ferrar Emmett!
- Há, há, há, há, há! Tá vendo só Kate? Esse seu tio aí não é de nada linda. Você tem que aprender é com o titio aqui florzinha.
- Ti-ti!
Ela gritou contente.
- Ouviu isso Edward?! Sua vez já era, mano!
Meus pais e Rose apareceram na porta, sorrindo. Mamãe pegou a Kate e entrou com ela e Rose, enquanto nós fomos para o escritório. Com certeza minha sobrinha teria um dia muito especial, com direito a brigadeiro e outras coisas. Papai fechou a porta do escritório e eu e Emmett nos aboletamos nas poltronas confortáveis. O dia lá fora estava bom, mas apesar do sol, uma brisa fria soprava anunciando a chegada do outono.
- Como está a empresa?
Papai perguntou.
- Estou dando o máximo de mim, mas as coisas não estão fáceis.
Emmett empertigou-se na cadeira.
- Precisa de mim lá mano? Posso dar um jeito.
Eu me orgulhava de ter uma família tão unida.
- Obrigada Emmett, mas eu sei que não é o tipo de trabalho que você gosta de fazer...
Ele deu de ombros.
- Não tem importância. Se você está precisando de ajuda eu posso dar um jeito. Além do mais Rose iria adorar ficar aqui em Richimond mais um pouco. Ela se sente muito sozinha no Canadá.
Sorri agradecendo sua boa vontade.
- Acho que Eleazar seria uma boa opção Edward.
Meu pai voltou a insistir. Enrijeci involuntariamente.
- Ele tem experiência no ramo, assim como você. É da família, de total confiança e eu até já toquei no assunto com ele há alguns dias.
O silêncio reinou por alguns momentos. Emmett me fitou e se remexeu desconfortavelmente na cadeira em que estava sentado. O olhar de Carlisle foi de mim para ele e voltou para mim.
- Existe alguma coisa que eu não estou sabendo?
Emmett me fitou novamente e ambos respondemos juntos:
- Tânia.
Meu pai suspirou e balançou a cabeça concordando.
- Estou ciente dos inconvenientes no dia do meu aniversário.
Olhei para ele surpreso.
- Rose contou a sua mãe. Parece que ela ouviu alguma coisa. Uma conversa entre vocês dois no escritório no dia da festa ou algo parecido.
Desviei meu olhar. Se Rose sabia, Bella sabia. Elas eram primas e Rose não deixaria de contar uma coisa como aquela a própria prima. Eu só não entendi porque Bella não havia me dito nada até aquele momento.
- Pai, Tânia não passa de uma vadia!
Emmett falou irritado.
- Eu sei Emmett e pelo jeito sou o único da família que não dormiu com ela.
Meu irmão praguejou baixinho. Papai continuou.
- Mas ela é esposa do seu tio Emmett e por isso devemos ter respeito por ela.
- Se ela se desse ao respeito!
Emendei.
- O que ela fez agora Edward? Rose me falou sobre a tal conversa, mas só aquilo não era motivo para te deixar tão irritado mano.
Meu irmão me conhecia muito bem. Ele me fitava com os olhos em fenda, uma expressão séria em sua face, tentando adivinhar o que havia acontecido. Foi a minha vez de suspirar pesadamente.
- Se ofereceu pra mim.
- Como?!
- Como assim?!
Os dois perguntaram. E calmamente contei o que tinha acontecido no dia em que Jasper fora internado. Tudo o que ela fez, tudo o que eu disse a vagabunda e tudo o que tive que passar quando cheguei em casa naquela noite. Geralmente não havia segredos entre nós.
- Um momento. Depois de ouvir tudo isso eu preciso de uma boa dose de uísque para me recuperar.
Carlisle falou.
- Eu também pai, — disse Emmett.
Eu recusei. Não queria beber àquela hora da manhã e ainda iria buscar Jasper e Alice no hospital.
- Por favor, não comentem com sua mãe sobre o que aconteceu.
- Deus me livre! Se D. Esme souber, as meninas vão saber, a Rose vai me crucificar e o Edward vai ter que dormir com o Tyler na casinha de cachorro no quintal!
- Cala a boca Emmett! Mas o papai está certo em não querer que mais ninguém saiba disso. E fique sabendo que eu odeio aquele bicho!
Meu irmão gargalhou.
- Mas eu tenho que tirar o chapéu para a Bellinha mano. Ela ferrou com você. Pegou pesado, caralho. Colocar a fera aos pés da cama... Eu queria ter visto a sua cara de pavor!
- Menos Emmett.
Ralhou meu pai.
- Mas não tinha motivo para isso! Bella sabia que eu tinha ido levar Tânia em casa porque Eleazar me pediu. Ela estava comigo no hospital!
- Mas você a deixou em casa primeiro Edward. Como acha que ela se sentiu?
- Pai, ela não estava se sentindo bem. Achei que seria melhor ela comer alguma coisa, tomar um banho...
Argumentei. Ele me deu um sorriso complacente, repleto de sabedoria.
- Escute o seu pai. Meus cabelos brancos não estão aqui por acaso. Já vivi mais do que você, Edward e a reação da Bella é perfeitamente natural, filho. Uma mulher com ciúmes é capaz de qualquer coisa.
Ciúmes? Bella tinha ficado com ciúmes de mim?! Meu coração se aqueceu diante de tal possibilidade.
- Está surpreso filho? Provavelmente ela ama você com a mesma intensidade com que você a ama Edward.
Engoli em seco. Meus sentimentos eram óbvios assim? Me voltei para Emmett e ele fez uma careta e piscou um olho de forma travessa.
- Você sempre amou Isabella filho. Lembro como se fosse hoje. No seu aniversário de 13 anos sua mãe te deu um potro Manga Larga Machador de presente. Você estava fascinado e não deixou que ninguém montasse o cavalo.
- Eu fiquei com uma inveja da porra mano. O cavalo era demais.
Disse Emmett. Carlisle prosseguiu.
- Dois dos seus amigos estavam lá em casa, mas você não permitiu que ninguém montasse o animal até que Bella e Alice chegaram. Ao avistar Isabella, com seus cabelos presos em duas tranças e um sorriso tímido no rosto, você desceu do cavalo a se aproximou oferecendo a ela para montar. Desde aquele dia eu sabia que o seu coração pertencia aquela doce garota.
Enquanto Carlisle falava a imagens daquele dia brotavam devagar em minha mente, como um filme, trazendo o passado à tona me deixando tonto, mas muito, muito feliz. O que meu pai falava era a mais pura verdade. Eu amava Bella desde sempre.
Notas finais
Beijos
Kiki
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