– Nossa que saudade desses tempos. — Falou ela olhando uma foto que a Mônica, a Magali, eu e o Nimbus estávamos brincando na rua. Deveríamos ter uns nove anos nessa foto.

– Era tudo melhor. — Falei olhando para baixo encarando a foto.

– Mas quem vive no passado é museu. — Falou ela puxando a foto da minha mão jogou na caixa e colocou no armário de novo.

~~~

Magali

Eu estava na cama, virei para o lado e vi que eram sete horas da manhã. Que saco! Não estou tendo mais nenhuma noite de sono. Me levantei e fiz as minhas higienes matinais. Tomei um banho e me enrolei na toalha. Abri meu guarda-roupas e escolhi minha roupa peguei uma blusa azul soltinha para não marcar a minha barriga. Peguei um short azul bem escuro, quase preta. Fui para a frente do espelho e vi que ela disfarçou bem a minha barriga de mais ou menos um mês de gestação.

Desci as escadas e encontrei minha mãe servindo a mesa, meu pai lendo o jornal do dia. Me sentei e coloquei uma xícara de café para mim.

– Bom dia. — Falou minha mãe colocando uma panqueca no meu prato.

– Bom dia. — Falei e coloquei o mel por cima da panqueca e comendo em seguida. — Pai me dá uma carona para a escola?

– Sim, filha. — Falou ele desviando sua atenção do jornal e me olhou. — Mas esteja pronta em quinze minutos. — Falou ele olhando para o seu relógio de pulso. Assenti e fui para o meu quarto e peguei minha mochila e alguns livros.

Entrei no carro e ele me deixou na escola, entrei na escola e dei uma conferida na minha barriga para ter certeza que ela estava muito bem escondida. Arrumei um pouco ela e fui para a porta principal.

Comecei a andar pelo corredor em busca do meu armário e várias pessoas me encaravam e cochichavam entre si, algumas até riam. O que estava acontecendo?

Fui em direção ao meu armário e a Mônica estava guardando alguns livros. Ela vestia uma blusa de ombro caído com listras brancas e pretas e usava um short azul escuro um pouco rasgado, percebi também um colar simples em seu pescoço.

– Oi. Tudo bem? — Falou ela com um sorriso, ela estava um pouco esquisita.

– Tudo... Eu acho. — Falei e ela arregalou os olhos.

– O que aconteceu? — Falou ela rápido

– Não sei... Algumas pessoas estão me encarando. — Falei e ela desviou o olhar. — Você sabe o que foi. Não sabe? — Falei e ela começou a mexer suas mãos, sinal de que estava nervosa.

– Descobriram tudo. — Falou ela olhando para baixo.

– Tudo o que Mônica? — Falei revirando os olhos. — Eu não sou adivinha. Desembucha logo.

– Descobriram do seu caso com o professor. — Falou ela e eu arregalei os olhos

– C-c-como? — Falei sentindo a minha visão ficar um pouco turva.

– Não sei quem foi. — Falou ela suspirando. — Apareceu uma foto de vocês se beijando e colaram no mural. — Quando eu ia abrir a boca para falar algo ouço risadas vindos do outro lado do corredor, olho para o lado e vejo a Carmen, Maria Mello, Penha e Agnes rindo de mim. Sinto meus olhos ficarem marejados.

– Não liga... — Falou a Mônica e ou vi elas se aproximando da gente.

– Nossa Magali. Como o professor é de cama? — Falou Carmen e eu olhei para baixo. E elas riram de mim

– Nossa impressão minha ou você engordou? — Perguntou Penha me analisando de cima a baixo e depois ela arregalou os olhos e elas se entreolharam e gargalharam. — Não me diz que você está grávida dele. — Falou Penha rindo demais e eu apenas abaixei meu olhar e elas arregalaram os olhos.

– É verdade? — Perguntou a Carmen rindo e quando a Mônica ia responder a Agnes a corta

– Vadia mesmo. — Murmurou Agnes meu estomago se revirou e eu sai correndo em direção ao banheiro com as lágrimas rolando livremente pelo meu rosto sem permissão. Passei meus dedos pelos meus olhos limpando-os. Entrei no banheiro e entrei em uma cabine qualquer e me ajoelhei em frente ao vaso sanitário sentindo um gosto ruim vim da minha garganta e saindo pela minha boca.

