Casamento Arranjado?

18 Capitulo 16 - Tudo tem um propósito


Notas iniciais
É meio estranho estar postando o capitulo em uma segunda, mas como é feriado, deu pra postar! Sem falar que não deu tempo de terminar ontem. Desculpem pela demora, estava sem ideias. Alias, ainda estou meio sem ideias... Infelizmente terei que postar mensalmente em ambas minhas fics, minha escola está ocupando muito do meu tempo, estou no primeirão '-' Tenham uma boa leitura!!

Casamento Arranjado? – Capitulo 16 –Tudo tem um propósito

– Finalmente!

Rin jogou os braços pro alto e pulou da cadeira quando o sinal tocou. Ela não poderia estar mais feliz, afinal, as férias haviam chegado.

– Sem tarefas todos os dias, sem professores que não param de falar, sem atormentação das amigas... – Ela colocou os braços ao redor da cabeça com um gesto relaxado e olhou pra mim e para Luka, que estávamos guardando o material.

– Ih, esqueci. A gente vai se ver nas férias... — Disse sem muito interesse.

– Quem vê pensa que você está feliz... Mas na verdade está tão chateada quanto eu. – Se manifestou Luka, que tinha acabado de colocar a bolsa no ombro direito.

– Esquece, Bíblia humana. – Rin apontou uma unha pintada de vermelho na direção da rosada. – Eu estou realmente feliz por finalmente sair dessa budega.

– E sabe por quê? Porque você vai passar mais tempo com suas miguxas! – Eu disse.

Luka caiu na risada enquanto Rin ficou olhando pra mim com uma sobrancelha dourada arqueada, do tipo: “Sério isso?”

Miguxa era um “termo” usado por ela quando criança pra se referir a mim e a Luka, só que de tanto zoarmos ela, ela parou. Até hoje ela não se conforma com isso.

Mas era tão engraçado ver essa cara dela, que eu fazia de tudo sempre que podia pra irritá-la ou deixá-la sem graça.

– To indo gente.

– Ei, me espera!

– Ah, qual é, vão me deixar sozinha aqui só porque fiz uma brincadeira?

Sai correndo atrás delas, que saíram andando como se estivessem prontas pra uma batalha.

E estavam.

Quando começam as férias do meio do ano, todo mundo desce correndo as escadas que nem fãs de artistas com tendências estranhas quando vê o seu “precioso” astro na rua.

Era uma multidão do tipo que dá pra você ser levada, então nós esperávamos a hora em que todos já tinham ido pra dar sinal de vida, ou saímos no embalo.

– Vamos logo, tenho que ir embora logo! Tenho que ver se tem suco de laranja na lojinha da esquina!

E como acabamos seguindo a Rin, meio que em uma fila indiana, isso significaria que iríamos ao embalo.

Então, adeus mundo.

– Ei, cuidado pra onde anda, otá...

De repente eu bati com as costas de Luka que bateu com as costas que Rin. Olhei pra cima e quase parei minha respiração.

Ele devia ter pisado acidentalmente no pé dela, e ela tinha ficado irritada. Também né, olha o tamanho dele...

Se fosse qualquer outra pessoa, ela teria continuado a frase e a pessoa (se fosse esperta) não iria querer discutir com ela. Até eu e a Luka juntas não conseguíamos vencer uma guerra de palavras contra ela.

Mas como era o Len... Por que ela parou?

Mas algo diferente passou nos olhos dos dois, isso eu percebi, só não sei o que. Subitamente eles desviaram os rostos e seguiram em frente.

Eu e Luka olhamos uma pra outra e nossos olhares disseram: O que foi isso?

Apenas voltamos a seguir Rin, abrindo espaço na multidão com cotoveladas e empurrões. Que por sinal tinha um mar de cabeças coloridas, o que significa que perdemos aquela loira. Segurei na barra da camiseta de Luka e seguimos em direção ao grande portão.

