Casamento Por Contrato
6 Capítulo 6: Jardim de Luxemburgo
Notas iniciais
Por Ravena:
–O que?!
–Ravena, calma. Somos casados, meio que se eu pedisse um quarto com camas separadas, ia acabar sendo estranho e amanhã estaria em todos os jornais que estamos tendo problemas.
Cerrei os dentes com raiva. O filho da mãe tinha razão. E eu detestava quando ele tinha razão.
–Eu durmo no sofá! –Ele levantou as mãos para o alto em sinal de rendição. –Não precisa me olhar como se quisesse assar meu pâncreas.
Não consigo conter uma risada com aquilo e suspiro:
–Tudo bem. Já está anoitecendo, meu Deus.
–Sim. Vamos jantar? Torre Eiffel.
–Okay.
Troco um olhar com ele e corro para o quarto entrando no banheiro. Ouvi um grito dele como “Golpe baixo” e ri dentro. Sinto muito, mas ninguém mandou dar brecha pra mim. Tomei um banho demorado, pra relaxar mesmo. Enrolei-me na toalha e só então me dei conta que não havia trago à roupa para o banheiro. Mas não tinha problema. Garfield não estaria no quarto, eu estava ouvindo o barulho da televisão da sala.
Saí do banheiro e me choquei com alguém, caindo em cima dessa pessoa. Encarei a pele verde do meu marido.
–Desculpa. –Murmurei ainda o encarando. Senti meu rosto queimar e eu com certeza estava vermelha. Muito vermelha. Caramba, que situação!
–Não tem problema. –Ele segurou minha cintura me fazendo corar mais ainda e me colocou de pé, se levantando também.
–Agora, some. –Disse e praticamente o empurrei pra fora do quarto. Tranquei a porta e me vesti rapidamente com um vestido preto, rendado, um colar de pérolas, um sapato preto de salto alto, arrumei rapidamente o cabelo num penteado que parecia difícil, mas era bem prático e passei um batom vermelho junto com um delineador preto. (http://www.polyvore.com/fnddt/set?id=96830927)
Suspirei e então saí do quarto. Por um momento pensei que o queixo dele havia caído, mas ele se recuperou logo:
–Está linda.
–Obrigada. –Disse seca, ou o mais seca que consegui. –Agora vai tomar um banho.
Ele entrou no quarto e eu fui para uma mala minha que tinha ali e peguei novamente meu fone de ouvido e comecei á ouvir Hatsune Miku. Qual é? As músicas dela são legais. Fechei os olhos e comecei á cantar bem baixinho “Triple Baka”.
–Sério? –Ouvi uma voz e vi que o abusado havia tirado um lado dos meus fones. –Baka, Baka, Baka?
–Música inspirada em você. — Disse sorrindo. –Vamos ou não?
Ele revirou os olhos, mas assentiu com a cabeça e lá fomos nós.
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Vocês não têm noção de como Paris fica linda vista á noite da Torre Eiffel. Eu não parava de olhar a vista, era lindo demais. Havia comido pouco, aquela visão me encantava. Sempre amei apreciar as coisas belas que o mundo nos oferecia e aquela vista era umas dessas coisas.
–É lindo não é? –Meu marido perguntou finalmente, segurando minha mão em cima da mesa. Não me esquivei do toque. Ainda éramos, para efeito de tudo, um casal apaixonado.
–É sim. –Respondi com um suspiro. Já citei que adorava Paris então aquela visão simplesmente me deixava calma, como se eu não tivesse num casamento por contrato e como se aquela fosse realmente uma viagem normal.
Uma música doce começou á tocar e Garfield se levantou e me estendeu a mão de repente. Dei de ombros e aceitei. Começamos á dançar levemente, junto com outros casais. Foi tão leve que eu me surpreendi, era fácil ser guiada por ele.
–Gosto daqui. –Sussurrei, deixando as guardas baixas, me permitindo conversar um pouco normalmente com ele. Paris fazia isso comigo.
–Eu também. –Sorriu. –Você é tão pequenininha.
Revirei os olhos e franzi o nariz:
–Precisa jogar na cara não, eu sei. –Digo, mas de maneira descontraída.
–Fica assim não, você é linda. Pequena, mas linda. E faz parte do seu charme.
Rio baixinho e fico na ponta dos pés um pouco e depois voltei ao normal. Ele riu também, me puxou e me pôs em cima de seus pés, como se eu não pesasse nada. E quase não adiantou, porque eu ainda não batia nem em seu queixo.
–Não adianta. –Murmurei. –Sou baixinha. Vou aceitar que dói menos.
Foi aí que ele riu mesmo.
–Okay. Mas já disse, é fofinha assim.
–Ah, é muito fofo. É porque não é você que não consegue ver o rosto das pessoas.
–Ah, qual é? Deve ter suas vantagens. Tipo, passar despercebida pela multidão.
–É já viu uma pessoa com cabelo roxo passar despercebida? O pior é que eu pareço um gnomo colorido.
–E eu? Pareço um gigante verde?
