Casamento Forçado

30 Irmãs gêmeas


Monique

Eu fui cambaleando até o banheiro e abri o chuveiro, senti a água fria entrar em contato com a minha pele. Peguei o shampoo e coloquei em meus cabelos. Então com aquela água gelada comecei a ter noção dos fatos. Puta que pariu! Eu beijei ele! Ele é casado! Com a Mônica! Mil vezes droga!

Eu e bebida é uma mistura que sempre acaba em coisa errada.

Por mais que pareca que a Mônica me odeia -tenho certeza disso– eu não fiz isso por mal. Eu não sei o motivo dela me odiar tanto, afinal, eu nem troquei mais de duas palavras com ela. Agora ela tem motivo, eu beijei o marido dela.

Tirei a espuma da cabeça e passei o sabonete bem rápido no meu corpo e saí do chuveiro. Nem fiz questão de secar meu cabelo, apenas me joguei na cama, eu ainda estava meio bêbada então não tive problemas para dormir.

~♥~

Escutei um pequeno barulho, abri meus olhos e vi que era meu despertador. Levantei um pouco a cabeça e desliguei aquilo. Eu estava com uma baita ressaca. Peguei uma aspirina no criado-mudo e tomei.

Fui até meu closet e peguei uma camisa branca, uma saia preta e um colete com estampa de flores. Peguei meu rosário, eu iria precisar, eu tinha que falar com o DC e provavelmente a Mônica veria me procurar para pedir satisfações sobre a briga.

Torci para o DC não ter contado nada para a Mônica se não a briga pioraria. E eu não quero brigar.

Peguei meu óculos de sol para disfarçar minha cara de ressaca, estava um horror.

Peguei meu Iphone novo que eu comprei, o outro deve estar boiado na piscina, e peguei meus fones de ouvido.

Coloquei meu fone no ouvido e coloquei em músicas aleatórias. A vida nem sempre é boa, é por isso que as músicas existem. Começou a tocar uma música triste. Por favor, isso é para te jogar mais para baixo ainda. Troquei para uma mais animada e comecei a me sentir um pouquinho melhor.

A vida é assim, para cada dia de sol e glória existe os dias de tempestades e perdas, mas eu continuo caminhando porque a tempestade não cai só em mim.

Suspirei quando vi a escola. Hoje seria um dia e tanto.

Quando entrei a Carmen já veio em minha direção. Apenas revirei os olhos, com certeza ela vai ficar tagarelando sobre o quanto ama o DC e o quanto ele ignora ela e blá, blá, blá.

Ela começou a tagarelar sobre o quanto era injusto ele gostar da Mônica e não dela. — E então ele me deu um fora de novo... — Falou ela com os olhos marejados. Ela já estava tagarelando uns vinte minutos, aqui já estava me irritando e daqui a pouco eu seria rude com ela.

– Ele nunca foi seu Carmen, então me poupe do seu drama. — Falei rude e depois me toquei no que acabei de falar. Levei a mão na boca e tentei me desculpar — F-f-foi mal. E-eu não quis dizer isso.

– Quis sim. — Falou ela olhando para baixo. — Mas você tem razão, ele nunca foi meu. — Falou ela indo embora, droga, ultimamento só estou dando bola fora.

Depois eu iria conversar com ela. Ela pode ser um pouco chatinha mas eu sinto pena dela. Ela ama uma pessoa que nunca terá. Mesmo não demonstrando ela deve sofrer muito com isso.

– Monique! — Alguém gritou me chamando. Eu já sabia de quem era aquela voz. Me virei encarando a Mônica.

– O que você quer? — Perguntei mesmo já sabendo a resposta.

– Não se faça de sonsa. — Falou ela me puxando pelo braço.

– Ei! Me solta! Eu sei andar sozinha. — Falei tentando tirar suas mãos do meu braço. Ela me puxou para dentro de uma sala vazia. A sala de química.

– Fala logo o que você tem para dizer. — Falei

– Com que direito você vai na casa da minha mãe e grita com ela? — Perguntou ela se aproximando de mim.

– Com que direito você me puxa para um sala vazia para fazer essa pergunta idiota? — Perguntei indo até a porta mas ela me puxou antes de eu fazer isso.

– Me responde que eu já estou sem paciência com você. — Falou ela irritada.

– Agora parece que eu sou a culpada. — Falei. — Mas pergunte para a sua mãe o que ela fez comigo no passado.

– Passado? Você só tem dezessete anos. — Falou ela.

– Você também. — Falei dando um sorriso debochado.

– Escute aqui Monique Smith. — Falou ela apontando o dedo para mim. Eu já disse que odeio quando fazem isso?– Se eu ver você brigando ou gritando com a minha mãe de novo eu não me responsabilizo pelos meus atos. — Nossa, que medo. — Está avisada.

