Casa de Boneca
12 Positive
Notas iniciais
– Tem certeza de que se arrumou? Ainda parece que está com conjuntivite. Você está com conjuntivite?
Melanie deu um tapa no braço de Bruno para que ele calasse a boca mas riu das perguntas apressadas do amigo.
– Sim, eu me arrumei, só não passei maquiagem. O que acha de uma parada no BK pra almoçar?
Bruno lambeu os lábios adorando a ideia.
– Claro. Você paga — ele sorriu enquanto levava outro tapa — Mas enfim... Por que estava chorando?
Melanie se manteve calada andando até o ponto de ônibus com o rapaz. Ainda doía pensar que havia dado um tempo com Vítor mas achou aquilo necessário. Mesmo que doesse, doía menos que não suportar o toque do namorado.
– Eu e Vítor estamos dando um tempo — ela viu os punhos de Bruno se fecharem.
– Não acredito que ele te machucou desse jeito, Mel...
– Na verdade foi uma escolha minha. Aconteceram algumas coisas... — ela engoliu em seco.
Bruno sorriu abraçando a menina enquanto esperavam o ônibus.
– Que tal passarmos no parque? — ele perguntou a apertando.
– Ah, não! Da última vez você ficou gritando na montanha russa e ela era minúscula!
O garoto começou a rir, aquela gargalhada gostosa que somente ele conseguia fazer, que fazia com que Melanie risse também.
– Gritei bem fininho ainda para pensarem que era você! — ele disse entre risos.
Ela fez cara feia para ele que lhe mostrou a língua.
– Nossa carruagem chegou, madame — ele disse fazendo sinal para o ônibus.
* * *
Eles estavam terminando de comer e Melanie sentia o estômago embrulhar. Ela tomou o refrigerante esperando que as coisas se acalmassem dentro de si mas não adiantou tanto quanto ela pensou que iria adiantar.
– Tudo o.k? — Bruno perguntou com um quê de preocupação.
– Eu tô legal — ela respondeu com um sorriso fraco enquanto colocava uma batata frita na boca.
Bruno continuou a olhando mas ela evitou os olhos dele. Estava mais preocupada em manter o almoço dentro da barriga.
– Sinceramente acho que os hambúrgueres do BK são os melhores — ele disse colocando o resto do lanche na boca o que fez Melanie rir pois o fazia ficar parecido com um esquilo.
– Eu acho que o Mc'Donalds é um ótimo concorrente — ela deu mais um gole no refrigerante esperando que seu estômago parasse de dar cambalhotas e mortais quando não aguentou mais.
Se levantou da mesa sem avisos prévios e correu pelo shopping a procura de um banheiro.
Quando achou um pôs logo todo o almoço para fora do estômago. Odiava a sensação mas pelo menos seu estômago se aquietara.
O celular começou a vibrar em seu bolso. Pegou para ver o que ou quem era. Era Bruno ligando.
– Já estou voltando — disse ainda um pouco ofegante — Fique ai na praça de alimentação.
Ela desligou a chamada e largou o celular no chão tendo outro acesso de náusea.
* * *
Melanie voltou caminhando lentamente pelo shopping. Ver os casais de mãos dadas era uma tortura enorme e várias vezes sentiu os olhos arderem mas não se deixou ser consumida pela tristeza e lagrimas.
Bruno continuava sentado na mesa. Ele olhava ao redor, a expressão preocupada legível em seu rosto, o celular não mão pronto para ligar para ela mais uma vez.
Foi até a mesa e se sentou como se nunca houvesse saído dali.
– Desculpa. Me senti um pouco enjoada. Deve ser alguma virose, não sei. Passou — ela sorriu mas ele continuou olhando para ela preocupado.
– Se sentindo enjoada? — a mão dele foi de encontro a dela que estava sobre a mesa.
Ela olhou para a cena. Deveria afastar a mão, tinha acabado dar um tempo em seu relacionamento e ali estava ela com seu melhor amigo pegando sua mão.
– É... — ela desviou o olhar da mesa enquanto puxava a mão discretamente para longe da de Bruno.
– Mel, você e Vitor se protegeram devidamente? — Melanie franziu o cenho. Obviamente o tinham feito. A não ser por...
– Claro, Bruno! — o coração dela começou a bater forte contra a sua caixa torácica. Ela ouvia cada batida mais alta do que a anterior.
Ela se levantou puxando a bandeja do lanche para a ponta da mesa.
– Vamos ao parque ou não? — perguntou pondo a mão na cintura.
Bruno revirou os olhos se levantando da cadeira logo após ela.
– Eu deveria te bater. Não, não vamos ao parque. Vamos à farmácia.
* * *
– Eu não acredito que você me arrastou aqui pra isso, Bruno? — ele procurava pelos testes de gravidez na farmácia enquanto puxava ela pelo braço — Aí meu Deus, que vergonha!
Ela colocou a mão sobre o rosto abrindo apenas uma fresta para os olhos a fim de não tropeçar.
– Você pode ter uma miniatura de universitário dentro da barriga. Shiu — Ela riu daquilo embora não devesse.
Ele pegou a caixinha e entregou para ela.
– Por que eu?! — ela olhou para ele com os olhos arregalados e a caixa na mão.
– Porque não sou nem se quer o pai dessa possível criança. Agora vai — ele empurrou ela levemente até o caixa.
– Bruno, eu não. Estou. Grávida! — ela se virou para ele com certa raiva.
– Então faz o teste — o rapaz a olhou desafiador fazendo ela pegar o teste e ir até o banheiro da farmácia.
É só um testes, Melanie. Não vai se quer dar positivo. É só fazer xixi nessa coisa, ela pensou consigo.
Ela deixou o teste na pia e esperou os 3 minutos como a caixinha mandava. Fechou os olhos e respirou fundo antes de pegar novamente e ver o resultado.
Positivo.
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