Casamento Forçado

22 Você o odeia porque na verdade você ama ele.


– DC eu te conheço bem... — Falou ela trincando o maxilar. — Você brinca com o sentimento das garotas. Eu não vou fazer parte dessa lista.

DC abaixou a cabeça, ela estava certa. Ele sempre brincava com o sentimento das garotas. Mas dessa vez era diferente... Ele nem pensava em fazer algum mal a ela. Ele se questionava o por quê. Ele nunca se importou com os outros. O que estava acontecendo com ele?

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Mônica

Ficamos em silêncio. Ninguém ousou dizer se quer nenhuma palavra. Olhei para a janela que estava embaçada por causa do frio que fazia. Até que um raio ilumina o céu. Vi na tela do meu celular que eram seis horas da manhã.

– Vamos dormir ali atrás. — Falou o DC quebrando o silêncio. Eu olhei para o banco de trás.

– Não cabe duas pessoas ali. — Falei

– Se apertamos cabe. — Falou ele e eu apenas encarei ele. — Qual é? Eu não vou fazer nada.

O DC foi para o banco de trás. Eu fui meio relutante. Me deitei no braço do DC e logo adormeci. Eu estava exausta.

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Acordei com um barulho irritante. Abri meus olhos lentamente e olhei para a janela. O céu estava preto, uma enorme tempestade estava no lado de fora do carro. Me espreguicei para tentar aliviar a dor em minhas costas. Dormir em um carro é bastante desconfortável.

O barulho vinha do banco do passageiro. Passei devagar para o banco da frente e peguei meu celular.

Olhei na tela e me assustei. Treze chamadas perdidas da Magali. Acho que estou bastante ferrada. Respirei fundo e atendi o celular agradecendo mentalmente por ele ter sinal.

– Oi? — Falei baixinho.

– OI?! EU TE LIGUEI TREZE VEZES. TREZE VEZES! — Falou ela gritando e eu afastei o celular da minha orelha. Ela suspirou forte. — Onde você está que não foi para a escola?

– Longa história... — Falei olhando para trás.

– Onde você está? — Perguntou ela. — Eu já fui na sua casa e não tem ninguém lá.

– Na volta da festa o carro simplesmente pifou. — Falei. — Tivemos que passar a noite aqui.

– Você dormiu ai com o DC? — Falou ela com uma voz maliciosa e eu arregalei os olhos.

– Dormi. — Falei e ela deu um gritinho de felicidade. — Mas só dormi mesmo. — Falei e ela suspirou.

– Quando vocês vão perceber que são perfeitos um para o outro? — Falou ela e eu revirei os olhos.

– Magali, menos. — Falei na esperança dela parar com esse assunto. — Dá para você mandar um guincho para cá?

– Sim. — Falou ela e eu escutei um barulho no outro lado da linha. — Peguei o papel e a caneta. Me passa o endereço. — Droga o endereço. Estávamos no meio do nada.

– Só um minuto. — Falei olhando para os lados tentando achar uma sinalização. Virei para trás e vi uma placa. — Rua São José. — Respondi lendo o que estava na placa.

– Nossa, isso é no fim do mundo. — Falou ela. — Em alguns minutos eles estarão ai. — Falou ela por fim desligando.

Peguei meu celular e fiquei jogando um joguinho qualquer. Me encolhi quando um trovão ilumina o céu.
Ouvi um resmungo vindo do banco de trás. Me virei e vi o se espreguiçando. Ele estava com rosto de sono e com o cabelo preto todo bagunçado. Desviei o meu olhar para a janela.

– Bom dia. — Falou ele.

– Bom dia. — Respondi

– Que horas são? — Falou ele passando para o banco de motorista.

– São dez da manhã. — Falei agora encarando seus olhos negros. Ouvi um barulho. Olhei para a janela e vi o guincho chegando.

– Finalmente. — Falei sorrindo. — Guincho chegou. Vamos embora.

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–Mônica! — Falou a Magali na porta da minha casa indo me abraçar. — Eu estava super preocupada! — Falou me dando um abraço apertado.

