Como autênticos Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, Max e 99 conseguiram impedir que o estrangulador fizessem mais vítimas – inclusive eles próprios. Max em especial, havia desobedecido às ordens diretas; ao invés de embarcar no Canadá a fim de tirar suas férias, foi diretamente para Casablanca.

De volta à sede da CONTROLE na América, eles foram congratulados pelo Chefe:

– Vocês dois correram um grande risco nesta missão. Mas mesmo assim conseguiram cumpri-la com êxtase, estão de parabéns.

– Chefe, se Max não estivesse lá eu... Provavelmente teria morrido. Aquele estrangulador era um homem muito forte e conseguiu me dominar com facilidade. – 99 confessou, um tanto quanto emocionada. Já havia salvado a vida de Max várias vezes como ele salvara a sua. Porém ela precisava admitir para si mesma que sempre sentia algo quando era salva por ele... Sentia-se amparada, protegida e também... Amada e era isso o que mais queria.

Salvar a vida dos parceiros era o dever dele, estava no código dos espiões. E isso a deixava um pouco em dúvida quanto ao que ele sentia com relação a ela: dever ou amor?

– Ora, não foi nada 99. Isso faz parte do dever de um agente secreto.

O sorriso de 99 se desfez na mesma hora, em uma decepção muda. Percebendo isso, o Chefe mudou a direção da conversa:

– Então Max, como você reconheceu a 99?

– Há certas características de uma pessoa que são perceptíveis, Chefe. O andar, por exemplo. Não se pode disfarçar um andar.

– Certo, o andar.

– Outra coisa indisfarçável é a voz, Chefe. Eu conheço a voz de 99 como ninguém.

– Percepção vocal... Isso é ótimo, Max! – o Chefe congratulou.

– Obrigado, Chefe. – ele agradeceu, endireitando a gravata torta com elegância – Também há uma característica de 99 que é inconfundível: o olhar. Assim que fixei meus olhos nos dela, eu soube quem era.

Sorrindo, 99 lançou um olhar amoroso para Max, sentindo o coração palpitar de tanta felicidade e mal se contendo na cadeira onde se achava sentada.

– E então tive a certeza quando ela disse três palavras.

– Quais?

– Eu sou a 99.

Perspicaz, o Chefe resolveu dar mais uma mãozinha:

– Há algo mais, Max?

Hesitando, Max parecia escolher as palavras certas para evitar cair em contradição:

– Bem... Para ser sincero Chefe, fiquei preocupado quando o estrangulador atacou a 99. Não pude deixar que ele a machucasse, ainda mais depois que ela me disse quem era.

Não podendo mais conter a alegria que quase transbordava em seu peito, a agente abraçou Max, exclamando:

– Oh Max, então é verdade!

E o beijou apaixonadamente ali mesmo, na frente do Chefe, apoiando-se ao lado da enorme mesa de madeira.

Sentindo um calorzinho gostoso atravessando seu corpo, sem perceber Max apertou o botão que acionou o Cone do Silêncio e justo em um dia que Hodgkins não estava lá.

O enorme equipamento desceu do teto, mantendo o Chefe preso lá dentro e gritando, furioso:

– Max! Tire-me daqui, desative o Cone do Silêncio!

Mas ele não pôde obedecê-lo. Estava ocupado demais abraçando 99 e correspondendo ao seu beijo.


Fim


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