Depois do que pareceram horas, finalmente conseguimos sair, e o ar puro veio diretamente para nossos pulmões. Respiramos fundo e encontramos a nossa loira atravessando a rua. Caminhamos até a borda da calçada e olhamos para os dois lados, e ai quase me faltou ar.

Um carro enorme preto entrou em alta velocidade do nada na rua e seguia em direção a de Rin. Meu coração parou e veio parar na boca, minhas pernas ficaram mais moles do que gelatinas e estiquei minha mão para o vazio.

– RIN!!

Ela virou a cabeça e deu tempo de ver seu cabelo grande e completamente loiro girando em câmera lenta. A buzina do carro soou com mais força do que o normal.

Fechei os olhos com medo de ver o que iria de fato acontecer.

Quando ouvi o som da buzina se afastando, estranhei. Não ouvi som de um corpo caindo ou do carro parando. Movida por uma mínima esperança, abri os olhos, me deparando com uma cena que não nunca esperei ver.

Len abraçando Rin do outro lado da rua. Alias, segurando ela.

Perto dele, ela parecia uma boneca. Na minha cabeça, veio uma imagem deles, só que mais novos. Len ainda era mais alto que Rin e a abraçava pela cintura, e ela estava sorrindo com a cabeça apoiada nos ombros deles. Desde de o termino deles, eles mudaram muito. De palitos altos para atletas. Ambos ganharam curvas e pareciam modelos. E estou sendo sincera.

Em alguns segundos voltei ao normal. Ela estava segura.

Ou era o que eu achava.

– O que você pensa que está fazendo?!

– Te salvando, o que mais?!

– Não precisava ser salva!

– É, quem sabe eu deveria ter te deixado lá, no meio da rua pra ser morta!

– Que deixasse!

Eles realmente não mudaram... Suspirei. Olhei pro lado e vi Luka tão branca quanto um fantasma. Ela inspirou fundo e expirou várias e várias vezes, e depois ela saiu batendo os pés em direção ao casal.

Olhei ao redor e notei que tudo estava em silêncio. Todos os alunos, motoristas e pedestres haviam parado tudo pra ver a cena do loiro que salvara a loira no meio da rua. Olhei para o outro lado e vi que o carro que quase a atropelara sumiu.

Sem agüentar mais um segundo, corri em direção a eles.

Rin já estava bufando com Luka e Len já tinha sumido de vista.

– Sua louca, por que não olha pra onde anda?! – Gritou Luka.

– Eu estava atravessando como qualquer pessoa qualquer, foi aquele louco que quase passou por cima de mim!

– Ei, ei, ei... – Separei as duas e as levei para a calçada – Melhor irmos embora. Vamos para o meu carro.

– Mas cada uma veio com o seu hoje, alho-poró. – Protestou Rin.

– Então vamos todas para um restaurante, ok?

Elas concordaram com a cabeça e voltamos para o portão da escola, seguimos a esquerda e fomos para a lanchonete do Oliver.

Era um lugar tranqüilo durante o dia, e era especializado em coisas de lanchonete, ou seja, comidas deliciosas e gordurosas. Uma maravilha para o meu estômago! Ironicamente.

Dentro de poucos minutos chegamos a lanchonete do Oliver. Era um ambiente reconfortante, principalmente para adolescentes. A música entrou em meus ouvidos com facilidade e lá ficou.

Pegamos uma mesa no canto do restaurante, mais reservado, tínhamos assuntos importantes para falar agora.

Do tipo, olha gente, não sou BV. Estou sendo freqüentemente beijada. Aliás, muito bem beijada, mais precisamente por certo azulado com quem vou me casar.

Não, primeiro vem a Rin. A segurança dela é agora a prioridade.

E que tipo de amiga eu seria se colocasse meu primeiro beijo na frente de um quase atropelamento?

Hum, tem razão. Depois falamos do beijo.

– Rin, — Falei – Explique-me como você não conseguiu ver o carro enorme vindo na sua direção.

