Notas iniciais
Como já dito antes, eu possuo uma conta no spiritfanfics, e essa fic também está postada lá.

Depois de prometer aos meus pais que me comportaria, daria o meu melhor nas aulas e escreveria para eles com frequência, pude finalmente embarcar no trem. Eu estava animado e com o meu coração acelerado, ainda que, visto de fora, eu parecesse a própria imagem da tranquilidade. Minha animação, porém, era perfeitamente comum e justificada: aquele seria meu primeira ano em Hogwarts.

Meu nome é Scorpius Hyperion Malfoy, sou filho de Astoria Greengrass e Draco Malfoy, e sou filho único. Eu não conhecia ninguém na escola, mas isso era, de certa forma, empolgante. Eu esperava ir para a Sonserina, a casa dos meus pais, não me importava se era uma casa mal falada.

Caminhei pelo trem, procurando por uma cabine com lugares vagos, mas, aparentemente, quase todos os alunos já haviam se acomodado. No colo, eu trazia Lelouch, meu gato negro.

Finalmente, encontrei uma cabine com lugares vagos. Na verdade, a cabine estava praticamente vazia. Só havia uma garota lá dentro, lendo um livro, ela parecia ter a minha idade. Pedi licença a ela antes de entrar, mas a garota me ignorou e continuou sua leitura como se eu não existisse.

Ainda assim, na ausência de uma resposta negativa, entrei e me acomodei na cabine. Não tinha vontade de voltar a vagar pelo trem. Olhei com mais atenção para a garota à minha frente. Ela era muito bonita. Seus olhos eram de um azul suave, bem claro. Seus cabelos castanhos caíam em cachos até pouco abaixo dos ombros. A pele clara e o rosto delicado como o de uma boneca de porcelana.

Tentei não me ofender com o fato de ter sido ignorado, e fiquei em silêncio por um tempo. Depois de ficar no silêncio absoluto por mais ou menos meia hora (tudo bem, cinco minutos, mas que pareceram meia hora para mim) não aguentei mais e tentei novamente puxar assunto com a garota.

— Meu nome é Scorpius — me apresentei, esperando por uma resposta. Novamente, apenas o silêncio — Prazer em conhecê-la — completei, tentando ser amigável, e estendi a mão para cumprimentá-la. A garota apenas ergueu seus olhos claros, que pareciam feitos de gelo, encarou minha mão por um breve instante e voltou à leitura.

Certo, dessa forma é difícil não se irritar! Ela desprezou meu cumprimento! Deixou minha mão no vácuo! Isso é algum tipo de maldição da família Malfoy? Respirei fundo e não externei minha irritação. Afinal um Malfoy e — aspirante a — sonserino não pode se deixar dominar pela raiva tão facilmente.

Decidi, então, que não falaria mais com aquela garota, mas dois minutos depois eu já estava silenciosamente rezando para que mais alguém entrasse naquela cabine. Ficar em silêncio sem fazer por muito tempo é insuportável para mim. Eu me esforço, mas é difícil agir como um Malfoy e um sonserino quando se sofre de hiperatividade. Logo, tentei novamente apelar para a atenção daquela garota misteriosa.

—Ei, boneca de porcelana, não vai mesmo falar comigo? — perguntei, fazendo com que ela voltasse a erguer os olhos do livro, parecendo irritada com o novo apelido — Agora você me ouviu, princesa? — provoquei.

— Pare de me dar apelidos estúpidos! — foi a primeira vez que eu ouvi a voz dela. Ela tinha uma voz delicada, mas que soou fria e autoritária naquele momento. Mesmo assim, eu me animei por ter conseguido alguma reação dela e continuei com a estratégia.

— Mas que escolha eu tenho, Olhos de Gelo, se você não me diz seu nome?

— Ayers — ela me respondeu em um tom cortante — E não me incomode mais.

