Casamento Forçado
29 Fantasmas do passado - III
– J, K, L... — Monique começou a procurar. — M! Margareth, Maria, Marisa, Mike, Monique. Achei! — Quando ela puxou o arquivo dela ouviu a porta sendo abrida.
– Ferrou. — Falou ela olhando para a porta sendo abrida.
– Ashley?! — Falou Henrique. — O que você está fazendo ai?
– E-eu... Eu estava vendo essa obra de arte. — Falou ela apontando para um quadro de uma paisagem, uma praia.
– Gosta de obras de arte? — Pergunta Henrique se sentando novamente na cadeira.
– Sou apaixonada por obras de arte para falar a verdade. — Falou Monique se sentando na cadeira novamente. — Eu tinha algumas telas, mas acabei vendendo todas.
– Bem... Voltando ao assunto da criança. — Falou ele. — Vai querer alguma criança?
– Eu estou pensando em adotar a criança brasileira. — Falou ela.
– Ele está por volta de duzentos mil. — Falou ele
– Duzentos mil? — Falou Monique fingindo está assuntada, ela tinha essa quantia mas não iria adotar uma criança, ela tinha apenas dezessete anos.
– Sim, duzentos mil. — Afirmou ele.
– Olha, eu tenho uma conta na Suíça. — Falou Monique tentando dar uma desculpa. — Eu vou transferir o dinheiro mais deve demorar um pouco.
– Claro, claro. — Falou Henrique. — Me passe seu telefone para entrarmos em contato com você.
– Acho melhor você me dar seu telefone para eu ligar assim que tiver dinheiro suficiente. — Falou Monique e ele assentiu dando o cartão com o telefone dele.
– Tenha um bom dia. — Falou Henrique abrindo a porta.
– Você também. — Falou Monique forçando um sorriso e passou até a porta.
Monique saiu o mais rápido possível daquele prédio, assim que saiu dele ela soltou o ar que estava em seu pulmão. Por pouco ela não foi pega.
Olhou em seu relógio e eram seis e meia da manhã, ela teria que se apresar para ir a escola, nem morta ela iria de vestido.
Foi rapidamente até seu apartamento foi tirando a roupa enquanto andava até o banheiro, deixando o apartamento todo bagunçado. Jogou a peruca no chão e entrou na banheira finalmente relaxando todos seus músculos. Ela estava tensa demais.
Ela ficou pensando o por que a mãe dela se afastar dela por dinheiro. Será que ela vai se arrepender de saber quem é? Como alguém larga um filho por causa de dinheiro?
Saiu da banheira e se enrolou em uma toalha vermelha, da cor de seu longo cabelo, e se vestiu rapidamente para não chegar atrasada. Pegou uma camisa preta com franja e um short azul, colocou duas pulseiras pretas, um rosário e seus inseparáveis óculos escuro.
Foi até a sala de estar e pegou o documento que tinha pegado da casa de adoção e guardou de baixo do travesseiro, ela iria ler só depois da aula.
~♥~
Luísa
Fui até a frente da escola, eu iria falar com a Monique, não iria dizer que ela era minha filha, eu iria assusta-la com certeza.
Fui despertada de meus pensamentos quando vi a Monique chegando. Nossa, ela era linda mesmo, saí do meu carro e me aproximei dela. Ela me viu e sorriu para mim.
– Olá Dona Luísa. — Falou ela estendendo a mão como comprimento e eu fiz o mesmo. Não posso negar que o fato dela me chamar de Dona Luísa e não de mãe me deixa triste.
– Olá Monique. — Falei. — Eu quero é... fazer um convite para você.
– Qual? — Perguntou ela me deixando mas nervosa.
– Quer jantar na minha casa hoje? — Perguntei. — A Mônica, a Magali, o DC estarão lá.
– Sim, estarei lá. — Falou ela sorrindo e o sinal bateu. — Bem... Tenho que ir, até hoje de noite.
– Até mais. — Falei feliz, ela aceitou, hoje mesmo vou revelar tudo a ela.
Quando eu iria voltar ao meu carro alguém me puxa.
– Mãe? — Perguntou a Mônica, droga eu não posso falar que convidei a Monique se não ela ficará braba, já percebi que as duas não se dão bem. — O que está fazendo aqui?
– Ah... E-eu fui falar com a diretora. — Falei e ela me olhou confusa.
– Eu fiz algo errado?
– Não, não. — Neguei rapidamente. — Mônica tenho que ir, tenho que comprar comida para a janta de hoje a noite. Você vem né?