– Estou avisada. — Confirmei com ironia e escutei ela bufar antes de sair pela porta me virei para ela. — Por que você me odeia tanto?

– Você gritou com a minha mãe, você é fútil e mimada. — Falou ela. Ouch, essa doeu.

– Você tem razão eu não sou a melhor pessoa do mundo, mas também não finjo ser o que não sou. — Falei

– Você fala como se você tivesse muitos problemas. — Falou ela. — Você é apenas uma riquinha, mimada que nem sabe o que é sofrer.

– E você sabe o que é sofrer? — Perguntei, ela fala não sabendo da minha história. — O que eu passo sorrindo fingindo estar bem, a maioria não aguentaria nem gritando.

–Mas não me odeie. — Falei. — Ou me odeie. Dane-se, eu não me importo. — Falei saindo pela porta.

Ouvi meu celular vibrando, peguei ele e vi uma mensagem de um número desconhecido.

Vem no terceiro andar do colégio, quero falar com você. -DC

Como ele conseguiu meu número?

Terceiro andar, sério isso? Vou ter que andar até ai? -Nick

Deixa de ser malandra e vem logo. -DC

Apenas ri da mensagem dele.

Estou indo. -Nick

Subi as escadas, tomara que valha a pena eu subir essa escada toda. Na última parte da escada eu já estava exausta, sou meio sedentária, fui até lá e vi um corredor todo sujo. Aqui é a parte desativada do colégio, ninguém vem aqui.

Fiquei andando e olhando pelas salas.

Ninguém.

Até que vi uma porta no fim do corredor, fui até lá e abri a porta. Fiquei impressionada com a paisagem. Era uma varanda cheia de plantas com uma paisagem incrível. Olhei ao redor e vi o DC encostado na cerca da varanda vendo a paisagem.

Me aproximei dele e me encostei na cerca e fiquei olhando a paisagem.

– Que lugar lindo. — Falei e ele olhou para mim.

– Muito lindo mesmo. — Falou ele. — Sobre ontem a noite...

– Eu estava podre de bêbada e você estava tentando me ajudar... Só rolou. — Falei bem rápido e nervosa. — Me desculpa mesmo.

– Calma, não carregue o mundo nos ombros. — Falou ele.

– Mas a culpa foi minha. — Falei desviando os olhos dele e olhei para a cidade. — Eu espero que algum dia eu consiga ser o suficiente para alguém.

–Você é maravilhosa, Nick. — Falou ele. — Não deveria ficar se jogando assim para baixo... Só que eu amo a Mônica.

– Eu sei que você ama ela. — Falei sorrindo. — E eu acho isso lindo. — Fechei os olhos quando o vento bateu em mim fazendo meu cabelo se mexer e minha saia também.

– Então amigos? — Falou ele me estendendo a mão.

– Amigos. — Peguei sua mão. Fiquei na ponta dos pés e ele me abraçou.

– DC? — Alguém gritou e eu me separei rapidamente dele. Me virei e vi a Mônica. Droga, droga, droga! Ela já deve estar pensando besteira. Tudo está dando errado ultimamente.

– Mônica. — Falou ele e ela deu meia volta e saiu, eu sai correndo atrás dela pelo corredor.

– Mônica! Espera! — Gritei mas ela apenas me ignorou. Ela estava de salto e eu de sapatilha, consegui alcançar ela e puxei ela pelo braço. Ela estava com o nariz e os olhos vermelho.

– ME SOLTA! — Gritou comigo.

– Não! Agora você vai me escutar! — Falei apertando o braço dela e descendo as escadas.

– ME SOLTA SUA DESGRAÇADA! — Gritou ela puxando o braço.

– ME ESCUTA! — Gritei

– VAI ME PERGUNTAR POR QUE EU NÃO GOSTO DE VOCÊ? — Perguntou ela irritada. — EU NÃO GOSTO PORQUE VOCÊ É UMA VADIA TRAIDORA E MIMADA. — Tudo bem, talvez eu mereci isso.

– Por favor, acredite em mim, eu não estava beijando ele. — Falei.

– Ah... Não estava. — Falou ela com ironia. — Tira essa pata do meu braço. — Eu apertei mais seu braço. — TIRA ESSA MÃO IMUNDA DE MIM! — Gritou ela e eu soltei. O que eu iria fazer?

– DROGA! — Falei dando um soco na parede enquanto ela corria pela escada. Senti meus olhos encherem de lágrimas.

– Onde ela está? — Perguntou o DC

– Eu tentei segurar ela mas não consegui. — Falei chorando. — Me desculpa, não era minha intenção.