– Olha, aconteceu muito rápido ta? Eu saí andando e de repente ele apareceu.

– Bom dia senhoritas.

O garçom chegou do nada, o que assustou nós três, mas só fui eu quem quase pulou da cadeira. Olhei pra ele e reconheci na hora a cabeleira loira e o tapa-olho branco.

– E aí Oliver? – Perguntei.

– Vou bem, e vocês?

– Aparentemente bem. – Fuzilei Rin com o olhar, mas ela estava brincando com um guardanapo.

– Sim, — Luka falou calmamente — estamos bem Oliver, obrigado por perguntar.

– Sem problemas. O que vão querer?

Rin parou na hora o que estava fazendo e gritou:

– Suco de laranja!

Algumas pessoas viraram a cabeça para olhar na nossa direção, e eu e Luka apenas disfarçamos.

– O de sempre. Salada de alho-poró e um suco de maracujá.

– Eu vou querer peixe a moda da casa, por favor. E uma garrafa de água sem gás também. – Nem preciso dizer quem falou né?

– Huum... Vou querer lámen. — Falo Rin. — E muito suco de laranja.

– Ok meninas, já trago os pedidos.

Nós já frequentávamos tanto aquela lanchonete que ele nem precisava de caderneta para anotar nossos pedidos. Sério.

– Agora vamos aos detalhes – Luka ficou batendo as unhas grandes e azuis na mesa.

– Bom, eu já disse. Pra mim foi acidente.

Ninguém falou mais nada até Oliver chegar com os pedidos. Ele os colocou respectivamente na frente de cada uma de nós. Percebendo o clima pesado, foi rápido e saiu em seguida, mas não antes de murmurar bom apetite.

Agora fiquei com dó. Tadinho. Bom, deixo uma gorjeta pra ele depois.

Começamos a comer. Durante minutos ficamos em um silêncio de dar medo, ninguém falava nada. Pareciam horas, mas eu sabia que era minutos só de olhar pra Rin: Ela comia rápido, e o lanche já estava acabando. Até que eu não aguentei mais e disse:

– Não sou mais B.V.

A reação delas foi instantânea. Luka arregalou os olhos e parou de mastigar, mais branca que um fantasma.

Agora Rin foi diferente. Conseguiu cuspir um pouco de suco. Na. Minha. Cara!

Sorte que eu tava de boca fechada e tinha acabado minha salada!

– COMO ASSIM?!

– Shiu! – Falei, com um dedo na frente da boca. Ela era louca de sair gritando!

– Como... Assim? – Disse Luka com a cara abaixada.

– É, como assim?! — Disse Rin, e eu percebi que ela estava se esforçando muito para não gritar.

– Olha meninas, eu não tive culpa e...

– E quando foi? Como foi? Onde foi? E o mais importante: — Perguntou Luka inclinada na mesa, com o olhos azuis brilhantes — Com quem foi?!

– Calma, calma, vou explicar tudo...

Contei pra elas o acidente que tirou o meu primeiro beijo, e quando contei que foi com o Kaito, Rin bufou e disse:

– Não estou surpresa...

Nem eu. Por que será?

E contei tudo o que aconteceu desde que elas foram embora do meu apartamento domingo até segunda, até quando vi ele pela última vez.

– Caraça Miku, esse cara é fogoso!

Até riria se não fosse a verdade. Ele era um verdadeiro fogoso!

– E agora acho que estamos quites. Livrei um peso de cima dos meus ombros.

– E por que não contou pra gente antes? – Luka cruzou os braços e se recostou na cadeira.

– Não achei o momento certo, até agora. Estávamos muito ocupadas e só agora consegui reunir coragem pra contar. – Abaixei o olhar e cruzei as mãos sobre as pernas. – Desculpe.

– Sua Baka. – disse Rin com um sorriso – Não precisa esconder nada da gente. Somos as três mosqueteiras, lembra?

