Casais Improváveis
80 Sansa Stark & Jon Snow
Notas iniciais
Tema: Jon Snow e Sansa Stark
Fandom: Game of Thrones
Crianças de verão
Era verão em Winterfell. Um longo verão, de fato. Os dias eram longos, via-se o sol quase todos os dias. Ainda fazia frio — aquilo era, afinal de contas, o Norte — mas era um frio relativamente ameno. A grama era verdinha, neves eram ocasionais, e geadas simplesmente aconteciam.
Jon Snow tinha oito anos naquela época. Brincava com Robb e Theon Greyjoy num canto mais afastado, perto do represeiro. Arremessavam um tronco de árvore entre si, e convinha a cada um deles pegar e jogá-lo mais longe para o outro. Robb jogava para Theon, Theon para Jon, e Jon para Robb. Tinham todos mais ou menos a mesma idade: Theon era um pouco mais velho que Jon e Robb, que eram nascidos no mesmo ano, tinha doze anos, mas ainda brincavam juntos.
– Jogue o tronco direito, Robb!
– Estou jogando direito, Theon.
– Não está não!
– Parem de brigar, vamos jogar logo.
– Posso brincar também?
Jon virou-se e a irmãzinha de Robb estava lá, sorrindo, pedindo para brincar com eles.
– Vai ficar com Beth e Jeyne. — Robb falou, virando-se pra ela.
– A Septã Mordane as deixou de castigo. — Sansa Stark explicou. — Ela não me deixou porque fui boazinha.
– Não importa. Não queremos você aqui. Você é feia! — Theon disse, rindo da cara dela.
– Não sou não! — Sansa começou a espernear.
– É sim! Por que acha que ninguém gosta de você?
Os olhos de Sansa começaram a lacrimejar, e ela começou a soluçar. Saiu correndo em direção ao represeiro, queria ficar sozinha.
– Por que você fez isso? — Jon perguntou a Theon, chateado.
– Assim ela não incomoda a gente.
– Mas ela tá chorando. — Robb replicou.
– E daí?
– E se ela contar pra Senhora Catelyn ou pro Senhor Eddard o que aconteceu? Ficaremos os três de castigo. — Jon Snow argumentou, preocupado. A verdade era que ele se sentiu culpado por não ter feito nada a respeito quando aconteceu. Simplesmente lhe dava nos nervos ver Sansa chorando, e ele não sabia direito o motivo.
Theon e Robb empalideceram. A perspectiva de ficarem de castigo os aterrorizava.
– Você deveria lhe pedir desculpas — Jon determinou.
– Ela só vai começar a brigar comigo.
– Verdade. Jon, vá atrás dela! Você tem jeitinho de agradar a Sansa. Fala pra ela não contar nada pros meus pais — Robb falou.
– Tudo bem. — Jon começou a andar atrás de Sansa, a fim de cumprir o combinado. Chegou perto do represeiro e do lago, viu uma figura ruiva sentada aos pés da árvore-coração. Era Sansa, ela chorava muito, a cabeça apoiada sobre o colo, de modo que os cabelos vermelhos escorriam pelas suas costas. Jon corou.
– Sansa?
– Vai embora!
Jon ficou apreensivo. Aquela era uma manobra sem dúvida arriscada, ele temia as reações de Sansa e tentava calcular seus movimentos e as consequências dos próprios.
– Veja, Sansa... Eu sei que você está chateada, eu vim te pedir desculpas por nós três.
– Theon está certo. Ninguém gosta de mim porque eu sou feia.
– Theon é um Greyjoy estúpido, não acredite no que ele diz.
– Então é verdade?
– O quê?
– Que você me acha bonita?
Jon cerrou os punhos e corou violentamente, o vermelho das folhas tingiu seu rosto completamente. Ficariam os três de castigo, Senhor Eddard era severo... E Sansa era mais bonitinha e engraçada que Jeyne e Beth...
– Sim.
– De verdade?
– Sim.
– Então você gosta de mim?
– Sim.
Sansa sorriu.
– Eu também gosto de você.
Ela foi até Jon, o abraçou carinhosamente e deu um beijinho na sua bochecha.
– Você já beijou algum menino na boca? — Jon perguntou, curioso.
– Não, e Jeyne já o fez! Fiquei muito chateada, também quero. — Ela olhou para Jon, tendo ideias. — E você, já beijou uma menina na boca?
– Também não.
Os dois sorriram, Jon passou seus braços pelos ombros de Sansa e ela também o fez. Se inclinaram, ficaram realmente próximos e deram um selinho. Naquela hora do dia, a névoa encobria as matas de Winterfell e batia em todos os seus habitantes como um arrepio na espinha. Jon Snow e Sansa Stark se aqueceram, bem juntinhos um do outro, sorrindo abobalhadamente.
– Vamos voltar pro salão, daqui a pouco já vai escurecer.
– Tudo bem.
Então os dois voltaram para os salões e os quartos de mãos dadas, inocentemente, porque se gostavam. A Velha Ama os viu na entrada, e perguntou o que era aquilo.
– Jon me ama e eu amo ele, vamos nos casar algum dia.
– Minhas doces crianças de verão, o que vocês sabem sobre o amor? — Ela riu.
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