Casamento Por Correspondência
1 Prólogo
Notas iniciais
Enquanto saboreava seu chá, Ethel Myers comentou, pensativa:
- Estou muito preocupada com Caroline. – De repente observou: — Não acha que o chá está muito forte?
- Sim, tem razão — admitiu Mabel. — Mas lembre-se do que papai dizia: ele tem o poder de nos deixar mais lúcidas para resolver problemas.
- É verdade. Precisamos fazer algo para ajudar Caroline. — Mabel concordou balançando a cabeça positivamente.
- Talvez fosse mais fácil se nós duas tivéssemos encontrado bons maridos para nos casar.
- Oh, sim. Se tivéssemos nos casado, saberíamos como socorrer nossa menina. — A expressão de Ethel tornou-se subitamente alegre — Houve George Guttermann, que pediu minha mão. Pelo que recordo, mamãe impressionou-se bastante com ele.
- O Sr. Guttermann era muito bem aparentado. — Mabel suspirou.
Ethel não se animou com a observação.
- Ah, se já não fosse casado!
- O patife!
- Devemos aprender a perdoar, Mabel.
Mabel fez um sinal de concordância e pegou novamente o bule.
- Estava pensando no noivo de Caroline. Mas uma xícara, minha irmã?
- Oh, querida, será que devemos nos intrometer? — Ethel levou uma das mãos aos lábios para abafar um soluço, meio embarassada.
- Claro que sim. Precisamos encontrar uma solução.
- Oh, pobre Caroline! — Ethel exclamou, enquanto Mabel enchia sua xícara até a borda.
- Havia algo nos olhos dele.
- De George?
- Não, minha irmã, nos do noivo de Caroline.
- Sim, havia algo. — Então Ethel começou a sentir a força do potente elixir. — Minha irmã, o chá...
- Temos que pensar! — Retrucou a outra
- Sim, claro, pensar...
- Se ao menos a mãe dela estivesse viva!
- Ou a avó — acrescentou Ethel.
- A Avó?
- Talvez a tataravó. Ela certamente saberia o que fazer para ajudar nossa sobrinha. Você sabe como ela considerava ridícula essa ideia de namoro; dizia que tudo isso era desnecessário.
- É verdade. Alla Mercer só conhecia vovô por cartas quando veio pra Seattle. Só o viu vinte e quatro horas antes do casamento.
- Não namoraram e, entretanto, foram muito felizes.
- Felizes sim, combinavam bem um com o outro.
- Para terem doze filhos, devem ter se dado muito bem — Ethel comentou com um risinho malicioso.
- Pena que hoje os casamentos não se arranjem mais desse jeito — Mabel falou com um olhar distante e tomou mais um gole de chá.
- Ah, se conseguíssemos encontrar um bom marido para Caroline!
- Mas, querida... — Mabel hesitava. Afinal, elas mesmas não tinham se casado; não faria sentido imaginar que seriam bem sucedidas em encontrar um marido pra sobrinha.
Ansiosa, Ethel agitava as mãos depois de recolocar a xícara sobre o pires.
- Minha irmã, minha irmã! Acho que encontrei a solução! — exclamou, excitada, procurando pelo jornal do dia. — A nossa menina ficará noiva por correspondência.
- Isso não funciona mais como antigamente! — Mabel fitou-a, incerta.
Ethel folheava o jornal apressada. Ao localizar a seção de classificados, apontou para os anúncios pessoais.
- Aqui está, leia isto.
Mabel leu com a voz alta e trêmula:
- "Homem residindo no Alasca, com 20 anos, procura uma moça pra casar. Favor enviar foto. Fornecerei transporte. Correspondência para Harry Styles, na caixa postal 1365." Será que devemos?
- Claro que sim; Caroline está bastante infeliz.
- Sim, e já teve sua chance de escolher sozinha.
- E o bruto deixou-a esperando no altar!
- Um insensível! — comentou a outra.
- Mas ela não pode saber de nada.
- Naturalmente, querida, pois não concordaria.
- Ah, o chá nos ajudou!
- Sem dúvida! Mais um pouco?
Ethel levantou a xícara e Mabel encheu-a de novo. Um pequeno sorriso iluminou-lhe o rosto.
- A receita de papai nos foi muito útil.
- Sempre é, minha irmã, sempre é.
- Oh, sim, certamente.
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