Ayers. Finalmente consegui o sobrenome da garota misteriosa. Busquei em minha memória e não o encontrei. Meu pai sempre me ensinou sobre a história das famílias bruxas mais poderosas e antigas. Talvez eu tivesse esquecido. Ou talvez ela apenas não pertencesse a nenhuma grande família.

Depois disso, sem conseguir mais nenhuma reação Ayers, embora eu tenha tentado, acabei me envolvendo em uma conversa com Lelouch. Não me julguem, quem aqui nunca conversou com o seu animal de estimação quando estava sozinho? A diferença, no meu caso, é que eu não estava exatamente sozinho. Mas sozinho ou com Ayers, dá na mesma.

Então, minhas preces foram atendidas quando ouvi a porta ser aberta, revelando a presença de uma terceira pessoa. Olhei automaticamente na sua direção e vi um menino magro, poucos centímetros mais baixo do que eu. Ele tinha cabelos negros rebeldes e brilhantes olhos verdes.

— Com licença — ele falou em tom educado — Posso me sentar com vocês?

Eu prontamente respondi que sim, e fui o único a responder. Pelo menos agora eu sei que a atitude da jovem dama não é nada pessoal.

— E... Tudo bem para você? — ele perguntou mais uma vez, olhando para a garota.

— Nem adianta tentar conversar com ela — alertei — A boneca de porcelana se chama Ayers, e isso é tudo o que eu consegui descobrir sobre ela.

— Ah, tudo bem — o garoto se sentou ao meu lado. Pareceu um pouco chateado com a indiferença da garota por um instante, mas logo se voltou para mim com um sorriso. "Fofo" não consegui evitar pensar — Prazer, sou Albus Severus Potter — ele estendeu a mão para mim. Pelo menos alguém me cumprimenta.

"O filho de Harry Potter" lembrei assim que ouvi seu nome. Eu devia ter reconhecido pelos olhos. Contive o riso ao pensar na ironia da situação e em qual seria a reação do garoto. Apertando sua mão, me apresentei.

— Sou Scorpius Malfoy.

— Malfoy? — ele repetiu, parecendo surpreso. Confesso, observar a reação dele foi divertido, mas eu esperava que ele não resolvesse se afastar de mim e me deixar novamente sozinho com a princesa do gelo — Filho de Draco Malfoy?

— Correto, Potter — respondi com um sorriso tranquilo.

Nos encaramos por alguns segundos, antes de começarmos a rir.

— Quanta coincidência! — ele comentou com um sorriso divertido.

— Eu me pergunto o que nossos pais achariam de nós dois conversando — ri ao imaginar a reação do meu pai.

Não me entendam mal, não sou um filho rebelde. Pelo menos, não muito. Tenho orgulho da minha linhagem, amo muito os meus pais e quero deixá-los orgulhosos. Mas também não sou perfeito. Eu continuo sendo uma criança de onze anos.

Albus e eu começamos a trocar histórias sobre os nosso pais, da época em que eles estudavam em Hogwats. Era meio irônico pensar que, anos atrás, quando nossos pais tinham a nossa idade, Draco Malfoy tentou ser amigo de Harry Potter e foi rejeitado.

Eu e Albus, ao contrário dos nosso pais, estávamos nos dando muito bem, sem nenhum sinal de inimizade entre nós. Em compensação, fui friamente ignorado pelo jovem dama, quero dizer, pela Ayers.

— E você? — Albus se virou para Ayers — Como são seus pais? — ele perguntou, tentando trazê-la para a conversa.

Ayers voltou a erguer seus olhos por um instante, e cheguei a char que ela não responderia, mas então ela deu sua resposta curta e em um tom indiferente.

— Meus pais eram trouxas.

Uma nascida trouxa, por isso não reconheci seu sobrenome! Me senti um pouco estúpido por não ter pensado nisso antes.

— E o que mais? — tentei incentivá-la a falar.

— E eu não estava fazendo uma pausa dramática, Malfoy.

Essa doeu.

— Não ligue para ela — Albus pediu, colocando a mão no meu ombro, e logo mudou de assunto — Finalmente estamos indo para Hogwarts, estou tão empolgado!