Colocamos as mãos em tempo sincronizado em cima da mesa, como se soubéssemos exatamente o que fazer.

– Obriga meninas.

Minha mão estava por cima da delas e eu as apertei.

De uma coisa eu tinha certeza: Elas nunca iriam me abandonar, seja lá o que acontecesse.

– Agora – Disse Luka — vamos tirar as mãos, as pessoas estão olhando.

– Isso é constrangedor. – Disse Rin, Pegando a bolsa.

Rimos e chamamos Oliver para pagarmos a conta. E claro, deixei uma boa gorjeta pra ele.

Depois saímos do restaurante, mas não antes de Rin querer dar umas voltas na porta giratória, como uma criança feliz. E depois dizia que nosso toque era brega...

Ouço uma música familiar e sei que é o meu telefone tocando. Atendo sem olhar quem é.

– Alô?

Miku?

– Oi mãe!

Preciso falar um pouco com você... Está livre?

Olhei e disse com os lábios sem emitir voz: É a minha mãe. Elas acenaram e eu perguntei:

– Dá pra falar por telefone?

Não querida, sinto muito. Precisa ser aqui do meu lado. E também faz tempo que não te vejo.

– Mãe – Coloquei uma mão na cintura e disse – Você foi na minha casa ontem. Aliás, você a invadiu.

Ora, sou sua mãe. Não posso visitar meu bebê de surpresa?

– MÃE!

– Ok, ok... Espero-te as três.

– Mas são duas e meia!

Até lá.

E desligou.

Só não falo mal dela por que ela é minha mãe.

Bufei e coloquei o celular na bolsa. Olhei para minhas amigas e elas estavam com caras de interrogação.

– Minha mãe precisa falar comigo, sobre não sei o que e não dá pra falar por telefone. Disse pra estar lá na casa dela as três.

– Aaah. Ok. – Disse Luka. – A gente se vê de noite?

– Claro. – Falei.

– E tem aquela balada que foi inaugurada, a gente TEM que ir. – Falou Rin.

Conversamos rapidamente onde nós iríamos nos encontrar e Rin deu o endereço e nós disse como chegar lá. Luka disse que poderia nós dar carona, então tudo ficaria mais fácil. Não corríamos o risco de o policial nos pegar, apesar do único problema da Luka é bebida. e livros. Ela tem certa resistência à bebida, mas quando exagera ela não é mais ela mesma. Mas tudo estaria certo desde que levássemos somente o que fosse necessário e não exagerássemos.

Aliás acho que ninguém deveria exagerar na bebida, as pessoas podem morrer por causa disso. É a verdade.

Nos abraçamos e demos tchau uma pra outra, indo para nossas respectivas casas. Ou fazer compras. Sei lá.

Em poucos minutos estava dentro do meu carro e a caminho da casa dos meus pais. Será que meu pai estaria lá? Provavelmente não, ele é ocupado demais pra poder estar em casa.

Chegando lá fui recebida pela enorme e chique entrada da casa. Só minha mãe mesmo pra fazer uma coisas dessas.

Sorri. Ela sempre deu o melhor de si em seus trabalhos e eles sempre saíam perfeitos, impecáveis, onde nem o melhor arquiteto achava um erro sequer. Mas o pouco tempo de lazer que eles tinham eles queriam ficar comigo. Não podia culpá-los. Tudo o que sou hoje é graças a eles. Quando era pequena não tinha do que reclamar. Tinha um irmão.

A imagem dele sorrindo me veio a cabeça. Sempre doía lembrar-se dele. Éramos muito próximos, como João e Maria. Sempre nos comparei a eles. A dificuldade que eles passaram para escapar da bruxa e ficarem juntos até o fim foi enorme.

Mas tinha uma coisa que não conseguimos superar: A morte. A verdadeira bruxa da história. Me deixou sozinha, rindo da minha tristeza, enquanto levava meu querido irmão em seus braços.