–Hum, por aí. –Nós dois rimos e então foi que eu percebi que estávamos conversando normalmente. –Uou. Estamos tendo uma conversa normal.
–Paris, Ravena. Aproveite. Simplesmente, aproveite.
Dou de ombros. Não que eu me sentisse muito á vontade com ele porque eu não me sentia, mas não ia ficar de birra à viagem toda. Era a cidade que eu simplesmente mais amava, eu queria aproveitar no fim de tudo.
–Vou aproveitar. Devemos ser um casal no mínimo engraçado. A garota de cabelos roxos com o cara de pele verde.
–Super normal. –Ele disse rindo e me girando.
–Super. –Concordei.
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Pegamos um táxi de volta para o hotel. Não me lembro de ter dormido no meio do caminho, mas quando acordei estava na minha cama e já era de manhã. Eu ainda estava com o vestido da noite anterior, mas sem os sapatos o que me fez levantar praticamente num pulo. Foi então que eu percebi que o Garfield não estava ao meu lado do na cama o que era no mínimo estranho, afinal, só tinha uma cama naquele lugar. Não posso deixar de falar que estava aliviada.
Levantei-me ainda com a roupa da noite passada e abri a porta do quarto pra ver se encontrava meu marido. Qual foi a minha surpresa ao o ver dormindo no sofá, coberto com uma coberta e com um rosto sereno como se estivesse tendo o melhor sonho do mundo. Dei um risinho baixo e fui até ele. Balancei-o com cuidado:
–Garfield, acorda. Vai dormir na cama. –Digo. Era nove da manhã, um horário estranho pra eu acordar já que geralmente eu acordava bem mais cedo, mas vai entender como meu corpo funciona.
–Que mané dormir o que? –Ele deu um pulo do sofá. –Nós vamos sair querida. É Paris. Gosto de dormir, mas por hoje, não vai rolar.
–Você coloca “nós” como se existíssemos “nós”. Existe eu e existe você. Não existe “nós”. Põe isso na sua cabeça.
–Você pode ficar aqui se quiser Ravena, mas seria estranho um rapaz casado sair sozinho em plena lua de mel, isso seria.
–Vou tomar banho. –Suspiro vencida. –Mas antes, uma pergunta: Eu não me lembro de nada além do táxi.
–Você dormiu. Eu te trouxe para cá. Como já comentamos você é bem pequena e muito leve. Eu te pegaria com um braço e nem sentiria.
–Joga na cara. –Murmuro e depois vou em direção ao quarto. –E outra coisa: Só entre no quarto quando eu já tiver saído. Pra evitar o incidente de ontem.
–Claro.
–Ótimo. –Digo erguendo o nariz e indo tomar um banho. Foi um banho rápido. Vesti uma blusa de mangas curtas negras, uma saia rodada que não chegava ao joelho da mesma cor, um sapato estilo boneca com salto alto. Completei com uma pulseira simples e um colar que tinha como pingente um gato. (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=105312517)
Fui para a sala:
–Vai logo antes que eu desista de te acompanhar.
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Já era tarde. Depois te termos ido ao Museu do Louvre fomos almoçar e agora estávamos passando a tarde no Jardim de Luxemburgo. Era um parque lindo, um ótimo lugar pra ler ou jogar xadrez. Na verdade, estávamos fazendo a última opção naquele exato momento.
–Xeque-Mate. –Digo com um sorrisinho vitorioso no rosto que ia de orelha á orelha.
–Você só pode estar de brincadeira. –Ele fez uma careta que fez o meu sorriso aumentar ainda mais se é que aquilo era possível. –Já é a sexta vez consecutiva e... Olha, você está linda assim. Devia sorrir mais sabia? É uma coisa bonita de se ver.
Coro imensamente e então percebo alguns repórteres ali perto. Será que eles não tinham nada melhor pra fazer não? Eu e Garfield tínhamos empresas muito ricas, mas era no ramo imobiliário. Será que as pessoas realmente se interessavam? Não seria muito mais lucrativo se eles fossem atrás de estrelas de cinema e coisas do tipo?
Meu marido acompanhou o meu olhar e então murmurou um “Você vai me matar depois”. Não entendi no primeiro segundo, mas quando ele me puxou pela cintura e me beijou a confusão se foi. Eu sabia que era minha obrigação retribuir. Mas acredite, eu não correspondi por obrigação. Correspondi porque aquilo era muito bom. Era meu primeiro beijo e eu nunca pensei que poderia ser tão prazeroso. Garfield passou a língua pelo meu lábio inferior como se permitisse entrada. Eu não precisava dar já que estávamos encenando. Mas eu dei entrada á ele e ele se infiltrou na minha boca, explorando calmamente cada canto dela enquanto eu fazia o mesmo.
Quando nos afastamos eu estava corada e os repórteres felizes. Olhei pra ele confusa e ele me olhou da mesma forma, mas acabamos desviando os olhos um dos outros. O clima era o mesmo do nosso casamento, extremamente estranho. Mas tinha algo que eu não podia negar, mesmo querendo com todas as minhas forças. Aquele beijo havia sido bom.
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