– Claro mãe. — Falou ela. — Tenho que ir.
Assim que ela entrou suspirei aliviada, foi por pouco, a Mônica tem que está presente na hora que eu revelar tudo.
~♥~
Mônica
Que estranho a minha mãe aqui na escola. Eu não engoli essa desculpa que ela estava falando com a diretora. Mas o que poderia ser?
– Olá! — Falou a Magali com um sorriso enorme no rosto, nossa hoje ela estava feliz.
– Nossa, que felicidade o que aconteceu? — Perguntei indo até meu armário.
– Ai, minha vida finalmente está indo bem. — Falou ela feliz.
– Você e o Rubens se acertaram? — Perguntei
– Sim, finalmente. — Falou ela sorrindo. — Mas você parece preocupada, o que aconteceu?
– Minha mãe apareceu aqui no colégio e disse que estava falando com a diretora. Mas eu não fiz nada. — Falei
– Eu vi ela conversando com a Nick.
– Nick?
– A Monique, Mônica. — Falou ela. O que ela queria com a Monique?
– Por que minha mãe mentiu? — Perguntei
– Acho que ela apenas omitiu, conversa com ela na janta. — Falou ela
– Sim. — Droga, essa Monique além de roubar os meus amigos quer roubar minha mãe?
Fui para a sala de aula e ela passou devagar demais, ainda bem que a última aula é Educação Física. Fomos até o ginásio e para a minha felicidade — Olha a ironia. — A Monique estava na mesma aula que eu.
Fui no time com a Maria Melo, Aninha, Maria Cascuda, Amanda e outras garotas.
Pelo menos a Monique era do time adversário e eu teria o prazer de fazer vários gols nela. Sorri com o pensamento de humilhar ela. Do jeito que ela é mimada e patricinha nem deve saber chutar uma bola.
Começou o jogo passei a bola para a Maria Cascuda que chutou para a Aninha quando a Aninha ia passar para mim chutar para o gol a Monique corta e começa a correr para o nosso campo, Penha tentou roubar a bola mas não conseguiu. Que garota burra.
1X0 Para o outro time. Eu retiro o que disse sobre ela não saber jogar futebol. Ela fez um gol maravilhoso. Ela é ótima e isso me irrita. No que ela é ruim? Que raiva!
Aninha chutou a bola para mim que eu logo dominei, fui correndo até a área. Driblei a Carmen e chutei pro gol até que uma cabeleira ruiva da uma cabeçada na bola jogando ela pra fora. Argh!
Penha foi no escanteio e jogou a bola só uma cabeçada e eu conseguiria um gol. Pulei bem alto e joguei em direção ao gol só que alguém tirou da direção do gol. Adivinha quem? Monique. Que raiva. Ela foi correndo em uma velocidade muito grande e jogou para a Carmen que fez o segundo gol.
2X0. O jogo se baseou em tentativas falhas de gol de ambas partes.
O jogo acabou e eu joguei meu colete do time com raiva na caixa. Nunca perdi um jogo, só foi essa garota chegar e tudo está dando errado.
Olhei para a arquibancada procurando a Magali e achei ela conversando e rindo com a Monique e com a Maria Cascuda.
Ah... Quem se importa?
Eu, eu me importo.
Estou morrendo de ciúmes dela me trocar por essa gringa sem sal e sem graça.
~♥~
Monique
Estava revirando meu guarda-roupa a busca de uma roupa descente para um jantar.
Acabei optando por uma regata preta, uma saia vermelha, e um casaco preto. Coloquei um chapéu preto, umas pulseiras na cor preta e um colar de ouro branco.
Fui até a minha cama e puxei minha bolsa derrubando o travesseiro no chão, juntei o travesseiro e vi o documento. O documento eu não tinha lido o que estava dentro dele. Peguei o envelope e puxei vários papéis de dentro dele.
Comecei a ler.
Setembro, 1983
Nome: Monique Sousa
Hospital: Maternidade do Limoeiro
Pais: Luísa Sousa e Seu Sousa
Pais adotivos: Annie Bayer Smith e Johnny Rick Smith
Preço total: Setecentos mil dólares
Reli mais uma vez. Minha mãe biológica era a Luísa? Luísa Sousa, a mãe da Mônica? Não pode ser isso.
Ela me vendeu por setecentos mil dólares, ela se afastou de uma filha por dinheiro. Que raiva! Ela ainda está tentando se aproximar de mim. O que ela quer? Mais dinheiro?