Limpei uma lágrima que me desceu o rosto sem querer. Parecia que minha energia tinha ido embora. Segurando firmemente minha bolsa e o resto das minhas forças saí do carro e entreguei as chaves ao manobrista.

Mas não podia pensar assim. Ele ficaria triste, sei que ficaria. Gostaria que eu seguisse em frente, e é isso que vou fazer.

Mas a tristeza não vai.

Aperto o passo e chego dentro de casa em segundos. Uma empregada (que não era aquela que deu em cima do Kaito) me pediu para acompanhá-la e me levou ao jardim.

Chegando lá senti os cheiros de diversas flores no ar. Respirei fundo admirada com o cheiro e avistei minha mãe dando comida para os peixes no laguinho, sentada na banco da pequena ponte. Dispensei a criada com um aceno e fui até ela.

Como ainda estava de uniforme, consegui chegar atrás dela sem fazer barulho com os meus tênis. Coloquei as mãos em volta dos olhos dela e ela colocou as mãos por cima.

– Poxa vida, quem pode ser?

Dei um risinho baixo, lembrando do quanto eu gostava de fazer isso quando era criança.

– Adivinha.

– Hum, não sei... Dê uma dica.

– É a sua filha favorita.

Ela abaixou nossas mãos e disse, com a voz baixa:

– Você é a única filha que eu tenho.

Dei um sorriso de canto e sentei do seu lado.

– Sabia que estava pensando no meu irmão agora pouco?

– Não duvido. Vocês eram muito próximos.

– É. Mas você disse que queria que eu viesse rápido aqui. Não deve ter sido pra falar do meu irmão.

– Sim, você está certa. Pedi para você vir aqui para falar do seu pai.

Estranhei. Nunca falávamos do meu pai.

– Do meu pai?

– Sim.

– E... O que tem ele?

– Miku, irei te contar uma coisa muito importante, mas quero que você prometa não falar disso com ninguém. Com ninguém mesmo, só se eu permitir.

Concordei com a cabeça. O que poderia ser tão importante pra ela me pedir pra não falar pra ninguém?

Ela respirou fundo e disse, sem perder a postura de grandiosa:

– Eu e seu pai tivemos um casamento arranjado.

Fiquei de boca aberta. Meu pai e minha mãe foram obrigados a se casar?!

– Mas eu achei que vocês se casaram por amor!

– Miku, por favor, me deixe explicar. Eu e seu pai nos amamos. E nós amávamos também naquela época.

– E... foi meu avô te obrigou a se casar com o meu pai?

– Por ai... Nós fomos prometidos um ao outro sem sabermos desde o nosso nascimento, e ficamos sabendo disso um tempo depois que nos casamos.

Não disse nada. Estava chocada. Minha mãe tinha passado pela mesma coisa que eu! Só que sem saber e com um homem que ela ama.

– E por que... Você não me contou antes?

Ela suspirou e disse:

– Estamos muito próximos de seu casamento, achei que deveria te contar. Não quero que nada fique entre nós. Sabe que não gosto disso. Seu pai me pediu para segurar até que ele tomasse coragem de contar, mas não consegui.

– Então me pai teve um casamento arranjado... E é por isso que eu vou ter um?!

– Miku, não é isso...

– Por que eu tenho que me casar logo agora?! Nem tenho 18 anos! Nem acabei a escola! – Levantei-me involuntariamente, dando dois passos pra longe dela.

– Miku, por favor, sente-se...

– Não, mãe! Por que ele fez isso comigo?! Eu não sou uma mercadoria que ele pode negociar, sou filha dele! E ele não pode fazer isso comigo, ele...

– MIKU!

Parei de falar na hora. Ela nunca gritava comigo, só quando era extremamente necessário.