— Sim, eu também estou ansioso para chegar lá — respondi, logo esquecendo minha irritação e voltando a pensar na animação do meu primeiro ano — Ver o castelo com os meus próprios olhos...

— Passar pelo Chapéu Seletor...

— Conhecer nossos companheiros de casa...

— Ver o céu estrelado do Salão Principal...

— Eu li em Hogwarts: Uma História...— sim, eu e Albus parecíamos duas crianças animadas. Mas tinha uma explicação perfeitamente lógica: nós éramos, de fato, duas crianças animadas.

De qualquer forma, vou pular parte da conversa, porque nós passamos um bom tempo falando sobre os fundadores de Hogwarts, os alunos mais famosos de cada casa e cada um dos diretores que a escola teve.

— Então, Albus, já sabe para qual casa você quer ir? — perguntei curioso.

— Não tenho certeza — ele confessou — Toda a minha família foi da Grifinória, então seria natural pensar que eu vou para lá também, não é? — ele me encarou um pouco inseguro depois de fazer essa pergunta, mas continuou falando antes que eu pudesse responder — Mas eu não tenho certeza. O meu irmão, James, ficou me atormentando, dizendo que eu iria para a Sonserina.

— Não tem nada de errado em ir para a Sonserina! — falei, sentindo a necessidade de defender a casa da minha família — Meus pais eram de lá, meus avós também, e eu também quero ir para lá.

— Eu sei, desculpe. Eu só estou preocupado com o que os meus pais pensariam. Digo, antes de eu embarcar, meu pai disse que estava tudo bem se eu fosse para a Sonserina, mas, mesmo assim, não consigo deixar de pensar que ele e a mamãe ficariam mais felizes se eu fosse para a Grifinória, como eles.

— Como eu disse, não tem nada de errado em ir para a Sonserina. Mas, se você acha que o seu lugar é na Grifinória, não é o que o seu irmão disse que vai mudar isso.

— Não sei bem qual é o meu lugar — ele parecia um pouco distante, observando a paisagem pela janela enquanto dizia isso. Em seguida, ele voltou a olhar para mim — Ah, deixa para lá, é que James sabe ser bem idiota quando quer.

James é da Grifinória? — perguntei.

— Sim, por quê?

— Veja sempre o lado positivo da situação: se você for para a Sonserina, vai poder competir com ele! — falei, fazendo Albus rir.

Uma moça entrou na cabine trazendo um carrinho cheio de doces.

Já mencionei que eu amo doces?

Eu e Albus compramos vários, mas Ayers apenas recusou educadamente. Eu não deveria estranhar essa atitude dela, mas um pensamento me ocorreu: ela era uma nascida trouxa, possivelmente não tinha dinheiro bruxo.

— Ei, Ayers — eu a chamei — Quer alguns? — ofereci, estendendo alguns doces para ela.

Seus olhos azuis brilharam quando pousaram sobre os doces — bem, apesar de tudo, ela também é uma criança de onze anos — e, apesar de hesitar um pouco, acabou aceitando.

— Bem... Obrigada — ela agradeceu um pouco tímida. Essa cena foi incrivelmente fofa. Só perdeu para Albus. Sério, por que eu estou pensando esse tipo de coisa?

— De nada — respondi — Em agradecimento, por que não nos diz seu primeiro nome? — sugeri — Não adianta fazer muito mistério mesmo. Eu vou descobrir de qualquer forma, quando chamarem seu nome, na seleção das casas. — argumentei.

— Helena. Helena Ayers — ela respondeu antes de voltar à leitura. Sinto que estou fazendo progresso.

Depois disso, ela não disse mais nada durante a viagem. Eu e Albus continuamos conversando sobre diversos assuntos enquanto dividíamos nossos doces.

Foi assim que começou o nosso primeiro ano em Hogwarts.

Notas finais
O que acharam? Gostaram do capítulo? E dos personagens?
Qualquer erro, me avisem.