E por que ela só vendeu eu? Eu sempre sou a rejeitada. A Mônica foi a escolhida e eu fui excluída. Joguei os papeis na cama, agora mesmo que eu vou nesse jantar, ela vai ter que me explicar direitinho o que aconteceu.
~♥~
Mônica
Eu e o DC fomos mas cedo para a casa da minha mãe para ajudar ela a preparar o jantar. Eu nem sei o motivo certo desse jantar.
Chamei a minha mãe e ninguém atendeu, vi que a porta estava aberta e abri ela.
Eu e DC fomos até a cozinha e escutamos gritos, como se fosse uma discussão.
– Você não tinha o direito de esconder isso de mim. — Gritou alguém. — NÃO TINHA!
– Me escuta. — Falou minha mãe chorando. — Pelo amor de Deus.
– Por que você me trocou pro setecentos mil? — Falou alguém braba.
– Por Deus... Eu não fiz isso. — Falou minha mãe.
Fomos correndo até a cozinha. Eu vi a minha mãe e a chorando e elas estavam discutindo muito.
– O que está acontecendo aqui? — Falei alto e elas olharam para mim.
– F-f-filha, ainda é cedo demais. — Falou minha mãe.
– Isso fica aí com sua filhinha querida, a preferida. — Falou Monique pegando sua bolsa preta
– Quem você pensa que é para falar assim com a minha mãe? — Gritei com ela
– NÃO SE METE NISSO. — Gritou Monique saindo em passos rápido pela porta.
– DC! VAI ATRÁS DELA. — Gritou minha mãe. — Não deixa ela escapar de novo. De novo não. — Falou ela chorando e ele foi atrás da Monique.
– Mãe me conta... O que aconteceu? — Falei enquanto entregava água com açúcar para ela se acalmar. — Você e a Monique mal se conhecem, por que ela estava gritando com você?
– Agora não Mônica. — Falou ela se levantando. — Só liga para todo mundo e diz que o jantar foi cancelado.
Ela subiu a escada chorando. Eu juro que vou matar essa garota. Ela fez a minha mãe chorar. O que ela está pensando para gritar assim com ela?
~♥~
DC
Depois daquela discussão eu vim atrás da Monique, não estou achando ela em nenhum lugar. Onde ela foi parar?
Estava andando pela calçada quando vi ela com uma garrafa de Whisky na mão e andando em cima de um muro pequeno tentando se equilibrar.
– Vem Nick. Vamos embora. — Falei e ela olhou para mim.
– Não, me deixa. — Falou ela bem embolado.
– Vamos logo Nick. — Falei.
– Me deixa. — Falou ela bebendo o Whisky.
– Você só tem dezessete anos, não deveria beber. — Falei e fui até o muro pegando ela pela cintura e colocando na calçada.
– Por que ninguém gosta de mim? — Perguntou ela chorando.
– Por que está dizendo isso? — Falei andando ao lado dela.
– Ninguém gosta de mim. — Falou ela limpando ás lágrimas. — Todos me excluem da vida deles.
– Do que você está falando? — Perguntei e ela entrou em um prédio, fui atrás dela, ela estava completamente bêbada, não iria deixar ela nesse estado.
Nossa, o apartamento dela era gigante e lindo, dava para ver a cidade toda, as estrelas e as luzes da cidade.
– Até minha mãe me abandonou. — Falou ela se jogando na cama. — Eu não mereço o amor de ninguém?
– Não fala isso. — Falei me aproximando da cama e me sentando na beirada.
– Por que a Mônica sempre fica com tudo? — Falou ela, não estava entendendo nada.
– O que a Mônica tem haver com isso? — Questionei
– Ela está vivendo a vida que deveria ter sido minha. — Falou ela. — Minha mãe é a Luísa, ela me trocou por setecentos mil. Por quê? — Fiquei assustado, ela era irmã da Mônica?
– V-você é irmã da Mônica?
– Ela sempre tem tudo. — Falou ela se sentando na cama ficando perto de mim. — Ela tem até você.
– O-o que? — Perguntei assustado e ela se aproximou de mim selando nossos lábios. Tinha gosto de morango com o Whisky que ela tinha bebido. Então me toquei no que estava fazendo e afastei ela que me olhou confusa.
– I-Isso nunca aconteceu. — Falei ofegante pela falta de ar. Nem esperei ela responder e fui embora daquele lugar.
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