– Ela entendeu tudo errado. DROGA! — Falou ele com a mão no cabelo.

– Está esperando o que? — Perguntei. — Vai atrás dela. Vai atrás da sua felicidade. — Ele apenas assentiu e desceu o restante da escada.

– Por que eu só faço as coisas erradas? — Falei me sentando e comecei a chorar.

– Você está bem? — Perguntou alguém, levantei meu rosto e vi um garoto com o cabelo meio engraçado.

– O que você acha? — Respondi rude.

– É eu mereci isso. — Falou ele se sentando do meu lado. — Cebola. — Falou ele estendendo a mão.

– Cebola? — Perguntei. — Seu nome é Cebola?

– Eu sei, é estranho. — Falou ele

– Nome legal. — Falei

– Sarcasmo?

– Claro que não. — Falei. — Meu nome é Monique. — Falei estendendo a mão cumprimentando ele

– Por que está chorando? — Questionou

– Porque eu sou uma idiota. — Falei

– Nossa, profundo. — Falou rindo e eu ri também. Acho que fiz um novo amigo.

~♥~

Mônica

Droga, isso não pode estar acontecendo. Não podia. Isso é apenas um sonho ruim. Quando eu acordar vou estar do lado dele na nossa cama.

Meu Deus, era tudo uma farsa.

Fui até a casa da minha mãe, não aguentaria ficar em nossa casa. Entrei na casa da minha mãe e me deparei com ela vendo televisão na sala.

– Filha?! — Perguntou ela se levantando. — O que aconteceu com você?

– Nada mãe. — Falei. — Mas se o DC vir aqui não deixa ele entrar. Diz que eu... Sei lá... Diz que eu morri. — Falei subindo as escadas bem rápido para ela não fazer mais perguntas.

Me tranquei em meu antigo quarto. Quando vi que estava sozinha me derramei em lágrimas. O meu peito doía de tanto chorar. Eu sou uma fraca, uma idiota.

– Filha? — Minha mãe me chamou do outro lado da porta. — O que aconteceu?

– Depois eu te conto. — Falei chorando. — Agora só me deixa um pouco sozinha.

Esse é o problema de se apegar a alguém. Quando tudo acaba você se sente perdida. Exatamente como eu estou me sentido agora. Perdida. Sem chão.

Comecei a me lembrar dos nossos momentos juntos. Não poderia ser uma mentira. Não podia.

Eu já não enxergava nada, minha visão foi toda embaçada pelas lágrimas.

Eu sou patética, uma garota de dezessete anos chorando como um bebê por um amor platônico.

Alias não era um amor platônico, pois um amor platônico você sofre por não ter a pessoa, eu acho que doí menos do que a pessoa te machucar e te iludir.

Depois de um tempo resolvi ir para o andar de baixo dar uma explicação para minha mãe, ela deve estar preocupada. Eu praticadamente expulsei ela do meu quarto. Antes de descer as escadas passei uma maquiagem para melhor minha cara de choro. O que não adiantou muito, dava de ver claramente que eu estava chorando por horas trancada nesse quarto.

Desci as escadas e eu preferia não ter descido. A Monique estava lá conversando com a minha mãe. Quando ela me viu se levantou bem rápido do sofá.

– Mônica... Eu preciso falar com você. — Falou ela.

– O que você está fazendo dentro dessa casa? — Perguntei irritada. — SOME DAQUI!

– Não fala assim com ela, Mônica! — Falou minha mãe e eu olhei surpresa para ela. Por que minha mãe estava defendendo ela?

– Por que está defendendo ela mãe? — Perguntei irritada. — Foi só essa garota entrar na minha vida e ela estragou tudo. Em menos de duas semanas.

– Eu não beijei seu marido naquela varanda! — Falou ela. — Eu só estávamos conversando! Que droga!

– Ah claro! — Falei irônica. — Você precisa estar agarrada nele para conversar.

– Eu só estava pedindo desculpa de uma coisa errada que eu fiz e nós nos abraçamos. — Falou ela. — O que tem de errado nisso?

– Mãe! Tira essa garota da sua casa ou eu mesma saio. — Falei.

– PARA DE ME CHAMAR DE GAROTA! — Gritou a Mônique. — EU SOU SUA IRMÃ.- Minha irmã?– Eu sou sua irmã. — Falou agora mas baixo.

– Para com suas mentiras e vai embora dessa casa. — Falei. — EU NUNCA MAIS QUERO TE VER!

– Não é mentira. — Falou minha mãe. — Ela é a sua irmã.

– Somos gêmeas. — Falou Monique. — Legal não?

– Irmãs gêmeas? — Falei assustada