Casamento Por Contrato

1 Capítulo 1: A Notícia


Notas iniciais
Antes de qualquer coisa eu peço que vão ás notas da história e leiam! Está um pouco maior do que o de costume, mas eu peço que realmente LEIAM AQUILO! Obrigada.
Bem gente, eu sou Rosalie Potter, mas pode me chamar de tia Rose. Não é só porque é o primeiro capítulo que vocês devem deixar de comentar, comentem please!
Espero que gostem e nos vemos nos comentários.

Acordei com batidas na porta do meu quarto. Em plenas férias! Ainda deviam ser umas seis horas da manhã quando ouvi as batidas porque eu geralmente acordo ás seis e meia naturalmente sem despertador nem nada, meu corpo simplesmente resolve que aquela é a hora que eu tenho que acordar e ponto.

Levantei-me achando aquilo tudo já muito incomum. As pessoas naquela casa quase não lembravam da minha existência e quando se lembravam era para me tratar/olhar com desprezo.

Abri a porta dando de cara com uma das nossas empregadas, Janaína:

-Senhorita Ravena, seu pai quer vê-la em sua sala.

Tive que lutar para não arregalar os olhos. Meu pai? Querendo falar comigo? Eu só podia garantir uma coisa: Não iria ser algo bom. Mas mesmo com os pensamentos á mil, consegui manter a expressão neutra de sempre e a voz sempre a mesma, também neutra, mas como o meu tom de voz é um pouco rouco acaba saindo um pouco sinistro:

-Claro, vou descer já. Obrigada.

Ela assentiu com a cabeça e saiu com um breve “com licença”. Suspirei imaginando o que meu pai queria. Ele mal me dirigia á palavra. Dei de ombros e fui tomar um banho rápido e fazer a higiene matinal. Vesti a roupa de sempre, um colã preto e uma capa lilás. Meu pai detestava esse meu estilo, de acordo com ele não eram “vestes apropriadas” e não eram mesmo afinal eu parecia uma cosplay ambulante. Não me lembro de quando eu comecei á me vestir assim, mas eu me sentia bem. A capa que, quando o capuz está em minha cabeça, cobre com suas sombras parcialmente o meu rosto, me faz sentir segura, protegida. E também repele as pessoas o que tem sido a minha maior meta desde que eu me entendo por gente.

Ajeitei meus cabelos o melhor possível, estes eram lisos até um pouco abaixo do ombro e lilases da mesma cor que meus grandes olhos. Ambas as cores eram incrivelmente naturais, não me pergunte como, sou uma espécime rara. Coloquei a pequena jóia (um losango vermelho) na minha testa e lá estava eu, a garota de sempre.

Arrumei minha cama e só então saí do quarto. Naquela hora a vida naquela casa não deveria existir. Geralmente eu era a primeira á acordar naquela casa. Levantava-me quando não tinha ninguém. As empregadas chegavam ás sete da manhã o que me levou á crer que Janaína havia chegado mais cedo. Meu pai também acordava ás set e ia para a empresa. Apenas algumas vezes ficava em casa para trabalhar aqui (pequenas vantagens de ser o dono). Eu pessoalmente detestava quando ele ficava em casa. Quando ele não estava eu tinha que agüentar somente Margaret, que fingia que eu não existia e eu fingia que ela não existia e ambas ganhavam. Quando meu pai está em casa também finge que eu não existo (á não ser pra me reprovar em algo), mas eu percebo sempre seu olhar reprovador sobre mim e é algo que eu detesto com todas as minhas forças. Sinto-me acuada dentro da minha própria casa.

Suspirei em frente á porta da sala dele e pensei em bater, mas sabia que ele detestava quando eu entrava sem me anunciar e foi mais ou menos que eu fiz. Entreabri a porta e murmurei um “com licença”.

-Entre.

Entrei e algo me disse que eu não receberia uma notícia boa. Lá estava meu pai com aqueles olhos sempre reprovadores me encarando.

-Muito bem Ravena, vou direto ao ponto. –Trigon sendo Trigon. –Você não tem sido muito útil pra mim. Sempre ranzinza, se esgueirando pelos cantos, não sendo sociável, nunca comparecendo á festas e nem vou falar nada sobre as suas vestes. É introspectiva e parece que só tem esse jeito para me afrontar. Mas ainda assim é jovem e de um jeito exótico é muito bela e atraente e por isso consegui que você tivesse alguma utilidade.

Eu não estava gostando do rumo daquela conversa, mas continuei com a expressão neutra e nada disse. Então ele continuou:

-Ravena, eu vou te casar com Garfield Logan e com a união de vocês dois as empresas também se unirão.

Foi muito, muito difícil manter a expressão neutra, mas como eu tinha anos de experiência em controlar emoções consegui manter tanto a expressão quanto á voz neutras quando disse:

-Não me casarei só porque você quer.

Ele levantou uma sobrancelha como se quisesse dizer “Quer apostar?” e soltou:

-Você pode se recusar é claro. Mas se você não se casar, os recursos para sua família materna serão totalmente cortados.

Meu coração foi á garganta. Meus parentes? Ele estava usando os meus parentes para me chantagear? Ele realmente chegara á esse ponto?

-Você não pode fazer isso.

-Tanto posso quanto vou se você não se casar. É simples.

Eu não poderia deixar que eles fossem prejudicados. Lembrei de todos e de como eles precisavam do dinheiro que meu pai mandava. Não, eu não podia deixá-los.

-Isso não é justo.

-Nunca falei que seria. –Trigon tinha aquele sorriso presunçoso no rosto, aquele que ele dava quando sabia que tinha ganhado.

Tudo o que eu mais queria era dizer que não, que ele não iria me obrigar nunca e que nem amarrada eu me casaria, mas não podia. Não ao lembrar que tinha muito mais em jogo. Então somente saí da sala batendo a porta e segui correndo para o meu quarto. Assim que a porta se fechou atrás de mim eu procurei o meu celular com a visão meio turva pelas lágrimas que ameaçavam brotar e disquei o número que já sabia de cór.

-Alô. Ravena?

-Kory, preciso da sua ajuda. É urgente.