Notas iniciais
Roberta narrando
Passaram-se três semanas desde o combinado, desde então mesmo morando na mesma casa e estudando na mesma escola e o mais louco, na mesma sala, era bem raro a gente se esbarrar e até mesmo notar a presença um do outro, o que pra mim estava começando a ficar estranho, Diego chegava sempre tarde e saia muito cedo, isso tudo para com certeza me evitar, putz eu sou tão repugnante assim? Durante a primeira semana meus pais me ligavam todos os dias perguntando como andava as coisas e eu tinha sempre que mentir e mentir bastante, agora eles mal me deixam uma mensagem de bom dia no whatsapp e nem vieram me visitar. Ficar nessa casa e nesse silêncio está realmente me deixando louca.
— Já sei. – Pulei do sofá correndo pra pegar meu celular na mesinha, digitei o numero e aguardei ansiosa. – Oi vadiaaaa!
— Amiga,o que manda? Já sentindo saudades? – Nina atendeu não tão animada quanto eu.
— Nina, vem aqui eu estou sozinha e estou surtando, aproveita e trás suas coisas e dorme comigo. – Disse para que ela não tivesse chance de me cortar.
— Você não vai aceitar o meu não né? – Ela perguntou quase bufando.
— Não, vem logo. – Disse e desliguei o celular rindo.
Minha felicidade foi tanta porque eu teria companhia por hoje que não me aguentei e comecei a pular em cima do sofá, dando gritinhos de alegria, uma coisa bem gay que eu nunca faria, para você ver até que ponto eu estava, mas para minha vergonha fui surpreendida quando duas pessoas adentraram o apê rindo alto e que logo ficaram mudos ao me ver naquela situação.
— Hãm, hum, eu, eu só estava testando se o sofá era bom mesmo. – Sorri sem graça e desci.
— Existe outra forma mais prazerosa de fazer este teste beta. – Luca piscou e sorriu, levando um soco do Diego.
— Vai a merda garoto! – Disse brava dando meu dedo do meio.
— Roberta, Luca vai dormir aqui hoje, de boa pra você? – Diego me fitou, fazia tempo que não conversávamos era bem estranho.
— Tudo bem, Nina também está vindo para cá, chamei ela mais cedo. – Comuniquei e fui indo pro meu quarto quando escuto a ameba do Luca falando do quanto minha amiga é gostosa.
Duas horas mais tarde minha amiga já estava no meu quarto, a voz da Nina é bem de paty, ela é totalmente tudo o que eu não sou, mais bonita, tem um corpão, se veste bem, tem os boys mais gatos aos seus pés, ela é literalmente a diva do meu colégio, as meninas venderiam um rim para serem amiga dela, mas a doida quis ser minha amiga, a guria mais anti social que ela já conviveu.
—Beta, como está o lance entre você e o Diego? – Nina curiosa me perguntou calmamente.
— Não existe lance, ele me odeia e me evita 24 horas por dia. – Suspirei. – Eu fico sozinha nesse apartamento o tempo todo e ele vive na rua!
— Porque não me chamou para te fazer companhia antes amor? – Nina fez carinho em meus cabelos e continuou. – Então quer dizer que você queria que ele fosse presente?
— Não queria incomodar e não, eu não suporto ele lembra?- A questionei.
— Aff, lembro que você é caidinha por ele desde que se entende por gente! — Nina disse.
De repente fomos incomodadas justamente por quem estávamos acabando de falar, o que fez o sangue do meu rosto sumir literalmente, pensamentos de que ele estava escutando atrás da porta era bem assustador.
— Meninas eu pedi pizza para nós 4 e o Luca trouxe um jogo, querem jogar? – Diego perguntou creio que por educação apenas porque a Nina estava.
— Eu quero. – Nina deu um gritinho. – Vamos beta, levanta!
— Eu não sei Nina. – Fiz cara de suplica pra ver se me livrava dessa mas não adiantou, lá vamos nós.
Descemos e comemos muito, estava quase saindo peperoni pelos ouvidos, eu amo pizza e desse sabor então? É paixão demais. Logo nina quis começar o jogo, Luca tinha trago imagem e ação, é um jogo simples com várias cartas onde a pessoa tem que fazer uma mímica com a palavra que pegou no carteado e o parceiro tem que acertar do que se trata, e assim formamos duplas sendo eu e a Nina, Diego e Luca. Depois de umas 3 rodadas estava crente de que o Diego havia olhado a carta que Luca tinha pegado para a mímica.
— Assim não vale, Diego olhou, parem de roubar! – Gritei nervosa.
— Cala a boca, larga de ser insuportável Roberta. – Diego gritou mais alto ainda.
— O que você disse? – Me levantei indo em direção a ele. – Repete seu ogro!
— Galera, para por favor, a campanhinha de você está tocando!- Nina interviu e eu nem tinha escutado nada.
— Eu atendo. – Virei a cara e fui em direção a porta quando vi o estrupício esbarrando em mim para abrir!
— Eu abro! – Diego disse passando para o pior nível de infantilidade.
No calor da emoção e discussão abrimos a porta e quase tivemos um treco,acho que posso dizer isso por nós dois.
— Pai, mãe? – Diego disse surpreso.
—Tios? – Eu disse ainda mais surpresa!
— Meus amores, viemos visitar vocês!- Tia Aline disse com um sorriso enorme.
— Oh, entrem ! – A única coisa que soube dizer.
Eu e Diego nos abraçamos e rimos de tanto nervoso, assumo que não é a situação que esperava para acabar minha noite, logo estávamos sentados Luca com Nina, eu sentada com Diego me abraçando de lado e os tios que agora são meus sogros de mentirinha, um olhando para cara do outro num silêncio puta constrangedor.
— Então, como anda a vida de casadinhos? – Tia Aline e sogra nos interrogou.
— Ah vai bem, a Roberta só é bem desorganizada, não sabe cozinhar e vive mexendo no banheiro. – Diego começou reclamando e me desmoralizando.
— O que? Seu tapado, eu não faço nada disso! – Dei um tapa no ombro dele. – Você que deixa a cueca no Box sempre!
— Eu? E você que não faz comida pra mim? Quer que eu morra de fome mulher? – Ouvir aquilo enquanto ele me apertava ainda mais.
— Já chega. – me estressei e levantei de repente. – Vai dormir na sala idiota!
— Garotos, fiquem calmos. – O tio Fernando interrompeu se manifestando.
— Eu vou para o quarto, estou com muita raiva de você. – Disse quase rosnando se entender o motivo daquela “briguinha” se, pé nem cabeça. – Com licença tio e tia, vem Nina!
Sai bufando e deixando os 4 na sala com cara de paisagem, juro que até brigando de mentirinha esse garoto me tira dos nervos, eu e ele nunca iremos dar certo, nem se a gente quisesse.
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