– Seu pai não pensa assim de você, muito menos eu. Não fale assim dele. – Passou as mãos pelo cabelo claro que nem parecia ter fios brancos, mas eu sabia da existência deles pelo estresse que passa. – Seu pai quis fazer esse casamento arranjado com Kaito porque sabia que ele era seu amigo. Sabia que estaria segura por nossas famílias serem próximas e termos empresas como parceiras. E ele confia em você tanto quanto confia em Kaito. Sabe que ele nunca faria um mal a você. Até hoje ele não entende o porquê de vocês brigarem...

– Foi por causa da morte do meu irmão. Tivemos uma única briga feia que acabou nos separando e não nos separamos mais.

– Miku, você percebe o que está falando?

– O que?

– Você não fala mais o nome do seu irmão, só se dirige a ele como “irmão”.

Coloquei as mãos sob a boca. Não falava mais o nome do meu próprio irmão?

– O nome dele. Mikuo. – Senti uma pontada no meu coração ao dizê-lo.

– Isso dói, não dói?

Concordei com a cabeça, voltando a sentar no banco, devagar.

– Se eu disser irmão, dói menos. Mas ainda assim dói.

– Eu sei querida, eu sei... Dói tanto pra mim que sou mãe dele quanto pra você.

Ficamos em silêncio, com ela fazendo um afago leve nas minhas costas. Isso foi me relaxando aos poucos. O som da água sendo movimentada pelas barbatanas dos peixes era tranquilizador também.

– Sabe o porquê eu me mudei? – Soltei do nada.

– Sim, por causa dele.

Concordei com a cabeça. Pelo menos ela me entendia.

Suspirei.

– Então... Quer falar sobra alguma coisa?

– Ah, sim. – Nos olhamos e ela estava com aquela cara de quem dizia: Eu sei o que aconteceu na segunda.

Estou sabendo que tem umas... coisas interessantes no mínimo, entre você e Kaito.

– C-Como assim?!

Devo ter ficando vermelha, senti o calor nas minhas bochechas. E o pior é que sou branca.

– Ah, tem algo mesmo. Achei que era só intuição de mãe mesmo, mas vejo que estava certa. Vai, conta, o que aconteceu?

Contei tudo pra ela, tentando contar de maneira resumida, caso contrario eu sabia que ela surtaria. E tentei não falar muito dos meus sentimentos por que ela sabia o que eu deveria estar sentindo.

Ela escutou tudo em silêncio, era uma boa ouvinte. No final ela disse:

– Acho que esse casamento pode dar certo.

Com a sobrancelha levantada perguntei:

– Como assism?

– Pelo o que você disse tudo o que ele fez, parece que ele gosta de você. E não é pouco.

– Ah mãe, qual é. Ele saía com um monte de mulheres pelo que fiquei sabendo e...

– Viu alguma mulher com ele quando ele estava com você?

– Não, mas acho que ele não faria isso perto de mim. Temos um acordo.

– Que acordo?

– Ele poderia ficar com quantas mulheres quisesse desde que não mexesse comigo.

– E o que ele está fazendo agora? – Ela levantou a sobrancelha exatamente como eu fiz.

– Mãe, eu não sei, eu fiquei anos sem falar com ele e não posso voltar a confiar nele de repente só por que vou casar com ele.

– Huum, tem razão quanto a isso.

– Viu?

– Mas ouça o que eu digo: Ele não deve ter mudado totalmente, ninguém muda. Nem você mudou. Ainda tem traços da minha boneca dentro de você, sei que tem. Pode ter amadurecido com que a vida impôs a você, mas você continua um doce. Mas só com que quer.

Ri um pouco, baixinho. Era a pura verdade.

– Então devo ir confiando nele aos poucos?

– Exato. E de acordo com as provas de confiança que ele vai dando a você, você pode ir confiando nele.

– É, por aí. Mas vou tomar cuidado.

– Sempre querida, sempre.

Notas finais
E então, reviews? Achei o capitulo de hoje muito revelador, tipo o ultimo capitulo da novela... Converso com vocês nos comentários