– Calma Magali! — Falei. — Estou inteira.

– O que aconteceu? — Falou ela andando para dentro de casa, eu também entrei.

– O carro pifou no meio da estrada. — Falei me sentando no sofá, ela se sentou ao meu lado.

– Vou dormir. — Falou o DC, eu assenti e ele subiu as escadas.

Eu e a Magali ficamos conversando bastante tempo sobre coisas aleatórias. Fomos interrompidas pelo som da campainha. Me levantei e abri a porta. A Carmen estava na porta da minha casa. Ela vestia um curto vestido azul claro. O que ela veio fazer aqui mesmo?

– O que você quer? — Falei seca

– Nossa, que boa recepção. — Falou ela irônica

– Fala o que você quer e cai fora. — Falei

– Quero falar com o DC. — Falou ela enrolando uma mecha de seu cabelo loiro em seus dedos.

– Pode entrar. — Falei entredentes e ela mal esperou eu terminar e me empurrou para o lado e entrou na casa. Ela subiu a escada rebolando. Já falei o quanto acho essa garota ridícula? Bufei e fechei a porta com força.

– Que garota ridícula. — Falei me sentando no sofá e a Magali começou a rir. Encarei ela confusa. O que foi tão engraçado? — O que foi? — Perguntei

– Céus... Você está mesmo caidinha por ele. — Falou ela limpando algumas lágrimas que saiam dos olhos de tanta risada que ela deu.

– Você está louca? — Perguntei

– Mônica você já se olhou no espelho? Está na sua cara que você gosta dele. — Falou ela. — Por que você não gosta da Carmen?

– Que pergunta mas idiota... — Murmurei. — Ela é vulgar, metida e...

– ...E da em cima do DC. — Completou ela

– Não! Esse não é um dos motivos. — Falei

– Para de negar Mônica! — Falou ela. — Você odeia ele porque você não consegue tirar ele da cabeça. Ele faz seu coração bater de um jeito que nenhum garoto conseguiu, nem o Cebola. Admite logo! Você odeia ele porque na verdade você ama ele.

– Talvez... Talvez eu goste um pouco dele. — Falei olhando para baixo. Droga, eu não gosto de expor meus sentimentos. Sempre fui ruim com esse tipo de coisa.

– Você admitiu! — Falou ela sorrindo. — Eu sabia. Você ama ele.

– O que eu faço? — Perguntei. — Conto a ele a verdade?

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DC

Tinha acabado de tomar meu banho e já estava preparado para me deitar quando alguém bate na porta.

– Entra. — Falei e a Carmen entrou no quarto. O que ela está fazendo aqui? Eu fiquei com ela no máximo duas vezes e ela não me deixa mais em paz. — O que você quer?

– Isso é jeito de me tratar amor? — Falou ela chegando perto de mim.

– Eu não sou seu amor. — Falei me afastando dela. — Sério Carmen. Para de me perseguir. Eu estou casado com a Mônica.

– Temporariamente. — Falou ela com um sorriso. — Quando essa palhaçada de casamento acabar me procure. — Falou ela saindo, eu levei ela até a saída de trás da casa.

Finalmente paz. Entrei em casa e fui andando pelo corredor para chegar no meu quarto e dormir um pouco. Quando passei perto da escada ouvi vozes.

Para de negar Mônica!– Falou a Magali. — Você odeia ele porque você não consegue tirar ele da cabeça. Ele faz seu coração bater de um jeito que nenhum garoto conseguiu, nem o Cebola. Admite logo! Você odeia ele porque na verdade você ama ele.– De quem elas estavam falando?

Talvez... Talvez eu goste um pouco dele.– Falou a Mônica olhando para baixo.

Você admitiu!– Falou a Magali sorrindo. — Eu sabia. Você ama ele.– Droga! Quem a Mônica ama que não seja o Cebola? Porque estou tão irritado? A vida é dela. Fui para meu quarto irritado. Me deitei na cama e meu plano de passar a tarde toda dormindo foi para o espaço.