– Droga! — Gritei. — Não aguento mais isso! — Dei um soco na borda do vaso sanitário.

– Você está bem? — Perguntou a Mônica preocupada e eu encarei ela

– O que você acha? — Perguntei e vomitei mais um pouco e escutei ela murmurou um "grossa". Encarei ela de novo. — Me desculpa. Eu só estou nervosa.

– Claro que eu desculpo. — Falou ela e eu me levantei do frio chão e fui para a pia, abri a torneira sentindo a água gelada entrar em contato com a minha mão quente fazendo um arrepio percorrer toda extensão do meu corpo. Lavei a boca e as mãos e sequei-as.

– Eu vou para casa. — Falei

– M-m-mas hoje tem prova de matemática. — Falou ela

– Eu refaço outro dia. — Falei ajeitando a minha mochila em minhas costas e o sinal soou pelos meus ouvidos. A Mônica saiu do banheiro e me deu um abraço.

– Fica bem. — Falou ela desfazendo o abraço, ela ajeitou sua mochila e seguiu pelo corredor vazio até a sala. Respirei forte e fui para a saída. Quando cheguei lá vi uma roda de alunos. Franzi o cenho. O que estava acontecendo?

– Ela chegou! — Alguém gritou e uma tinta verde caiu em cima de mim. Comecei a chorar e saí correndo. Escutei várias pessoas me xingando de todos os nomes possíveis. Como elas poderiam ser tão cruéis comigo? Comecei a andar pelas ruas e algumas pessoas me olhavam estranho. Claro, eu estava coberta por tinta verde.

O tempo começou a fechar e as primeiras gotas de água começaram a entrar em contato com minha pele e meus cabelos.

– Perfeito. — Falei irônica apressei meu passo, faltava pouco para eu chegar em casa, a chuva começou a engrossar. A tinta verde já tinha saído quase toda.

Entrei em casa e encontrei meus pais sentados no sofá com uma cara nada boa. Ai! Não! Mas problemas? Eles me olharam com frieza.

– O que aconteceu? — Perguntei e minha mãe me encarou negando com a cabeça.

– O QUE ACONTECEU?! — Perguntou meu pai gritando e eu me assustei. — Aconteceu que eu tenho uma filha VADIA. — Falou ele e isso foi como se uma facada atravessa-se meu peito.

– E-e-eu posso explicar. — Falei engolindo o choro.

– Então me explica. — Falou minha mãe nervosa.

– E-e-eu não sabia que ele era casado. — Falei gaguejando e meu pai riu sem humor.

– Ah. Não sabia. — Falou ele — Você está grávida? — Perguntou ele e eu abaixei o olhar. — VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA? ME RESPONDE! — Falou ele gritando.

– Estou. — Falei baixinho.

– A partir de hoje você não tem mais pai. — Falou ele saindo pela porta a fora e eu gritei seu nome chorando mas ele não deu bola e foi embora. Me virei e vi a minha mãe sentada encarando os seus pés.

– Mãe? — Falei baixinho e ela me olhou e se levantou. Engoli seco e abaixei minha cabeça. Pelo incrível que pareca ela me abraçou.

– Nada de errado vai acontecer. — Falou ela mexendo no meu cabelo.

– Eu sou uma burra. — Falei chorando

– O Rubens se separou da mulher. — Falou ela desfazendo o abraço

– Onde você quer chegar com essa conversa? — Perguntei

– Você vai se casar com ele. — Falou ela

– Eu não vou me casar com ele. — Falei

– Que pensasse antes de abrir a perna para ele. — Gritou ela indo para o seu quarto em passos fortes.

Comecei a chorar e soluçar alto e fui para o meu quarto, me deitei na cama e chorei como uma criança medrosa em uma noite de trovada. O que eu fiz com a minha vida? Estou grávida de um homem seis anos mais velho que eu, ainda por cima casado. Eu não quero me casar com ele e não vou.